
Uma vez que ignoras o que te reserva o dia de amanhã,
procura ser feliz, hoje.
Toma uma ânfora de vinho, senta-te ao luar e bebe
lembrando-te que, talvez amanhã, a lua te procurará em vão.
Homem que bebes, ânfora imensa, ignoro quem te modelou.
Somente sei que és capaz de conter três medidas de vinho
e que a Morte te destruirá um dia.
Então perguntarei a mim mesmo, mais demoradamente,
por que é que foste criado, por que é que foste feliz e por que, agora,
és somente poeira.
Quando nasci? Quando morrerei?
Nenhum homem pode evocar dia do seu nascimento e designar o da sua morte.
Vem, minha dócil bem-amada!
Eu quero pedir à embriagues que me faça esquecer
que nunca saberemos nada.
Eu tinha sono.
A sabedoria disse-me: «As rosas da Felicidade nunca perfumam o sono.
Em vez de te abandonares a esse irmão da Morte,
bebe vinho. Tens a eternidade para dormir.»
A vida escoa-se.
Que resta de Bagdade e de Balk?
O menor toque é fatal à rosa completamente desabrochada,
bebe vinho e contempla a lua, evocando as civilizações
que ela já viu extinguirem-se.
Em que reflectes, meu amigo? Nos teus antepassados?
Pó na poeira – eis o que eles são.
Pensas nos seus méritos? Deixa-me sorrir.
Toma esta ânfora e vamos beber,
escutando sem inquietação o grande silêncio do universo.
Ó gladiador de corações, toma uma ânfora e uma taça!
Vamos sentar-nos junto ao regato.
Esbelto adolescente de claro rosto,
contemplo-te e penso na ânfora e na taça que tu serás um dia.
Quando a sombra da Morte se alongar para mim,
quando o feixe dos meus dias estiver atado,
eu hei-de chamar-vos e vós levar-me-eis, ó meus amigos!
Quando eu me tornar pó, vós moldareis
com as minhas cinzas uma ânfora que enchereis de vinho.
Numa taberna pedi a um velho
que me informasse sobre aqueles que morreram.
Respondeu-me:
«Não voltarão. É tudo o que sei. Bebe vinho!»
Cansado de interrogar, em vão, os homens e os livros,
eu quis interpelar a ânfora.
Pousei os meus lábios sobre os seus e murmurei:
Para onde irei quando morrer?
A ânfora respondeu-me: Bebe na minha boca.
Bebe longamente: jamais voltarás aqui.
“Rubaiyat – Odes ao Vinho” de Omar Khayyam*
Ruba’i nº 5, 19, 21, 35, 56, 83, 86, 99, 113, 134
* Cidadão da Pérsia muçulmana do princípio do século XI. Homem sábio e crítico, astrólogo, matemático e geómetra, que com a normalidade dos amantes do prazer prezou o convívio das mulheres e do vinho, tal como com a simplicidade dos que sabem da naturalidade da Morte, dela também fez poema.
Publicado por machede em maio 25, 2007 12:10 AM | TrackBackCompadre, este é o caminho da Herdadinha (boa pinga essa dos Ervideiras). Já agora, para completar a informação(http://www.vinhos.online.pt/def.asp?id=1600):
A Vendinha é o principal aglomerado da Freguesia concentrando mais de metade do total da população. O actual nome da Freguesia tem origem na sua igreja paroquial pois a denominação de S. Vicente do Pigeiro já aparece documentada em
meados do século XIV.
Em 1341 há um empregamento da herdade a que chamam Folha de S. Vicente do Pigeiro, arrendada de forma consequente na mesma data a Domingos Esteves por oito quarteiros de trigo pois já no século XVI o actual templo ou Igreja Paroquial construída segundo o tipo rústico e população dos fins do Século XVI e começos do imediato, sucedeu a outro primitivo de arte gótica, de que não existem vestígios. Era uma encomenda do hábito de S. Pedro.
Abraços.
Num dia qualquer poderei achar que são dois bons caminhos...
Afixado por: Cospelume em maio 28, 2007 10:38 AMIN VINO VERITAS
Afixado por: Fred em maio 28, 2007 02:00 PMYjqBdO drzmmsgcxvth, [url=http://pnrzrivkvbfk.com/]pnrzrivkvbfk[/url], [link=http://fscfidnjomdf.com/]fscfidnjomdf[/link], http://rybqfwhzlfrk.com/
Afixado por: baputrroaia em julho 16, 2009 11:48 PMg6stFY wqqjpcjb vqxwfmlj wrceisjs
Afixado por: kaufen cialis em julho 27, 2009 09:52 AM