maio 23, 2007

Os candeeiros da minha rua

Candeeiro da minha rua.jpg

São agradáveis os candeeiros da minha rua. São elegantes os candeeiros da minha rua. São do tempo do ferro fundido. Terão a minha idade, mais ano menos ano. Conheço-os desde que me conheço. Coisa do meio da tábua da centúria a que o tempo voltou a página, vai para um nadinha. Plantaram-nos - na agora minha rua – quando o eixo centro da cidade / estação do caminho-de-ferro era coisa importante para os citadinos desta urbe e dos lugares em redor. Eixo que desce, com doçura, do cabeço da Praça do Giraldo, caminha pela rua da República, corta o rossio de S. Braz a meio e desemboca na dita estação depois de escorregar ainda, sempre no consolo da sombra, pela avenida Dr. Francisco Barahona – a minha rua.
A estação do caminho-de-ferro, no fim da minha rua, não é agora mais que um requalificado apeadeiro de fim de linha. Os homens que mandam [no caso e em tantos outros casos, em cima do joelho], findaram-lhe a missão de expedir comboios para Mora, Estremoz e Reguengos de Monsaraz. Fecharam os três ramais. Fecharam a correspondência para os interiores do interior. A minha rua, tem agora apenas comunicação com o umbigo Lisboa e com nenhures. Outros transportes mais alto se levantaram – na cabeça dos homens que mandam. Outros transportes que, cada dia que passa, vão transportando apenas as gentes que não se vão escoando dos interiores para os litorais. Por este andar, à míngua de gente, não faltará muito para fecharem de vez os interiores. Um dia, quem sabe, também a minha rua!

Publicado por machede em maio 23, 2007 02:08 PM | TrackBack
Comentários

É verdade meu caro.
A estação está agora como um apeadeiro, pese embora a agradavel ligação a Lisboa, mas já não há a corrida dos táxis- o "maluco dos combóios", lembras-te?

Afixado por: eu em maio 23, 2007 05:17 PM

tudo bem quanto aos pedúnculos em ferro forjado. A questão é que a luminária dispersa quase toda a luz para cima ... talvez bastasse um chapéu a direccionar.

Afixado por: bamboo em maio 23, 2007 10:46 PM

Bem-vindo à nossa rua!Que o seja por muitos e bons anos!
Já aqui passei 7 verões e as únicas prendas dos cavalos-guardas que recebo são 2 carrinhos de estrume/ano para ajudar a fermentar o compostor do jardim.
Abraço do vizinho canoísta
F

Afixado por: efe em maio 25, 2007 09:56 PM

Olha amigo, a malta resiste, mas, por este andar, qualquer dia só haverá candeeiros nas ruas deste Alentejo condenado a morte lenta. Resta o consolo de que eles iluminam o lisbonense deserto de ideias em que chafurdam os estúpidolinos desta tragicomédia eufemisticamente designada por país...

Afixado por: Cospelume em maio 28, 2007 10:33 AM
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