junho 30, 2006

O Manel da Gaita partiu para a mais longa etapa…

Esta é a prova dos nove em como a outrora aldeia pequena, tijolo a tijolo, logro a logro, laje a laje, depósito a depósito em contas esquivas, se foi tornando num burgo grande cheio de gentio que pensa viver melhor que nas suas outras aldeias acanhadas mas ordenadas, mas que eram aldeias mesmo. Nada do que são agora os subúrbios deste mui nobre burgo de Évora: uma propagação de ruas que vão dar a nenhures flanqueadas por desordenados amontoados de cadáveres de ferro armado, enchumaçado a tijolo furado, betão, tinta d’água, portas imitadas com aldrabas de pechisbeque doirado, vulgarizando formas horrendamente invulgares a que chamam vivendas, chalés, uni e bifamiliares, mais a casa do dog que por sinal caga sempre na via de todos, algumas ajardinadas à portugal dos pequeninos.

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Mas vem este destilar insalubre desmesurado a propósito de aqui há um par de dias me terem dito que, há outro par de dias mais atrás, o meu amigo Manel da Gaita tinha partido, por sua própria vontade, para a etapa mais longa a que alguma vez meteu pedal. Se a aldeia ainda fosse pequena, teria sabido no dia, ou, pelo menos, no seguinte. Para provar a verdade da informação, lá está para sempre fechada a velha e untada porta com o toldo amarelo já às farripas.
Depois de um ror de anos a namorar as pedaleiras e as motorizadas zundap que eles, na companhia de uma vida com o Tonho Zé, consertavam com as mãos mágicas de mecânicos de duas rodas. Quando fiz quinze anos e juntei algum picão, lá comprei a primeira e depois a segunda pedaleira, esta já com volante à corredor, dezasseis velocidades e dum amarelo alucinante. Lá comprei a casal de duas velocidades e a sachs V5 que, na altura, era o excelente do superior a assapar.
Onde quer que vás, que não te falte o fôlego Manel.

Publicado por machede em junho 30, 2006 10:13 PM
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