outubro 13, 2006

Feira de Castro Verde

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Em tempos agitava anualmente o comércio do campo branco. Os gentios da Vila e de outros lugares e montes, bastas léguas em redor, tinham nela o tempo do provimento de coisas e loisas. Terminado o estio, era a muda do ano agrícola. Era a altura de aviar necessidades para mais uma volta inteira no calendário rural. De seguida era o momento de, com as primeiras chuvas, meter a o bico da charrua à terra removendo-a para receber a semente.
Ainda é a grande feira franca do sul. Ainda atrai os sobejos de um certo imaginário camponês. Nos antigos – como na transtagânea é costume dizer dos mais velhos – ainda tem um sentido de cordão umbilical dos tempos. Dos tempos do pelico, dos chapéus pretos abeirões, das botas de atanado, dos capotes aguadeiros, dos largos guarda-chuvas azuis que davam guarida não só ao pastor como ao rafeiro. Do grão de bico e do feijão a granel. Das alfaias e restante ocharia para as tarefas agrícolas. Do cante cavado fundo que abandonava as gargantas dos homens e traçava a melodiosa comunhão da festa. Do vinho para regar as goelas e das comedias para guarnecer o estômago. Sonhava-se com a festa e dela se guardavam lembranças até ao ano seguinte. Era a minguada regalia de prazer para as gentes do campo branco.

Adeus ao feira de Castro
Que de longe te estou vendo
Já levo a ponta do pau gasto*
E as bordas do cu ardendo**

(A quadra da ironia e brejeirice popular em honra da feira, tal era o gozo)
* O pau era o cajado de guardar o gado
** As bordas do cu ardendo de tanto estar sentado na festança

Publicado por machede em outubro 13, 2006 11:16 AM
Comentários

Amigo Pulga, cá na Cuba, o homem tocava tambor, e a ponta gasta era a ponta do pau que tocava o dito.

um abraço.

Afixado por: antonio beiçudo em outubro 14, 2006 12:17 AM

Já vai tarde esta entrada, mas aqui em Castro conta-se e canta-se a coisa deste modo:

Adeus ó feira de Castro
Já te vou conhecendo
levo a ponta do pau gasto
e as bordas do cú ardendo .

E diz-se que a quadra foi dita por um cauteleiro que levou todo o santo dia de Feira,sem vender jogo, encostado ao cajado, apoiado no traseiro e daí levar a ponta do pau gasto e as bordas do cú ardendo.

Afixado por: anónimo em fevereiro 6, 2008 05:14 PM
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