É pena mas é assim. Lisboa e limítrofes são ainda o grande umbigo deste país longilíneo relativamente aos pólos. O umbigo, umbigo, poderia ter a escala normal comparativamente ao resto do corpo continuando a ser biologicamente e anatomicamente um órgão mítico não se sobrepondo e ocultando os restantes órgãos. Em suma, a normal equidade entre as várias valências de um canastro.
A modernidade só o será efectivamente quando a urbanidade e a ruralidade se transformarem em rurbanidade. Aí sim, todos debitaremos e creditaremos em pé de igualdade.
No entanto, enquanto continuamos adoradores do umbigo, que exista e consolide esta magnifica Umbigo e tenha o poder milagroso de multiplicar publicações e leitores a sério, tal como o Jesus milagrou a multiplicação dos pães.

«Editorial
Quase não sabemos por onde começar quando vos dizemos que esta Umbigo está cheia de surpresas e novidades. Senão vejamos:
Como é do conhecimento geral, o Museu do Design, Colecção Francisco Capelo, até agora alojado no Centro Cultural de Belém, fechou as suas portas no final de Agosto para reabrir no futuro como Museu da Moda e Design, em outro local de Lisboa e com a mais-valia de albergar a colecção de moda também de Francisco Capelo. Será uma instituição de referência nestes domínios e um dos mais importantes museus nacionais. Estamos também orgulhosos pelo facto da nossa colaboradora regular Bárbara Coutinho, ter sido noemada como sua directora. Sendo assim, decidimos marcar a data e realizar uma homenagem ao fotografar o editorial de moda Twinsister nos últimos dias do Museu do Design no CCB.
Finalmente teremos a arquitectura como presença constante na Umbigo, através do projecto a nós proposto pelo gabinete de arquitectos Arkétipos Concept que nos revela de forma didáctica como a arquitectura anónima e popular consegue por vezes ter mais sentimento do que a institucionalizada.
Em 1920, o fotógrafo Cristóvão homenageia um dos seus ídolos e um dos maiores mestres da fotografia de todos os tempos, Helmut Newton.
E finalmente, um telefonema surpresa do escritor Pedro Paixão levou a mais uma colaboração regular que agora se inicia.»
(nº 18, Setembro 2006)

A planície infinita da estética poética e do desenho. A planura nas páginas do deslumbramento.
«Algo nos quis nus
nos fala ao umbigo
Algo nos diz nus
E nos veste à pressa e ao avesso
quais fabulosos bonecos de costuras aparentes
e risonha bainha
Algo nos pousa no centro do mundo
e na cama da vizinha»
(poema de Regina Guimarães, desenhado por Paulo Monteiro)

«ERROS MEUS
MÁ FORTUNA
AMOR ARDENTE»
A Natália Correia, musa de si e de muitos outros, escrita e impressa como merece.