A burguesia, quando lutava contra a nobreza, apoiada pelo clero, arvorou o livre exame e o ateísmo; mas, triunfante, mudou de tom e de comportamento e hoje conta apoiar na religião a sua supremacia económica e política. Nos séculos XV e XVI, tinha alegremente retomado a tradição pagã e glorificava a carne e as suas paixões, que eram reprovadas pelo cristianismo; actualmente, cumulada de bens e de prazeres, renega os ensinamentos dos seus pensadores, os Rabelais, os Diderot, e prega a abstinência aos assalariados. A moral capitalista, lamentável paródia da moral cristã, fulmina com o anátema o corpo trabalhador; toma como ideal reduzir o produtor ao mínimo mais restrito de necessidades, suprimir as suas alegrias e as suas paixões e condená-lo ao papel de máquina entregando trabalho sem tréguas nem piedade.
(Introdução à obra de Paul Lafargue, “O Direito à Preguiça”, escrita durante o encarceramento do autor, na prisão de Saint-Pélagie, em 1883. Interessante o facto de Paul Lafargue ter sido genro de Karl Marx)
“Sejamos preguiçosos em tudo, excepto em amar e em beber, excepto em sermos preguiçosos.” LESSING
Realmente é mesmo pregiça! para quem gosta tanto de escrever e preserva tanto isso, já vão muitos dias. Imagino a grande ocupação, mas sempre podes arranjar uma horita para escrever, ou é falta de imaginação?
Afixado por: 28enovemeses em maio 5, 2007 01:04 AM