fevereiro 10, 2007

Com as mãos do homem e a sua ausência

A estrada nova que esventrou a paisagem e estendeu um tapete negro recto a apegar lugares. É uma ferida sarada e perdoada que em tempos tinha direito ao seu cantoneiro privativo, espécie de enfermeiro dos caminhos modernos.
Estrada sol sombras.jpg

A seara de trigo bordada a malmequeres brancos na espera do desabar da negrura do céu. Depois dos homens colherem o pão, ficará a terra vermelha, nua, ressequida esperando frutificar após do céu jorrar novamente a bendita água.
Nuvens terra.jpg

Antes na arrumação desarrumada do nasce semente por aqui e por ali apenas com a ordem natural de nenhuma negar a luz a nenhuma que a luz é condição de vida. Agora ordenadas pela cabeça do homem como se a floresta fosse penteada pelas madrugadas.
Olival.jpg

Da terra a mão fez parede e da cal guarnecimento para a subsistência da estrutura que também tem cosida uma argola para prender a irrequietude dos animais e uma folha de piteira a espreitar da borda da construção.
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Publicado por machede em fevereiro 10, 2007 07:59 PM | TrackBack
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