janeiro 23, 2007

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machede
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che
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combinações e sons interessantes atrevidos pela manipulação do nome da terra.
Alguém proferiu que poderá ser a referência à antiga Meshhed na Pérsia. Porque não?
Outro alguém aventou ser a corruptela latina do termo árabe “madchas”, que segundo se pensa significa Terra do Senhor ou Lugar Santo.
Antes, muito antes de mouras e mouros, segundo Pinho Leal, a fundação da paróquia andou pelo ano 672. Governava o Rei Godo Wamba.
De tempos que não se precisam com a precisão do tempo atómico de hoje, quando muito do tempo em que os homens erigiram antas, restaram duas na Herdade da Loba. Em seu redor foram aparecendo placas de xisto gravadas com desenhos geométricos. Possíveis pequenos amuletos para o bem ou mal de alguém ou alguma outra coisa terrestre. E as mão sapientes dos técnicos também desenterraram um báculo. E mais disseram que o mesmo indicaria a sepultura de um chefe no local.
E também os arqueólogos conversaram e anotaram sobre as dinâmicas da ocupação na Idade do Ferro no Alentejo Central. Entre eles, o meu amigo Manuel Calado. E mais lembraram que dos meados do primeiro milénio a.C. são ainda conhecidas duas peculiares instalações que dispõem, aparentemente, de um circuito amuralhado, apesar da sua implantação em locais sem, ou com escassas, condições naturais de defesa, sendo elas, o Castelão das Nogueiras (Rio de Moinhos, Borba) e o sítio de Nossa Senhora de Machede (Évora).
No início da nacionalidade o lugar era administrado pela Igreja de Évora.
A existência do primeiro edifício de culto, absorvido pelo actual, remonta ao reinado de D. Afonso II e foi sagrado em 1221. Uma sagrada capicua.
Daí até aqui ao agora, foram os machedenses passados por quase oito séculos. Muito tempo para o nosso ajuizar. Tempos de paz, de guerra e assim assim. Mais de fomes e doenças tempos houve que de fartura seguramente. Também Machede pagou a sua quota parte aos famigerados tempos do celeiro da nação. As campanhas do trigo com as cesuras das praças de trabalho onde se vendia musculo por cinco réis de mel coado. E os malteses que não vendiam nada, antes trocavam astúcia por uma côdea com mais algum conduto. Por via de tudo isto mais o que eles lhes dava na ditatorial gana, também a sua gente pagou com o corpo (alguns na choça só com enxerga e o inerente furor dos biltres a ver se denunciavam) a sua quota parte na alforria das oito horas de trabalho. Antes, era de sol a sol. E antes ainda, era de ar a ar, do alvorecer ao escurecer. Isto para o corpo não ganhar maus vícios e não ficar de espinha ao alto para sempre.
Agora é a cobiça da aldeia grande de Évora, se possível a de Lisboa ou outra ainda maior com um mar de gente por tudo quanto é sítio e gaveta de quem nem o último nome se conhece quanto mais a alcunha.

Publicado por machede em janeiro 23, 2007 08:43 PM | TrackBack
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