
São agradáveis os candeeiros da minha rua. São elegantes os candeeiros da minha rua. São do tempo do ferro fundido. Terão a minha idade, mais ano menos ano. Conheço-os desde que me conheço. Coisa do meio da tábua da centúria a que o tempo voltou a página, vai para um nadinha. Plantaram-nos - na agora minha rua – quando o eixo centro da cidade / estação do caminho-de-ferro era coisa importante para os citadinos desta urbe e dos lugares em redor. Eixo que desce, com doçura, do cabeço da Praça do Giraldo, caminha pela rua da República, corta o rossio de S. Braz a meio e desemboca na dita estação depois de escorregar ainda, sempre no consolo da sombra, pela avenida Dr. Francisco Barahona – a minha rua.
A estação do caminho-de-ferro, no fim da minha rua, não é agora mais que um requalificado apeadeiro de fim de linha. Os homens que mandam [no caso e em tantos outros casos, em cima do joelho], findaram-lhe a missão de expedir comboios para Mora, Estremoz e Reguengos de Monsaraz. Fecharam os três ramais. Fecharam a correspondência para os interiores do interior. A minha rua, tem agora apenas comunicação com o umbigo Lisboa e com nenhures. Outros transportes mais alto se levantaram – na cabeça dos homens que mandam. Outros transportes que, cada dia que passa, vão transportando apenas as gentes que não se vão escoando dos interiores para os litorais. Por este andar, à míngua de gente, não faltará muito para fecharem de vez os interiores. Um dia, quem sabe, também a minha rua!
É verdade meu caro.
A estação está agora como um apeadeiro, pese embora a agradavel ligação a Lisboa, mas já não há a corrida dos táxis- o "maluco dos combóios", lembras-te?
tudo bem quanto aos pedúnculos em ferro forjado. A questão é que a luminária dispersa quase toda a luz para cima ... talvez bastasse um chapéu a direccionar.
Afixado por: bamboo em maio 23, 2007 10:46 PMBem-vindo à nossa rua!Que o seja por muitos e bons anos!
Já aqui passei 7 verões e as únicas prendas dos cavalos-guardas que recebo são 2 carrinhos de estrume/ano para ajudar a fermentar o compostor do jardim.
Abraço do vizinho canoísta
F
Olha amigo, a malta resiste, mas, por este andar, qualquer dia só haverá candeeiros nas ruas deste Alentejo condenado a morte lenta. Resta o consolo de que eles iluminam o lisbonense deserto de ideias em que chafurdam os estúpidolinos desta tragicomédia eufemisticamente designada por país...
Afixado por: Cospelume em maio 28, 2007 10:33 AM