julho 22, 2007

DE RELANCE O ALENTEJO

Um céu abafadiço, um ar de
ausência
esperando nuvens imóveis no
céu baixo.
A terra, já das ceifas recolhida,
alonga-se manchada a flores
tardias,
roxas, vermelhas, amarelas,
brancas,
como penugem de esquecida
Primavera.

Por entre campos, os cordões
rugosos
dos caminhos para toda a parte,
menos para os campos, que
pacientemente evitam.
Na linha do horizonte próxima
ou distante
conforme as ténues cristas da
planura imensa,
um claror de céu, um tufo de
arvoredo,
alternadamente se tocam e se
afastam.

De súbito, num alto que a
planície esconde,
as casas surgem brancas e
compactas.
Como surgem, mergulham
na sombra poeirenta de
azinhagas em ruínas.
Ainda se demora uma torre
antiga,
escura, com ameias e janelas
novas,
caiadas.
Um rio de adivinha. Mas, de ao
pé da ponte,
de novo apenas o ondular da
terra,
um crespo recordar só de searas
idas.

Jorge de Sena 1950

Publicado por machede em julho 22, 2007 02:14 PM | TrackBack
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