janeiro 31, 2007

Sopranos de opereta

Quando os vejo aviar malabarismos atamancados imaginando que estão a meter o dedo no cu de fio a pavio, gostaria de lhes dizer que nunca passaram de aprendizes não só porque o feiticeiro nunca iria nisso, mas também porque a sua inteligência não estica para velhaco.
Quando muito terão direito à chupeta mas não ao champagne!

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janeiro 30, 2007

Já que o controlo dos homens assim o manda…

Consolo-me dos estudiosos da Astrologia terem criado o signo do aquário.
Revejo-me, sinto-me confortável, é uma revelação do meu crer extravagante.
Desta graça fico em dívida com os Deuses e os astros.

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(da contra-capa do LP (mas ainda há disto?) “Almanaque” do cantador Chico Buarque, rapaz da minha mocidade.

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janeiro 29, 2007

Tchova, tchova…

Eu povo
Conheço a força da terra que rebenta a granada do grão
Fiz desta força um amigo fiel.

O vento sopra com força
A água corre com força
O fogo arde com força

Nos meus braços que vão crescer vou estender panos de vela
Para agarrar o vento e levar a força do vento à Produção. (…)

(excerto do poema de Mutimati Barnabé João “Eu Povo”, musicado e cantado por José Afonso no álbum “Enquanto há Força”)

Portugal já tem mais de mil aerogeradores!
Também o descalabro de vez em vez tem intervalos de lucidez!?!?

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janeiro 28, 2007

O Arrastar da Pantomina

Ontem fui posto perante a tétrica evidência de a campanha só começar a “sério” no dia 1.
O partidão tinha toda a razão. O assunto era estritamente parlamentar e finito. Mas então a carência de colhões pretos e grelos hirtos que subsiste naquela casa de S. Bento, divino mestre. É o fado, é o fado divino mestre! Tínhamo-nos poupado ao zaronzel da galhofa exógena e ao ror do disparate endógeno. Os funcionários da católica até a você, divino mestre, o poriam ao rubro com tão cruéis dislates.
A pantomina das dez semanas, então, promete arrasar o pouco que restava do bom senso destes gentios descendentes do gaijo que dava uns estalos na mãe, porventura por via de algum desmancho de um rebento filho de moço de estrebaria. Com o devido respeito pelo uso gratuito dos cromos e o esticar da pantomina, questiono-me:

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Para o sim será mais ou menos este o feto com dez semanas (salvaguardando o facto das petizas e petizes do bloco o confundirem com um dos últimos camaradas proletários do rectângulo e com puro regozijo revolucionário o quererem contratar.

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Para o não é com toda a certeza a imagem do dito embrião bem espigadote e pepineiro, para além de que com menos uns trinta anitos seria um banheiro de rasoirar a concorrência na estância balnear de Pedrouços.

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janeiro 27, 2007

O espião não sai do frio

O John le Carré não contou com o golpe do polónio 210.

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janeiro 26, 2007

O Espião que saiu do frio

Estou zelosamente à espera dele!

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janeiro 25, 2007

O Conde de Ficalho por Ramalho Ortigão

A Revista mensal d’Ethnographia Portuguesa, Illustrada, “A Tradição”, publicada em Serpa na dobra do século 19 para o 20, no número de Agosto de 1903 organizou e publicou uma homenagem ao Conde de Ficalho. Do redigido pelo Ramalho, subtraio e transcrevo este enlevo de naco de texto.
(...)
“O dilettantismo – se me atrevo a definil-o – presume a mais vasta educação e a mais variada cultura que pode attingir um espirito pelo estudo das doutrinas e das civilizações comparadas, nos livros, nas viagens, no largo trato dos homens. E’ uma fórma activa, para assim dizer militante, do scepticismo e do epicurismo classico, em intelligencias especialmente superiores, para as quaes a duvida philosofica, resultante não de escassez de investigações mas de superabundancia de provas se converte numa especie de sensualidade esthetica, poderoso foco de pacificação, de indulgencia e de syimpathia. (…)

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janeiro 24, 2007

À direita dinossauros

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Doutor, já lhe limpou o sebo?
Não seja rude cavalheiro.
Prefiro a figura mandou para a marinha!
E ela?
Ficou um pouco consternada!
É normal.
Anormal seria a coisa evoluir.
Mais um para dividir a herança.
Qualquer dia era apenas uma peça do faqueiro de prata a cada um.
Tanta falta que nos faz a figura do pai incógnito.
Engenheiro, domingo almoçamos no Tavares.
Depois da missa doutor, sempre depois da comunhão.

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janeiro 23, 2007

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che
de
che
ma
combinações e sons interessantes atrevidos pela manipulação do nome da terra.
Alguém proferiu que poderá ser a referência à antiga Meshhed na Pérsia. Porque não?
Outro alguém aventou ser a corruptela latina do termo árabe “madchas”, que segundo se pensa significa Terra do Senhor ou Lugar Santo.
Antes, muito antes de mouras e mouros, segundo Pinho Leal, a fundação da paróquia andou pelo ano 672. Governava o Rei Godo Wamba.
De tempos que não se precisam com a precisão do tempo atómico de hoje, quando muito do tempo em que os homens erigiram antas, restaram duas na Herdade da Loba. Em seu redor foram aparecendo placas de xisto gravadas com desenhos geométricos. Possíveis pequenos amuletos para o bem ou mal de alguém ou alguma outra coisa terrestre. E as mão sapientes dos técnicos também desenterraram um báculo. E mais disseram que o mesmo indicaria a sepultura de um chefe no local.
E também os arqueólogos conversaram e anotaram sobre as dinâmicas da ocupação na Idade do Ferro no Alentejo Central. Entre eles, o meu amigo Manuel Calado. E mais lembraram que dos meados do primeiro milénio a.C. são ainda conhecidas duas peculiares instalações que dispõem, aparentemente, de um circuito amuralhado, apesar da sua implantação em locais sem, ou com escassas, condições naturais de defesa, sendo elas, o Castelão das Nogueiras (Rio de Moinhos, Borba) e o sítio de Nossa Senhora de Machede (Évora).
No início da nacionalidade o lugar era administrado pela Igreja de Évora.
A existência do primeiro edifício de culto, absorvido pelo actual, remonta ao reinado de D. Afonso II e foi sagrado em 1221. Uma sagrada capicua.
Daí até aqui ao agora, foram os machedenses passados por quase oito séculos. Muito tempo para o nosso ajuizar. Tempos de paz, de guerra e assim assim. Mais de fomes e doenças tempos houve que de fartura seguramente. Também Machede pagou a sua quota parte aos famigerados tempos do celeiro da nação. As campanhas do trigo com as cesuras das praças de trabalho onde se vendia musculo por cinco réis de mel coado. E os malteses que não vendiam nada, antes trocavam astúcia por uma côdea com mais algum conduto. Por via de tudo isto mais o que eles lhes dava na ditatorial gana, também a sua gente pagou com o corpo (alguns na choça só com enxerga e o inerente furor dos biltres a ver se denunciavam) a sua quota parte na alforria das oito horas de trabalho. Antes, era de sol a sol. E antes ainda, era de ar a ar, do alvorecer ao escurecer. Isto para o corpo não ganhar maus vícios e não ficar de espinha ao alto para sempre.
Agora é a cobiça da aldeia grande de Évora, se possível a de Lisboa ou outra ainda maior com um mar de gente por tudo quanto é sítio e gaveta de quem nem o último nome se conhece quanto mais a alcunha.

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XITIZAP # 30

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janeiro 22, 2007

Pelos atalhos que a ciência ignora

O António Saias chega quase sempre lá. Trigueiro, contumaz e campaniço. Sapiente das agriculturas, dos horizontes da vida, da sueca e da agudeza da boa disposição.
Não interessa em que seara de imagens, o que é certo é que ele ceifou esta, prova irrefutável da evolução do aquecimento global do planeta ao longo dos anos e principalmente nas últimas décadas. Da minha lavra digo eu: dos nós e dos laços do recato decente do muito pano à leveza do ao léu por mou da subida das temperaturas climáticas.

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O Zé Pinto também lá chega quase sempre. Ou se chega! Agora atão depois de ser aldeão. Mas é bicho que põe logo o olho sociológico no tempero da coisa. E permitiu-se, e muito bem, introduzir (acrescentando apenas duas molas) o pico de temperatura havido por altura dos sessenta por tudo quanto era Europa. Cá, como andamos sempre a correr atrás do comboio, princípio dos setenta. Meteu a colher evocando a memória pessoal (não querendo ser polémico) mas que lhe permitam esta precisão.

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Os compadres Saias e Pinto deveriam ter escarrapachado a bibliografia consultada para a rapaziada ficar com os arquivos completos.
Devem estar telefonando-se e dizendo: no ar matam-nas eles, quanto mais escarrapachadas!

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janeiro 19, 2007

Le Tango des Directeurs

Obra prima do tango. Tanto da música como da letra, desconhecem-se os autores. Os conhecedores dizem que quem quer que tenha sido quiseram permanecer incógnitos mais por amor aos tanguistas que ao tango.
Poucos olhos o viram dançar. Poucos músicos o tocam. E quem o toca, só por uma grande fortuna o executa. Poucos dançarinos o sabem dançar. E quem o sabe, só por uma grande fortuna o executa. E não dá para falsear de tão simples, de tão complicado! Só sai na perfeição se a empatia entre os vários intervenientes for de grande cumplicidade. Antigamente era raro ver-se e ouvir-se. Agora é mais comum, mas mesmo assim não para um qualquer mortal.
É frequente dizer-se que sairia mais barato criar um burro a pão de ló, digo eu, a pão de ló barrado à bruta com caviar beluga e nos entretantos uns goles de champagne.
Le Tango dês Directeurs é um must só ao alcance dos salões das empresas públicas, cujos gestores o dançam a peso de ouro. Vinte e cinco empresas do estado empataram, nos últimos três anos, qualquer coisa como 5,137 milhões de euros em tangos de indemnização a gestores com mandatos suspensos antes de tempo. O tango de ouro só na Caixa Geral de Depósitos encaixou uns generosos 4,2 milhões de euros.

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janeiro 18, 2007

A Invencível Armada do QREN

Lê-se na proa do Navio Almirante: “O Quadro de Referência Estratégico Nacional assume como grande desígnio estratégico a qualificação dos portugueses e das portuguesas, valorizando o conhecimento, a ciência, a tecnologia e a inovação, bem como a promoção de níveis elevados e sustentados de desenvolvimento económico e sócio-cultural e de qualificação territorial, num quadro de valização da igualdade de oportunidades e, bem assim, do aumento da eficiência e qualidade das instituições públicas.”

Quão vezes fabulação afins foram música para meus ouvidos. Amofinado fico de passado não haver. As hereges e provectas siglas antigas certamente chutaram para o breu da noite. Alvitram que estamos no ano 1 d.S.. Antes, nada igual a nada existiu.
Por quem sois, houveram as “QVYBYRYCAS” de Frey Ioannes Garabatus:

IV
E a vós senhor da lusitana casa
onde o ouro de lei é lei agora
mais do que o bem saber ou mental brasa;
em Vós saúdo o ardor, mais que não fora
por sabê-lo de nada e o nada a asa
possível, neste nosso bota fora.
Eis-me nos restos, velho, e em restelo
Mas por amor de mim sabereis sê-lo.

V
E a ti povo meúdo cantarei
sem ilusórias tubas nem esperança
de me ver futurado no que sei
ser hoje a vossa fala de criança.
Mas onde mais vos honre honrarei
o que em mim é melhor e em vós é lança
apontada ao futuro dos futuros
quando os trigais do amor forem maduros.

VI
Em vós, fidalgos, clérigos, tunantes
cantarei a perfídia, a unção e a manha.
Cantarei ouropéis e diamantes
com versos onde o som não ceda à sanha.
E a angustiada altura dos infantes
que sufocam em vós, e é vossa lenha
esbrasearei no canto que inicio
que quero claro forte e correntio.

VII
Aos que as artes devoram no lentíssimo
tempo de criação e seriedade
sem que o façam pra gáudio do vilíssimo
cortesão, ou cortez vilão da idade
que ocorre; aos que buscam excelentíssimo
para sendas da verdade
cantarei com nobreza e grão respeito
pois por irmãos lhes reconheço o feito.

VIII
Aos que das artes fazem beneficio
do aplauso soez pecunioso
e encontrem fácil eco no comício
das canoras galinhas pelo brumoso
beira rio das feiras; aos que o oficio
nunca tolheu as mãos do calo ao osso
farei pulha escarnida e desonesta
que a risa de algum modo assusta a besta.

IX
Aos futuros humanos desta grei
criando empresa e sonho onde não há
mais que sonhar criá-lo, exortarei
a aprender a acabar o que é e está.
Nos jogos do infinito é fácil lei
A que inicia o jogo e o jogo dá.
Perseverar no intuito além do dado
Melhor destrinça o abegão do gado.

X
Aos passados que tanto escandalizo
Por honesto me achar perante mim
Lembrarei que os cantei com tanto aviso
Que até eles creeram ser assim.
Se fizésteis o justo em vosso siso
eu o fiz noutro tanto, e aqui vim.
Repousai vossos ossos neste passo
que aqui começa de outros o embaraço.

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janeiro 17, 2007

Nos ringues do boxe e da vida

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Um bailado raro mas convincente.
Os golpes do adversário expiravam no vazio que ele desocupara
enquanto continuava a bailar, aquele bailado louco
como se o fosse de um dançarino travestido de boxeur.
Subitamente, pasmava o adversário com uma ritmada cadência de golpes.
Poderosos. Implacáveis para um humano.
Cassius Clay. Muhammad Ali quando assumiu a sua condição.
Sonny Liston, Foreman, Ken Norton, Leo Spinks, atestaram não ser deuses,
apenas humanos!
Épico, alardeava “voar como uma borboleta e picar como uma abelha”.
Recusou combater no ringue do Vietname por considerar o combate injusto para as duas partes, e daí arrastou as velhas grilhetas de negro pária
na década de sessenta.
Nada que não soubesse pelos seus avós, pelos avós dos outros negros americanos.
Quando já o consideravam knockout, ergueu-se do tapete,
antes do fatídico décimo aceno do árbitro,
e converteu-se no herói da década de setenta.
Continua a bailar e a socar a adversidade no ringue da vida.

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janeiro 16, 2007

D. José Policarpo meta freio nas hostes

D. José não é tanto o rebanho que esse é manso e obedece ao pastor. O problema são os pastores que só já vêem heréticos em cada curva. Agora vem o comandante de Bragança (desculpe a minha ignorância sobre as patentes, mas com a tropa é igual), comparar o enforcamento do Saddam com os abortos. D. José, caso não aguente a sede inquisidora da soldadesca, dê-lhe Prozac.
Nós sabemos que o comandante-em-chefe do Vaticano é moço incendiário. Mas veja lá o senhor aqui, na mansidão dos brandos costumes, se a coisa não descamba para o lado do fundamentalismo bimbo. Já nos basta o futebol D. José!

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janeiro 15, 2007

Desassossegos

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a Kodak na rua - Bissau

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a cor à solta – Bissau

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mural inacabado – Bissau

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janeiro 13, 2007

Siga o balho!!!

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O Zé Manel da EU profetizou a redução das emissões dos gases contribuintes gasosos para diligenciar evitar que, daqui por não muito tempo, viver com os pezinhos na bola ao ar livre ser mais ou menos o mesmo que estarmos dentro de uma estufa de feijão verde no Algarve. O prognóstico do Zé Manel aventa para até 2020 se moderar em 20% as ditas emissões (podia incluir também no pacote a RTP1, SIC e TVI) relativamente aos níveis de 1990. Aqui discordo nitidamente no que concerne às emissões das televisões, e penso mesmo que a redução deveria baixar para os níveis dos anos 50 do século que feneceu. Para além da redução das emissões, poder-se-ia levar o esforço redutor um poucochinho mais avante (não confundir com o jornal do partidão) e utilizar uma 1,2,3 da moulinex para resumir a puré uma boa mão cheia daqueles e daquelas, eles alarves, elas badalhocas, que passam a vida a tentar atazanar-nos os ouvidinhos e os olhinhos e que contribuem muitíssimo para manter num estado mais ou menos de dormência cerebral mais ou menos comática prá i ¾ da população nacional incluindo a diáspora. Isto porque temos coraçõezitos de atum, tal como diz o Lelo Marmelo dos Catitas, e não queremos aplicar a tais salafrários a mesma dose do Saddam.

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janeiro 12, 2007

De Mao a Piao

Fardados a preceito passearam no Rossio o seu descontentamento. Possivelmente por não terem uma guerra à mão vai para muito tempo. Este estado não lhes serve, não é suficientemente beligerante!
Afinal a coisa não está na ausência do cheiro a pólvora, na inexistência do troar dos canhões, na falta dos bombardeamentos em tapete pelos bombardeiros? A coisa está na debandada das mordomias. Ãh!
Poucos dias depois morrem mesmo em frente a casa, na praia de Caxinas, homens que trabalhavam. Três horas a debaterem-se com o mar. Um helicóptero vindo de Tancos depois de 322 paladas, 443 ordens e 67 assinaturas levantou voo. Salvou um homem. Gostava de ver se fosse um general no campo de batalha (ou de treinos) quantos gaijos por ali abaixo iam parar ao paredon?
País de caca!

A matreira da Zézinha Nogueira, militante de primeira linha do não ao desmancho, faz demagogia de chinelo bazofiadora na caixa da demagogia: “2007 em França é o ano do Alzheimer, na Alemanha é o ano de outra doença das novas e em Portugal é o ano do aborto”. Menina Zézinha, primeiro que tudo, dá para perceber quanto atrasada você é!
País de caca!

Um contava histórias a despropósito do seu tempo de estudante remediado. O poeta, lá onde está, certamente que nesse dia bebeu uma garrafa inteirinha de absinto só com o enjoo dos copos de leite e dos queques do remediado. Óh Martinho, depois da fama que te dei espetas-me esta desfeita?
País de caca!

Na minha terra há um ditado que reza: “Chama-lhe, chama-lhe filha, antes que ela te chame a ti”. O mesmo se passa com a televisão nacional. Antes que o povo desatasse a dizer baboseiras, anteciparam-se picando: “Vá, vá digam lá, quem são os maiores portugueses?
Caca de gente!

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janeiro 11, 2007

O regresso glorioso do Glorioso do Dubai

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janeiro 10, 2007

A Ceifeira levou o Manel…

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imagem de Filomena Maltêz

Era um dos poucos, o homem da Corte Gafo. Poucos, porque é difícil caldearmos a simplicidade com a erudição. E o Manuel Madeira, homem da terra e doutor em leis acomodava esse dom de descomplicar o que, afinal, para os alentejanos sempre foi simples, a complicação da vida. Interpretava de igual forma os legais canhenhos da sua douta sabedoria como interpretava de igual forma um ressequido torrão da sua terra madrasta. Alto e enxuto o Doutor, como altos e enxutos eram os domínios que da nascença à morte sempre lhe pressentiram a boa disposição.
A Associação de Criadores de Ovinos do Sul perdeu a sentença justa e equilibrada do Doutor Manuel Madeira. Perdeu um homem avesso a protagonismos mas de uma influência serena e lacónica.
A Ovibeja vai sentir a falta da alegria, da dezedura certa e do cante do Manuel Madeira. Os amigos muito mais!
A ceifeira deixou o Alentejo mais pobre. A sua consciência cívica fez e faz falta a esta terra.

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janeiro 09, 2007

O Lavrador do Monte das Mesas

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Como quem vem de Messejana, coisa de dois a três quilómetros antes da Aldeia de Rio de Moinhos, do lado direito, ou seja, a nascente quase rente à estrada fica a Herdade e Monte das Mesas. Corria o ano de 1862, num quarto interior da casa do lavrador seu pai vinha ao mundo o alentejano Manuel Brito Camacho. Republicano, médico, fundador do jornal a Lucta em 1 de Maio de 1906, ministro do fomento, fundador do Partido Unionista e Alto-comisário em Moçambique de 1921 a 1923.
Quem sai aos seus não degenera, do timbre transtagano fica-lhe a fama de hipercrítico e manipulador da ironia. Na sua tertúlia era reputado de dissidente perpétuo e de tão azedo ter o feitio deveria correr-lhe nas veias antes vinagre que sangue.
Uma obra literária prenhe e de forte ruralidade. Presença marcante com os seus escritos no meio intelectual da altura, que Aquilino Ribeiro, no estudo que fez da vida e da obra destes alentejano, deu-lhe o insinuante título “Brito Camacho nas Letras e no Seu Monte”.
Tenho andado às voltas com uma edição de um livro do Mestre da «GUIMARÃES & C.ª - Editores», de 1918, intitulado “Longe da Vista”. Crónicas de uma viagem pela Espanha, França e Itália. Narração interessante e caustica de um douto chaparro por terras da Europa no início do século passado, há coisa de cem anos.
Do “Longe da Vista” transcrevo uma acesa meiguice ao género e uma mostra da sua afeição aos ingleses.

(…) Eu acho que se deve proceder com as Senhoras, como Schopenhaner procedia com o seu barbeiro – concordar com elas. Se adrega serem inteligentes e cultas, a condescendencia é facil e agradavel, porque nem mesmo possuindo estas qualidades elas deixam de ser vaidosas, e lisongear a vaidade duma mulher, é abrir uma conta de credito nas suas honestas predileções. Com as mulheres estupidas e ignorantes não vale a pena discutir, nem mesmo para as contrariar.(…)

(…) … A coisa agradavel que deveria ser a politica… na Tasmania, se os inglezes não tivessem procedido ali para com os indigenas, como procederam com os coelhos na Australia!

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janeiro 07, 2007

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janeiro 06, 2007

Mais duro que o azinho

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Sou um melómano. Mas não era por aí que eu queria ficar. Queria meter as mãos nas cordas e arrancar sons à Mingus, à Haden. Sons loucos daquele louco instrumento, único a ser amparado como se de uma mulher se tratasse. Como eu gostava de dedilhar as cordas de um contrabaixo sem sacudir o morrão do cigarro, em esgares de êxtase ritmados com o tacão e as gotas de suor a escorrerem pelas cordas tensas como tensas teria as veias das frontes.
Mas fui castigado. No meu livro de instruções não consta a aptidão nem para tocar ferrinhos. Fique aí sentado e escute, arrebate-se, deslumbre-se, bata o tacão, balance a cabeça, mas só isso, ponto.

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janeiro 05, 2007

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Que a vossa cegueira não seja por falta de luz

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O de casa e o da rua. O de casa, mais estiloso mas mais atreito a achaques. Uma corrente de ar mais violenta e lá se ia a chama ou tisnava a chaminé pela certa. Era artefacto que só aguentava viagens no interior da habitação, e mesmo assim, sempre com uma mão aberta à frente para cortar a aragem. Os poisos ideais, ou em cima da mesa refeiçoeira ou empoleirado no papagaio de parede para um mais abrangente luminosidade.

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Mestre Fernando Galhano desenhou o papagaio com um copo em cima e uma prateleirinha ripada a suportar o candeeiro. Que me perdoe o Mestre, mas penso que os utensílios estão cruzados nos respectivos poleiros. A pequena gaveta existente no papagaio não era mais que o cómodo da caixa de fósforos.
Adiante. Os de casa andavam sempre muito mais brunidos. Chaminé a brilhar, torcida cortada a preceito por mou da regularidade da chama, bem como o resto da limpeza do depósito do petróleo. Casa farta, tinha pelo menos um candeeiro por divisão. Casa menos farta, lá andava a luminária num virote e quando não com a chaminé rachada pelas diferenças de temperaturas, da cozinha para o quarto, do quarto para a despensa. Nestes entretantos, quem ficava na cozinha puxava mecha com o canudo no borralho da chaminé que sempre haveria de dar alguma chama. O da rua, também tratado de cabaneiro, não era que fosse mesmo da rua, ainda que nela a sua fraca luz fosse útil. Mas dado o seu engenho de chaminé fechada e respiradores protegidos, dava para transportar de dependência para dependência do monte conforme os afazeres nocturnos de quem lá vivia. A isto se somava a sua robustez.

Gosto de olhar estes artefactos, como gosto de olhando-os fazer correr a fita da minha meninice que ainda entrou nestes filmes e bastas chaminés partiu aos de casa. O da rua, com o consentimento do avô Isidoro, gostava de andar com ele pendurado pela asa pela arramada das vacas fora enquanto o avô mirava se estava tudo nos conformes. Há vezes em que tenho desejos que vêm do fundo do tudo e me empurram a ir para um sítio onde só tenha a luz bruxuleante do de casa e da rua.

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janeiro 04, 2007

Com a vossa permissão…

desejam os vossos abortos apenas quentes, cozidos, escalfados, estrelados, mexidos ou em omeleta a verdejar ecologicamente com um raminho de salsa?

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janeiro 03, 2007

Também apodrecem

E ficam encarquilhados,
pardacentos, aqui e ali com buracos de bicho.
E caiem das árvores
como todos os outros frutos
quando passa o seu tempo.
Queremos pegar-lhes e espetamos
os dedos na putrefacção.

Afinal! E eu que nunca duvidara da isenção dos amigos face às leis da natureza?

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Apenas o clan…

O destino ficou na obstinada de não voltar. Está no seu direito. Não quer mais responsabilidades por planificações em que ele não foi visto nem achado. Disse-me, que se tem que ser que seja, mas não lhe peçam mais a chancela. Quanto mais do que não tinha nada, nadinha mesmo que ser e foi contra as suas disposições de destino. Vai-não-vai trocava-lhe as voltas e mandava-o às urtigas. E depois lá ia ele armado em funcionário diligente rasurar o plano. Coisas atamancadas que qualquer leigo topava de imediato o embuste. Se alguma vez tivesse tido a inspecção às canelas ele queria ver quem é que resolvia o imbróglio. Agora as coisas até estão mais fáceis com as novas tecnologias dos correctores. Não é tão óbvia a mariolice. Mas estava farto. Fartinho!!!
E não é que mais uma vez lhe trocara as voltas. Estava no plano que ficava e pronto! Tinha-me até avisado que não tinha nada que dizer que voltava depois do ano novo (ou solstício de Inverno como lhe passara a chamar). Então e não é que arrumei as cuecas a um lado e as peúgas no outro e vá de voltar novamente contra o destino. Desta vez faleceu-lhe a paciência! Vais mas sem destino, essa é que é essa.
Ficou por lá, farto do lugar de destino apenas protocolar.
De longe ainda me disse que há gaijos assim que se borrifam no destino e fazem tudo às avessas como se não tivessem destino. Há gaijos assim, insistiu. Que não lhe levasse a mal mas que era muito ingrato ser-se o destino deste calibre de insubordinados.
Por entre o mar e o vento, pareceu-me ouvi-lo gritar, que de qualquer maneira ficava por ali a esperar-me.

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janeiro 01, 2007

Lá por estarmos a bolinar em autogestão…

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ouve lá oh flausina, atão pensas que isto é o Meco ou a recta de Pegões?

Publicado por machede em 04:47 PM | Comentários (1) | TrackBack