outubro 20, 2006

Samora Moisés Machel

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Nunca gostei muito da tropa instituição, muito menos da postura empertigada e déspota dos oficiais. Mas, como tudo na vida, há tropas e tropas. E, tal como o Mário-Henrique Leiria, nos “contos do gin-tonic”, nos deu conta da sua estima pelo “O meu sósia, o General” arremetendo mesmo no final da narrativa:
“(…) Sim, gostava do general, era humano e estava vivo. Não, não estou zangado, se estivesse partia este copo com gin. Estou apenas a dizer que gostava do general, que era humano, ouviram? E ninguém me venha dizer o contrário, senão vai tudo a ponta de faca ou a berro de 38.”
Também eu gostava do marechal. Recordo-o amiúde. O rasgado sorriso simpático. Aquela forma nua e crua de dizer que seduzia e conquistava. Um dos últimos românticos da saga africana pela terra dos africanos, pretos, brancos, amarelos, azuis, etc… um rebelado sonhador na boa tradição dos cavalheiros do primeiro terço do século que se ausentou. Também eu tenho a certeza que era humano o marechal. Também eu não gosto que me digam o contrário.
Enganava-se por vezes? É possível, porque era humano! Incomodava o marechal? Claro que incomodava! Até alguns daqueles que o reverenciavam em ângulo recto e eram mais frelimistas que a frelimo.
De vez em quando encaro com o marechal e deparo aquele olhar perspicaz dos que vêem através das coisas. E parece-me que repete aquela laracha que me atirou há muitos anos: És português, e gostas de cá estar? Está na minha casa de mangas arregaçadas, gorro de lâ, foice na mão e aquele esgar bonito e transparente dos que nascem e morrem com a espinha direita.
Foi um amigo fotógrafo moçambicano que me ofereceu a foto. Um amigo que também sabe que o marechal era humano e não admite que lhe digam o contrário.

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Ceifa do arroz no Chokwé/Gaza - imagem do Kok Nam

Publicado por machede em outubro 20, 2006 12:58 AM
Comentários

Na última vez que estive em Moçambique (há 3 anos) suspirava-se por Samora Machel, falava-se dele com saudade, comentavam-se os seus excessos com compreensão. Samora era humano, logo, sujeito ao erro. Mas, também era honrado e procurava ser justo. Dava o exemplo e era rigoroso com os seus colaboradores, nomeadamente os outros dirigentes que davam sinais de preocupante gula. Morreu (que eufemismo!) pobre como sempre viveu, ao contrário dos tais que têm enriquecido com a pobreza do seu povo...
A minha homenagem a um GRANDE HOMEM!

José Candeias

Afixado por: José Candeias em outubro 20, 2006 01:58 PM
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