outubro 31, 2007

Semântica

- Compadre. Membro prá qui membro prá li, mas afinal em que ficamos com esta coisa do membro? - Puxou a boina para trás, coçou a testa e olhando o compadre Tóino de esguelha, ficou-se na espera da sua dezedura.
- Manel, a modos que membro é o caralho! – E apoiou os cotovelos no balcão, mais que certo da sua sabedoria.
- Tóino, atão e na é que os cabrões passam a vida a convidarem-me pra ser membro da Junta de Freguesia.

Publicado por machede em 01:04 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 30, 2007

Somos todos ouvidos…

OuvidoHumano.jpg

Órgão dos sentidos que nos portugueses se encontra em franco desenvolvimento. O governo actual deu um forte empurrão para que a evolução do aparelho auditivo se cumprisse a todo o vapor, na espécie tuga, mesmo que em desabono do aparelho digestivo. Pensa-se mesmo que a medida é estratégica face ao desenvolvimento do Plano Tecnológico.
Portugueses: Escutai o próximo!
(esta última deve ser lida em voz alta e com a entoação do botas de Santa Comba)

Publicado por machede em 11:22 AM | Comentários (2) | TrackBack

Com papa e beatos se enganam os tolos…

498 mártires 498. Mais vale postumamente que nunca, segundo o Bento 16. Cada um pune pelos seus. Nem outra coisa era de esperar!
Os republicanos que vão bater à porta do Satanás, ou do Zapatero.

Publicado por machede em 12:25 AM | Comentários (1) | TrackBack

Low Cost

As lojas dos chineses entlalam no negócio dos voos de baixo custo.
Lisboa / Madlid, ida e volta, tlinta eulos.
Lisboa / Bluxelas, ida e volta, tlinta e cinco eulos.
Lisboa / Loterdão, ida e volta, qualenta eulos.
Na paltida, os passageilos empulam o avião da placa até à pista e ainda dão um jeitinho pla embalal pala descolal.
Dulante o voo os passageilos são convidados a complal bugigangas chinesas.
Os eulodeputados nacionais, nas suas deslocações para Bluxelas, já não quelem outla coisa.

Publicado por machede em 12:13 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 29, 2007

O umbigo

Quando muito vinha-se à cidade pela feira de S. João. O cereal estava ceifado e recolhido no celeiro. Fechara-se o ciclo agrícola. Em tempo de adiafa, havia agora uma folga maior na vida do camponês. Uma folga que dava uma certa largueza no tempo disponível e no conteúdo carteira. Vinha-se à feira de S. João para comprar algumas coisas indisponíveis no comércio da aldeia. Também se vinha para alegrar a vida com os divertimentos propiciados pelo arraial. Um dia não são dias, daí brunir-se o corpo com a roupa dos dias especiais, a chamada roupa domingueira. Vinha-se de ponto em branco. Tirado das poeiras.

Vinha-se à cidade uma vez por ano, a não ser que alguma maleita traiçoeira obrigasse a uma vinda ao médico. Profissional esse que não existia na aldeia. O médico dos animais também não existia, mas nos casos menos graves sempre havia um ou outro entendido que o substituía na função. De resto havia o necessário. Do mestre-escola ao barbeiro, do sapateiro ao carpinteiro, da loja de fazenda à drogaria, da venda à mercearia e ao talho. Nos montes se fabricavam os enchidos, os queijos e o pão, que também haviam de abastecer a aldeia. Havia ainda a loja oficina de bicicletas e motorizadas. A aldeia tinha um pouco de tudo que chegava para as necessidades do dia-a-dia. Tendo fundamentalmente a actividade e o consequente emprego baseado na agricultura, sendo o restante trabalho distribuído pelos artesãos, outros artífices e funcionários do comércio que, por regra, se baseava na mão-de-obra familiar.
Era por assim dizer, um pequeno centro com uma vida económica própria. Um pequeno centro que, para as precisões da altura, se bastava a si próprio.

O primeiro abanão neste estado de coisas aconteceu com a mecanização da agricultura. Começou a sobrar a mão-de-obra. Outro remédio não houve senão emigrar para a cidade próxima ou mesmo para outras cidades mais longínquas, cá ou lá fora, que ofereciam outras possibilidades no tecido industrial quando não nos indiferenciados. Paulatinamente, principiou o chamado despovoamento que se foi acentuando com o definhar da actividade agrícola.

Evoluiu a vida e o comportamento nas comunidades e nos territórios. Democratizou-se o consumo e as acessibilidades. A cidade grande passou a estar ali à mão de semear para comerciar e trabalhar. A aldeia pouco a pouco foi-se tornando num dormitório. Dormitórios competitivos com o preço da habitação na cidade grande. Poupança substancial para quem vive de magros salários. Paradoxalmente, começou a aldeia a ser procurada pelos citadinos pela mesma ordem de razão, o preço da habitação e, porque não, uma forma de viver o ócio mais calma mas desenraizada.

Até que aportamos a uma situação verdadeiramente estranha. Aquando das eleições autárquicas, na generalidade, as promessas eleitorais centrais, contemplam apenas propostas para a sede do concelho. As aldeias ficam remetidas para um papel perfeitamente secundário, quase inexistente. Destinadas ao papel de dormitórios longínquos, já fora dos termos da cidade grande. Remetidas para o papel de lugares sem vida económica, a não ser a magra construção civil, e previsivelmente sem grande necessidade de animação.

Discordo em absoluto destes procedimentos. Discordo deste secundarizar desses lugares.
Concordo que eles também têm direito a ter vida económica e social. Assinto no seu legítimo direito a serem contemplados, em pé de igualdade, com propostas tendentes à sua revitalização. Quem assim não o faz, está a defraudar o desenvolvimento global do território do concelho e, inclusivamente, a sua sustentabilidade. Está a olhar apenas para o umbigo.
Esta rábula recorda-me a política, de há uns tempos a esta parte, da companhia de caminhos-de-ferro, actual Refer. Se as estações ou os apeadeiros não são viáveis, fecha-se pura e simplesmente todo o ramal.

Joaquim Pulga

Crónica de Opinião
Rádio Diana FM
Outubro 29, 2007

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outubro 28, 2007

Estiloso

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outubro 27, 2007

Na ausência do fogo, três elementos e um pássaro…

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Publicado por machede em 01:13 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 24, 2007

Principezinho com dois em um

Acertar em cheio no alvo teria sido a magana da cegonha ter a fineza de me depositar no berço do Jardim Gonçalves e, já agora, acolitado da estrelinha de quando fosse grande teria uma carreira política emboscada na fortuna da vida.
Com o Jardim por papá, estão a topar a destempero de carcalhol a jorrar a fundo perdido.
Carreira política garantida seria a cereja no topo do bolo. Se o acaso (com esta trapalhada dos bancos nunca se sabe) desse para fechar a torneira do carcalhol a fundo perdido, sempre restaria uma reformazinha vitalícia.

Publicado por machede em 11:43 AM | Comentários (4) | TrackBack

outubro 22, 2007

Crónica da felicidade plena

A água canalizada que sai das torneiras eborenses tem parâmetros físicos e químicos idênticos aos de qualquer água comercializada como de fonte natural.

A EDP vai passar a distribuir energia a um preço simbólico na cidade, dado que a maioria do abastecimento tem origem na produção alternativa, sendo o fotovoltaico e o eólico os equipamentos geradores predominantes.

Os transportes públicos movidos a energia eléctrica e biodiesel, são grátis, confortáveis e circulam num vai e vem constante, cobrindo a totalidade do tecido urbano, inclusive, no período nocturno.

No centro histórico da cidade vivem actualmente 25.000 habitantes. Não há um único prédio devoluto no referido centro.

Os bairros limítrofes com um ordenamento deficiente e baixa qualidade arquitectónica, foram positivamente demolidos. No seu lugar existem agora parques arborizados, contribuindo assim para um aumento significativo do pulmão verde que envolve a cidade. O processo de realojamento dos habitantes está concluído, sendo que um número significativo optou por voltar a residir no Centro Histórico.

O novo teatro municipal foi inaugurado na semana finda. O histórico Garcia de Resende é agora a grande sala de recepção da cidade e onde se apresentam apenas espectáculos adequados às características históricas da sala.

No Rossio de S. Braz terminaram as obras de requalificação, mantendo a traça original e o ancestral uso de terreiro da cidade. Sob o renovado Rossio funciona um parque de estacionamento para 5.000 viaturas.

No centro histórico apenas circulam os transportes públicos, táxis, viaturas de emergência e transportes de aprovisionamento ou escoamento de mercadorias.

Estima-se que 75 % do parque automóvel eborense já funcione com energias alternativas.

O novo complexo desportivo da cidade, usado diariamente por atletas das várias disciplinas desportivas, do atletismo ao râguebi, é igualmente usado pela equipa de futebol representativa da cidade que milita no campeonato da 1ª Liga.

Foi inaugurado no Bairro da Malagueira um novo Centro de Cuidados de Saúde Primários. Com este novo Centro, Évora passa a dispor de dez unidades do género.

À semelhança do executivo camarário de maioria independente “Cidadãos por Évora”, mas que funciona numa base colegial com todas as outras forças políticas representadas na gestão autárquica, também a Assembleia Municipal decidiu funcionar em igualdade de circunstâncias.

Estima-se que o comércio tradicional voltou a contar com uma fatia maioritária no volume de transacções comerciais efectuadas na cidade. Para esta reviravolta, contou essencialmente a mudança significativa na política de preços introduzida pelos comerciantes, a personalização acentuada dos negócios e o facto de Évora ser essencialmente uma cidade pedonal, usufruída por um número crescente de visitantes.

A internet sem fios grátis, está ao alcance de qualquer utilizador num raio de 20 km do centro da cidade.

Realizou-se mais uma Feira de S. João no Parque de Feiras da Cidade. Para se deslocarem ao evento, os visitantes já puderam usar o novo monocarril que circula entre o Rossio de S. Braz e o Parque de Feiras.

O Centro de Congressos, situado no Parque de Feiras, registou a realização, no último semestre, de um número médio de seis eventos mensais.

Desde o mês passado que funcionam voos regulares, em aeronaves de baixa lotação, entre a cidade de Évora e Faro, Porto, Sevilha e Madrid.

A estação de Évora, nó central do transporte ferroviário no Alentejo e nas ligações com a Estremadura e a Andaluzia, tem um novo interface com os transportes urbanos da cidade.

A Universidade de Évora inaugurou o Centro de apoio tecnológico e de gestão ao tecido empresarial do Distrito de Évora. Pode, agora, a Universidade afirmar-se como uma academia de excelência.

O tecido produtivo agrícola dos hortejos biológicos de cariz tradicional na área envolvente da cidade, contribui para a maioria do abastecimento de frutas e legumes nos mercados de Évora. Para além de contribuir com uma fatia significativa para o pleno emprego no concelho.

Este ano já aconteceram em Évora, os seguintes acontecimentos anuais ou bianuais:
- Festival de Teatro de Marionetas;
- Encontros de Fotografia de Évora;
- Évora Escultura 2007;
- Jornadas do Património Histórico;
- Certame de Actividades Económicas do Alentejo
- Feira de S. João;
- Jornadas da Cidadania por Évora;
- Jazz na Cidade.

Vão ainda acontecer em Évora, os seguintes acontecimentos anuais ou bianuais:
- Évora Clássica;
- Feira do Prazer 2007;
- Alentejo Património Rural Natural;
- Festival de Curtas Metragens de Évora.

Joaquim Pulga

Crónica de Opinião
Rádio Diana FM
Outubro 22, 2007

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outubro 19, 2007

O meu comandante

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outubro 18, 2007

Amigos mufanas

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A gente viu-lhes crescer. Amigos, filhos de amigos. Amigos de muito tempo, estes mufanas, os pais cocuanas e os avós muito mais cocuanas. É bom virem ter connosco de tão longe. Mesmo lá do fundo da África, daquela que a borda d’água é o Índico. É bom virem sentar na nossa mesa, comer da nossa comida. Comida alentejana desta nossa África de cá que não tem acácias rubras mas tem opulentos sobreiros verde-escuro mesmo. É maningue bom virem conversar do seu viver e escutar do meu viver. É bom escutar e falar da inteligência de se viver desassossegados com o andar das coisas e do mundo. O desassossego de não ser mesmo cabeça chocha. É bom virem brindar à saúde da amizade, do franco entendimento de se ser amigo.

Publicado por machede em 08:13 PM | Comentários (4) | TrackBack

outubro 17, 2007

Desculpe lá qualquer coisinha ó Pereira…

De Lineu, o que a rapaziada quer saber não é propriamente da sua capacidade em esgueirar-se dos golpes do maralhal da Assembleia da República. O que, efectivamente, queremos saber é quem foi a cabecinha inteligente e diligente (vulgo mandante) que deu a ordem aos chuis para, como não quer a coisa, passarem pelo sindicato a recolher a papelada e inquirir sobre a manifestação.
Certo ó Pereira???

Publicado por machede em 06:45 PM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 16, 2007

Tácticas irritantes

O Jardim Gonçalves declarou estar pronto a adoptar todo e qualquer português independentemente da religião, cor, fé clubística, ideologia política [com a ressalva dos sócios do BE e PCP dado serem declaradamente anti-capitalistas], deficiências físicas, ser pró ou contra as touradas e desde que façam prova de estarem vivos, e não serem portadores da doença de Alzheimer [isto por mou de não deslembrarem o NIB para poderem movimentar as toneladas de carcalhol].

Objectivo: Acabar de uma vez por todas com o promitente reacendimento da luta pela sucessão no conselho de administração da baiuca do carcalhol.

Putativas sequelas: O Joe ser acometido de um ataque de nervos que o leve a declarar uma OPA sobre todos os cidadãos portugueses possuidores de BI ou mesmo somente certidão de nascimento.

Publicado por machede em 05:12 PM | Comentários (3) | TrackBack

outubro 15, 2007

Pela rua do monte se vê quem lá mora dentro…

Ainda me recordo, como se tivesse sido ontem de madrugada, dos serviços de Limpeza da Câmara a lavarem a cidade de agulheta em punho. Como recordo, tal e qual tivesse sido ontem à noite, de me arrimar às tendas da quinquilharia para que o carro da rega, das ruas da feira de S. João, passasse sem me regar os pés. O Ford cinzento multiplicava esguichos na traseira para baixar o pó no terrado do Rossio de S. Braz. Coisas pensadas pelos senhores gajos do antigamente. Senhores gajos que, valha a verdade, não se estavam borrifando para estas minudências, ao contrário de se borrifarem na abastança de mendigos, pobres, descalços, famintos e os outros ostracizados da situação.
Gramava imenso ver a minha cidade lavadinha, como gramava imenso calcorrear a feira sem um grama de pó a entupir a narina. Não gramava mesmo nadinha dos tais senhores gajos da situação que mandavam na malta, na urbe e no país.

Nesse tempo de que já passou algum tempo, Évora, deveria andar pelos vinte e tal mil habitantes. Tinha alguns cívicos mais um carro com sirene dos ditos cívicos, meia dúzia de pides encartados mais o famigerado Volkswagen azul FE-54-22 dos ditos pides, inúmeros bufos, aliás, bufos com fartura, mais duas ou três camionetas Mercedes carregadas de legionários.
Daí que o civismo dos habitantes fosse marcado pelo temor do bastão e doutros reputados tratamentos mais cirúrgicos. Daí que a ninguém passasse pela cabeça mijar fora do penico. Daí que, pobrezinhos, mas limpinhos.
Vale igualmente acrescentar que nesses tempos se usava a alcofa para carregar as compras e outras encomendas. Lixo lixo, quando muito, o papel pardo e as caixas das camisas e sapatos. Era bem contido o lixo resultante do aprovisionamento doméstico nessa altura.

Agora, bem agora é o descalabro. Para além dos horrorosos sacos dos hipermercados, não resta uma quinquilharia que, por mais insignificante que seja, não traga no invólucro um desperdício imenso.

Mas vamos subir ao inferno, que nada mais é que os mercados quinzenais das terças-feiras no Rossio de S. Braz. Inferno gradeado este, que ainda não percebi bem se por mou da fuga dos feirantes se dos clientes. Ou, talvez, uma querença mal sustida da Câmara em apartar um acontecimento regular que lhe causa uma certa urticária.
E causa efectivamente uma desmesurada urticária, após o levantar das barracas e dar por findo o zaronzel, o selvático lixo que por ali fica a conspurcar o nobre terreiro da cidade. Plásticos de todas as cores e feitios. Caixas de cartão de vários tamanhos. Mais um montão de outros desbaratos que só o vento tem o condão de saber para onde carrega tamanha esterqueira.
A indolência dos serviços camarários de higiene não tem positivamente mão na desgraça.
Coisa para os olhos menos atentos pensarem estar a acontecer num qualquer mercado informal do terceiro mundo.

Apenas uma achega. Não será possível engendrar uma solução pedagógica, que não permita o relaxo do deita para o chão tudo o que o cliente não leva ou ao mercador não interessa. Apenas e só espalhar pelo recinto contentores de fácil manuseio que permitam engolir as toneladas de imundice. Apenas e só normalizar com os feirantes a obrigatoriedade de deitar o lixo no lixo. Apenas e só informar que aos prevaricadores seria vedada a participação no mercado.

Apenas e só ordenar o que é possível de ser ordenado.

Dá para recordar o velhíssimo ditado alentejano: «Pela rua do monte se vê quem lá mora dentro».

Joaquim Pulga
(Crónica de Opinião – Rádio Diana FM)
Outubro 15, 2007

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O Baile das palavras

As palavras que dançam e rodopiam, construindo sílabas que evoluem fraseados graciosos como se evoluíssem uma valsa pelo branco do papel, desenhando um romance de cordel.

Duas palavras, incomparáveis, explícitas, uma, de bigode e brilhantina, a outra, de perna torneada e bem nua, redemoinham num compasso brusco, avançam e recuam libidinosamente num tango argentino com parágrafo de ponto e mola.

Mil e tantas palavras, linha a linha, preenchendo a folha até ao rodapé, ritmadas, coloridas, requebradas, sambando um conto de negros, lido, por entre um cheiro a chocolate e a corpos húmidos de suor.

Resvalam pelo papel as palavras instigadas pelo som da big band, enquanto a caneta tamborila na secretária à laia da baqueta de Max Roach, swingando uma crónica loiraça sobre Marilyn Monroe.

A solo, uma única palavra, masculina de flamenco, trajada de negro no branco do papel, hirta, irrompe repentina, num louco sapateado deixando impressa uma demorada tragédia andaluza.

Publicado por machede em 12:42 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 14, 2007

A Zita não hezita

não he zita a zita
sobe a zita
à unha
à corda
zobe a zita
não he zita

nunca he zitou
a zita
nem na ortodo zita
nem na zocial democra zita
à corda
à unha
zobe a zita

zobe
zita
zobe
Zita

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outubro 13, 2007

Apoquentação

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Apoquento-me seriamente com o dia disto e o dia daquilo. Feitios!!!
O chefe do sector dos dias disto e daquilo, algures refastelado numa cadeira de boss, sob o olhar emoldurado do director geral, num gabinete devidamente alcatifado e climatizado, garbosamente acolitado por uma tribo de majorettes secretárias, atribuiu o 13 do corrente a dia mundial da pobreza. Calamitosamente um dia anafado de representantes. Um dia gordo de criaturas que nós, os não excluídos e os que já têm as barbas de molho e são igualmente uma turba imensa, chutámos indiferentemente para o lado de lá da linha da exclusão.
O dia dos humanos para quem não existem dias de nada, apenas de fome e outras peripécias ordinárias a quem é pobre. E parece que o número continua a aumentar exponencialmente.
Que porra de mundo este que nos continua a suportar tamanha sanha hipócrita!!!

Publicado por machede em 11:09 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 12, 2007

Perplexidade

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Será que orçamento de estado para 2008 comporta, na fatia para a defesa nacional (contra os canhões marchar marchar), mais uns carcanhóis para estes desvarios dos magalas ao género australopiteco fardado.
Nos tempos gloriosos do heróico feijão verde ultramarino havia um impagável sector que se chamava de «psico».
Resquícios estes agora, num tempo de guerras de alecrim e manjerona, em que já quase não há alma que leve muito a sério estes devaneios de soldadinhos de chumbo.

Publicado por machede em 04:42 PM | Comentários (8) | TrackBack

outubro 10, 2007

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Publicado por machede em 11:30 PM | Comentários (1) | TrackBack

Línguas

Nós por cá todos bem. Os ovinos é que nem por isso. Têm a maleita da língua azul. Para mal dos nossos pecados, serão uns ensopados, uns borregos no forno e uns pezinhos dos ditos em tomate subtraídos aos nossos calorosos estômagos.
Mas ainda assim é uma doença catita que fica bem na lapela da planície. Língua azul. A gente não faz por menos quando temos uma maleita a acicatar-nos, colorimos logo a coisa antes que venham para aí com nomes maus de soletrar.

Também existe de há um ror de lembrança a língua da sogra. Coisas que não gastamos cá muito, é mais comida de galego.

Existem ainda outras línguas que de vez em quando nos atazanam a pachorra. Dessas é mais difícil livrarmo-nos. São a modos mais matreiras que zorra. São as línguas opacas. Peçonha mais para ministro, deputado e outros pontas de lança da manhosice.

Publicado por machede em 05:41 PM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 09, 2007

Sempre com pés de veludo…

Em tempos ouvia-se dizer da boca para a orelha que… ouvia-se, porque só assim se sabia. Exactamente, porque nada acontecia, a não ser acontecer o que eles queriam que ocorresse.
Tempos tão obtusos que quase os poderíamos considerar de inacreditáveis. Mas foram, efectivamente, tempos. Tempos que existiram mesmo que inconcebíveis.
O interditado era quase que uma zona do cérebro que nos cabia em herança. A herança do medo. De um medo temível de saber. E a seguir de questionar. E a seguir de se insurgir. De se revoltar contra o não saber. De se revoltar porque justificadamente se sabia.
Hoje, a comunicação social apregoa que a polícia à civil [que merda de teimosia] entrou na delegação do Sindicato dos Professores do Centro e levaram consigo… contra o primeiro-ministro.
Diferenças fortes. Dantes era o presidente do concelho de ministros. Passaram um colhão de anos e, já agora, o 25. Agora é o primeiro-ministro.
O ministério da administração interna ordenou um processo de averiguações… e contumazmente o ministro não se demite a seguir ao dito processo de averiguações.

Publicado por machede em 11:56 PM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 08, 2007

Do casco histórico ao esbandalhar limítrofe

Évora Património Mundial. Menção concedida pela UNESCO já lá vai uns bons anos. Intento simbólico, mas deveras importante pela salvaguarda de um dos mais belos patrimónios urbanos nacionais. Titulo igualmente honroso para os cidadãos deste burgo eborense.

Por vezes, acidentadas têm sido as questiúnculas cidadãs sobre o Centro Histórico. Algumas intervenções arquitectónicas não consensuais, nalguns casos, mesmo nada. Decisões sobre o ordenamento do trânsito automóvel a gerarem polémicas duradouras. Deliberações sobre o estacionamento automóvel versus sistema de transporte urbano a levarem as opiniões ao rubro.
Projectos para o Centro Histórico que não saem da gaveta. Um elevado número de prédios em manifesto mau estado. Muitos deles devolutos. Um comércio tradicional à beira de um ataque de nervos.

Problemático isso sim, é o escasso, para não dizer quase inexistente, número de habitantes intramuros. Problema sintomático de políticas erróneas, amarradas a planos de salvaguarda restritivos e desapropriados. Agravado pelo incentivo declarado à deslocação dos habitantes para fora de muros, através de uma mirabolante oferta habitacional. Duplamente agravado pela inexistência de uma política de atracção de habitantes para dentro de muros. Política esta que vem desde o tempo em que as galinhas tinham dentes. Absurdo, é concluir-se que, dos cerca de 50.000 habitantes de Évora, apenas vivam intramuros poucos mais de dez por cento.

Mas vamos por partes. O Centro Histórico existe carregado de problemas, é certo, mas existe com o valor que se lhe reconhece. O número crescente de visitantes da cidade é indicador de que nem tudo vai mal no reino e o poder de atracção é real dado o valor do nome. E mesmo, os problemas de que enferma, resolução terão se os decisores e os habitantes eborenses assim o entenderem.

Agora, o dedo na ferida como costumo dizer. Centro Histórico Património Mundial, acho correcto e inquestionável apregoar. Cidade Património Mundial já é coisa que me custa a deglutir, e muito. Apenas porque entendo que a cidade é um todo. Ou seja, o somatório dos vários núcleos, centro histórico, bairros limítrofes, rodovias externas de ligação, obras de arte subjacentes, arranjos paisagísticos exteriores, zona industrial e o mais que a constituir até há extrema corporizada na sinalética que anuncia a cidade de Évora. É a este global que se chama de cidade de Évora. É este global que jamais poderá ser Património Mundial. Basicamente porque o exterior não foi acompanhado de uma modernidade condizente (retirando alguns bons pequenos exemplos do contrário), com a valia da qualidade do património antigo construído dentro de muros.
É certo que a gestão de Évora, num passado recente, herdou meia dúzia de bairros clandestinos, construídos no deus dará da necessidade de ter uma casa para habitar.
Mas não herdou, antes permitiu as Casinhas, os Bacelos, as Académicas e outros que tais que em nada justificam a Évora Global Património Mundial. A bota não bate com a perdigota.

Desloco-me com alguma frequência a casa de um amigo, que tem a desgraça de morar numa urbanização recente, ali para os lados do Bairro de Almeirim. Uma coisa a que chamam pomposa e ridiculamente Villas do Alcaide. De anotar os dois L no Villas.
É confrangedor o desordenamento urbano. Para além das ruas que mais parecem azinhagas, têm zero de árvores, têm zero de mobiliário urbano. Não tem o bairro um mero quiosque de venda de jornais, um café e o mais que seja dos necessários serviços de proximidade que ajudem a criar os necessários elos sociabilizantes na comunidade. Apenas um pretenso espaço ajardinado que (como eu deliro com esta palavra), assim como quem não quer a coisa, até parece mais um pedaço de terra de ninguém separador pré-determinado da comunidade do plebeu Bairro de Almeirim.

Por nada deste mundo foi com esta Évora que eu sonhei!


Joaquim Pulga

Crónica de Opinião
Rádio Diana FM

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outubro 06, 2007

Os domingos são chatos, os feriados republicanos são curtidos…

- Galinha que se quer séria, enquanto põe os ovos não cacareja!
Sério, como convém a um dezedor, largou-a o Xico Fofa enquanto escorropichava o cu d’um copo de cinco.
Ainda mais sério e empertigado, enquanto mandava vir a rodada abaladiça, explicou para a assembleia que a feição da coisa servia a modos também para a restante fauna, entremeando na restante igualmente o género feminino.

- Por quem sois Xico, acreditamos piamente - largou a um só gargalhar a assembleia.

Despediu-se solenemente como se tivesse terminado uma longa peça oratória e largou ferro porta a fora enquanto gritava: Viva a República!

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outubro 04, 2007

lampspink.jpg

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Dizem-nos o destino marcado Isidoro.

Dizem?
Falso Isidoro!
O destino fazemo-lo nós.
Como o oleiro molda o barro,
e da argila faz o destino.
Quem lança as cartas somos nós,
e a nós nos cabe decidir.
Que outros o imaginem,
que não nós.

Os que o pensam não ajuízam Isidoro!

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Outubro 13 Orai pelo [terco]

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Cipriano

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outubro 03, 2007

Tanto caminho percorrido Isidoro.

Agora,
não poucas vezes, com a dúvida por companhia!

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outubro 02, 2007

Azos cibernéticos

Viagra e o mais que lhe aprouver para a tusa
Férias nas caraíbas
粵語 / 粤语) (粵語 / 粤语) (粵語 / 粤语 é mato
Cursos acelerados para nenhures
Microsoft contrafeita
Нюансы создания обособленного подразделения
Sexo on-line
Propriedade horizontal
Espécie humana/bosquímano/em forma/digo-te depois
[picão, arame, cacau, verdosas, vil metal] até às amarras
Engenharia da computação
Mestrados esotéricos
En esta seccion hablaremos de lugares incomunes
Como gerir menopausas de baixa densidade
Genocídios teclados à velocidade da globalização

Blogues de aluguer da alma e de viperinas línguas
Os Américas que até se jogam ao chão com o zaronzel
Spam chineses que são mais que as mães
Downloads em directo da vida libertina do afonso henriques
Ελληνική γλώσσα
Bordados da baixa saxónia
Copy past da vidinha da vizinha
Flausina, topas como sou maning espiritual

Porra, é um assombro!
Qualquer dia jogo-me ali ao teclado do computas da filarmónica e só arredo pé com uma gaija a reboque, nem que a magana venha pela arreata!

Publicado por machede em 12:56 AM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 01, 2007

Mestres

«Mestre: o que ensina; o que é versado numa arte ou ciência; artista de grande mérito; artífice que dirige outros ou trabalha por sua conta; homem douto; aquele que comanda uma pequena embarcação; que tem vantagem em relação a outrem; principal; exemplar; grande; extraordinário.»
da enciclopédia Editorial Verbo

Desde que comecei a entender da hierarquia da vida, que aprendi da veneração que o adjectivo encerra. Vocábulo abonatório de dignitários que muito uso tinham dado às mãos e ao cérebro. Titulo apenas para usança de pessoas com um estatuto intocável na sapiência e na honorabilidade profissional. Do respeito por pessoas a quem as cãs brancas do tempo, sinalizavam a sua qualidade de mestres, para além do conhecimento manifesto naquilo que sabia do saber e do fazer.
Pessoas comuns que, do básico aprendiz, paulatinamente, tinham subido com perseverança, devoção e experiência na profissão, até alcançarem o nirvana na hierarquia, sendo, somente, então entronizados mestres. Percurso transversal aos vários mesteres, do honorável e honrado artífice ao honorável e singelo cientista.

Que outra coisa poderia ser, Vieira da Silva, Dórdio Gomes, Siza Vieira, Manuel dos Santos, Alexandre O’Neill, Aquilino Ribeiro, Amália Rodrigues, Túlio Espanca, João Ribeiro, Bento de Jesus Caraça… Mestres no seu mester, somente e apenas porque o tempo e a sabedoria se encarregaram de lhe coser no percurso o estatuto maior. Não o esmolaram a ninguém.
Tal como o podem vir a ser, Pedro Cabrita Reis, Teresa Vila Verde, Aires Mateus, Pedrito de Portugal, José Luís Peixoto, Camané, Marisa, Luís Afonso, João Mangueijo… Mestres no seu mester, caso o tempo e a sabedoria recomendem o aditamento da chancela maior no seu caminhar. Sem igualmente o esmolarem a alguém.

As palavras também envelhecem. O envelhecimento deve aumentar-lhe a valia. É o respeito que lhe deve os que as usam. É o respeito pelo seu ancestral sentido. Não querendo com isto dizer que são imutáveis, mas se mutáveis, nunca pelo caminho da desconstrução.

Por subtileza da nomenclatura académica, pode-se, agora, ser apelidado de mestre após o curto carreiro de meia dúzia de semestres escolares, logo ali, depois de torcer da esquina de uma licenciatura, cuja estrada tem a lonjura de meia dúzia de anos escolares. Note-se o escolar e a ausência do profissional.
O famoso processo de Bolonha, ainda mais abreviou, quer a curteza do carreiro, quer a lonjura da estrada. Vai daí, vou ali e num instantinho volto já mestre. Coisas e loisas de quem pensa nestas coisas e loisas do ensino e, por regra, as deve pensar sereno e sensatamente.

Que me perdoem a foice em seara alheia. Mas não me entra assim às boas esta vazia vacuidade. Prefiro, sem margem para dúvida, a hierarquia ditada pelas brancas cãs da sabedoria. A hierarquia lavrada por uma vida de apego e sede de saber.
Mas que fazer perante a invasão do “fast food”, por ora e até ver, mesmo no dito ensino. Mas que fazer perante academias nascidas à laia de cogumelos. Mas que fazer diante duma panóplia de cursos, cuja denominação, de muitos, muitíssimos, não se sabe muito bem para o que serve, se é que serve para alguma coisa.

Termino, estabelecendo uma analogia entre a destemperança no uso do adjectivo e aqueles que daqui por uns dez réis de mel coado de semestres, podem, se para isso tiverem uns tostões e um mínimo de engenho e arte, saírem-nos ao caminho mestrandos. Quando há um nadinha da sua vida atrás, andaram a apoucar vexatóriamente seus iguais colegas de escola, só e apenas por estes terem o azar de ser debutantes e, portanto, caloiros. Que carácter transportarão estes indivíduos, que da autoridade de mais velhos e uns hipotéticos mais cinco tostões de conhecimento, apenas e somente fazem uso torturando e enxovalhando o próximo.
Falo, obviamente, das aleivosias contidas na maioria das praxes académicas. Uma mão cheia de empinocados, falando grosso, nada mais que a profanarem o traje que certamente se sente ultrajado pela simbólica conivência, no aleijar do lombo e da dignidade de um “rebanho” de putos borrados de medo.

Como diria o meu amigo Victor: E não há governo que ponha mão nisto?

Joaquim Pulga
(Crónica de opinião Rádio Diana FM)
Outubro 1, 2007

Publicado por machede em 08:33 PM | Comentários (1) | TrackBack