Mote: um contra-revolucionário menchevique corrica caprichos para basbaque ver.
Mais: na praça Vermelha interdita às massas populares.
Ainda: envolto numa verdadeira cortina de ferro de guarda-costas, mais um bando de polícias de Lineu assalariados por via do picão do povo, por mou do vernáculo agastamento de um ou mais bolcheviques furiosos.
Mais ainda: é recebido e jacta-se pelo Kremlin.
Por fim: não é deportado para a Sibéria.
Conclusão: ó pá, não é assim que se tempera o aço!!! Criticaria o Zé dos bigodes.

Uma vez que ignoras o que te reserva o dia de amanhã,
procura ser feliz, hoje.
Toma uma ânfora de vinho, senta-te ao luar e bebe
lembrando-te que, talvez amanhã, a lua te procurará em vão.
Homem que bebes, ânfora imensa, ignoro quem te modelou.
Somente sei que és capaz de conter três medidas de vinho
e que a Morte te destruirá um dia.
Então perguntarei a mim mesmo, mais demoradamente,
por que é que foste criado, por que é que foste feliz e por que, agora,
és somente poeira.
Quando nasci? Quando morrerei?
Nenhum homem pode evocar dia do seu nascimento e designar o da sua morte.
Vem, minha dócil bem-amada!
Eu quero pedir à embriagues que me faça esquecer
que nunca saberemos nada.
Eu tinha sono.
A sabedoria disse-me: «As rosas da Felicidade nunca perfumam o sono.
Em vez de te abandonares a esse irmão da Morte,
bebe vinho. Tens a eternidade para dormir.»
A vida escoa-se.
Que resta de Bagdade e de Balk?
O menor toque é fatal à rosa completamente desabrochada,
bebe vinho e contempla a lua, evocando as civilizações
que ela já viu extinguirem-se.
Em que reflectes, meu amigo? Nos teus antepassados?
Pó na poeira – eis o que eles são.
Pensas nos seus méritos? Deixa-me sorrir.
Toma esta ânfora e vamos beber,
escutando sem inquietação o grande silêncio do universo.
Ó gladiador de corações, toma uma ânfora e uma taça!
Vamos sentar-nos junto ao regato.
Esbelto adolescente de claro rosto,
contemplo-te e penso na ânfora e na taça que tu serás um dia.
Quando a sombra da Morte se alongar para mim,
quando o feixe dos meus dias estiver atado,
eu hei-de chamar-vos e vós levar-me-eis, ó meus amigos!
Quando eu me tornar pó, vós moldareis
com as minhas cinzas uma ânfora que enchereis de vinho.
Numa taberna pedi a um velho
que me informasse sobre aqueles que morreram.
Respondeu-me:
«Não voltarão. É tudo o que sei. Bebe vinho!»
Cansado de interrogar, em vão, os homens e os livros,
eu quis interpelar a ânfora.
Pousei os meus lábios sobre os seus e murmurei:
Para onde irei quando morrer?
A ânfora respondeu-me: Bebe na minha boca.
Bebe longamente: jamais voltarás aqui.
“Rubaiyat – Odes ao Vinho” de Omar Khayyam*
Ruba’i nº 5, 19, 21, 35, 56, 83, 86, 99, 113, 134
* Cidadão da Pérsia muçulmana do princípio do século XI. Homem sábio e crítico, astrólogo, matemático e geómetra, que com a normalidade dos amantes do prazer prezou o convívio das mulheres e do vinho, tal como com a simplicidade dos que sabem da naturalidade da Morte, dela também fez poema.

Ó parente, agarre aí uma de calma! Piano piano com as larachas. Já me revi no espelho, averiguei as espaldas por mou das maganas das bossas, e zero. Mirei a carantonha e os costados dos patrícios, e zero. Olhe que ainda não topei um só para amostra com aspecto de dromedário a sério. Olhe lá parente, camelos, também temos alguns, mas mesmo esses são os mutantes do costume. Calhando, alguns que o senhor bem conhece?
Mas numa coisa o parente tem razão! Com amigos da sua laia, estamos fecundados, lá isso estamos! Mas mesmo já agora lhe pranto uma razão: a gente não arreda pé, com o seu deserto ou sem o seu deserto.
Olhe parente, assim como assim, se fosse a si, construía a porra do aeroporto no quintal, por mou das zaragatas e para poupar a rapaziada à corremaça dos políticos a embarcar para o laréu e, já agora, a desembarcar do laréu.

São agradáveis os candeeiros da minha rua. São elegantes os candeeiros da minha rua. São do tempo do ferro fundido. Terão a minha idade, mais ano menos ano. Conheço-os desde que me conheço. Coisa do meio da tábua da centúria a que o tempo voltou a página, vai para um nadinha. Plantaram-nos - na agora minha rua – quando o eixo centro da cidade / estação do caminho-de-ferro era coisa importante para os citadinos desta urbe e dos lugares em redor. Eixo que desce, com doçura, do cabeço da Praça do Giraldo, caminha pela rua da República, corta o rossio de S. Braz a meio e desemboca na dita estação depois de escorregar ainda, sempre no consolo da sombra, pela avenida Dr. Francisco Barahona – a minha rua.
A estação do caminho-de-ferro, no fim da minha rua, não é agora mais que um requalificado apeadeiro de fim de linha. Os homens que mandam [no caso e em tantos outros casos, em cima do joelho], findaram-lhe a missão de expedir comboios para Mora, Estremoz e Reguengos de Monsaraz. Fecharam os três ramais. Fecharam a correspondência para os interiores do interior. A minha rua, tem agora apenas comunicação com o umbigo Lisboa e com nenhures. Outros transportes mais alto se levantaram – na cabeça dos homens que mandam. Outros transportes que, cada dia que passa, vão transportando apenas as gentes que não se vão escoando dos interiores para os litorais. Por este andar, à míngua de gente, não faltará muito para fecharem de vez os interiores. Um dia, quem sabe, também a minha rua!
AYUNTAMIENTOS EN RESISTENCIA PARA UN MUNDO RURAL
VIVO!
"Propuesta de PLATAFORMA RURAL / LIANZAS POR UN MUNDO
RURAL VIVO para el día después de las Elecciones Municipales"
Sabemos que en las agendas de muchos líderes políticos no existe espacio alguno para abordar el futuro de los pueblos. Estamos convencidos de que su preocupación por éstos se limita a hacerse ver en los periodos preelectorales mientras construyen la candidatura que les proporciona los votos legitimadores de un sistema que reduce la democracia al acto de votar. Sabemos que somos insignificantes en sus estadísticas, que sólo representamos un pequeño porcentaje de la población total y que la inversión no les merece la pena.
El resultado de tal desprecio se expresa en el abandono absoluto del medio rural y en la incapacidad desde lo público de hacer propuestas para crear dinámicas que generen alguna esperanza de futuro.
El ayuntamiento, nos dicen, es la institución más cercana a los ciudadanos / as, pero a veces esa cercanía se reduce solo al aspecto físico dónde se encuentra el edificio para la gestión burocrática de la vida municipal.
La siguiente reflexión va dirigida, no sólo a los candidatos que se presentan a las próximas elecciones; sino, a todas las personas que vivimos en los pueblos y que entendemos que los ayuntamientos tienen que dar un valor importante a su grado de autonomía para gestionar la vida de su territorio. También para los que se atreven a imaginar el futuro fuera de las lógicas del modelo de desarrollo que durante décadas expulsó a nuestras gentes de sus pueblos, y a construir nuevos proyectos e iniciativas a partir de los recursos locales, que a
veces desconocemos, no valoramos, e incluso despreciamos.
Nuestra reflexión pretende adelantar algunas propuestas para el futuro, pero sobre todo intenta dar a conocer algunas de las amenazas que acechan a los pueblos, amenazas que se harán realidad si no somos capaces de posicionarnos con firmeza frente a ellas, aunque ello simbolice la lucha de David contra Goliat.
Los ayuntamientos, en el momento histórico que nos toca vivir, han de asumir otras responsabilidades, comprometidas no sólo con la gestión de los problemas del presente; sino, con la preocupación de concebir una comunidad con futuro para las generaciones venideras.
Por eso urge frenar el proceso de desaparición de más agricultores y apoyar UNA AGRICULTURA FAMILIAR, CAMPESINA Y LOCAL, que no sustituya trabajadores por tecnologías que destruyen nuestro medio y nuestro trabajo. Podemos recuperar una agricultura que a la vez que produce alimentos sanos y nutritivos sea cuidadora de los ecosistemas y los recursos que permiten ponerla en práctica: los suelos, el agua, la biodiversidad.
Necesitamos oponernos radicalmente a la producción de alimentos
transgénicos, a una tecnología que agudiza el proceso de dependencia del agricultor y del consumidor hacia a la industria de la agroalimentación, DECLARANDO LOS MUNICIPIOS ZONAS LIBRES DE TRANSGÉNICOS, por ser una tecnología lejana a los intereses y necesidades de las personas, sin olvidar los peligros para nuestra salud a través de los alimentos que comemos y la contaminación medioambiental. Paralelo a ello hemos de trabajar por mantener vivas las semillas locales y los conocimientos que los campesinos tienen para cuidarlas y mejorar la diversidad agrícola.
Es de suma importancia defender la autosuficiencia alimentaría, que a publadores puedan tener el huerto y producir lo que quieran en él, hacer la matanza y el queso, tener el corral con sus gallinas sin necesidad de más impedimento legal que poder ejercer el derecho de producir tus propios alimentos. ES HORA DE LA SOBERANÍA ALIMENTARIA y esta la tenemos que empezar a conquistar desde los lugares donde vivimos, produciendo en función de las necesidades de las personas y no de las estrategias de las multinacionales de la alimentación, creando puentes entre productores y consumidores, fomentando los mercados locales como punto de encuentro y sin
intermediación de especuladores que juegan con la comida.
Se hace imprescindible BOICOTEAR TODAS LAS LEGISLACIONES
elaboradas bajo la presión de la agroindustria multinacional y que en nombre de la higienización de los alimentos y de un falso cuidado medioambiental, nos impide producirlos, transformarlos y gestionar con criterios de sostenibilidad real los recursos naturales.
Es urgente trabajar por facilitar la incorporación de NUEVOS POBLADORES y reducir el impacto negativo del crecimiento demográfico. Hemos de actualizar las ordenanzas para abrir caminos que faciliten a estos el acceso a los bienes públicos: tierra, viviendas, otros usos de los bienes comunales ociosos y que pueden ser un recurso para emprender nuevas iniciativas laborales.
No podemos permitir el desmantelamiento de un servicio público más en nombre de la rentabilidad económica, hemos de recuperar el derecho a la escuela, al transporte público, al servicio de correos, a la asistencia sanitaria, etc. En este marco, es imprescindible recuperar la figura del profesional público rural, para que como servidores de los ciudadanos /as comprendan, sientan, vivan y beban con nosotros el vino en la taberna...!!
Hay que frenar todo intento especulativo que está detrás de los macro modelos urbanísticos, que nuestros ayuntamientos no se financien con los impuestos aplicados al ladrillo especulador. Y en la misma estrategia es fundamental oponernos al modelo turístico de costa, especulativo y depredador,.. que intenta imponerse bajo el paraguas del turismo interior, marginando a las pequeñas iniciativas de turismo local, responsable y cultural, gestionado por nuestras gentes o las gentes que deseen vivir con nosotros en los pueblos.
Hemos de mantener VIVAS NUESTRAS CULTURAS, mediatizadas también por el valor del consumo y de la codicia, culturas que pueden ser la clave para construir otros modelos de desarrollo fuera de la lógica del neoliberalismo salvaje que todo lo traduce a dinero, dando la espalda a la dignidad de las personas..
Vivir en los pueblos nos ofrece otras posibilidades, muy lejanas de los valores imperantes en la sociedad actual. Vivir en los pueblos nos permite poder construir modelos de desarrollo a escala humana, hacer de los bienes y servicios un patrimonio colectivo, poner la economía y los recursos al servicio de las personas, ver en la multiculturalidad e interculturalidad una de nuestras mejores riquezas, tomar la solidaridad como antropología de la ternura y del sentimiento comunitario; y, lo que es más importante, construir estructuras sociales que contemplen la DEMOCRACIA REAL, expresada en la soberanía, en la participación de las comunidades y en el ejercicio de la igualdad.
Los ayuntamientos de los pequeños pueblos tienen un papel importante que cumplir, RESISTIR y demostrar que nuestras propuestas no son trasnochadas, que en ellas están las claves para superar la crisis de valores sobre los que se han construido las sociedades urbanas, hoy, muchas de ellas, insostenibles e inhabitables para millones de personas.
Educar: Pedagogicamente e etimologicamente significa, «elevar», «tornar maior» e aplica-se ao desenvolvimento das faculdades do homem, intelectuais e físicas.
Delito de gracejo, punido por uma beatífica directora - dita da «Educação». Fruta da época, desta época!!!
Cruel: Que se compraz em fazer sofrer, em torturar; bárbaro; desumano; insensível; que tortura; que aflige; doloroso; atroz.
Criança portadora de doença grave torturada pelos colegas igualmente crianças. Bulliying, chamam-lhe os especialistas. Crueldade, digo eu. Crianças cruéis filhas do deus dará da não educação, acrescento ainda eu. Criança produto competitivo, dizem os economistas deste mundo ausente da civilidade, mas atravancado por ditadores especialistas desta ciência dita exacta – coisa que me cheira a aldrabice estorricada, a ciência e eles. Fruta da época, desta época!!!
o inicio é sempre com letra maiúscula é pá vocês estão a ver o nice da coisa assim sim a rapaziada ficaria ao nível do primeiro pelotão aparatosa ambição do chefe de boliqueime mais ou menos equidistante no pretérito com a rábula do bolo rei mas estão mesmo a ver o colossal desconcerto para o cidadão que se enleve da carência da dita formatura e depois querelam-se que não andamos na rasoura dos superiores como na época de d. manuel quando mandava-mos elefantinas prendas ao papa que deixavam o resto dos cromos europeus a rebolar-se de inveja com a subtileza da nossa diplomacia paquidérmica de nenúfar em nenúfar nesse tempo é que era não é agora com o carapau de corrida mourinho e o endireitado fócrates e o meia leca marques e o rígido silva e o pensador lourenço e o gaijo que é mas também não é do pc saramago e a reserva moral nossa senhora Fátima e o grande chefe índio gerolmo e o fadista braga e o tio patinhas belmiro e o resto da maralha que não conta para o campeonato mas também não quer contar & a restante maioria silenciosa se não fica a piar baixinho leva com a moca de rio maior e do fisco mas para subir o moral desta pandilha toda e arredores o que os bacanos estão mesmo a precisar é de doutores em nós de gravata à maneira isto à atenção do gago se não nunca mais lá vamos nem ao mundial de hóquei em patins como no tempo do botas de stª. comba nem voltamos à gloriosa saga de descobrirmos jovens mundos ao mundo como no tempo do infante que tinha um negócio de transporte de bananas madeirenses ainda o jardim nem um reles e amalucado espermatozóide era sequer mas a malta insiste à fartazana com o gago para engravatar-mos convenientemente o ego porque é logo outra loiça para bem da pátria e das ilhas adjacentes das Berlengas e das selvagens que também contam para a nossa grandeza mas que só é grandeza à séria se andarmos todos mas mesmo todos sem ninguém de fora engravatados devidamente que nem doutores e engenheiros e economistas e arquitectos e advogados e psicólogos e sociólogos e astrónomos e físicos e matemáticos e outros gaijos importantes para pénis que agora não me floriram à prostituta da memória e também os sacravinas dos políticos assim sim prantavamos novamente este país de egrégios avós como consta das estrofes dos heróis do mar no fulcro transcendental da geoestratégica mundial e porque não sideral mas com travões a fundo para não sermos sorvidos pelo reaccionário buraco negro que é uma espécie de adamastor que a gente já topa que nem ginjas desde o grande navegador que é da vidigueira e de sines ao mesmo tempo vasco da gama não confundir com o vasco gonçalves ponto final

Deixem-me rir! Gaijas e gaijos horripilantes, sem um farrapinho de graça, mal parecidos, sem um sorvo de sex-appeal, mal paridos, sem talho nem maravalho, mal esgalhados, completamente alarves, pardos, absolutamente pardos.
Você daria uma voltinha com a sua candidata? Porra, você está maluco, com aquele fóssil? Com aquela mal-ajeitada, que não dá uma para a caixa? Você está a alucinar, acha que tenho boca de xarroco?
Você faria uma perninha com o seu candidato? Porra, antes com o açorda que tenho lá em casa! Você está a ver-me com óculos, acha-me com cara de madre Teresa de Calcutá? Com aquele estafermo, que só tem pica na gravata?
Terminamos por aqui o apontamento de reportagem sobre a concupiscência dos nossos políticos!
Metam aqui os faróis! À gandas belgas. À ganda Tânia Derveaux. Até eu votaria nela, mesmo que tivesse que chuchar com o senado dos batatas fritas.



"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro [.] Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este,
finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. [.] A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos [.] sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, [.] vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.”
Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.
![]()
Ritual religioso e pagão de mão dada. Ascensão de Jesus e da fertilidade. Benziam-se os primeiros frutos e estreavam-se as gentes nas primeiras festas campestres do ano. Comungava-se a festa popular da farta merenda e da libido do bailarico com a natureza. O desabrochar do alento primaveril, a isso convidava. Rematava-se o dia com a oferenda ao lar de um ramo florido a simbolizar a fartura e a harmonia para a família.
No Alentejo: espigas de trigo, ramo de oliveira, papoilas e malmequeres campestres amarelos e brancos. No Ribatejo, mormente, ao longo do vale do Tejo: espigas de trigo, ramos de oliveira, folhas de vide e flores campestres. O ribatejano a condensar com nitidez a trilogia alimentar mediterrânica: pão, azeite e vinho. Os dois a sintetizarem uma esperança renovada de um bom ano.
Parece-me ser este o dia do ano que reúne a maioria dos feriados municipais. Certamente, não será coisa do acaso!
Alcanena
Alenquer
Almeirim
Alter do Chão
Alvito
Anadia
Ansião
Arraiolos
Arruda dos Vinhos
Azambuja
Beja
Benavente
Cartaxo
Chamusca
Estremoz
Golegã
Loulé
Mafra
Marinha Grande
Mealhada
Melgaço
Monchique
Mortágua
Oliveira do Bairro
Salvaterra de Magos
Abertura da época piscatória 2007/2008 em águas interiores.
Esfera: pescador desportivo amador
Investimento: as capturas jamais compensam a trabalheira e muito menos o picão vertido no equipamento, isco, transporte, comes-e-bebes, licenças e outros adicionais agarrados ao vício.
Lugar: grande lago artificial de Alqueva, próximo de Mourão, mais precisamente na Herdade das Ferrarias.
Objectivo 1: dando de barato que quem quer peixe molha as nádegas – coisa que executei na integra -, mas nem mesmo assim as preces foram atendidas pelo deus dos pescadores. Ou seja, peixes 0.
Objectivo 2: dar uma de campestre a olhar para o ontem sem aturar vivalma, fora o circunstancial mau feitio da putativa bicheza a capturar.
Tempo da refrega: do nascer até o astro rei estar a pique.
Lema: há que ter fé na vez contígua irmãos, porra!

Ponteiras das canas com Monsaraz em fundo

Bóia a boiar no alentejano mar do Alqueva

Também tu Brutos tratas assim as florezinhas

Substâncias & texturas [fino hã] da borda d’água
Quando destituído pelo jovem oficial Nasser, Faruk, rei do Egipto, vaticinou: “no ano 2000 apenas restarão cinco monarquias no mundo: as de copas, ouros, espadas, paus e a de Inglaterra”. Equivocou-se! Ainda a bola está rasa delas.
No entanto, a inglesa está para durar, tal como a imutável pesporrência dos reais súbditos!

Halifax, Nova Escócia, Canadá. Aí, veio ao mundo esta voz quente e arrastada. Holly Cole, canta que se farta. Esta moça canta e encanta. O jazz sobe-lhe do íntimo.
Por “Holly Cole” apenas e de singelo responde este trabalho. Na génese, esteve para ser: “Esta casa é assombrada”. Porque não, porque sim, tanto faz quando o interior é sumarento!

O povo estimava a banda. A malta fazia questão de tocar na banda. A banda filarmónica era o orgulho da terra. Uma vaidade assumida de cabo a rabo – do jornaleiro ao lavrador, passando pelo empregado da Câmara. Era a nossa Banda de Música. A nossa Banda de Música que não tinha igual um ror de léguas em redor. Presunção que, não poucas vezes, extravasava para uma crença bairrista meio zarolha. Bairrismo, o tanas!!! – diriam os devotos. Que viessem com solfejados atrevimentos manhosos que em troca desandariam com uma monumental trepa de mis em sis sem dó.
E a malta da banda abalava pela rua tocando furiosamente. E a malta andançando atrás numa pândega procissão de tangos, rumbas, passe dobles e valsas. Uma procissão de cintilantes e garbosos instrumentos de perna ao léu a correr a terra de fio a pavio por entre um foguetório de contentamento até ao assentar da pauta no coreto da Praça.
Assim era o amor da rapaziada pela sua banda. A mais primorosa das bandas cem léguas em redor!

Banda Filarmónica de Faro
No café Correia, só pode! Na Vida do Bispo, só pode! O Francisco, moço MESTRE cozinheiro [motard das Harley Davdinson, só pode – a rapaziada do bom gosto só monta cavalaria apurada], jamais deixa o acelerador por mãos alheias. O acelerador fogão da sua arte maior do lume no cú do tacho. As lulas recheadas que não necessitam de palito [QUE VIVA A FLORESTA], dado o Francisco lhe encolher a textura em água fervente – truque do saber fazer.
Recado extra para quem do garfo faz prazer à goela, nas bordas Índico. O Teixeira – e todos os outros Teixeiras nas bordas do dito – moço dos Olivais, certamente, ficará a salivar, só pode!
Pois é, o supremo Francisco, MESTRE do templo prazenteiro ancorado na Vila do Bispo. Templo escrupuloso, de percebes, lulas, polvo, moreia e afins. Afins, reconfortantes dos interiores de quem qualifica o palato por estes territórios do GARB AL.
A namorar a coisa, e casar de aliança no dedo, um Planalto fresco, fresquíssimo, a roçar a imprevidência da gola menos atreita a fresquidões, só pode. E, então, o paraíso! Não jogo a tostões.
É só tiro aos pratos, gastronómicos. Ou, aos templos!

Cipras, Luísa, Isidoro e o MESTRE Francisco.
SÓ PODE!
«A minha vida começou bem antes de vir ao mundo, e imagino que prosseguirá sem mim por muito tempo», escreveu ele.

Hugo Pratt, o homem que criou a lenda de Corto Maltese, tornou-se ele próprio uma lenda. Este livro, profusamente ilustrado e publicado poucos anos antes da sua morte, explora os mistérios da sua vida.
Descendente de uma mistura de franco-ingleses, judeus-espanhóis e turcos, Hugo Pratt nasceu em Junho de 1927, nos arredores de Rimini, Itália, e passou parte da sua infância em Veneza. Despertou para a sua vocação na Etiópia, onde descobriu o amor, aprendeu a desenhar e a detestar o colonialismo. Mergulhou na Veneza liberta do fascismo, embarcou para Buenos Aires, partilhou o tempo entre a B.D., as viagens e os amigos.
Perito na cabala, iniciado no vodu, conhecedor de várias línguas e coleccionador de milhares de livros, Hugo Pratt surge-nos neste álbum como um personagem inesperado.
Hugo Pratt morreu a 20 de Agosto de 1995, na sua casa da Suíça, com vista para o lago Léman, tendo por companhia Patrizia Zanotti e a sua biblioteca. O serviço religioso foi acompanhado por temas de jazz do seu amigo Dizzy Gillespie eo padre leu passagens de “O Desejo de Ser Inútil”.
Eu denuncio
Tu denuncias
Ele denuncia
Nós denunciamos
Vós denunciais
Eles denunciam
Eu bufo
Tu bufas
Ele bufa
Nós bufamos
Vós bufais
Eles bufam
Eu racho
Tu rachas
Ele racha
Nós rachamos
Vós rachais
Eles racham
Eu chibo
Tu chibas
Ele chiba
Nós chibamos
Vós chibais
Eles chibam
A burguesia, quando lutava contra a nobreza, apoiada pelo clero, arvorou o livre exame e o ateísmo; mas, triunfante, mudou de tom e de comportamento e hoje conta apoiar na religião a sua supremacia económica e política. Nos séculos XV e XVI, tinha alegremente retomado a tradição pagã e glorificava a carne e as suas paixões, que eram reprovadas pelo cristianismo; actualmente, cumulada de bens e de prazeres, renega os ensinamentos dos seus pensadores, os Rabelais, os Diderot, e prega a abstinência aos assalariados. A moral capitalista, lamentável paródia da moral cristã, fulmina com o anátema o corpo trabalhador; toma como ideal reduzir o produtor ao mínimo mais restrito de necessidades, suprimir as suas alegrias e as suas paixões e condená-lo ao papel de máquina entregando trabalho sem tréguas nem piedade.
(Introdução à obra de Paul Lafargue, “O Direito à Preguiça”, escrita durante o encarceramento do autor, na prisão de Saint-Pélagie, em 1883. Interessante o facto de Paul Lafargue ter sido genro de Karl Marx)
“Sejamos preguiçosos em tudo, excepto em amar e em beber, excepto em sermos preguiçosos.” LESSING