Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o sol já no sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul
Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar
Maio com o meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu’importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar
Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu
José Afonso
Eternamente – na verdadeira acepção da palavra - grato! Perpetuamente reconhecido até ao tutano por teres devolvido a ordem ao negócio. Sempre pensei que o Director Geral anterior tinha cometido um grave erro de gestão ao alienar o Inferno. Baixar o taipal do departamento cada vez mais lucrativo da sociedade “Céu, nem carne nem peixe & Inferno S.A.”, não foi só falta de visão empresarial, foi uma punição tremenda para uma enorme talhada da rapaziada que quer continuar na boa-vai-ela, mesmo no acolá. Da substancial fatia de mercado representada pela malta estroina que não quer dar parte fraca mesmo depois do fim da linha do comboio dos vivos. Da outra não menos fundamental fatia de mercado, nada, nadinha desprezível, para quaisquer gestor que se preze, do núcleo clandestino mas afanosamente militante dos vícios privados, virtudes públicas.
Eternamente grato!

Cogitada imagem do Clube Sado-masoquista do resgatado departamento

Truman Capote
“Procuro sobretudo um silêncio interior, traduzir a personalidade e não uma expressão. Ao mesmo tempo, faz falta a geometria.”
Henri Cartier-Bresson
Tinha 21 anos. Também lutara contra o velho estado novo. Exaltei com a cadeira que arreara o dinossauro excelentíssimo botas para o além. Era o ponto de honorabilidade de quem não sabia muito bem o que queria, mas sabia muitíssimo bem o que não queria, para mim e para os outros. O MFA derrubou a primavera marcelista do velho estado novo. O velho estado novo agonizava por entre os beija-a-mão da velha generalada babosa e reumática. De fora, olhavam-nos como sendo portadores de uma maleita purulenta. Até a vizinhança que se alimpava a um sarnento e sangrento guardanapo semelhante, já bebia coca-cola. Nem a pide valeu ao velho estado novo! Como haveria de valer? Só se tivessem atafulhado Caxias e Peniche de jovens oficiais, a maioria milicianos, que por bem e por si decidiram deixar de dar sangue para alimentar o “império” e, de caminho, decidiram igualmente dissolver a tríptica excrescência do “deus, pátria e autoridade”. O arrolhado povo entusiasmou-se e saiu para a rua da liberdade.
Foi um dia de contentamento que jamais esquecerei. Foram tempos de novidade que jamais esquecerei. Terminei o caminho para homem em liberdade.
Tenho 54 anos. Gosto de o celebrar comigo!
Nunca me animaram as marchas populares de santo antónio!
Légua menos légua, é coisa para duas bem trotadas. Na estrada de Évora para a Igrejinha, no entroncamento para a Sª. dos Aflitos, volta-se em angulo recto como quem vai para a capela da Santa supracitada. Ao avistar do lado direito outra capela campaniça - da qual ignoro a nomenclatura - entra-se na picada, passa-se arrimado à caiação da ermida e está-se então a um tiro de chumbo grosso da Venda Pascoal.
Em tempos idos, a denominação comercial venda significava um entreposto com várias valências, a saber: taberna, incluindo comes-e-bebes de circunstância e produtos da época; mercearia & afins, negócio que atulhava das botas caneleiras, ao açúcar, ao telefone público, fazendas e panos variados, loiça de esmalte, barro, ferro, sementes diversas e o que de mais necessidade houvera várias léguas em redor; logradouro frontal apetrechado para o entretenimento, matraquilhos, malha e chito e o sempre interessante jogo do equilibra-te maltês.
A valência Pascoal tem uma pipa rasa de tempo. Tanto que, já lá refaço os fundilhos pelos bancos corridos desde que de barba ralo me lembro.
Voltando às pipas. Nem o Instituto Nacional de Estatística teria arcaboiço para concluir do débito havido em tal lugar. Isto, não contando com as bebidas grossas igualmente desbastadas.
O Pascoal que, segundo ele, tem a idade da vinha existente na frente da valência, vinha esta, ainda encepada à romana. Adiante. O Pascoal lá continua hirto e firme a dar despacho a uns brancos e tintos e a despachar a freguesia por vezes, não raras, muito menos hirta e firme.
Ontem, contribui para a dita cabala estatística despachando uns tintos em copo de vidro grosso e meão na altura, uns torresmos, uma farinheira assada, tudo isto ainda acolitado de uns carapaus fritos do dia anterior, coisa que não tem nada a ver com falta de procura mas antes com o cânone do peixe frito, frio e da véspera.

Ao centro, o anfitrião, Mestre Pascoal.


De vez em quando lá vem a seta do maldito. A malta gosta de envenenar as setas. A malta normal afecta-se com a anormalidade. A malta anormal borrifa-se na normalidade.

“Vive de expedientes, na qualidade de funcionário público. É um burocrata convicto e de grande talento. Não vai bem com o traje académico o seu suporte animalesco – nem os modos boçais. Nunca foi criatura para «trinta minutos», e quase não tem prática de ‘conversas nocturnas’, partilhando com todos os portugueses o consumo imoderado de televisão e de substancias tóxicas. Não é, no entanto, responsável por quaisquer plaquettes de versos ou livros de poemas, mesmo que infantis.”
(auto?)biografia do Eduardo
Deu um prémio ao Eduardo Batarda, a edepêzinha. Deve ser por isso que pagamos a electricidade com um palmo de língua de fora, para pôr uns tostões de lado para o prémio. Fica-lhe bem o prémio na botoeira. E os administradores ficam com cara de gente decente, mesmo quando nos viram ao contrário para caírem os últimos tostões para alimentar a gula da energia. A electricidade é muito mais importante e difícil de produzir do que se pode imaginar?
Até o botas de Santa Comba o percebeu. Aquando do beija a mão de um embaixador de Portugal nos EUA que, durante a audiência, não poupou encómios ao império do mundo livre, o botas refreou-lhe o entusiasmo: Sim, sim senhor embaixador, mas não esqueça nunca que os americanos não são iluminados por Deus, mas sim pela electricidade!
O Eduardo Batarda, esse, é apenas iluminado pelo seu talento. E basta-lhe!

O Cabeça de Abóbora – que também respondia por Américo Tomaz - num dos seus inaugurativos e colossais discursos, dissertou sobre a sua infantil vontade em ser bombeiro quando grande fosse. Almirante e Presidente da República foi o que calhou em sorte ao eminente cabeça de abóbora para mal dos pecados deste rectângulo na beira-mar assentado.
4 – FIGURÕES – 4, aparecem numa campanha publicitária institucional, consequentemente também paga com a parte do cabedal que o fisco me saca, a armarem ao cabeça de abóbora. Trocada por miúdos, a farsante propaganda, não é mais que o grande educador das massas Vieira da Silva, de dedo em riste, a atemorizar os juniores para a desgraça de virem a integrar o quadro profissional do pessoal menor, caso não se dediquem afincadamente aos estudos. Pretende a rábula do sôr ministro recordar que, neste rectângulo na beira-mar assentado, não havendo meios termos, ou doutor ou pelintra. Já basta o que basta sôr ministro! Já basta de bater no ceguinho do pelintra tuga que não quis, não teve posses, ou ainda arte ou engenho para ser doutor – estes podem ter nacionalidade indiscriminada que são sempre considerados. Já basta de psicodoutoral sôr ministro! Ou ainda não está contente com a ancestral tarefa de entortar os cérebros pátridos.
Quanto aos 4 – FIGURÕES – 4, para além deste deplorável era uma vez, provavelmente nunca ninguém lhe apontou a possibilidade de estarem a esbanjar as não assumidas competências para a carreira de tractorista ???? – não querendo com isto deslustrar a honorabilidade da profissão em causa.


Alguém se assombra? Alguém se abisma? Eh, eu não. Népias. Genericamente, na espécie, há um ror de tempo que perdi a confiança. Dotados de razão, se porventura fizessem uso do raciocínio, negativo. O rácio do tino nunca foi luzidio, e de há uns tempos a esta parte a coisa está pelos rácios da amargura.
Da pólvora à televisão, da playstation ao Ratzinger, do DDT ao petróleo, do tio Patinhas ao Mc Donalds, do rei sol a guantanamo, quem aposta um tusto nesta tralha?
América, américa. Depois de começarem por dizimar os peles-vermelhas, agora, dizimam-se mutuamente. Que porra de gaijos!
O Isidoro bolina pela República do Gerúndio, território onde já gatinharam os antepassados. As raízes acham-se no chão do lugar de Machede, chão do Isidoro seu avô. Daí, o terem assente por e se assumir maravilhado de Isidoro. Coisa da emoção mas também da razão de se achar Isidoro de Machede.
É hábito a léria do não me chamo, chamam-me. Na circunstância, acha-se no direito de não lhe chamarem mas chamar-se o somatório do nome com a denominação do chão, cosidos pelo de que une a emoção do homem e da terra.
E rabisca o Isidoro de Machede do seu caminhar e do que vê caminhar, ou, quedo estar. Também rabisca dos caminhos que outros antes fizeram ou quedos antes ficaram. Destes, rabisca por fé ter dado da vida enquanto já vivente, ou, por lhe terem contado das vidas à lareira do tempo, ou, ainda, por ter lido nos antepassados canhenhos que outros rabiscaram.
Faz questão o Isidoro de Machede de ter a parceria da fantasia. Daí, gostar de acompanhar com o seu imaginário e do de outras gentes. Com engendrados figurões onde topa pedaços da sua maneira de ser, ou, ainda, do que estimaria ser e para tanto tomates não tem, mesmo nos lugares do nunca.
O Joaquim Pulga por cá anda bolinando apenas o que pode. A mais se acha obrigado, mas… mas… Há sapos que parecem elefantes.
Ousa assim bolinar o Isidoro de Machede por mares onde o Joaquim Pulga só encontra mostrengos.
O encontro de contas entre um e o outro, achado será no nunca aprazado dia do fecho da escrita!

Eu que não gosto de cardumes. Eu que acho que mais que dois é uma manifestação. Eu que estou pelos cabelos com a pesporrência dos novelablogues, rapaziada do jet-blogue. Eu que estava a pensar em dar de frosques desta linha comunicacional já subjugada. Eu que deixei de dar fôlego ao rifão de o poder estar apenas na ponta dos fuzis. Eu que achava que os blogueiros era tudo uma cambada de gimbrinhas de pantufas, que em vez de gastarem tempo a cultivar zonas erógenas o desperdiçavam no onanismo teclado. Quando muito suspeitava de uma minoria blogueira justiceira de faca nos dentes e faces mascarradas vomitando écrans de impropérios.
Afinal, segundo o Sôr procurador da república, os blogues são uma fonte de insurreição temível. Uma verdadeira vanguarda revolucionária. Um ameaçador comité panfletário. Uma verdadeira linha dura onde não há lugar para o revisionismo nem para a decadência pequeno-burguesa.
Assim sim. Já não me vou embora. Afinal as massas agigantam-se encobertas pelos queques do delete, vanguardistas do insert, assertivos serôdios do ctrl/alt, jornalistas opiniosos fora do horário normal de trabalho, velhos marxistas corroídos pela gota mas com pica pela net, galdérias de grelo na tecla, fufas & bichas amantes da retórica e outros excluídos e sem abrigo do poder, donos de uma mortífera e libertadora arma cibernética. Assim sim. Afinal vêm aí os amanhãs que cantam. A chacina aproxima-se. Agora é que não arredo pé da bloguisse redentora.

A propósito de + rábulas, + paróquias, + comissões, + tachos, à exaustão do +:
Uma solteirona descobre que uma amiga ficou grávida só com uma oração que rezou na igreja duma aldeia próxima.
Uns dias depois, a solteirona foi a essa igreja e disse para o Padre:
-Bom dia Padre.
- Bom dia minha filha. Em que posso ajudar?
- Sabe Padre, soube que uma amiga minha veio aqui e ficou grávida só com uma Avé Maria.
- Não, minha filha, foi com um Padre Nosso, mas já o transferimos.
Lá vamos, cantando e rindo…
Nestas santas academias da vida sim, destila-se honestidade! E os canudos sendo mais para o formato afunilado, são processados por latoeiros capazes na sua arte tal como o artífice empalhador que forrou o vergas de 5 litros. Uma folhinha de louro, do ramo adjacente ao vergas, dá um sabor de estalo a qualquer isca que se preze saltar para a frigideira.

Academia sedeada na Rua dos Touros – Évora
Assim como assim já que é assim, a partir deste mesmo instante apregoo unicamente retribuir a um farrapinho de léria que seja, quando o nome do sujeito IPC Isidoro de Machede for precedido de um dos rótulos abaixo elencados. Mais informo não transigir um pintelho da disposição escarranchada na presente oração. A saber:
- Engenheiro Civil (senhorio de um coeficiente de cagaço quase nulo);
- Psicólogo, podendo neste caso o título sustentar o prefixo Para;
- Doutor (sendo que apenas admito a utilização deste título, caso o patêgo que o use o relacione com a medicina humana ou porcina – este preciosismo tem a ver com o facto de haver mais Dr. por metro cúbico do que piolhos na cabeça das criancinhas lusas em idade escolar);
- Engenheiro ambiental (este transporta-me para um meio sustentável e daí porreiraço, para além dar um passo gigantesco na direcção da presidência da Quercus, cargo que sempre me deu uma certa pica);
- Arquitecto pós-moderno & decadente (tão a ver a carrada de charme démodé) ;
- Sociólogo de territórios de baixa densidade (ui, ui, ui, que pedra técnica);
- Professor (bate sempre bem mesmo que seja do antigo ensino primário);
- Engenheiro Agrónomo (da presente época de “a terra ao tolo que a quiser trabalhar”, ao invés do pouco abonatório chavão “a terra a quem a trabalha”. Também ao serviço dos lavradores – à granda portas – espanhóis);
- Assessor (sempre adorei o cardeal Richelieu).
Aceito outras sugestões, adiantando desde já que qualquer trapinho me cai bem mesmo com a minha PI actual, ó larilas.
IPC – importante pra caralho
PI – puta da idade

Otário, nm (pop.) Indivíduo ingénuo, tolo, que facilmente se deixa enganar; pacóvio.
(Enciclopédia da Editorial Verbo)
Otário, adj Relativo ao indivíduo ingénuo, tolo, pacóvio, que facilmente se deixa enganar sobre a bondade da construção do novo aeroporto da Ota.
(Enciclopédia almanaque do governo em exercício)
Otário, adj Relativo ao indivíduo ingénuo, tolo, pacóvio, que facilmente se deixa enganar sobre a bondade da construção do novo aeroporto da Ota.
(Nomenclatura da minoria nada silenciosa dos bancos, do betão & outros intere$es – estes sim, silenciosos e indetectáveis a olho nu)
P’ra mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem de trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.
António Aleixo
