setembro 13, 2006

Pena capital

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Não que não é! Se julgam não ser uma Pena Capital, então é uma pena de Capital.
Hoje fui à capital umbigo do rectângulo. Lisboa, a cidade das sete colinas que continua bela vislumbrada do outro lado do quase mar mas que ainda é o opulento Tejo. Bela e resplandecente nos dias luminosos em que mais parece um carrossel de alvo casario subindo e descendo as ladeiras que colinas são bem distintas para quem as mira do lado de cá do mar da palha que é mar mas dentro do Rio.
Por dentro esvai-se (ou esvai-se-me) a harmonia que de fora se avista. Muito, mesmo muito edificado recente erguido às três pancadas sobre desastrados estiradores, com uma densidade que não há índices que aturem a barbuda da desordem. Agora as betoneiras aprenderam os caminhos que dar vão ao parque da Expo, e aquilo que até julgávamos ter trambelho virou lugar de pato-bravo sem freio nem bridão. Na posterior parte das colinas, então, então, então… Betão, betão, betão… Alcatrão, alcatrão, alcatrão… Verde, só se forem os postes dos semáforos que pena é não terem folhagem e no meio despontarem umas flores por aqui e por ali. Espera aí Monsanto que não tarda mesmo nada e já estamos a pensar em tratar-te da saúde. Saúde, palavra bem dita! Quando se me tolda o olhar e se embarga o juízo com a grossura da barbárie. Monta Nelas, Odivelas. Queluz de Truz. Amadora Retornou Porcalhota. Telheiras Frieiras com Beiras.
E carros cágados com buzinas hipocondríacas. Qual turba avassaladora pelas matinas que já aportam até na vertival. E cagam dias inteiros esta barulhenta bicheza… Óleos, monóxidos, borracha e mesmo lata. E são desesperados os donos dos cágados. Vociferam, trombetam, com o olhar de possessos assassinam o peão, invejam de viés a lustrosa lata do lado de emblema mais aristocrático-pedante, mãe, pai, avó, avô eu quero um BM para o tuning e biliões de decibéis spunc, spunc, spunc, spunc…
E comes-em-pés virados para a parede de castigo para sorver o caldo verde verdoso de corante e a rodela de chouriço de plástico + a sandes de omeleta em pó. E os centros comerciais que pregam bebedeiras sociais que nem os alcoólicos anónimos resistem a tamanha turba dependente e pendente do cacau de plástico.
Já fui e já regressei ao interior da pategónia pela sorrelfa do é mentira não fui lá. Não é Cesariny, foi uma viagem surreal como o “pena capital”.

Publicado por machede em setembro 13, 2006 12:32 AM
Comentários

hey,
12/09-13/09
"Hoje fui à capital umbigo do rectângulo...
Não é ..., foi uma viagem real como o SPORTING[1] - INTER[0]".

Afixado por: cipriano em setembro 13, 2006 02:05 AM

A minha filha diz que é mais "campónia do que cidadónia". Sai ao pai, provinciano assumido deste assustador mundo global. Por isso, só vou à capital por obrigação, embora, em tempos distantes, também fosse por prazer. Quando o Benfica era Benfica, a Luz brilhava mais e havia menos trafulhas no futebol. Agora, tanto se me dá que ela meta pena como não, tenho é pena de mim quando lá vou: são os buracos nas ruas, as obras de Stª Engrácia, os túneis em que nunca acerto, os sinais de trânsito que mudam e me levam para onde não quero, os rostos cerrados dos citadinos, as queixas dos taxistas, a miséria na pedincha... Afinal, pensando bem, é tudo digno de pena nesta capital.

Afixado por: Destravado de Novo em setembro 13, 2006 10:15 AM

Quer dizer, nós que vivemos nesta merda somos os cobardolas e os "outros" que se "pisgaram" são uns valentes.. Arre Macho que comes da gamela e do tacho..

Afixado por: Pintelho em setembro 20, 2006 04:10 PM
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