
«O estudo de Paulo Mourão e Júlio Barbosa avalia a competitividade de 18 cidades. Mas o que quer dizer “competitividade”? O conceito utilizado pelos dois autores, inspirado numa metodologia do economista Michael Porter, fala na competitividade “associada à sustentabilidade do desenvolvimento do nível de vida das cidades”. “ Há duas perspectivas: a clássica, estática, associada ao desenvolvimento económico; e uma nova, dinâmica, que procura identificar que regiões é que estão a gerar vantagens competitivas”, diz Paulo Mourão.»
* Paulo Mourão e Júlio Barbosa são investigadores na Universidade do Minho.
(do Jornal Público – 30 de Setembro de 2006)
Os economistas, sociólogos, geógrafos e mais alguns especialistas são (ou deviam ser?), efectivamente, os detentores do conhecimento e das ferramentas para diagnosticar este género de problemas e apresentar soluções. Eles que se ponham, ou não, de acordo. Usando os seus conceitos e metodologias.
Barafustei no desenvolvimento rural umas décadas, três, mais coisa menos coisa. Lá fora e por cá. Tenho o saber e o fazer que este tempo e os vários sítios por onde aquartelei me deram. Sem me pôr em bicos de pés, longe disso, tenho no entanto direito aos meus argumentos. Possivelmente, proferirão que a minha matriz é demasiado campónia e pouco aderente da bondade da urbanidade. Tenho igualmente grande relutância ao conceito “competitividade” tal como ele é entendido comummente. Mais, atrevo-me a dizer, do alto do meu baixo banquinho, se o conceito fosse admiravelmente benigno, uma grande, uma enorme fatia da humanidade teria de entregar a alma ao criador porque não é efectivamente competitiva, nem se vislumbra que o venha a ser. Entre estes, incluo os campónios alentejanos e mais alguns indígenas do interior dos interiores. A não ser que estes ideólogos da “competitividade” queiram dividir a bola tal como os chineses teorizam: Um país dois sistemas. Caso assim seja, seria: Uma bola dois sistemas, um dos competitivos e o outro dos sornas incompetitivos. O dos competitivos seria o mecenas dos sornas, contribuindo com a papa e com a farpela e mais alguns anexos para garantir a não indigência escancarada, tal como agora acontece.
Eu, não me considero competitivo e daí sustentável quando continuo a comer laranjas da Tasmânia, carne da Argentina, queijos da Dinamarca, etc… Eu, não me considero competitivo quando a riqueza parida nas fábricas da zona industrial de Évora não, mas não têm incorporado um naco que seja de recursos endógenos. Somos crianças operárias que montamos legos cujas peças foram produzidas por outros, calhando outras crianças, mas estas de verdade e daí escravas. Eu não me considero competitivo quando o meu adaptado país produz 50 % do azeite que consome. A não ser que o Alentejo, a Beira e Trás-os-Montes sejam antes apropriados para produzir tulipas.
Não me alegram com esta da minha cidade estar no cimo da pirâmide competitiva, quando aqui a uma mão, apenas uma mão de quilómetros, as vilas e aldeias, não tendo saídas activas, se despovoam a um ritmo galopante. Esta competitividade parece a parábola do TGV. A rapaziada vai estar ligada à Europa competitiva por um comboio que anda na brecha e daí ser “competitivo”. Por outro lado, a CP, continua a fechar estações e apeadeiros no interior porque a rapaziada de lá não quer ser competitiva e baza para as cidades sustentáveis no último comboio.
(Que a Autoridade da Concorrência me perdoe a publicidade ao competitivo Belmiro)
Publicado por machede em setembro 30, 2006 07:25 PMCaro rabiscador Machede: você anda a pedi-las! Se os "ai-as-tolas" que mourejam nas capelinhas da nossa cidade o lerem, prepare-se para a excomunhão. O que, desconfio, não o deve ralar nada. Como a mim também não. Neste país de muitos estudos e diagnósticos e de poucas realizações, o estudo dos senhores Júlio Barbosa e Paulo Mourão (ou lá como se chamam. Para quem se considera medianamente informado e atento, desconhecer estes estudiosos, é sintomático) não passa de mais um estudo, ou seja: uma banalidade intelectual ou uma charada visionária sem qualificação possível. Por acaso tenho curiosidade em lê-lo, só para perceber que raio de acrobacias fizeram os autores para terem chegado à conclusão de que Évora é uma cidade competitiva, certamente equivalente à "excelência" que outros anunciaram... O Júlio Paulo e o Barbosa Mourão vivem ou alguma vez viveram cá? Parece que não, mas se sim... com quem conviveram? Andaram de vendas nos olhos, foi? É que, por mais que me custe dizer - e custa, garanto! - e por todas as razões que o cáustico Machede enumerou, a competitividade de Évora e do próprio Alentejo só poderá ser apregoada numa perspectiva de futuro virtual. Atenção: isto não é fatalismo, nem pessimismo. É a leitura de quem conhece bem as extraordinárias potencialidades desta cidade e desta região, tão bem quanto as razões que impedem o seu prometedor aproveitamento para o bem comum de todos e não de alguns, apenas. Este é o presnte e o contexto. O resto, são estudos, que os há para todos os gostos e paladares, esquecidos em atulhadas gavetas de nadas...
Afixado por: José Candeias em setembro 30, 2006 08:02 PMEh pá, é o cúmulo os bimbos bracarenses gozarem com a nossa desgraça! Já não chegavam os lisboetas de aviário, agora também temos que aturar estes... E se alguém acredita neles?
Afixado por: O Língua Afiada em outubro 1, 2006 01:31 PM