junho 03, 2007

O Império das ervas

No início, ervas todas eram. Ceifou e saboreou o Homem. Apartou e amansou as que lhe encantaram o palato. Outras houve, que apurou para condimento. Assim, também estas trocaram a condição de maninhas pela condição de saciar o Homem.
Aqui, neste sul, a sempre engenhada cozinha da necessidade, ergueu o Império das Ervas. Império sem fronteiras, das beldroegas aos espargos bravios, da hortelã-da-ribeira aos poejos, dos queijos com sabor a cardo aos enchidos ajaezados pela massa de pimentão. Dignitários morenos das sopas de peixe do rio, dos ensopados de borrego, das açordas com coentros, das poejadas de bacalhau… Soberania conquistada pelo paladar dos tisnados Homens da planície na guerrilha da sobrevivência. Aristocratas de uma singela estética alimentar. Altivos senhores de uma burilada geometria do palato.
Ervas todas continuam a ser!

Ervas.jpg
Louro, Alecrim, Poejos, Orégãos e Hortelã-da-Ribeira

Publicado por machede em junho 3, 2007 03:20 PM | TrackBack
Comentários

o relógio no meio das ervas fica muito bem....

Afixado por: Zeza em junho 3, 2007 07:40 PM

Eu sou um gastro-polivalente: carnívoro, herbívoro, "enlatívoro" e "congelatívoro", conforme a travia que a Mary me põe à frente. Sou pouco exigente, o que escandaliza aí o meu amigo de bocal mais requintado. Venha o pão nosso de cada dia, que marcha e pronto. Sem grandes hesitações. Mas, atenção, compadre: ervas há muitas. Com sabores e aplicações distintas. Agora que enchi o bandulho vou... Depois das refeições sabe-me bem, o que querem?

Afixado por: Puxafogo em junho 5, 2007 01:55 PM
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