junho 23, 2006

Boa malha ó Borges…

Juro que não me vou embalar em salamaleques de estilo. Nem tu és desse filme. Antes o inverso!
Mas não vou suprimir que aqui há umas marés há minha trás (do Índico, é evidente), te ataviaram com o Prémio “José Craveirinha” pelo teu labor no livro «AS VISITAS DO DR. VALDEZ». Apenas e singelamente, porque o mereces e o José Craveirinha te merece na sua tribuna de recompensados. Onde quer que esteja, tenho a infinita certeza que concordará!
Agora temos a «CRÓNICA DA RUA 513.2. Livro que narra a década de 80 do ido século em Moçambique. Década que também presenciei in loco.

Caminho.jpg


Não vou armar ao crítico, apenas deixo o que está bem rabiscado, na badana primeira, por outro alguém de pena escorreita.
“Umas vezes deserto inóspito, outras um mar revolto, a Rua 513.2 oscila de um extremo ao outro sem encontrar serenidade. Todavia, se fosse tirada uma média a esses dois estados ela não passaria de uma rua normalíssima.
Na Rua 513.2, o inspector Monteiro, o doutor Pestana e dona Aurora, o mecânico Marques, a velha prostituta Arminda de Sousa e alguns outros, emergem do passado para interferir nos dias dos vivos. Por outro lado, sob o olhar atento de Filomone Tembe, o Secretário do Partido, esses mesmos vivos fazem o que podem para que as suas vidas avancem. Vendem enquanto há o que vender, como o louco Valgy ou a incansável Judite; apelam aos conselhos de retratos pendurados na parede, como o empresário Pedrosa; pescam peixes forjados, como Teles Nhatumbo; lêem cadernos que escondem histórias de outros tempos enquanto reparam automóveis quase inexistentes, como Zeca Ferraz; combatem no mato, com o comandante Santiago; ou distribuem pelos vizinhos aquilo que lhes chega às mãos, como Josefate Mbeve, que no fundo segue à risca as directivas do Presidente Samora Machel e tenta fazer do socialismo uma realidade.
Até que um dia chegam novos fantasmas para ocupar o lugar dos antigos, e as coisa começam a mudar.”

Publicado por machede em junho 23, 2006 06:05 PM
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