Em Faro, na rua, homem pitbull morde criança de 10 anos. O homem pitbull estava sem trela nem açaimo e passeava acompanhado do dono cão.
- Somague??? Só pode ser algum presidente africano que ainda não conheço?!?!
- Empresa portuguesa??? Financiamento ilícito??? Partido Social Democrata???
- Mas como é que estou a falar português, eu, que até sou europeu desde pequenino!?!?
“O caso da herança Sommer”.
Em fascículos, no vetusto jornal O Século – que o deus da imprensa tenha as suas páginas em descanso –, tinta, papel, tinta, papel… Deu pano para mangas a esgrima pelo pilim. E a malta pasmou!
“O caso de quem arreda quem no bcp”.
O velho Jardim contra o puto Teixeira - em versão matraquilhos pelo pilim- em directo, diferido, impresso, escarrapachado, retratado, escarranchado, retransmitido… E a malta grita: Aí Benjamim!

gastar o dia numa cartada de sueca
emborcar copos de cinco para alegrar o sangue
afiar o fio da navalha no poial do monte
espreitar a guarda por detrás da esteva
dar lérias só quando a língua se solta
deixar os olhos castanhos presos no postigo da aldeia
nem sequer dizer não
ou sim com o abanar da cabeça
escrever contos e décimas no papel da memória
calcular o tempo pelo cair da folha
lavar o corpo e as mágoas no pego grande
acamaradar só quando a vontade mo pedinchar
dar-me com a lua a pensar o universo
convencer a fome com o cheiro do poejo
enrolar na mortalha o tabaco do anseio
espiar o astro pela frincha da telha vã
ter a manta e o varapau por pertences
negociar as botas e o pelico na feira de Castro
agora, com o passaporte electrónico, já lá vai!
E os deuses mandaram alvíssaras de que iriam repartir a inteligência pelos humanos. No dia tal, às tantas horas, no sítio tal. E os mensageiros dos deuses espalharam a informação. Uns, ouviram. Outros, nem por isso. Outros, não estiveram para aí virados. Outros ainda, acharam-se eles próprios também deuses. Alguns não humanos, retiveram a notícia e decidiram tentar ludibriar os deuses.
O sítio rapidamente ficou repleto pelos mais avisados. Nas filas da frente, os que porfiavam a ferramenta. Nas do meio, os do género venha de lá um naco razoável que depois logo se vê. Nas de trás, os do assim como assim isto até pode vir a ser uma dádiva que dê jeito. No meio dos humanos, aqui e ali, estava a assembleia também recheada de não humanos camuflados de humanos o que lhes foi problemático, dada a torpeza - quer do lado interior como exterior do cabedal - de tais singulares seres.
No logradouro contíguo ao coberto da assembleia, do lado de fora, portanto, ainda se amontoaram alguns retardatários e outros que andam cá por verem andar os outros e gostam é de dar fé do que quer que seja sem perceber muito bem o que foi.
No mural da estória, a regra dos noves fora um, esclarece, que somente sobram os deuses. E esses, são do domínio da mitologia!
Os não humanos contemplados, esses, mantêm o low profile.
Tempo haverá em que os humanos acorrerão a grafitar alarvidades no mural para, tempos depois, não menos selvaticamente, o derrubarem.
anónimo de Machede (lugar mitológico)
«Felizes os reis que, nos seus dias de amargura, encontram o povo ao seu lado para pelo seu amor lhes mitigar a aflição. Desejo, pois, meu caro Fontes, que faça constar a todos os portugueses quão gratos estamos a rainha e eu a tantas provas de interesse e afeição.»
Logo que recebeu o real favor de 4 (do corrente), o Sr. Fontes correu veloz ao lado de el-rei para agradecer ao povo. Mas o povo não se achava já aquele real lado. Tendo mitigado a aflição do monarca, o povo, pegando no chapéu, na bengala e no estojo dos lenitivos, desapareceu como por encanto. O Sr. Fontes diligente procurou-o debalde por todos os cantos do palácio, por trás das portas, por debaixo das camas, pelas frinchas do trono.
O soberano sentado no sólio, com a sua coroa na cabeça e o seu ceptro em punho, houve por bem dizer com majestade:
- Procurem-no que hão-de dar com ele! Ainda agora mesmo ele esteve aqui assim, que o vi eu, a este régio lado, mitigando-me.
E, pousando o ceptro nos joelhos e cerrando um pouco os olhos, Sua Majestade repetia a cantata dirigida ao Sr. Fontes em data de 4: - Felizes os reis, etc.
O Sr. Fontes transpirava de angústia, porque não podia achar o povo. Sua Excelência interrogou os archeiros: - Viram por acaso sair o povo? Mas os archeiros não tinham visto nem sair nem mesmo entrar semelhante sujeito.
O Sr. Fontes arrancava o cabelo aos punhados e dava-o ao Sr. Nazaré, dizendo-lhe com fúria:
- Não posso saber o que foi feito do povo!... el-rei metia o ceptro debaixo do braço, cruzava os braços no peito com tenacidade e repetia:
- Procurem-no até o achar! Felizes os reis, etc.
O Sr. Fontes tomou então uma resolução desesperada. Dirigiu-se ao sumilher da cortina e pediu-lhe que corresse a cortina. Correram-lha. E Sua Excelência bradou com voz aflitiva para o interior dos reais passos:
- Pegou por aí alguém no povo, que estava ainda agora assim ao lado de el-rei?
Ninguém se acusou.
O Sr. Fontes deu um nó no colar do Tosão de Ouro que trazia ao pescoço, e principiou a puxar. Sua Excelência, ia terminar os seus dias. Mas el-rei deteve-o com um gesto, dizendo:
- Compreendo tudo! Retirem-se. Escusam de procurar mais.
E o príncipe enrolou-se todo no manto real, carregou a coroa para cima dos olhos, e ouviram-no dizer, sombrio e tétrico, com voz cava:
- Fizeram-lhe o mesmo que costumam fazer à prata por ocasião dos festins; roubaram-me o povo! Felizes os reis, etc.
Ramalho Ortigão – As Farpas, vol. X

É comedoria de que não sou lá grande militante. Talvez por mou das overdoses de arroz que ressaquei em África, para mal dos meus pecados de molungo criado a pão de trigo e outras opulentas vitualhas em que africano, geralmente, não mete o dente, igualmente, para mal dos meus pecados.
Sei, no entanto, de experiencia deglutida, que nada há de mais pacificador para aparelho digestivo mal tratado, que uma canjinha de arroz com esparsos pedacinhos de miúdos de pica no chão e um ovinho amarelo de interrompida gestação no interior da dona da crista, entretanto executada. E, já agora, a folhinha de hortelão a boiar no aveludado caldo.
Arrozes japónicas, entre nós carolino português. Das searas desta variedade, sabemos bastamente da poda. Por cá, nada nos tanques de cultivo desde o tempo do D. Dinis, dizem. Dele, dizem os especialistas, está a modos que quase a entregar a alma ao criador. Falta de fomento ao plantio, dizem ainda os mesmos especialistas. E, acrescento eu, abafado pelos novos modismos das variedades importadas. Mais in para as bocas sedentas do que só é bom se for internacional como o rock-and-roll.
Para processar o arroz alentejano, em 1954, no concelho de Santiago do Cacém, foi criada a Portugal Nacional e Colónias, hoje denominada de SEAR e com capital maioritário italiano e minoritário da SONAE.
Sobre a morte anunciada da actividade orizícola alentejana, diz o administrador italiano Mancini: “Existem muitas coisas no Alentejo que poderiam ser desenvolvidas e não o são por uma série de razões. A medida que reduz o IRC em 25% por esta ser uma zona desfavorecida não é suficiente. É politicamente bonita mas não é suficiente. Deixem que esta região continue a ser um jardim, mas criem condições para os jardineiros comerem.”

Não era o Isidoro de Machede mais que um palerma de cueiros, totalmente mamodependente, quando o “Quinteto do Ano” arquitectou um dos mais fantásticos documentos do jazz. Maio de 1953, no Massey Hall, em Toronto, o quinteto maravilha fabrica um dos melhores trabalhos de «be-bop» de todos os tempos, ou não fossem os cinco músicos os principais progenitores da, ao tempo, inovadora tendência. Charlie Mingus, foi o operário chefe que construiu o acontecimento do Canadá. Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Marx Roach e Bud Powell foram os outros construtores.
Este vinil acompanha-me vai para 28 anos. Vai não vai procuro-o e delicio-me, sempre. Perdido, Salt Peanuts, All The Things You Are, Wee, Hot House e A Night In Tunísia, são o sustento de uma qualidade musical ímpar.
Lá, estava apenas um quarteto. Vai para uns dias, Max Roach partiu do cais da vida. Com ele levou a sua bateria, instrumento a quem deu a alegria da maioridade. O quinteto maravilha está novamente junto, pronto a «swingar» a eternidade.
(…) yo no soy un hombre, ni un poeta, ni una hoja,
pêro sí um pulso herido que sonda las cosas del outro lado.
do poema Doble del Lago Edem de Federico Garcia Lorca
Deixando no limbo os primeiramentes reivindicantes, saltemos a história para os finalmentes da concórdia nacional magistralmente sintetizada: “Construam-me, porra!”.
E “prontos” – usando aqui, uma vez sem exemplo, o irritante plural queque como digno e abarcante sentimento colectivo -, ei-lo em todo o seu esplendor, o salvífico Alqueva. Tomem e embrulhem alentejanos d’uma figa. Tam-tam-dam-tam, soaram as trombetas políticas, não do apocalipse, mas do maná bebível.
Da raia ao litoral, do alto ao baixo, a revolução verde triunfará. O sequeiro do celeiro é doravante o celeiro da abastança em suculenta paparoca aspergida para alimento dos racionais e dos irracionais. Um perder de vista de regadio será o uso primeiro e real de tal bênção. Anunciaram, igualmente, as trombetas políticas. O turismo, apenas o segundo e complementar plano das intenções para o redentor plano de água. Anunciaram, igualmente, as trombetas políticas.
E foram carreiros e carreiros de gentes de tudo quanto é sítio para constatarem com os dois olhos que deus lhe deu (a minoria não contemplada, pelo menos, ouviu o zaronzel), da fezada liquida dos sortudos compadres.
Encheu-se o mar até às costuras. Foi um fartote de pescarias. Dessedentaram-se os indígenas e os outros, escorropichando metros e metros cúbicos de bijecas e jolas com os tarros de molho (o vasilhame, na boa moda tuga, por lá mora). Banharam-se as gentes como não se via desde o baptizado de Jesus no Jordão. Descansaram as trombetas, pelas sombras dos restantes chaparros, besuntando os beiços em opíparos borregos assados, aquando da inauguraçãozita do quer que fosse para inaugurar. Uma verdadeira epopeia só emparelhada com a longa marcha do camarada Mao.
Passaram-se anos e agora, no mesmo sítio lá mora, ainda, o Alqueva, raso de água pelas costuras.
Turismo, turismo, pulam os autarcas e ajudantes que nem cachorro a osso luzidio. Turismo, turismo, pinoteiam as trombetas políticas como burro picado pela mosca. Betão, betão, grasnam os patos bravos. Compadre compadre, e o regadio, o regadiozinho, sussurram os indígenas desconfiados com a sodomização costumeira.
Comunica agora a comunicação social que, nos 45 quilómetros de condutas enterradas no perímetro de rega (sistema trombeteado como do século XXI), foram detectadas mais de 200 rupturas (eufemismo de buracos). Coisa para mais de 4 buracos por quilómetro. Uma ninharia se comparada com os buracos dos campos de golfe já aprovados com saltos e pinotes.

Tem ratos o gruyère, ou se tem!
O caruncho decidiu habitar na Assembleia da República. Não percebi que ala escolheu para residência. A esquerda, a direita, ou o centro?
Cá pra mim tem agasalho, paparoca e roupinha lavada em tudo quanto é sítio!


1ª plateia, fila f par. Noite sim noite sim. Depois da bica e da mosca no Arcada, ala refrescar o esqueleto e o vício do animatógrafo no velhinho Éden esplanada. Princípio da década de setenta.
Bergman. Morangos Silvestres. Diziam-no o cineasta das mulheres. Para os meus olhos mediterrânicos, era espinhoso, subliminar e glacial como a sua terra. Atraiam-me as suas mulheres tão diferentes das trigueiras e sanguíneas da minha terra. Mas voltava sempre a apostar desvendar a sinuosidade do recado. Engodavam-me os enigmas em redor da solidão, da fé e da morte. Foi sempre uma paixão que vi por entre os dedos de uma certa desafeição.
Antonioni. Blow Up. A trepidação do diferente. O crime no cadáver que não existia. As amantes inquietas e modernas que nos estremeciam a libido. Os olhares sobre vidas que tínhamos por não acontecerem. A admiração de uma estética arrumada num cinema revolucionário. Talvez diferente, de certa forma à parte dos outros monstros italianos seus contemporâneos.
“O PS do seu tempo está muito calado…
Alguns estão afastados, mas o Alegre, às vezes, levanta a voz. Eu ando por aí, na rua, no autocarro, falo com as pessoas. E elas tratam-me à maneira antiga, chamam-me camarada… Você sabe que às vezes ligo para o partido e me tratam por senhor doutor e professor?! Há tempos irritei-me e disse: «mas ouça lá, eu não estou a ligar para o PS?! Estou? Então trate-me por camarada!» A telefonista até rejubilou, mas disse-me: «Sabe, eles agora querem ser todos tratados por doutor e professor…»
da entrevista de António Arnaut à revista Visão