
Um bailado raro mas convincente.
Os golpes do adversário expiravam no vazio que ele desocupara
enquanto continuava a bailar, aquele bailado louco
como se o fosse de um dançarino travestido de boxeur.
Subitamente, pasmava o adversário com uma ritmada cadência de golpes.
Poderosos. Implacáveis para um humano.
Cassius Clay. Muhammad Ali quando assumiu a sua condição.
Sonny Liston, Foreman, Ken Norton, Leo Spinks, atestaram não ser deuses,
apenas humanos!
Épico, alardeava “voar como uma borboleta e picar como uma abelha”.
Recusou combater no ringue do Vietname por considerar o combate injusto para as duas partes, e daí arrastou as velhas grilhetas de negro pária
na década de sessenta.
Nada que não soubesse pelos seus avós, pelos avós dos outros negros americanos.
Quando já o consideravam knockout, ergueu-se do tapete,
antes do fatídico décimo aceno do árbitro,
e converteu-se no herói da década de setenta.
Continua a bailar e a socar a adversidade no ringue da vida.