junho 07, 2007

Dos figos e dos damascos

Ervas e frutas 001.jpg

“Chamou-lhe um figo”! Papou-o a contento numa vertigem… a exemplo do que se faz aos figos. E os figos caem que nem ginjas no ditado. Nem mais!
Os frutos figos nados e criados nas solarengas terras da borda d’água mediterrânica. Pintados no mesmo tom por dentro e por fora, delicadamente carnudos e humedecidos no feminino. Apetitosamente maduros no verão como tentadoramente apetitosa é a sombra matriarcal. Os frutos que o imaginário cigano considera um estimulante sexual e usa, igualmente, como remédio para a depressão, a ansiedade e a falta de memória. Os figos que alentejanamos na açorda, no gaspacho, nas sopas de tomate e mais nisto e naquilo que o paladar nos calhar. E secados a condutar o matar do bicho das águas ardentes da vida logo pelo parto do dia.
Damascos de Damasco como alguém já disse frutos filhos do primeiro acto de engenharia vegetal praticado pelo sapiens árabe. Da China, segundo outros entendidos nos lugares de nascimento das coisas vivas. Sedosamente amarelos, polpudos e suculentos. Perfumados e afrodisíacos, aromatizantes de paixões, também no simbolismo cigano. Frutos também dos tempos calmosos que não desmerecem companhias pantagruélicas e fontes de águas frescas.

Publicado por machede em junho 7, 2007 11:50 PM | TrackBack
Comentários

Uáu uáu, vou já comprar desta fruta!

Afixado por: Isilda em junho 9, 2007 03:10 AM

Mestre Machede,
delicados os textos, é obra Mestre!

Afixado por: PM em junho 9, 2007 01:25 PM
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