junho 03, 2010

Baixar do taipal

Número de contribuinte, número da segurança social, cartão do cidadão, chip no popó, via verde, dinheiro de plástico, e-mail, passaporte electrónico, telemóvel, web, vigilância electrónica na rua e nos edifícios, satélites que, não tarda nada, têm até olfacto… e toda a outra parafernália de maroscas que nem dá para devanear.
A mente repressiva da personagem o “Grande Irmão” é a de uma bondosa avozinha ao pé da dos “Grandes Irmãos” actuais. O “1984” do George Orwell pode passar a pousar sem grande crise na estante do quarto das crianças.

Estou vivo. Estou efectivamente vivinho da silva e, ainda, na posse das faculdades que me calharam à nascença. Mas estou também demasiado agastado com tanta abelhudice na minha santa vidinha. Ainda por cima, quando chego à conclusão que muitas vezes me tenho posto a jeito.
Amadurecida conclusão de futuras cautelas em linguarejar futeboleiro da década de sessenta: «corta Vicente». Daí que o teclado e o écran, parceiros da cacofónica rebaldaria Webiana vão sofrer restrições draconianas. Quanto ao resto da devassa: «a ver vamos como diria o cego».

Sei que alguns, muitos, me irão apelidar de paranóico velho do Restelo. Problema deles!
Não se importam e, alguns, muitos, até gostam da marmelada. Problema deles! Não se esqueçam é que a porra da vaselina tem areia. Não se esqueçam que não passam de números/peças que, quando inúteis aos supremos propósitos, vão parar ao aterro sanitário antes de tempo. O decisor da vossa inutilidade irá, certamente, redigir uma patacoada como epitáfio. Decisor que também não passa de um número/peça e, a seu tempo, terá direito a igual patacoada.

Ao cientista foi dada a tarefa de investigar a motricidade do sapo. Pôs o sapo em cima da bancada de trabalho e simultaneamente com uma palmada na mesa, gritou-lhe:
- Salta! – O sapo saltou.
Escreveu meticulosamente no caderno de anotações; sapo com quatro patas salta.
Com o bisturi cortou uma pata ao sapo. Simultaneamente com uma palmada na mesa, gritou-lhe:
- Salta! – O sapo saltou.
Escreveu meticulosamente no caderno de anotações; sapo com três patas salta.
Com o bisturi cortou a segunda pata ao sapo. Simultaneamente com uma palmada na mesa, gritou-lhe:
- Salta! – O sapo saltou com alguma dificuldade.
Escreveu meticulosamente no caderno de anotações; sapo com duas patas salta com alguma dificuldade.
Com o bisturi cortou a terceira pata ao sapo. Simultaneamente com uma palmada na mesa, gritou-lhe:
Salta! – O sapo saltou com muita dificuldade.
Escreveu meticulosamente no caderno de anotações; sapo com uma pata saltou com muita dificuldade.
Com o bisturi cortou a quarta pata ao sapo. Simultaneamente com uma palmada na mesa, gritou-lhe:
- Salta! – O sapo foi incapaz de saltar.
Escreveu meticulosamente no caderno de anotações; sapo sem patas é surdo.

(pilhéria de anónimo mais que a propósito)

Isidoro de Machede

Publicado por machede em junho 3, 2010 06:49 PM | TrackBack
Comentários

É pena Isidoro, muita pena que o Alentejanando baixe o taipal. Mas percebo que assim seja.
Até o último post é bom. Espero lê-lo brevemente em papel.

Afixado por: Mónica M. em junho 3, 2010 11:27 PM

Então vou deixar de ler o alentejanando? Não quero crer.

Afixado por: Ana Maria em junho 4, 2010 12:32 PM

Ora bolas, lá se vai um dos campeões do sarcasmo.
E agora, vou rir do quê? Os outros gajos são uns sérios do camandro. Outros são uns teóricos igualmente do camandro. Porra Isidoro, arranja lá a maneira de te ler-mos noutro registo. Quero dizer no papelote a cheirar a tinta e a traça. Isso é que era do caraças.

Afixado por: Miguel Bombarda em junho 4, 2010 02:18 PM

Ainda mais esta. No papelote, juntavas o útil ao agradável de receber dos bófias da web (que qualquer dia são mais que os bits) o natural carcanhol.

Afixado por: Miguel Bombarda em junho 4, 2010 02:24 PM

Baixar o taipal é encerrar o Alentejanando? Não acredito!?

Afixado por: Carlos A. em junho 4, 2010 03:07 PM

"NUMA SOCIEDADE COMO ESTA, A ÚNICA AVENTURA POSSÍVEL É COMBATÊ-LA!"
(Escrito por mão anónima, num anónimo muro da Praia da Vieira, concelho da Marinha Grande, ali permaneceu muitos anos, até ao derrube do dito cujo)
Continuaremos a combatê-los e a rir-nos, até à derrota final!

Afixado por: Má-Noite em junho 4, 2010 03:08 PM

Respeito e percebo. Tenho pena, muita pena! O Alentejanando com a sua ironia era uma escrita clarividente e assertiva. Até um dia Isidoro.

Afixado por: Chixa em junho 4, 2010 11:08 PM

Isidoro, politicamente até somos distantes. No entanto, cativa-me a forma lúdico/séria como o amigo trata os assuntos sobre os quais discorre. Estou muitas vezes de acordo consigo. Dá também a entender da coerência do seu carácter (pensando eu estar a lidar com uma pessoa que já passou do meio século), o que nos tempos que correm é uma coisa escassa.
Estou, igualmente, de acordo consigo relativamente à cacofonia em que a internet se tornou. Muito mais para o negativo que para o positivo. Sinal dos tempos em que a depravação da condição humana se degrada a olhos vistos. Daí entender da sua posição! Até um dia.

Afixado por: Casimiro em junho 6, 2010 02:33 PM

A pobreza desta merda já é o que é. Os blogs ainda são uma safa. Da aberração redes sociais nem quero falar. O Alentejanando está a par do que de bom existe em português.
O Isidoro é rapaz empinado e muito senhor das suas opiniões. Quem sou eu para dizer continua, se ainda por cima percebo das suas razões.
Como outros já disseram, quero crer que, mais dia menos dia, vou deparar com o Isidoro em livro. Aliás, não seria a primeira vez.

Afixado por: Cândida em junho 6, 2010 04:35 PM

tudo BEM, Cândida
AGORA, o maralho que não faz férias no rectângulo,ouve o verbo do ISIDORO onde????????????????
algures: 49°36´N 6°8´E

Afixado por: cipriano em junho 7, 2010 05:31 PM

O Alentejanando deixou de bolinar. A República do Gerúndio cá fica pobre, cada vez mais pobre. Com os monstros com pés de barro que o poder???? lhe atirou como quem atira migalhas aos passarinhos.
Com mestria e estética verbal o Isidoro bolinava contra as envenenadas migalhas. Deixas esta batalha inquinada pelos "Grandes Irmãos Webianos", mas sei que continuas na guerra. Há sempre uma nova maneira de meter pedras na engrenagem. A merda é que a grande maioria ainda não percebeu sequer o que é a engrenagem. Outros há que não querem perceber, ou porque dá jeito ou o cérebro não aguenta.
A criatividade ao poder! É esta a nossa trincheira, não é Machede!?

Afixado por: M.F. em junho 7, 2010 06:54 PM

Em boa hora, descobri o Alentejanando em 2004.
O Isidoro tem uma costela anarquista (tal como o diz). Eu sou um social-democrata (não de contrafacção).
Passei a frequentar este sítio com muita regularidade. Nunca deixei um comentário. Na última oportunidade vou deixar: O verbo do Isidoro é na boa tradição dos grandes escritores da nossa Planície.

Afixado por: da Planície em junho 7, 2010 08:01 PM

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Afixado por: mtnffdjev em junho 8, 2010 12:34 PM

No comentário acima está a prova dos palermas que pupulam na net. Estas larvas deveriam apenas coabitar nos sítios, inúmeros infelizmente, dos atrasados mentais.
Coitados dos pobres de espírito!

Afixado por: Mónica M. em junho 8, 2010 05:56 PM

Não é só pobreza de espírito. É maldade! E cobardia!
Ó "mtnffdjev", deixa-te de parvoíces!... Já chega.

Afixado por: António Baptista em junho 10, 2010 08:38 AM

Nasci e vivo em Bruxelas. Os meus pais são alentejanos que vieram procurar uma vida melhor.
Gosto de dizer que também sou alentejano. E li coisas no Alentejanando que me aumentaram esse orgulho. Quando vier à Bélgica visite-me por favor. Envio o meu nome completo e restantes contactos por e-mail.
Alentejanando um abraço.

Afixado por: António Lima em junho 12, 2010 06:14 PM

Eu cá, na digo nada.
O meu amigo, melhor que ninguém sabe o que está a fazer.
A mim, a nós, os que gostamos do "ALENTEJANADO", resta-nos os arquivos e aí, temos muito para ler e meditar.
Vou-me lembrar de si, ou de ti, que é melhor assim, sempre que tomar um copo e então, terão que ser dois um por mim e o outro, pelo meu amigo. É a mais sincera homenagem que lhe/te posso fazer.
Abraço atlântico de um alentejano ancorado nos Açores.

Afixado por: José Palmeiro em junho 13, 2010 01:34 PM

Ora bolas! O Isidoro baixou o taipal da baiúca (como ele costuma dizer), e agora???? Acabam as navalhadas elegantemente escritas???? Pois, lá que os bófias metem o nariz em todo lado é uma verdade, e a net é cá um viveiro. Basta ver aquele comentário do camelo(a) acima que deve ser daqueles que tem o crachá especializado em cibernética, ou então tem uns parafusos a menos.
Como estou aqui perto vou meter uma cunha à Carla Bruni de quem sei que o Isidoro gosta até à medula.

Afixado por: P. Godinho em junho 13, 2010 06:53 PM

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Afixado por: ytybiyni em junho 13, 2010 11:13 PM

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Afixado por: kncybjd em junho 21, 2010 10:39 AM

Como te entendo Isidoro! Como entendo não teres paciência para a acéfalia do(a)s ytyblyni, kncybjd, e outros que tais se calhar mais letais. Até eu que nada digo, começo a ter medo de ser engulida pelo ecran desta globalização paranóica.
Tenho pena de não continuar a ler o ALENTEJANANDO. Mas como já outros disseram, temos o armazenado que dá pano para mangas e, quem sabe, ali ao virar da montra da livraria um novo livro do Isidoro ou do Joaquim Pulga. Ainda temos a revista Pormenores.
Um abraço HOMEM Isidoro.

Afixado por: Mariana Freixo em junho 27, 2010 06:38 PM

O Alentejanando apanhou-me de férias e fechou a loja. Não se faz! E eu que gostava tanto de vir aqui "comprar" palavras da planície.
Tenho a fé da planície (tal como diz o Isidoro) em como abre noutro lugar.
Até mais ver

Afixado por: da diáspora em junho 29, 2010 06:26 PM
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