Só de me lembrar que uma xafarica denominada Bimbo (mas que nome mais a propósito) fabrica uma coisa a que chama pão, e ainda por cima ostentou que tinha criado um novo “produto” sem côdea, e que um sem número de energúmenos engolem contentíssimos e desenvolvidíssimos aquela mistela. Apetece-me ir correndo ali à Igreja de S. Braz (não por especial devoção ao santo, é só por estar mais à mão), e desafiar o Senhor a desenganar desde já os patifórios engulidores de tais heresias, proclamando: “Fiquem desde já sabendo que no paraíso não metem vocês os butes, e no purgatório ainda é coisa para analisar caso a caso quando baterem a bota”.
Na padaria onde me abasteço de um belíssimo pão de Moura, sítio onde não raro um gajo para ganhar a côdea tem de bichar uns bons pares de minutos, implantaram impante e lustroso um zingarelho de fatiar os casqueiros. Observando a coisa da bicha é mais ou menos assim:
- Dois de meio quilo fatiados – proclama a dondoca de beiços esticados para não tirar a linha ao bâton ;
- Um de quilo fatiado – adoça o chefe de finanças de unha do indicador direito super grande para lhe facilitar o folheado dos canhenhos do fisco, e possivelmente para o ajudar a separar as fatias do santo casqueiro;
- Dois de quilo, mas fatiados - gagueja o ti Manel que eu sei de fonte segura ir de seguida tratar com as suas mãos calosas dum hortejo meio oficial que tem ali atrás da GALP.
C’um caralho, mas onde está a cabeça desta gente, pelo menos o das finanças e o ti Manel deveriam saber que o pão cortado endurece rapidamente, para além de perder gosto e cheiro. Onde perderam o jeito uterino de abraçar o pão para o ir fatiando a desejo. Onde perderam o jeito mais maneiro de o cortar na tábua. Eu sei, eu sei, ovelha imita ovelha… para além disso dá um ar moderno ao nosso provincianismo bacoco.
Noutro dia, quando chegou a vez do meu avio, declarei, com voz grossa, martelando as sílabas:” D. Francisca, dois de quilo já mastigados s.s.f.”.
Joaquim, é como diz o amigo Ademar, temos que andar às AVESSAS. Palavra singular: só existe no plural. Há quem ande sempre ÁS AVESSAS e não ande mal. Como dizia alguém, quando vão todos a correr em direcção ao abismo, só os excêntricos ou os loucos (ou os poetas) é que se deslocam em sentido contrário. Andar ÁS AVESSAS é, frequentemente, virar as costas ao abismo. Ou ao rebanho...
Nem mais, compadre :)
Afixado por: kanuthya em setembro 5, 2005 05:07 PMEu tambem sinto que ando às avessas porque sendo natural do norte não posso com o pinto da costa e a sua récua de "andrades" e porque gosto do alentejo, terra onde até os porcos andam em liberdade.
Afixado por: papandrades em setembro 5, 2005 07:09 PMCaro machede, vim dar ao seu blog e parece-me ser grande especialista na História das cambalhotas do Rei João V....c a Paulinha e as outras...e eu por motivos óbvios gostava muito de paralapiar consigo sobre esse assunto.......
Suponho que está em Évora? onde até tenho um amigo que é a modos director de uma Biblioteca...será que poderei visitá-lo nos domínios da Artemis ? ahahah..
Excelente, meu caro.
Afixado por: pf em setembro 13, 2005 02:49 PMhaja gente
Afixado por: jpt em setembro 22, 2005 01:42 AM Pois é mas vá lá saber-se como também eu fui enganadamas não foi com o pão foi com o requeijão.
Vi numa loja de produtos regionais requeijão tipo serpa. Fui logo comprar e já vinha salivando para chegar a casa e com uma caneca de café matar as saudades. que desilusão à primeira trincadela pasmei. Onde estava o sabor do cardo ? Aquilo era sabor de qualha sem nem um cheirinho de cardo. Antes de o provar até já me tinha imaginado num almoço de pão e almece. Agora hei-de matar saudades mas quando fôr a Serpa não enfio mais barretes.
Amigos, aqui chegado é altura de falar a sério, quero dizer mais a sério, porque mesmo a brincar se dizem coisas sérias, quanto mais não seja, nas entrelinhas. Ora bem, penso o seguinte: perante a bicharada do quadro que temos à frente, a tactica certa é a do caranguejo. Anda para a frente de recuas, o que numa altura de maré baixa revela inteligência. A outra bicharada acabará por asfixiar...
Afixado por: Bocadecabra em setembro 26, 2005 03:59 PMAtão quanto não vale a côida aqui do nosso panito em Messejana?
Um abraço
Afixado por: chico da ponte em novembro 8, 2005 08:55 PM