Picado pelo compadre Albardeiro apetece-me dar cinco tostões de trela à conversa do andar às avessas.
Disse o poeta Gedeão:
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Nas mão de uma criança.
Digo eu:
Com os gajos que andaram e andam às avessas???
Será verdade compadre??? A ser, houve e há um porradão enorme de gajos a andar às avessas. Coisa que não deixa de me alegrar. Por outro lado, coisa esquisita esta compadre que não deixa de me recordar os manos escaravelhos que, na sua faina de rolar a bola de merda, o faziam sempre às avessas. Será que a bola de merda tinha o sentido mitológico de mundo? Seriam e serão os escaravelhos uns pequenos grandes ideólogos. Faziam??? Porque valha a verdade há uns tempos que não os observo e, calhando, também agora já não serão do reviralho e empurram a bola a direito como a rapaziada empurra os carrinhos na bicha do hiper.
Eu cá compadre, continuo a cismar na pontaria do Zeca:
A Formiga no carreiro
A Formiga no carreiro
Vinha em sentido contrário
Caiu ao Tejo
Ao pé dum septuagenário
Larpou trepou às tábuas
E de cima de uma delas
Virou-se pr’o formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Vinha em sentido diferente
Caiu à rua
No meio de toda a gente
Buliu buliu abriu âs gâmbias
Para trepar às varandas
E de cima de uma delas
Virou-se pró formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Andava à roda da vida
Caiu em cima
Duma espinhela caída
Furou furou à brava
Numa cova que ali estava
E de cima de uma delas
Virou-se pr’o formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
José Afonso
Compadre, além da concordância na prosa e para que ela continue no mesmo "desalinho" saudável (essa dos escaravelhos é bem "alembrado", mas desconfio que o pessoal anda a cagar fino demais para que o bicho se interesse por essa merda...) "pranto" aqui umas palavras de um outro que boa parte da sua vida andou também às AVESSAS!
"Nada é impossível de mudar.
Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis
o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar."
Bertolt Brecht
Hoje a malta do alentejando tem que m'aturar, mas é pra pôr a escrita em dia. Nã tenho a erudição de vexas, mas acho que vomecês estã enganados: não é às avessas, é de cabeça pra baixo! Inda por cima, quando se faz o pino, as bolas ficam penduradas no sentido inverso e aí é que tá o problema disto tudo funcionar mal! Nã tavão a falar disto?! Á não?! Atão desculpem...
Afixado por: Bocadecabra em setembro 26, 2005 03:51 PM