Livro sobre o Alentejo, com palavras poemáticas do mê Paulo Barriga e imagens de João Francisco Vilhena. O mê Paulo sei-lhe de uma manêra muito sua de sentir este nosso território. Uma manêra que desenha forte e terrível nas palavras que lhe escapam do interior, do fundo, do fundo mesmo dele! O Francisco, que lhe desconhecia a existência, tem o olho a preto e branco dos velhos retratistas.

«”Nada com só nada à volta”
Do fundo de um abismo
surgiu a Terra
bela abundante fértil
Do nada
Das profundezas de um poço
sem forma sem luz
A Terra surgiu
do caos
bela abundante fértil
surgiu do nada
a Terra
Nas trevas a geraram
do nada
Nas trevas
A geraram bela
“Nada com só nada à volta”

Este embora plano nascido
é o Continente Perdido
É a Atlântica naufragada dourada
E dos homens desde Platão arredada
Pois que riquezas maiores
se encontrarão noutras distâncias
que o silêncio das espigas de trigo
arrebentando os torrões de barro
É esta a triste abastança
a que chamaram “tanto país e tão pouco”»
