Eu sou devedor à terra
E a terra me está devendo
A terra paga-me em vida
Eu pago à terra em morrendo

A Aquilino Ribeiro bastaria esta chã homenagem de um anónimo alentejano.
“A ele pouco lhe interessaria que lhe andassem agora com os ossos às costas”, disse o escritor Mário Cláudio.
Pouco lhe diria o Panteão Nacional, digo eu. Essa tribuna mortuária que desencalha a má consciência nacional, para alguns, poucos, dos transladados, acrescento ainda.
Depois o revanchismo de terrorista e de regicida que atentou contra o estado de direito. Coisa de gaijos, que da história tem uma leitura vesga, porcalhota e reaccionarota. Daí ficar-mos informados sobre o que pensam os ditos vesgos sobre os militares que em Abril de 74, igualmente, atentaram contra “o estado de direito”.
Acho o Aquilino Ribeiro merecedor das maiores homenagens, desde logo a divulgação da sua vida e obra e a sua inclusão nas leituras escolares aconselhadas (não gosto do desmobilizante termo "obrigatórias").
Agora, ir para o Panteão Nacional?! Tenho a certeza que se lhe perguntassem em vida se gostaria de ter as ossadas perto das do Sidónio Pais e do Carmona ele até se arrepiaria!... A família não pensou bem no assunto.