E os deuses mandaram alvíssaras de que iriam repartir a inteligência pelos humanos. No dia tal, às tantas horas, no sítio tal. E os mensageiros dos deuses espalharam a informação. Uns, ouviram. Outros, nem por isso. Outros, não estiveram para aí virados. Outros ainda, acharam-se eles próprios também deuses. Alguns não humanos, retiveram a notícia e decidiram tentar ludibriar os deuses.
O sítio rapidamente ficou repleto pelos mais avisados. Nas filas da frente, os que porfiavam a ferramenta. Nas do meio, os do género venha de lá um naco razoável que depois logo se vê. Nas de trás, os do assim como assim isto até pode vir a ser uma dádiva que dê jeito. No meio dos humanos, aqui e ali, estava a assembleia também recheada de não humanos camuflados de humanos o que lhes foi problemático, dada a torpeza - quer do lado interior como exterior do cabedal - de tais singulares seres.
No logradouro contíguo ao coberto da assembleia, do lado de fora, portanto, ainda se amontoaram alguns retardatários e outros que andam cá por verem andar os outros e gostam é de dar fé do que quer que seja sem perceber muito bem o que foi.
No mural da estória, a regra dos noves fora um, esclarece, que somente sobram os deuses. E esses, são do domínio da mitologia!
Os não humanos contemplados, esses, mantêm o low profile.
Tempo haverá em que os humanos acorrerão a grafitar alarvidades no mural para, tempos depois, não menos selvaticamente, o derrubarem.
anónimo de Machede (lugar mitológico)
Publicado por machede em agosto 25, 2007 08:02 PM | TrackBackCerto dia levei uma surra da minha mãe porque do alto do 2º andar onde morava na ex-Lourenço Marques, resolvi atirar aos miúdos da rua as moedas todas da igreja de que ela era tesoureira. Rasguei os mealheiros de cartão (dezenas deles, em forma de marco de correio, cheios) que ela guardava em casa e fiz a distribuição. Alarido, saltos e correrias entre a miudagem de pé descalço! Uma festança que acabou mal, para mim. Tinha eu quatro anos. Senti a injustiça. Cortei relações com a minha mãe, porque me deu uns tabefes e com deus, que não me protegeu no rescaldo daquela boa acção. Reatei com a minha progenitora no dia seguinte, mas,desde então tenho uma relação difícil com o divino ser. Esforço-me, mas não o percebo. No deus mesquinho, prepotente e castigador da cristandade não acredito. No deus bondoso, justo e generoso que em tempos idealizei, também não. Nunca o vi, nunca o senti, nunca dei por ele. Olho à volta do mundo e "cadê"? Isto, a propósito da distribuição da inteligência. Será que a mim, não calhou nem um niquinho?!
Afixado por: Eborentino em agosto 28, 2007 10:47 AM