janeiro 28, 2008

E nós!

Uma fábrica produtora de aviões. Umas dezenas largas de novos empregos, na dita fábrica e noutras actividades induzidas e envolventes. Uma actividade cosida na perfeição com um maior uso do aeródromo municipal. Uma actividade cosida na perfeição com as condições de excelência existentes na região para a prática da aeronáutica.

Aqui já há uns anos disseram-nos que sim, que a dita fábrica ia ser uma realidade a breve trecho. Puseram-nos a questão ao género do não se admirem se um dia destes depararem com a infra-estrutura da fábrica a crescer a um ritmo da urgência. E nós pensamos que eram favas contadas. Eram favas contadas contarem com uma nova actividade no território, ainda por cima suportada em tecnologias de ponta quase ausentes de danos ambientais. E ficámos pacientemente à espera de ver nascer a qualquer momento a tal infra-estrutura que daria lugar no instante seguinte a aviões prontos a satisfazerem encomendas. E tínhamos tudo para acreditar, já que a promessa não se cingia somente ao município, mas ultrapassava-o. Envolvia decisores estatais ao nível dos mexem com grandes investimentos de capitais estrangeiros.

O certo é que já lá vão uns anos e a tal infra-estrutura não nasceu. E a confirmação da vinda da fábrica de aviões passou a ser um pouco titubeante. Que se esperava o desbloquear de pormenores ao nível de comparticipação financeira. No entanto, sossegavam-nos informando que o investimento era um dado seguro.
Passaram mais uns tempos e as afirmações passaram, para além do titubeante, a conter alguns tremores nas explicações. A oposição local passou a usar a questão para morder os calcanhares do executivo autárquico, em crescendo.

Encontramo-nos actualmente naquele estado de limbo em que nem uns nem outros usam o assunto. Segundo o meu ponto de vista estamos no momento certo para clarificarmos a questão. Vai ou não haver fábrica de aviões? É que caso não, estamos no momento certo para exigir outras contrapartidas para a região. Contrapartidas que nos reparem as goradas expectativas.

Tenho a certeza de não falar em vão. Certeza fundada noutro exemplo que, por acaso, também mete aviões e expectativas goradas. É certo que o exemplo em causa é, figurativamente, um colosso que deixa o nosso anão a quilómetros de interesses e conveniências. O certo, é que para além da reparação exigida de imediato pelas gentes do Oeste, dos institucionais e dos outros, o governo foi lesto a proclamar mecanismos financeiros reparadores.
O governo, ao nível do seu chefe máximo e de um importante ministro – o mesmo que qualificou há uns tempos o sul de deserto -, desembaraçou de imediato meios financeiros extras para a região do Oeste. Meios financeiros extras em detrimento de outras regiões que também já tiveram as suas expectativas goradas com maior ou menor ordem de grandeza.

E nós a pasmar aqui no nosso pasmo. A pasmar no nosso deprimido território como se não houvesse volta a dar-lhe. Há efectivamente volta a dar-lhe! Só que essa volta necessita de congregar vontades efectivas. Só que essa volta exclui as vontades das capelinhas da oposição do quanto pior melhor. Só que essa volta exclui a vontade da capela dos actuais decisores ao acharem que a sua vontade é indiscutível por ser dona da verdade.

Joaquim Pulga

(Crónica de Opinião – Rádio Diana FM)
Janeiro 28, 2008

Publicado por machede em janeiro 28, 2008 10:04 PM | TrackBack
Comentários

Com tanta demora e tanta hesitação, há que partir, sem demora, para a exigência de reparações, tal qual no Oeste. Porque senão. "A Leste, nada de Novo"!

Afixado por: josé palmeiro em janeiro 29, 2008 12:03 AM

Desconfio que o "nosso" Zé ficou acagaçado com a história dos aviões que por cá passaram a caminho de Guantánamo e anda a pensar (coisa que lhe dá uma imensa trabalheira!), a ver como é que vai descalçar a bota da promessa do Skylander 69 vezes repetida...

Afixado por: JC em fevereiro 1, 2008 02:41 PM
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