agosto 02, 2007

EDEN ESPLANADA

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1ª plateia, fila f par. Noite sim noite sim. Depois da bica e da mosca no Arcada, ala refrescar o esqueleto e o vício do animatógrafo no velhinho Éden esplanada. Princípio da década de setenta.
Bergman. Morangos Silvestres. Diziam-no o cineasta das mulheres. Para os meus olhos mediterrânicos, era espinhoso, subliminar e glacial como a sua terra. Atraiam-me as suas mulheres tão diferentes das trigueiras e sanguíneas da minha terra. Mas voltava sempre a apostar desvendar a sinuosidade do recado. Engodavam-me os enigmas em redor da solidão, da fé e da morte. Foi sempre uma paixão que vi por entre os dedos de uma certa desafeição.
Antonioni. Blow Up. A trepidação do diferente. O crime no cadáver que não existia. As amantes inquietas e modernas que nos estremeciam a libido. Os olhares sobre vidas que tínhamos por não acontecerem. A admiração de uma estética arrumada num cinema revolucionário. Talvez diferente, de certa forma à parte dos outros monstros italianos seus contemporâneos.

Publicado por machede em agosto 2, 2007 12:16 AM | TrackBack
Comentários

Depois de um retiro cibernético, quase monástico, onde as actividades praticamente se reduziram a ler e dormir, o regresso à rotina e à peregrinação pelos blogues estava-me a parecer bastante entediante, não fosse a salutar lufada de ar fresco que emana daqui.
Um abraço
Nuno Jordão

Afixado por: Nuno Jordão em agosto 3, 2007 02:04 PM

Bergman e depois Antonioni. Não consta que fossem grandes amigos, nem que tivessem a mesma estética ou idênticos gostos pelo belo sexo, o único, aliás. Mas, pelos vistos, não podiam passar um sem o outro. Juntaram-se lá "do outro lado", para gáudio dos(as) que os esperavam para novas cenas. Eles partem e dou conta de como estou a ficar velho...

Afixado por: Olhovivo em agosto 21, 2007 10:04 AM
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