fevereiro 07, 2007

O ÚNICO DEFEITO DA MULHER

A minha amiga Paula Leal despachou-me este texto e ajuizou: Está brilhante...ainda mais escrito por um homem!!!!
Telefonei-lhe para lhe dizer que achei pilhéria na correnteza da escrita, só que a situação está um pouco datada. Muita água passou, entretanto, por baixo das pontes. As mulheres continuam a ser mulheres, só que mais ambiciosas e necessariamente mais calculistas. Possivelmente são elas que agora têm mais vontade de brincar aos directores. Como diz outra amiga: Estão muito mais despachadinhas. E eu, acredito piamente! Aliás, não foram grandes os passos. Até aqui na transtagânea, onde as tabernas eras só para os homens e em casa mandava quem usava calças, como tudo na vida a coisa da vida sempre teve um pouco de produzido e encenado. O dinheirinho da jorna masculina era administrado femininamente do primeiro ao último centavo. Tantas e tantas vezes ouvi dizer: Das portadas para dentro quem manda é a patroa. Assim a patroa queira.
Quero ainda acrescentar que também eu tenho tiques semelhantes aos que o autor reza no texto. Com a diferença de não me considerar um privilegiado, mas sim apenas um batalhador pelo deslumbramento.

Texto de Sérgio Gonçalves, redactor da Loducca, publicado no Jornal da
agência.

"Se uma memória restou das festinhas e reuniões de familiares da minha infância, foi a divisão sexual entre os convivas: mulheres de um lado, homens do outro.
Não sei se hoje isso ainda acontece. Sou anti-social ao ponto de não frequentar qualquer evento com mais de 4 pessoas, o que não me credencia a emitir juízos. Mas era assim que a coisa acontecia naqueles tempos. Tive uma infância feliz: sempre fui considerado esquisito, estranho e solitário, o que me permitia ficar quieto a observar a paisagem.
Bem, depressa verifiquei que o apartheid sexual ia muito além das diferenças anatómicas. A fronteira era determinada pelos pontos de vista, atitude e prioridades.
Explico: “no lado masculino imperava o embate das comparações e disputas:
O meu carro é mais potente, a minha televisão é mais moderna, o meu salário é maior, a vista do meu apartamento é melhor, a minha equipe de futebol é mais forte, eu dou 3 por noite” e outras cascatas típicas da macheza latina.
Já no lado oposto, respirava-se outro ar. As opiniões eram quase sempre ligadas ao sentir. Falava-se de sentimentos, frustrações e recalques com uma falta de cerimónia que me deliciava.
Os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como mexerico. Discordo.
Destas reminiscências infantis veio a minha total e irrestrita paixão pelas mulheres. Constatem, é fácil.
Enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, as mulheres já chegam
com quase metade da lição estudada. Qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática.
Ela brinca às casinhas e aprende a pôr um pouco de ordem nas coisas.
Ela pede uma bonequinha a quem chama filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana. Ela fala em namoro mesmo sem ter uma ideia muito clara do que vem a ser isso.
Noutras palavras, ela já nasce a saber. E o que não sabe, intui.
Já com os homens a historia é outra. Você já viu um menino dessa idade a brincar aos directores? Já ouviu falar de algum garoto fingindo ir ao banco pagar as contas? Já presenciou um bando de meninos fingindo estar preocupados com a entrega da declaração do IRS? Não, nunca viram e nem hão-de ver.
Porque o homem nasce, vive e morre uma existência infanto juvenil.
O que varia ao longo da vida é o preço dos brinquedos. Aí reside a maior diferença. O que para as meninas é treino para a vida, para os meninos é fantasia e competição. Então a fuga acompanha-os o resto da vida, e não percebem quanto tempo eles perdem com seus medos. Falo sem o menor pudor. Sou assim. Todos os homens são assim. Em relação ao relacionamento homem/mulher, sempre me considerei um privilegiado. Sempre consegui ver a beleza física feminina mesmo onde, segundo os critérios estéticos vigentes, ela inexistia. Porque todas as mulheres são lindas. Se não no todo, pelo menos em algum detalhe.
É só saber olhar. Todas têm a sua graça.
E embora contaminado pela irreversível herança genética que me faz idolatrar os ícones da futilidade, sempre me apaixonei perdidamente por todas as incautas que se aproximaram de mim. Incautas não por serem ingénuas, mas por acreditarem.
Porque todas as mulheres acreditam firmemente na possibilidade do homem ideal.
E esse é o seu único defeito!"

Publicado por machede em fevereiro 7, 2007 09:04 PM | TrackBack
Comentários

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Afixado por: zwcwry em fevereiro 27, 2008 03:14 PM
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