
Camionagem Luís Capucho – Évora. Com dois ou três “estransportes” idênticos (atenção que são nada mais que caminhetas Mercedes) a Camionagem Capucho foi uma das empresas pioneiras de transportes rodoviários de passageiros no Alentejo. Não sei exactamente as linhas de carreira exploradas nem a periodicidade. Seria interessante saber. Deduzo que o empresário se decidiu pelos critérios da bondade das rodovias e da inevitável procura. Possivelmente saem-me as contas furadas e o juízo foi completamente adverso.
Vale dizer que nesta altura já existia o percurso ferroviário Évora – Barreiro e, seguramente, estariam ou planificados ou já em construção os outros percursos ramais que outrora emanaram da belíssima estação eborense, hoje, mais morta que viva e ainda por cima com a morte anunciada de ser substituída por uma pós-moderna navette do galáctico TGV, inevitável agente da pós-falência retangular.
Ainda me lembro de ser garoto (há 40 anos) e vir de Estremoz a Évora era um acontecimento: banhoca na véspera, fatiota domingueira, sapatos engraxados, cinco escudos no bolso (uma fortuna)...
Uma vez vim de boleia com um colega do meu pai num Mini, à velocidade vertiginosa de 80 kms/hora, muito para a época na velha estrada ziguezagueante. Ufano, contei ao velho. Nunca mais me deixou montar no carro do Gameiro!
eu estudava na Mitra - que era coisa para gente grande, embora eu fosse gente munta pecanina, viajava de Évora para a Casa-Branca, de camioneta, e tinha ainda que pedalar mais meia-dúzia de kilómetros para chegar ao Almadafe.
recordo apenas da viagem a melhor "sandes"de paio da minha vida, comida num Café do Vimieiro.
o pão era caseiro - duas pródigas fatias, de côdea bem distinta do miolo - o paio, também caseiro, transpirava um óleo avermelhado que me besuntava os dedos, e que eu sugava no fim como se fosse a sobremesa.
Tudo era caseiro, quer dizer familiar, como o nevoeiro que enxofrava essa manhã, como o fumo da camioneta que estremecia como martelo pneumático no momento de arrancar.
E era mesmo dos Capuchos!
só uma ressalva:
Claro que não era o fumo da camiontea que estremecia. Era a própria camioneta!
Julgo que tenham percebido.
Era giro fazer o que hoje se chama uma reconstituição histórica!
Os quimbóios em Évora os aeros em Beja e nós cá em cima a vê-los passar....
Afixado por: Lagoia em março 6, 2007 11:17 AM