novembro 30, 2007

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novembro 29, 2007

Bitaites

A malta funciona por fases. Agora estamos na fase aeroporto. Quilos de bitaites sobre as hipóteses do novo aeroporto. O ministro amanda bitaites. O ministro amanda os subordinados amandar bitaites. Os patrões da CIP amandam bitaites. Os autarcas amandam bitaites. O patrão dos comerciantes do Porto desaperta os cordões à bolsa para poder amandar bitaites. O presidente amanda bitaites. A comunicação social amplifica os bitaites que os outros amandam. Os maçaricos de bico direito amandam bitaites. A malta entre uma mise e uma descoloração amanda bitaites no cabeleireiro. A malta entre um copo de cinco e um pratinho de iscas amanda bitaites na tasca. A malta entre uma couve flor e uma pescadinha de rabo na boca amanda bitaites no mercado.
Atenção senhores passageiros, apertem os cintos e endireitem a cadeira porque vamos descolar uns bitaites.

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novembro 28, 2007

É só mais um, só que é preto…

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Os déspotas que nos entram pelas portas adentro são tantos e tão diversos, que este é apenas mais um sacripanta entre tantos sacripantas. Ainda que é de sublinhar o grosso calibre deste espécime.
Tenho, no entanto, a sensação que a algazarra causada à volta da visita deste déspota tem muito a ver com a coloração da pele do artista. Se razão tenho na tese, levado sou a concluir que, mesmo entre os déspotas, existem os de primeira e os de segunda. Por ser preto, este é sacripanta ao quadrado e daí de primeira.
Coisas de quem gosta muito de filmes a preto e branco!

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novembro 26, 2007

Do tubo da vaselina

A resolução do Conselho de Ministros 96/2000, considera a gastronomia portuguesa como um bem imaterial integrante do património cultural de Portugal. Diz ainda o texto da resolução: “Entendida como fruto de saberes tradicionais que atestam a própria evolução histórica e social do povo português, a gastronomia nacional integra pois o património intangível que cumpre salvaguardar e promover. O reconhecimento de um tal valor às artes culinárias cria responsabilidades acrescidas no que respeita à defesa da sua autenticidade, bem como à sua valorização e divulgação, tanto no plano interno como internacionalmente”.

Confessou o presidente da Misericórdia de Faro, que adjudicou recentemente o fabrico das refeições a uma empresa de catering. Da referida medida resultou o fecho da cozinha que até aí confeccionava as refeições para os utentes do lar da Santa Casa. Explicou que a causa da decisão se cingiu ao evidente receio que uma inspecção procedesse ao encerramento da cozinha. Lamentou ainda o facto de os utentes passarem a comer peixe congelado em vez do peixe fresco adquirido no dia, passarem a comer ovos pasteurizados em pó em vez de ovos frescos. Veiculava ainda o presidente, as lamentações dos próprios utentes relativamente ao sabor desenxabido da nova alimentação.
Consta ainda da notícia, que outras misericórdias se preparam para seguir o exemplo de Faro.

As actividades da restauração e comércio de bebidas vivem tempos de temor. Trabalham com o credo na boca na espera de mais dia menos dia, mais hora menos hora lhes entre pelas portas adentro uma inspecção que encerre a baiuca por dá cá aquela palha. Não foram poucos os que já experimentaram a sanha inquisitorial da nova autoridade alimentar.

A antiga e incontornável Ginjinha das Portas de Santo Antão, em Lisboa, foi compulsivamente encerrada. Possivelmente a faca com que cortavam as rodelas de limão não tinha a cor do cabo de acordo com a nomenclatura regulamentar.

O Festival Nacional de Gastronomia de Santarém viveu momentos de pandemónio com a ostensiva presença de um bando de inspectores, que com um alarde policial desmesurado viraram do avesso as comedorias presentes à cata do pecado escondido atrás da alheira de Mirandela.

Os vendedores de rua de castanhas assadas foram forçados a embrulhar as ditas em cartuchos de papel branco. Está interdito o aproveitamento das páginas das listas telefónicas, calhando por temor do contágio das páginas amarelas. Não tarda muito que lhe tranquem a actividade por o carvão ter teores nefastos de um dióxido qualquer.

Estamos fartinhos de nos conhecer como o povo da cunha, do dá aí um jeitinho que eu caibo também, da arte do desenrasca, do perante a distracção do próximo lhe passar descaradamente a perna. Perante tanto deixa andar, vá-se lá saber desta fobia nacional de ser mais papistas que o papa no que toca a cumprir à risca tudo o que nos é imposto do exterior, no caso, da organizadinha, fundamentalista e asséptica União Europeia. Os outros povos mediterrânicos, espanhóis, franceses, italianos, gregos e por aí fora, estrebucham que se fartam. Lá vão cumprindo muito há sua maneira sem venderem a alma ao diabo. Nós, não! Ainda os assanhados funcionários eurocratas não despiram as calças, já nós temos o tubo da vaselina na mão. Perante um qualquer dedo em riste comunitário, ficamos logo na subserviente posição ajoelhada.

A Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica é o espelho mais cristalino desta posição acocorada. E pronto, os referidos autoritários bordam e pintam a manta alegremente escarranchados no poder do crachá e do colete policial. Aos costumes, à tradição e ao património nacional dizem zero. Eles não são os representantes da autoridade, são – pensam eles – a autoridade.

Joaquim Pulga

(Crónica de Opinião – Rádio Diana FM)
Novembro 26, 2007

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novembro 23, 2007

O Marselhês libertário

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Diante de Marselha está um mar azul, luminoso, que lhe cola uma pele voluptuosa de terra do sul. Lá nasceu o rapazinho magrizela que depois de deixar de ser rapaz e magrizela andançou pelos palcos de mil e uma cidades. Dançou também um mar azul como o seu olhar, um mar dos cisnes. Tornou a primavera mais bela com a criação da sua sagração. Viveu uma vida devota a esse movimento teatral dos corpos que é a dança. E inovou e renovou esse movimento dos corpos. Ao mesmo tempo que dançava, falava, dizia coisas atrevidamente bravas onde quer que lhe aprouvesse. Disse-as no palco do Coliseu dos Recreios, na cara dos dignitários do regime do seminarista que a corpos movimentando-se ludicamente, preferia antes beatificas hóstias. Disse que era contra todas as ditaduras – em Lisboa, naquela altura, estava tudo dito. Foi encarcerado num carro blindado e largado num ermo já em território espanhol. O resto da companhia foi recambiada velozmente de avião para longe dos geriátricos que não gostavam de liberdade e de bailado.
Esse rapazinho fez-se um homem de muito tempo sempre a dançar e a falar do que bem entendia.
Maurice Béjart ausentou-se agora do palco da vida sempre a dançar, sempre a dançar no fundo do seu afamado olhar azul como o mar da sua terra.

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novembro 22, 2007

Lá vamos cantando e rindo, levados, levados sim…

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Querem lá ver???

Há uns tempos a esta parte que o Alentejanando é visitado amiúde por internautas do Iran, Islamic Republic.
Ou o Alentejanando caiu no goto dos blogueiros persas, o que não deixa de ser racional dada a paixão do escriba Isidoro de Machede pela civilização do poeta, geómetra, apaixonado das mulheres e do vinho Omar Khayyam. Ou então a coisa fia mais fino. E a fiar mais fino, talvez esteja na dependência dos ayatolás me jogarem à tola com uma fatwa dada a minha descarada luxúria no teclar. Ou então a coisa roça o assédio para altas estratégias políticas. A assim ser, pressinto que os presidentes Ahmadinejad e Chavéz querem envolver o Alentejanando numa triangulação ofensiva contra o imperialista e belzebu Bush.

Publicado por machede em 01:59 PM | Comentários (1) | TrackBack

novembro 21, 2007

Lá falar não fala…

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Mas presta cá uma atenção! Topas ó Barroso.

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novembro 20, 2007

Um portento, o pensamento do botas de S. Comba

“À mulher solteira que vive sem família, ou tendo de sustentar família, acho que devem ser dadas todas as facilidades legais para prover ao seu sustento e ao sustento dos seus. Mas a mulher casada, como o homem casado, é uma coluna da família, base indispensável de uma obra de reconstrução moral. Dentro do lar, claro está, a mulher não é uma escrava. Deve ser acarinhada, amada e respeitada, porque a sua função de mãe, de educadora dos seus filhos, não é inferior à do homem. Nos países ou nos lugares onde a mulher casada concorre com o trabalho do homem – nas fábricas, nas oficinas, nos escritórios, nas profissões liberais – a instituição da família, pela qual nos batemos como pedra fundamental duma sociedade bem organizada, ameaça ruína … Deixemos, portanto, o homem a lutar com a vida no exterior, na rua … E a mulher a defendê-la, a trazê-la nos seus braços, no interior da casa… Não sei, afinal, qual dos dois terá o papel mais belo, mais alto e mais útil…”

(in “Entrevistas a Salazar”, António Ferro, Editora Parceria A. M. Pereira, com prefácio de Fernando Rosas)

(excerto sacado do Água Lisa)

Publicado por machede em 11:10 AM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 19, 2007

O bastão da moral e da ética corporativa

A Ordem dos Médicos teima em não alterar o artigo 47.º do seu código deontológico, que contempla a prática de aborto como uma “falha grave” na ética do acto médico.

Diz o bastonário, em jeito de ameaça, não só ao ministro mas, entenda-se subliminarmente, a todos os cidadãos que necessitam dos actos médicos: “o ministro precisa dos médicos para fazer política de saúde”. A todos os cidadãos, porque se não existissem os ditos, a existência do ministro e de política de saúde seriam redundâncias. E tira o bastonário a última pérola do saco da sua altiva insolência: “A ética e a moral é património de grupos, a lei é um consenso social”. Pretende Sua Excelência Reverendíssima o Douto Pedro Nunes, bastonário do seu “grupo”, dizer que no caso da interrupção voluntaria da gravidez, só ele e o seu “grupo” detêm a moral e a ética. A maioria dos cidadãos que votaram favoravelmente o acto médico da interrupção voluntaria da gravidez, são imorais e eticamente condenáveis.
Prenhe da verdade este bastonário, para não dizer que está antes prenhe, ele e toda a classe que não o contradiz, de se julgarem imprescindíveis aos viventes humanos e daí poderem cometer todos os dislates. Afronta a lei o senhor bastonário, a lei que, por outro lado, ele e o seu “grupo” pretendem também sua protectora. Exemplar do pensamento de suficiência da corporação esta teima, numa classe que pensa pairar acima dos temores dos cidadãos.

Não lhe bastava já a escapatória da objecção de consciência. Têm, o bastonário e o seu “grupo” de fazer fica pé regulamentar na “falha grave” que é a interrupção voluntaria da gravidez e, deste modo, passar um atestado de conduta bárbara ao estado e a todos os seus cidadãos.
Não terá esta teimosia, dita deontológica, para além do bolorento conservadorismo que encerra, uma outra leitura? Não estaremos perante o gato escondido com o rabo de fora.

Que eu saiba, a Ordem dos Farmacêuticos não tem no seu código deontológico qualquer artigo a considerar de “falha grave” a venda de fármacos para a interrupção voluntaria da gravidez. Nem sequer solicitaram o uso do estatuto de objector de consciência. Não será certamente por serem todos a favor da IVG!

Desconheço, igualmente, que entre os profissionais de enfermagem se tenha massivamente solicitado o estatuto do objector de consciência. Tal como aconteceu com os médicos do hospital do Espírito Santo, em Évora.

Já agora gostava, que Sua Excelência Reverendíssima o Bastonário da Ordem dos Médicos, nos informasse do número de profissionais médicos do sector privado que solicitaram o estatuto de objectores de consciência. Seria interessante conhecer o rácio entre os sectores público e privado. Talvez assim o gato ficasse em cima da mesa estrondosamente.

O medo temível que a espécie humana tem da morte, leva-a a uma permissão quase absoluta aos que pensa terem o veredicto da sua salvação. Antes os curandeiros, agora os médicos!
Têm assim, o doutor Pedro Nunes e o “grupo” que representa, a sensação de ter a faca e o queijo na mão.
Olhe que não doutor, olhe que não. No mínimo nós topamo-los, e esperamos que o estado lhes trate da saúde!

Joaquim Pulga

(Crónica de Opinião – Rádio Diana FM)
Outubro 19, 2007

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novembro 18, 2007

Inenarrável

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Num anúncio televisivo – não prestei atenção ao tema – aparece a selecção nacional de futebol acompanhada do inenarrável charlatão Scolari, no balneário, em pose de concentração a rezar em uníssono uma Avé Maria.
Esfreguei os olhos e agucei o ouvido. Não, não era uma visão nem estava a alucinar.
São morteiradas destas que rompem o meu cada vez mais esburacado patriotismo futeboleiro e, já agora, o outro que também não é nada sólido.

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novembro 17, 2007

O insolúvel Paulo Portas

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O ex-ministro, actual presidente do CDS e futuro qualquer coisa com bué de ostentação, não fotocopiou os 60.000 documentos que andam para aí a apregoar. Fotocopiou sim, o ministério da defesa de cabo a rabo, incluindo os magalas!!!

Publicado por machede em 02:44 AM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 16, 2007

Autopista Gigante

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A GNR e a PSP contabilizaram – entre os dias 5 e 11 do corrente – 48 mortos em acidentes rodoviários.
Morre-se à bruta nas rodovias portuguesas. Somos completamente desvairados com o volante nas unhas. Esta hecatombe merece bem o epíteto de “generalizada guerra civil”.
Santa paciência, por mais leis e agravamento das existentes que legislem, não vão lá sem o tratamento devido a duas questões essenciais. Uma, a educaçãozinha que deve começar no berço e é, para mal dos nossos pecados, um bem escasso no universo da boçalidade que reina no rectângulo. A outra, por mou do vicioso círculo; mais automóveis injectados nas estradas mais dinheiro arrecadado pelo lóbi construtor e pelo fisco, daí a consequente necessidade de muitíssimos novos habilitados.
Há efectivamente cidadãos por mais que se esmifrem, jamais terão jeito para conduzir o que quer que seja que tenha rodas. Só que as escolas de condução - por via do negociozinho - incentivam os desajeitados a insistir até ao comunismo. Se não vai a bem, vai a mal.
E pronto, não bastando já a falta de civismo, lá temos nas estradas um batalhão de cidadãos ziguezagueando a sua aselhice.

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novembro 15, 2007

A régua e esquadro

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Vai para 123 anos que, na Conferência de Berlim, o afã “promotor” do ocidental e cristão mundo civilizado pôs os africanos à procura da rolha – até hoje – ao dividir o continente ao género do pataco a ti pataco a mim. Daí os países geométricos que a rapaziada arrancou a ferros à colonização.

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novembro 13, 2007

Perdoo o mal que me faz pelo bem que me sabe

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A maioria do pão consumido em Portugal tem cerca de 10 gramas de sal por quilo. Diz ainda o presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão que o pão português tem o dobro do sal do pão de outros países europeus.
Mas só agora é que descobriram esta “anormalidade” alimentar nacional? Mas só agora é que descobriram que somos diferentes dos outros? Só agora é que descobriram que temos uma dieta diferente na questão dos teores de sal?
E o presunto? E os enchidos? E o queijo? E o bacalhau? Serão certamente outros poços de falta de virtudes.
E qual é a receita doutores da hipertensão? Será que vão aconselhar o encerramento das salinas? E depois, vamos comer presunto, queijo e enchidos lights. E depois, será que só morreremos aos 180 anos e mesmo assim atulhados de saúde?
Tenho uma manifesta falta de paciência para esta repentina fobia rectificativa. Este patenteado dedo em riste aos feios, porcos e maus dos vícios mais abjectos. Estou saturado até às costuras destes encartados benfeitores da saúde dos outros.
Perante estes missionários da moda do correcto do momento, vem-me sempre à memória o sarcástico dito do meu bom amigo moçambicano Filomone Manhiça: “A hiena fode apenas uma vez por ano para procriar e come os seus próprios excrementos. Ri de quê?”

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novembro 12, 2007

Novo capítulo da saga “Otários”

Rave de música tecno sem cratas, ou a subtileza paquidérmica do Lino pulando de expediente em expediente.

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Esperar sentado

Com o tempo, necessariamente veio o amadurecimento. Com o amadurecimento, veio uma reflexão mais apurada a desaguar na conclusão que a revolução de 17, na Rússia, apenas tinha mexido na posse dos meios de produção e, de certa forma, na distribuição da riqueza. Os modelos de produção continuaram a ser uma cópia fiel dos processos utilizados no mundo capitalista. Julgavam os teóricos de 17 que bastava a superioridade moral para tornar o mundo mais justo. Não seria necessária a revolução abordar e transformar as formas de produzir capitalistas e, em certos casos, o que produzir. A superioridade moral não chegou para produzir o homem novo. Antes produziu o seu próprio abastardamento.
O resultado, depois de quase um século, é perfeitamente exemplar do monumental erro cometido. A herança de uma Rússia pós-socialismo atulhada de problemas sociais e com modelos de produção verdadeiramente obsoletos, em que os impactos ambientais foram e são catastróficos.

Paradigma disto é a China e a Índia. A primeira, porque se quis continuadora de um modelo idêntico ao de 17, na União Soviética. A segunda, depois da revolução da simplicidade indicada pelo pensamento do Mahatma Gandhi, cavalga igualmente, hoje, os arquétipos produtivos capitalistas.

A central termoeléctrica de Sines está à beira do top 10 das mais poluidoras da Europa. Produz anualmente qualquer coisa como 8,5 milhões de toneladas de CO2. A China, em 2006, construiu, em média, uma central de Sines de quatro em quatro dias.
A Agência Internacional de Energia, no seu relatório anual, diz que a humanidade consumirá ainda mais petróleo e carvão em 2030 do que hoje. Diz ainda que qualquer solução para atenuar os problemas da dependência dos combustíveis fósseis terá inevitavelmente que passar pela China e pela Índia. China e Índia que são considerados os dois colossos emergentes da economia mundial e do mercado energético.

E nós, os viventes de uma Europa onde os regimes alternam democracias liberais com rotinas mais ou menos de direita. Democracias em que os regimes ditos socialistas, não são mais que resquícios de uma coisa que acabou ainda no século findo. Democracias de um liberalismo económico cada vez mais desumano, a que não faltam sequer tiques autoritários, traduzidos em pequenos grandes nadas tais como a furiosa persecução antitabágica. Pequenos grandes nadas que nada têm a ver com a importância das políticas de dependência dos combustíveis fósseis, essas sim seguidistas de modelos que asfixiam a continuidade de uma vida confortável no planeta. Essas sim, políticas subordinadas a um liberalismo instigado pela engorda capitalista.

E nós por cá? Na mesma como a lesma. Entalados entre uma esquerda que ainda acredita nos amanhãs que cantam e uma direita completamente retrógrada, sentados à mesa de um socialismo, passe a expressão, que tem da palavra progresso uma ideia de crescimento amarrado a um liberalismo mais que subalterno do deus monetário. Sentados a uma mesa sem gavetas, e daí sem lugar para ter ao menos arrecadado o dito socialismo.
Faz-nos falta uma nova crença! Faz-nos falta acreditar em ideias positivas portadoras de uma nova coisa. Uma nova coisa que seja hospedeira de humanizados princípios assentes na justa distribuição da riqueza. Riqueza criada sem molestar a terra que usamos por empréstimo do próximo.


Joaquim Pulga

(Crónica de Opinião – Rádio Diana FM)
Outubro 12, 2007

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novembro 11, 2007

Ovelhas negras

O Bento 16 puxou as orelhas aos responsáveis da sucursal portuguesa da católica. Depois de analisar à lupa o relatório da gerência nacional, deduziu que a clientela existe mas não põe pé nos poiais do templo.
Não nos bastava ter um vergonhoso défice para até nas questões de fé não passarmos de um rebanho recheado de ovelhas negras que não ligam patavina ao pastor.

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novembro 08, 2007

Condomínios de cegonha preta

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novembro 07, 2007

Valem mais as vozes que as nozes

As cabecinhas utentes da política nacional esperavam um turbulento duelo ao género: dá-lhe que ele ainda estrebucha. As cabecinhas gostam é do espectáculo. As cabecinhas estão-se borrifando que no hemiciclo se cumpra a nobre missão de que estão incumbidos os eleitos que ali labutam pela vidinha. Legislar à séria regras para que o rectângulo se desembrulhe e entre nos eixos. Crie a riqueza suficiente - já não é pedir muito - para a rapaziada viver confortável. E já agora, que legisle a distribuição da parca riqueza criada neste tente não caias do momento, de forma a que não se comercie somente carros e habitações topo de gama. Que a rapaziada dos corsa e dos T2 também tenham fôlego para respirar cinco tostões de graveto. Mas não! As cabecinhas querem é duelos florentinos de gravata e língua por troca com a labuta responsável por bem tripular o país.

O pimpão do Sócrates acenou-lhes com o ko técnico, aos do hemiciclo e aos que cá fora se babavam de gozo com a antevisão do genocídio: “Isto não é o Parque Mayer”.
Por uma vez estou de acordo com o seminarista: “Devolvam os bilhetes”. Realmente, duelos, só os do inesquecível Belarmino. O Belarmino que recebia cinco tostões de mel coado para bailar diante do adversário até o apanhar a jeito com um gancho da esquerda. Esse, sim, que tinha nos duelos o seu mirrado ganha-pão.

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novembro 06, 2007

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novembro 05, 2007

Membro

Membro: integrante de corporação, organização, sociedade ou família; cada uma das partes de uma equação, separadas pelo sinal de igualdade ou desigualdade.

Para o tema que passo a abordar é ajustada a primeira explicação e sarcástica a segunda.

Todos, grosso modo, fomos ou somos, à nossa maneira, membros de uma corporação, entidade, sociedade ou família. Alguns são membros de um partido político. Têm cartão, pagam as quotas, recebem o jornal e, mais ou menos colaborantes, sentem-se porventura filiados na organização em equidade de deveres e direitos com qualquer outro seu igual. Devo, no entanto, referir que nem todos, à partida, se filiam com o mesmo intento. Aqui há, efectivamente, uma nítida separação de propósitos e interesses imediatos. Há os que se filiaram por acreditarem devotamente que o seu partido serve na perfeição os interesses dos cidadãos e do país. Há os que se filiaram por verem no partido uma franca possibilidade de sustentarem os seus interesses individuais. Devo ainda sublinhar que, não poucas vezes, com o andar da carruagem, estes intuitos se cruzam e se tornam miscíveis. É esta uma forma geral e genuinamente nacional de estar na política e, se quiserem, se servir da política.

Há, no entanto, que contar com o incontornável aparelho, peça condicionante do honesto e democrático sentimento da igualdade de deveres e direitos. Aparelho que, com as suas diversas especificidades, é transversal a todos os engenhos partidários.

Logo, de ânimo leve e de arranque, poderemos dizer que há duas mós no partido. Sendo que os militantes se dividem pela mó de baixo e pela mó de cima, consoante a facção que for dona do aparelho. Vale a pena relevar os do género militante contorcionista que têm por divisa: Bem com deus e com o diabo. Para estes mais ou menos assumidos militantes bóia, à partida, as mós são para os tansos, principalmente a de baixo.

Pormenorizando a questão, posso esgrimi-la da seguinte forma forma:
- No topo da pirâmide está a direcção, e mau grado um ou outro infiltrado e consequente agente duplo (papel difícil nos dias que correm), é que tem efectivamente o leme e a carta de marear na mão;
- Mais abaixo existe a comissão política, órgão onde se travam algumas guerras, geralmente de alecrim e manjerona, não muitas por mou de não partir o equilíbrio da cantareira das conveniências;
- Depois, espalhados pelos territórios e regiões, existem os directivos de base, órgãos que na generalidade se pautam por uma fidelidade efectiva com a cúpula nacional. E se não se pautam, o único remédio é passarem a pautar. Ainda que, uma vez por outra, se lhe permitam arrufos reivindicativos magnanimamente aceites pela cúpula, mas por demais demonstrativos da falácia democrática;
- Pelos órgãos acima elencados, para além do baronato, se espalham os funcionários que auferem o graveto e outras mordomias, os militantes contorcionistas e outros cortesãos. Desde os primórdios da social-democracia que, a esta facção autocrática, se achou conveniente chamar de nomenclatura;
- No deus dará do excedente militante existe ainda a amálgama do remanescente rebanho, ainda com as mós de baixo e de cima no tudo ao molho;
- Desta amálgama se serve a máquina para a tarefas menores, desde o colar cartazes a serem arregimentados para o laréu da propaganda da esferográfica e da bandeirinha. A amálgama deverá igualmente ter o condão da mobilidade, de modo a compor se necessário, qualquer comício no seu território ou noutros locais caso haja a suspeita de falta de massa crítica, sem que esta, verdadeiramente, tenha direito à crítica;
- Os da mó de cima presentes na dita amálgama, esgatanham como podem e dão lustro ao aparelho para saírem desta desesperante situação e ascenderem à nomenclatura, fiel depositária da esperança em mais elevados voos;
- Os da mó de baixo, quando muito, tornam-se contumazes na esquiva ao arregimentar para as tarefas menores e têm direito a arreganharem o dente nas assembleias ordinárias, isto, enquanto não lhes cortam seraficamente o pio.

Devo ainda referir uma espécie que paira pelas sedes partidárias, os inqualificáveis qualificados tarefeiros menores, geralmente militantes arreigados a uma fé canina que, desde o cafezinho ao macinho de cigarros para o chefe, são pau para toda a colher.

O rumo do partido está traçado pelos iluminados, nada nem ninguém o pode demover.


Joaquim Pulga

Novembro 5, 2007
Crónica de Opinião
Rádio Diana FM

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novembro 03, 2007

Café Portugal (entretanto falecido em Évora vai para umas décadas)

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De manhã, por vezes. Tomar o pequeno-almoço. Meia dúzia de reformados, alguns funcionários públicos, o chefe da pide Melo e o apaniguado Tarouca na mesa do latifundiário Menino d’ouro que comportava ainda alguns dignitários locais, a rapaziada da praxe, estudantes à mistura com vários outros valdevinos.
Depois do almoço, algumas vezes intervaladas com o Arcada, certamente, todas as terças-feiras dias de São Porco. Botequim pelas costuras, extractos sociais ao molho. Meia dúzia de moças da nossa alegria. Fumo, muito fumo a produzir uma neblina suspensa, agudizada pelo vapor dos corpos no inverno. Um café quinze tostões, uma aguardente outros quinze tostões e o vicioso sg ventil costumeiro a três mil e cem. Uma segura hora de filmagem por seis escudos e dez centavos. Uma pechincha nos dias que correm.
Muitas vezes à noite. Uma fauna mais restrita que cirandava entre o café e o primeiro andar onde reinava o Drácula e as suas oito mesas de bilhar. Uma vista cruzada no República e no Diário de Lisboa, algum existencialismo compensado com imensa teoria revolucionária. Escassas ou nenhuma mulher para alegrar a pestana. Várias horas a roçar os fundilhos pelo exímio desenho das cadeiras e a coçar os cotovelos pelos tampos de ardósia. A companhia sequencial dos bagaços para alimentar a verve discursiva. E partia-se para o deus dará de uma ou outra extravagância madrugadora.

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novembro 02, 2007

Ilha Formosa

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Ilha Formosa, no arquipélago dos Bijagós. Um sítio divino com um povo espantoso.
Um trabalho sedutor com gente inesquecível e hospitaleira sobre produtos alimentares de tradição. O sal e a flor de sal, o óleo de palma, o peixe seco e fumado. Comida tradicional fabulosa. Garoupas na brasa com batata doce. Galinha com óleo de palma e arroz integral, saboroso até mais não. Um convidativo mar mar azul transparente. Os putos a cavalgarem as vacas. Um velho sem idade com uma sabedoria assente, certamente, numa vida fabulosa de muitos anos. A simpatia do grupo de jovens artesãos que torciam pelo Sporting de Alvalade, mais propriamente pelo Djaló guineense como eles. E benfiquistas, pois claro, com os quais vi o Benfica – Celtic num pequeno televisor alimentado pela energia de um painel fotovoltaico que morava no telhado da palhota. Por cada golo dos encarnados, um clamor surdo na noite pachorrenta da Ilha. O prazer de estar deitado na cama de esteira, debaixo de uma lua incendiária, a mirar a magia da fogueira e a ouvir o rufar afro dos tambores ao despique. Os odores inconfundíveis de uma África bem negra que entram pelas narinas e se gravam indeléveis na memória.
Inesquecíveis, o trabalho e a estadia. Volto, seguramente, um dia. Tenho de voltar!

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novembro 01, 2007

Publicidade, um ver se te avias!!!

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