
Modificou a dieta, aqueceu os corpos e fascinou. Continua a cativar. Persiste no conforto. Teima em ser o cozinheiro mor.
O meu amigo Manuel Fialho, eminente gastrónomo e cozinheiro, segredou-me não há muito tempo: “O segredo maior da boa cozinha está no controlo do fogo”. A sabedoria de um homem que já deu uso culinário a biliões de calorias.
Acredito piamente, verbalizo devotadamente e vou a jogo!
«Não há limites Fernão» *. Veio-me parar às mãos nos anos de brasa. Era interessante. Apelava a uma série de sentimentos e intuições que inevitavelmente somos hospedeiros. Menos ou mais descobertas e reflectidas. Só que coabitávamos um tempo de voarmos em bando. Um tempo de fazer forte a fraca figura. Um tempo caldeirão cheio de emoções e razões. Que caldeávamos com a alquimia de uma vontade comum. Um tempo em que apenas dávamos corda às botas e deixávamos o destino ao sabor da deliciosa embriaguês da liberdade.
O que é certo é que o Fernão me acompanhou de toca em toca, de lugar em lugar. De tempos a tempos limpava-lhe o pó e relia meia dúzia de páginas. E voltava o adormecido pensamento que há minha maneira também era um Fernão.
Cresceu e despontou o buço ao filhote. Com a naturalidade das heranças que calham em vida, o Fernão foi parar no meio dos livros do meu filho. Ali se conserva, no seu quarto, entre outras coisas que já poucas vezes o vêem adormecer e acordar e esperam pela transumância incontornável da sua mudança definitiva de toca.
Ontem entrei lá no escuro, pé ante pé, fingindo não querer acordar a sua ausência e retirei o Fernão. Li-o quase de um tiro. Hoje, encerrada a badana posterior voltei a devolvê-lo. A meia voz, com a serenidade com que os pais encaram o apartamento das crias, disse-lhe: «Não precisaste de fé para voar, precisaste de entender o que era voar» **.
Precisamente no dia que ele faz mais um gregoriano.

imagem e * ** do livro “Fernão Capelo Gaivota” de Richard Bach
Não é só a Água do blogue que é Lisa. O amigo João também o é!!!!
Por mou de um comentário tecido por um cidadão na língua anterior volto ao meu amigo. Para o Zeca seria uma ofensa estar entre “os maiores portugueses”. Bastava-lhe estar entre os Homens seus iguais. Mais, teve a verticalidade de cordialmente declinar a ordem da liberdade. Teve as suas razões para o gesto. Mais, nunca o ouvi tecer um queixume quando alguma “esquerda” o vetava. Possivelmente queriam um emblema só para eles. Só que o Zeca não era emblema de ninguém!!!

O Zeca e o gato Serafim
Um grande amigo e uma enorme referência na real fraternidade. O Zeca que nunca fez distinção aonde acorria com a sua música e a sua voz. O Zeca que apenas estava do lado da liberdade. O Zeca que não tinha temores nem medos. O Zeca que nada tinha de materialista. O Zeca que sacrificou a sua qualidade de professor e, paralelamente, a sua vida, da sua companheira Zélia e dos seus filhos. O Zeca que se descurou, inclusive, como poeta e cantor após o 25 de Abril no afã de acorreu onde era necessário, roubando no seu tempo e na sua tranquilidade necessários ao seu génio criador. É este o amigo que eu, avesso a efemérides, continuo a crer maior que o pensamento.
A cozinha de fora. A dependência fábrica do assento de lavoura da herdade. Ali se produzia o possível, quase tudo. Para a mantença interna e nalguns casos excedentes para comerciar, na aldeia, na vila ou na feira da cidade.
A matança do porco e o seu processamento: conserva pela salga de algumas peças, fabrico dos enchidos, torresmos e banha. Rouparia (queijaria) no tempo do alavão para o fabrico dos queijos cuja maior parte também seriam salgados. Peneirar as farinhas e amassar o pão, quando não cozê-lo por a porta do forno se abrir para dentro. Desmanchar o borrego e prepará-lo para o transformar num manjar, por vezes assado no forno de onde se tinha arredado o pão já cozido e que mantinha uma temperatura propícia. Esta servidão muitas vezes ainda servia de despensa, o que era normal. Ali se fabricava, ali se conservava.

Monte das Nogueiras – Baleizão
A cozinha ainda com o pavimento calcetado. Uma raridade. O molho de cinchos, as peneiras, a bilha do leite, a francela (mesa queijeira), o alguidar para toda a lida e os potes do azeite.
CARTA ABERTA A UM SENHOR PROFESSOR DE ECONOMIA , mostrando-se este muito compungido com a derrota do Não – em referendo - e proclamando as desventuras que de aí advirão para o país, quem sabe para a própria civilização ocidental.
Caro Senhor Professor
Que chatice, que monotonia, que grande atraso,
O bloqueio da Economia, os empregos que não aparecem à mesa do Café,
As eternas embirrações do Chefe,
A torrente de abortos que já estarão a acontecer
Por via dessa monstruosa votação no SIM
Ó senhor Professor, tivesse ele sido o Não a ganhar o referendo
E aí teríamos os transportes públicos mais rápidos e menos ruidosos,
menos poluentes
A fuga ao fisco controlada até ao cêntimo
A inflação descendo
Descendo até se transformar em deflação
E todos a ficarmos ricos sem nos darmos conta
E a acompanharmos o crescimento económico da Europa – por que não da China-
O Benfica a rectificar a vergonhosa derrota com aqueles ranhosos do Varzim
Quem sabe até os americanos a safarem-se melhor da enrascadela em que se meteram no Iraque.
Ó senhor Professor,
Tivesse sido o Não em vez do malfadado Sim
Quem sabe os plátanos, e os áceres, e as acácias vermelhas, e os roxos jacarandás,
De que todos – as crianças em particular - tanto gostam, quem sabe, desculpe repetir-me,
Não estariam já em flor,
E não se venderiam sorvetes pelas Esplanadas da Baixa,
E as criadas antigas – com os seus aventais de renda – não andariam já por aí namoriscando
Os seus magalas
Seguramente não haveria essa angústia do aborto.
Ora, fazia-se como dantes - numa salinha limpa, embora húmida
À luz de um candeeiro de escritório - daqueles que tinham uma longa traqueia flexível
E sobre a lâmpada um capacete de alumínio como os soldados da 1ª. Grande Guerra
Não venham cá com estórias, nem com modernices, era limpo ou não era?
E os padres, todos, Professor, e os bispos, a hierarquia em peso – sobretudo
os que tão heroicamente se bateram pelo Não -
Que tranquilidade de pastores não habitaria agora aqueles peitos santos.
Mas nem tudo acabou, emérito mestre de Finanças. A saga continua
Não ouviu, hoje mesmo, declarações do mediático sargento
Que vai bater-se até ao fim da vida pela sua rica Filha?
Como quer o senhor que a realidade da economia
Se sobreponha a tão plangentes dramas da sociedade Lusitana?
Mas não esmoreça, homem, as andorinhas já chegaram
Esteja de ouvido atento
que este ano os grilos, Professor,
vão cantar mais cedo.
Seu indefectível admirador
António Saias
Desfiles palermas solvidos por cambras insolventes sambados por gaijas nuas a enregelarem o grelo.
Passo!!!!
Porquê divino mestre? Achas que não basta já um mundo e uma lonjura de sofrimento aos moçambicanos?
Mestre, castigai antes os verdadeiros pecadores!!!!!!!
Em 2002, o Jornal do Comércio, periódico Brasileiro de Recife – já lá vão uns anos mas a irónica acuidade da cavaqueira mantém-na actual – publicou um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de descendência indígena, defendendo o pagamento da dívida externa do seu país, o México. A maravilhosa prédica embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia que estavam presentes em Madrid, na conferência dos ditos chefes Europeus, do Mercosul e Caribe, que se realizou em Maio do já citado 2002. A um naco oratório destes o alentejanando chama um figo de S. João.
Eis o discurso:
"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no "Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão. Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indemnização por perdas e danos. Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reich e várias formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto dependerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.
Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300, isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?
Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..."
(recebido via rede Desenvolvimento Local Rural)
Entre a Atalaia e Pegões, antes do Poceirão, existe um entroncamento de estrada que, segundo a sinalética, vai dar a dois lugares certamente interessantes mais que não seja pelo nome: Olho de Cinzeiro e Malhada de Meias. Na próxima viagem para aqueles lados não me escapam!
Hoje, dia de todos os gatos serem pardos por mou da chuvinha molha parvos, um atleta do volante que seguia na minha frente, virou displicentemente para a dita estrada à papo seco. Nem ao pisca ligou ponta de néria – palavras para quê é um cidadão português e usa pasta medicinal couto. O motorista da carripana que se apresentava de frente, justamente na sua mão, puxou o freio e o bridão à cavalgadura e conseguiu não fazer carambola no inconsciente motorizado. Saiu da carripana que nem raio e gritou a plenos bofes para as bandas do energúmeno: Seu aborto motorizado!
Ao cruzar-mos, sorrindo com quantos dentes tinha no batedor, gritou-me também pela janela escancarada: Agora já não vou dentro né!
Vá lá! Lá lobrigaram o enxovalho do pelourinho constantemente nos calcanhares das mátrias, como diria a Natália. E mais, o ridículo a que expunham a nação mais antiga da Europa como gostam de enfunar.
Espero ainda que o Nove Semanas e Meia ganhe importância ao macabro arreganho das dez semanas.
Avé.

A estrada nova que esventrou a paisagem e estendeu um tapete negro recto a apegar lugares. É uma ferida sarada e perdoada que em tempos tinha direito ao seu cantoneiro privativo, espécie de enfermeiro dos caminhos modernos.

A seara de trigo bordada a malmequeres brancos na espera do desabar da negrura do céu. Depois dos homens colherem o pão, ficará a terra vermelha, nua, ressequida esperando frutificar após do céu jorrar novamente a bendita água.

Antes na arrumação desarrumada do nasce semente por aqui e por ali apenas com a ordem natural de nenhuma negar a luz a nenhuma que a luz é condição de vida. Agora ordenadas pela cabeça do homem como se a floresta fosse penteada pelas madrugadas.

Da terra a mão fez parede e da cal guarnecimento para a subsistência da estrutura que também tem cosida uma argola para prender a irrequietude dos animais e uma folha de piteira a espreitar da borda da construção.

Uns dão apenas umas migalhas aos mexilhões, pura e simplesmente, e crescem, crescem até um dia fazerem a folha aos outros todos quando forem o novo império. Os outros vendem o produto aos mexilhões com um lucro desmesurado recebendo desde logo o proveito à cabeça, para quando chegar a parte da divida real nos sacudirem pelos pés até o último cêntimo cair da bainha, e engordam, engordam até oparem.
Ora tomem lá um fócrates e uma camisola do Cristiano Ronaldo!
A minha amiga Paula Leal despachou-me este texto e ajuizou: Está brilhante...ainda mais escrito por um homem!!!!
Telefonei-lhe para lhe dizer que achei pilhéria na correnteza da escrita, só que a situação está um pouco datada. Muita água passou, entretanto, por baixo das pontes. As mulheres continuam a ser mulheres, só que mais ambiciosas e necessariamente mais calculistas. Possivelmente são elas que agora têm mais vontade de brincar aos directores. Como diz outra amiga: Estão muito mais despachadinhas. E eu, acredito piamente! Aliás, não foram grandes os passos. Até aqui na transtagânea, onde as tabernas eras só para os homens e em casa mandava quem usava calças, como tudo na vida a coisa da vida sempre teve um pouco de produzido e encenado. O dinheirinho da jorna masculina era administrado femininamente do primeiro ao último centavo. Tantas e tantas vezes ouvi dizer: Das portadas para dentro quem manda é a patroa. Assim a patroa queira.
Quero ainda acrescentar que também eu tenho tiques semelhantes aos que o autor reza no texto. Com a diferença de não me considerar um privilegiado, mas sim apenas um batalhador pelo deslumbramento.
Texto de Sérgio Gonçalves, redactor da Loducca, publicado no Jornal da
agência.
"Se uma memória restou das festinhas e reuniões de familiares da minha infância, foi a divisão sexual entre os convivas: mulheres de um lado, homens do outro.
Não sei se hoje isso ainda acontece. Sou anti-social ao ponto de não frequentar qualquer evento com mais de 4 pessoas, o que não me credencia a emitir juízos. Mas era assim que a coisa acontecia naqueles tempos. Tive uma infância feliz: sempre fui considerado esquisito, estranho e solitário, o que me permitia ficar quieto a observar a paisagem.
Bem, depressa verifiquei que o apartheid sexual ia muito além das diferenças anatómicas. A fronteira era determinada pelos pontos de vista, atitude e prioridades.
Explico: “no lado masculino imperava o embate das comparações e disputas:
O meu carro é mais potente, a minha televisão é mais moderna, o meu salário é maior, a vista do meu apartamento é melhor, a minha equipe de futebol é mais forte, eu dou 3 por noite” e outras cascatas típicas da macheza latina.
Já no lado oposto, respirava-se outro ar. As opiniões eram quase sempre ligadas ao sentir. Falava-se de sentimentos, frustrações e recalques com uma falta de cerimónia que me deliciava.
Os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como mexerico. Discordo.
Destas reminiscências infantis veio a minha total e irrestrita paixão pelas mulheres. Constatem, é fácil.
Enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, as mulheres já chegam
com quase metade da lição estudada. Qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática.
Ela brinca às casinhas e aprende a pôr um pouco de ordem nas coisas.
Ela pede uma bonequinha a quem chama filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana. Ela fala em namoro mesmo sem ter uma ideia muito clara do que vem a ser isso.
Noutras palavras, ela já nasce a saber. E o que não sabe, intui.
Já com os homens a historia é outra. Você já viu um menino dessa idade a brincar aos directores? Já ouviu falar de algum garoto fingindo ir ao banco pagar as contas? Já presenciou um bando de meninos fingindo estar preocupados com a entrega da declaração do IRS? Não, nunca viram e nem hão-de ver.
Porque o homem nasce, vive e morre uma existência infanto juvenil.
O que varia ao longo da vida é o preço dos brinquedos. Aí reside a maior diferença. O que para as meninas é treino para a vida, para os meninos é fantasia e competição. Então a fuga acompanha-os o resto da vida, e não percebem quanto tempo eles perdem com seus medos. Falo sem o menor pudor. Sou assim. Todos os homens são assim. Em relação ao relacionamento homem/mulher, sempre me considerei um privilegiado. Sempre consegui ver a beleza física feminina mesmo onde, segundo os critérios estéticos vigentes, ela inexistia. Porque todas as mulheres são lindas. Se não no todo, pelo menos em algum detalhe.
É só saber olhar. Todas têm a sua graça.
E embora contaminado pela irreversível herança genética que me faz idolatrar os ícones da futilidade, sempre me apaixonei perdidamente por todas as incautas que se aproximaram de mim. Incautas não por serem ingénuas, mas por acreditarem.
Porque todas as mulheres acreditam firmemente na possibilidade do homem ideal.
E esse é o seu único defeito!"
Um predestinado o Stanley Kubbrick’s. Há uns decénios que esticou a loucura até um ponto inconcebível depois do que já tinha acontecido no século 20. Parece que não? A cavalgada do General Custer continua!
Depois de um novo pacote de duas dezenas de marines para o Iraque. Depois de mais uma tranche, a dividir pelo Iraque e Afeganistão, de cem mil milhões de dólares. Homens e dinheiro para dar continuidade ao 1º Primeiro Grande Número do Século XXI no Grande Circo Americano.
Missão: Lançar uma nova operação de segurança em Bagdad.
Comentário sobre a operação, à TV Al-Jazira, de um dos muitos loucos conselheiros americanos: “Talvez funcione, talvez não. Será certamente algo muito maior do que qualquer outra coisa que esta cidade já viu”.
Eu, que estou a um colhão de milhas da que outrora foi capital do colhão de milhas de lonjura onde estou, estarrecido inquiro: A mim, pouco me faltará ver? Mas o que é que faltará ver aos sobreviventes de Bagdad?????????????????
Nem o maior, nem o do meio, nem o mais pequeno dos portugueses. É o Manuel da Vidigueira que faz parte das gentes desta terra, não em pé de igualdade com todos os sacravinas que por cá passaram, ou, ainda por cá andam. Apenas em pé de igualdade com os deserdados que comeram o pão que o diabo amassou. Eles que, a maioria das vezes, durante uma vida (que se saiba a única, a deles) lavraram, semearam e colheram o divino pão sobre o qual outros pregam: “Tomai e comei que este é o meu corpo”.
imagem de Fernando Moital
O Senhor Silva Presidente da República condecorou o Senhor Souto Moura (a que alguns mal intencionados também alcunharam de gato constipado, envelope nove, almoxerife, eu procurador, não confirmo nem desminto, eu procurado, não confirmo nem desminto, ect… e tal) ex não sei quê da Procuradoria Geral da República. Coitada da República que tem que mamar com este despautério todo e qualquer dia pede asilo na instituição “O ninho” de tanto sentir a pachacha dilatar de dia para dia.
Depois, tanto agraciador como agraciado, no salão respectivo, empanturraram-se de copos de leite e queques em barda.