“ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiencia que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política do acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?”
(Eça de Queiroz, 1867 in “O Distrito de Évora”)

também ela Brutus?
Agora até a Bola de Berlim é um poderoso e suculento agente infiltrado do terrorismo alimentício. Que mais esperar desta contagiosa e patética sanha de atirar a tudo o que mexe, quando os tiros são nos próprios pés.
Uma patriótica e justiceira organização denominada de ASAE está em luta contra obscuras mas poderosas forças, ao serviço sabe-se lá de que tenebrosos interesses, que querem desbaratar a flora intestinal dos tugas. Vai daí, os agentes da organização, baniram dos ociosos areais tudo o que cheirasse a energúmeno portador de veneno em forma de Bola de Berlim.
Bolas de Berlim só com o registo criminal limpo! O mesmo é extensível aos energúmenos vendedores que não lavam as patas com que manuseiam os venenosos esféricos desde que se levantam até que se deitam, que não lavam a dentadura, que cheiram mal dos pés, que se despirem a transpirada camisa têm tatuadas camisolas de pedreiro ao contrário do bronze regulamentar dos banhistas e dos não banhistas que só lá vão torrar. Não se pode pactuar com tal desordem para bem do excelso e são bom comportamento perante a UE, ainda por cima, quando o Prusidente é tuga carago!
Que estranha forma de vida a desta lusitana espécie?
Esta espécie que cospe alarvemente para o chão. Esta espécie que abençoa a fuga ao fisco. Esta espécie que faz da sua vidinha um mausoléu cego, surdo e mudo ao que a rodeia para logo de seguida atirar o primeiro calhau ao putativo salafrário já convenientemente agrilhoado, não vá o diabo tecê-las. Esta espécie que exalta os que sobem a vida pela escada da falcatrua. Esta espécie que chorou de contentamento pelas ruas a liberdade ao mesmo tempo que deitava galhardamente as unhas aos pides, para umas ridículas dúzias de anos depois eleger o botas de Sª Comba como o gajo mais importante da sua parda vida.
Que estranha forma de vida a desta lusitana espécie?
Esta espécie que esconde a má consciência do passado pobretanas e ignorante no sótão das inconveniências para se perfilar como um aluno ingénuo e bem comportado perante os deuses de Bruxelas. Esta espécie que não hesita em acocorar-se de tubo de vaselina nas unhas para continuar a ter direito a mais uns patacos dos “subsílios” que depois vai a correr gastar em bugigangas. Esta espécie que não recua perante a ordem de assassinar quem a pariu e amamentou vendendo Bolas de Berlim pelos areais deste “paraíso à beira-mar plantado”.
Que estranha forma de vida a desta lusitana espécie?
Esta espécie que abraça eufórica o falacioso destino de continuar a vender Bolas de Berlim aos ricaços estrangeiros que para aqui virão acamar e jogar o tédio nos empreendimentos turísticos de hiper luxo.
Os gerentes de uma empresa nova-iorquina estão a tentar descobrir, como é que um dos seus empregados esteve morto, sentado à sua secretária durante CINCO DIAS, sem que ninguém notasse.
George Turklebaum, 51 anos, verificador de texto numa editora ao longo de 30 anos, sofreu um ataque cardíaco no andar onde trabalhava (open space, sem divisórias) com outros 23 funcionários.
Morreu tranquilamente na segunda-feira, mas ninguém notou até ao sábado seguinte pela manhã, quando um funcionário da limpeza lhe perguntou porque razão estava a trabalhar no fim de semana.
O seu chefe, Elliot Wachiaski, disse:
"O George era sempre o primeiro a chegar todos os dias e o último a sair no final do expediente, ninguém achou estranho que ele estivesse na mesma posição o tempo todo e não dissesse nada. Ele estava sempre envolvido no seu trabalho e fazia-o muito sozinho".
A autópsia revelou que ele estava morto havia cinco dias, depois de um ataque cardíaco.
Sugestão: de vez em quando acene aos seus colegas de trabalho. Certifique-se de que eles estão vivos!
Moral da história:
Não trabalhe demais. Ninguém nota mesmo.
Já sabem, pessoal... Sempre que virem um colega parado por mais de 5 minutos, ou sempre que chegarem aos empregos e já lá estiver alguém a trabalhar, dêem-lhe um encontrão, não vá o colega ter quinado...
Zé Pinto
Um céu abafadiço, um ar de
ausência
esperando nuvens imóveis no
céu baixo.
A terra, já das ceifas recolhida,
alonga-se manchada a flores
tardias,
roxas, vermelhas, amarelas,
brancas,
como penugem de esquecida
Primavera.
Por entre campos, os cordões
rugosos
dos caminhos para toda a parte,
menos para os campos, que
pacientemente evitam.
Na linha do horizonte próxima
ou distante
conforme as ténues cristas da
planura imensa,
um claror de céu, um tufo de
arvoredo,
alternadamente se tocam e se
afastam.
De súbito, num alto que a
planície esconde,
as casas surgem brancas e
compactas.
Como surgem, mergulham
na sombra poeirenta de
azinhagas em ruínas.
Ainda se demora uma torre
antiga,
escura, com ameias e janelas
novas,
caiadas.
Um rio de adivinha. Mas, de ao
pé da ponte,
de novo apenas o ondular da
terra,
um crespo recordar só de searas
idas.
Jorge de Sena 1950
A caca no caco da nata do patro nata
Não quer sequer caca no caco do mexilhão
Quanto mais pol ítica
Quanto mais idiol ogia
Ora porra
Que caco tem esta caca
Que caca tem este caco de caca i nata
Que caco tem esta caca de caco sem nata
Ora Porra
Nata pato nata
Vai dar uma volta pato nato com caca no caco
No entanto, coisa que não estou a pensar abominar, o Alentejo claro! Sendo que a Ibéria é o grande território, óbvio! A Ibéria como o somatório dos interesses das regiões da península, justo!
Observação a talhe de foice por via das declarações do José Saramago. Rapaz que não estimo por aí além, mas respeito. E, no caso, anuo.

O médico veterinário saca do estatuto de objector de consciência para não abater animais no canil municipal.
O pescador saca do estatuto de objector de consciência para não capturar peixe.
O juiz saca do estatuto de objector de consciência para não presidir ao julgamento do jovem que praticou o delito de roubar alimentos para matar a fome.
O pastor saca do estatuto de objector de consciência para não ser coagido a apascentar animais que mais tarde irão parar ao matadouro.
A operária saca do estatuto de objectora de consciência para se negar a produzir preservativos.
O medo temível que a espécie humana tem da morte, leva-a a uma permissão absoluta aos que pensa ter o veredicto da sua salvação. Antes os feiticeiros, agora os médicos!
Os outros, escolheram a profissão errada!
Vuelo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
com mi deseo, com mi temor.
Llevo el Sur,
como un destino del corazon,
soy del Sur,
como los Aires del bandeneon.
Sueño el Sur,
inmensa luna, cielo al reves,
busco al Sur,
el tiempo abierto, y su despues.
Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.
Te quiero Sur,
Sur, te quiero.
Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
com mi deseo, com mi temor.
Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento al Sur,
como tu cuerpo en la intimidade.
Vuelvo al Sur,
llevo el Sur,
te quiero Sur,
te quiero Sur…
Astor Piazzolla
(com a gentileza do Fred)

Um regalo para os olhos. O omnipresente Pombal a catar os alfacinhas d’alto, uma dúzia de popós e os barquinhos a boiarem no lago para alfacinha remar amores. A modernice da rotunda do Marquês, bem antes do país hipotecar a forma rectangular ao circular rotundo da abastança em rotundas, muitas das quais, onde apenas se almeja que um dia aí venha a mexer um bicharoco motorizado.
Por essa altura, escassos alentejanos deram a volta motorizada ao colossal redondel. Bem poucos certamente. Entre esses de contar pelos dedos, figurão os que granjeavam amores de coristas por troca dos mil réis lucrados com a cortiça. Talvez outros ainda por mou de darem fé, junto do ministério, dos patacos que começavam a jorrar da campanha do trigo. E, já agora, testemunhar ao botas de Santa Comba o apoio incondicional das forças vivas da lavoura na fundação do estado novo.

Chéri Samba – Kinshasa / Tate Modern
Forte, muito forte a pintura de Chéri Samba! Pintor congolês que não encobre um traço que seja da desfaçatez que o chamado “mundo civilizado” usa nas relações com os africanos. Lá e cá. Ontem e hoje.
Mudança de comportamento, ná! A Hipólito, fábrica que mudava as cabeças nos fogões a petróleo já fechou.
Retirei a oportunidade de tecerem comentários sobre o que publico. Não me agrada de todo retirar essa possibilidade aos que aqui gastam o seu tempo. Disse: comentários sobre o que publico. Sobre o que não edito, particularmente sobre a minha vida privada, ninguém tem o direito de usar o Alentejanando. Mantenho o correio electrónico. O que for importante, de acordo ou em desacordo com o editado, afianço a sua publicação.

Joaquim Pulga, Moçambique, Maputo 1986

John Vink, Cambodja, Phnom Penh 1999

James Nachtwey, Brasil, Rio de Janeiro 1998

Pra já pra já, é maior do mundo e arredores.
A coisa está prestes a transbordar por via dos chinocas. Uma azul de 5 európios, mais duas moedas de 1 európio, nem um cêntimo a menos por cada acção.
Não tarda um cêntimo, será o maior do universo e arredores!!!
- Não quero ajuntamentos nem mais de dois a andarem parados.
Arengava o cívico por via do proeminente umbigo da sua barriguda autoridade. Idade incerta, abdómen notavelmente subnutrido, tez camponesa recondicionada, fácies ociosamente iletrada, polegares encravados no cinturão a testemunharem-lhe exclusiva utilidade.
Vitimas da onerosa sintaxe do agente da autoridade, nós, sobreviventes atrevidos duma adolescência geriátrica, neste pantanoso rectângulo, em tempos de metais pesados e cheiro a sacristia [também a morgue por mou da guerra colonial].
- Como estamos numa demolicracia, em casa, nas esquinas, nos cafés, entre amigos, não quero mais de dois a andarem parados.
Arengam hoje os Silvas, as Guidas, as Carmens, os Gomes e demais cívicos igualmente de polegares encravados no cinturão a testemunharem-lhe exclusiva utilidade. Capatazes incapazes estes, letrados, nutridos, tez urbanamente bronzeada, fácies assertivamente opiniosa, desprovidos de aparelho auditivo mas programáveis.
Como pode esta terra sentir-se ditosa com tais filhos? Os que arengam e os que sustentam a arenga!

Paul Lowe, África do Sul, Qunu 1994

Abbas, Arábia Saudita, Dhahran 1990

Ferdinando Scianna, Espanha, Sevilha 1984
Associação de intervenção em meio rural. Baleizão é o lugar desta vontade associativa para o desenvolvimento do mítico lugar da insubmissão.
A Longitude Zero tem vindo a envolver e a envolver-se com a população do território na construção de acções e eventos nos espaços social, cultural e desportivo. Exemplo concluído deste interesse colectivo adveio com o acto teatral e multimédia “Catarina Eu Fêmea” que cingiu para cima de uma centena de artistas baleizoeiros.
Longa vida associativa!


Tate Modern Collection – USSR in construction
Azar do Júlio Fogaça em não ser soviético soviético. Da expulsão não se safava, mas arrebatava apenas o carimbo do “desvio de direita”.

Wayne Miller, USA, Newport 1964

David Seymour, Itália, Roma 1948

James Nachtwey, Brasil, Bom Jardim 1998
O cidadão de muito tempo João Tunes, editor e escrevente do Água Lisa, periódico publicado quando dá jeito e há jeito e garretes que cheguem para atabascar o beateiro de piríscas com dialdrina que baste para derrubar um vulgar exército, mais um iceberg serrado aos cubos miscigenado com os incontornáveis vísquis e a ventura da água lisa, de nascente se possível, lançou-me, vai para umas ampulhetas atrás, às feras da fezada nas cadeias de energia das mãos dadas cibernéticas. Cinco livros cinco blogueiros e assim sucessivamente.
Écran no écran, companheiro João, honrado que fico com o teu dificultoso repto, mas não o posso asilar. Companheiro João, nem as cadeias nem as correntes de ar me desbastam.
Para outras batalhas da nossa guerra, miliciano sou. Feitios!!!

Thomas Dworzak – Afeganistão, Faizabad 2001

Thomaz Hoepker – Portugal, Trás-os-Montes 1992

Abbas – Irão, Teerão 1998

Trinta anos após o lançamento do álbum «Animals» dos Pink Floyd. Animals, baptizaram eles. Calhando, a pensarem no George Orwell. O Triunfo dos Porcos, digo eu, hoje, passadas que são três exactas décadas! Ou, a venerável vontade de pôr os nomes aos bois, de chamar os bois pelos nomes, de dizer com todas as letras, de pôr os pontos nos is, de…
Porque é que o pretérito é sempre tão hoje???