Bazzlek – um presente de Natal
à falta de miniaturas HCB,
este Natal ofereço electricidade virtual.
Bate certo com as celebrações Cahora Bassa, não me custa muito, e dá para distribuir generosidade a mais ou menos trezentos mil amigos - consumidores EDM.
O que não é nada mau se nos lembrarmos que 300,000 consumidores EDM representam mais de dois milhões de moçambicanos concretos – quase todos em acrobáticas lutas contra as várias pobrezas.

Texto e imagem arpoados no XITIZAP # 29

Mário Cezariny

e há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos conosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
(…)
mário cezariny

Em vésperas do dia restauração (mas que porra de restauração o dos Braganças a meterem o nariz no economês do qual nada petiscavam) saliento o facto de termos escorraçado um ordenado mínimo de 120 contos (cento e vinte milenas). Enredo que jamais teria acontecido se tivéssemos dado ouvidos ao Miguel de Vasconcelos e à duquesa de Mântua. Isto sem contar com o actual apoio da CGTP e da UGT relativamente ao ordenado mínimo, e de outras forças vivas tal como a FAI (Federação Anarquista Ibérica).
O Feira Nova, o Modelo, o Intermarché, o Continente e outros templos de deleite e lambarice consumista é que ficaram a perder. Mas deixem lá que o El Corte Inglês e a Zara estão a servir a vingança fria.
Viva a jangada de pedra (não a do Saramago que está a ficar chéché e da pilar ML)
Grato pelo o 25 de Abril. Mil vezes grato!
Ao contrário do meu avô e do meu pai que vos odiava pelo 28 de Maio e a ditadura.
Como vocês, militares, devem estar gratos a vós próprios por terem acabado com uma guerra onde morriam que nem tordos para outros engordarem que nem galinhas. Uma guerra que não fazia sentido só porque os políticos teimavam em ser teimosos que nem burros por via de meia dúzia de ideólogos patéticos armados em fachos que teimavam em querer travar a roda da história.
Agora, mil vezes obrigado e pronto ficamos por aqui! Ou deveríamos ficar, mas não, vocês teimam em querer brincar aos magalas e às guerras de alecrim e manjerona. E mais, deu-lhes para exigirem submarinos, tanques, aviões, pistolas, metralhadoras e demais outros brinquedos para efectivamente brincar às guerras em exercícios que varrem de orgasmos a basta e bem fardada generalada e outros bem aprumados e engraxados menores que observam de binóculos em punho, entre umas baforadas de puros cubanos, a barbuda armada com pólvora seca dos amarelos contra os vermelhos, ainda???. Só que estes folguedos custam uma pipa de massa que decididamente não há. E já agora, não vos bastava umas maquetas com bandeirinhas e uns soldadinhos de chumbo e uns dados para avançarem e recuarem casas tipo monopólio. Até eu fechava anualmente os olhos ao entretenimento da medalha a mim medalha a ti.
Eu percebo o amor à instituição, o que a pátria vos deve, aquele cheirinho a caserna do feijão verde, o rufar dos tambores e o bater dos tacões, a regalação do enche mais cinquenta ó praça, a libido na ponta do pingalim, o zelo do impedido, as botas e os amarelos engraxados e polidos até há exaustão, sim claro que percebo… e a fotografia do avô façanhudo de longos bigodes e dragonas douradas e duas prateleiras de medalhas, uma por cada peito, assomando em permanência por cima da estanheira na obscuridade da sala de jantar a abençoar natal após natal o peru e os comedores do dito que o olham com reverência mas no fundo o mandam dar uma volta de gatas à parada enquanto palitam os dentes e arrotam rancores ao sacripanta do cunhado que quer é meter a unha pintada na herança. Como percebo a chatisse e a desonra de terem engolido um ministro que a vossa mãezinha não aprovaria nem para chauffer. Por quem sois, jamais quereria que caíssem na situação de excluídos sem abrigo, tal como muitos outros compatriotas vossos que, por outras razões, igualmente pensam que o não foi para isto que vocês fizeram o 25 de Abril . Como acho que se deve zelar pela saúde dos antigos combatentes com stress de guerra, também se deve zelar pela saúde dos dependentes da tropa.
Agora passear pelo Rossio o vosso descontentamento? Já repararam que antes de vocês, não haveria Rossios que chegassem por este país fora para passear todo o nosso pasmo civil!!!!
Hollywood, não obrigado!!!!!

Robert Altman
“ Não tenho heróis nos meus filmes, porque não há pessoas sem falhas”
No periódico do Belmiro, na 1ª página, naquelas caixas assim para o pequenote, balbucia-se (calhando com o acordo do Fernandes e do Azevedo): “Portugueses têm direito a ser compensados pelo que a banca lhes roubou”.
Quem assim mete a boca no trombone é a Leonor Coutinho e António Júlio Almeida. A questão é o velho problema dos arredondamentos no numerário dos juros.
Quando puto, cumpria a tarefa diária de ir ao pão. A mãe Luísa avisava todos os dias:
- Diz à senhora para pesar o pão e se faltar exige o contrapeso - Enchia a peitaça de ar tipo sapo e lamuriava o recado de fio a pavio.
O certo é que faltava sempre peso!
A próxima vez que entrar numa baiuca onde vendem dinheiro não escapam ao recado da minha Luísa:
- Fazia a fineza de pesar o produto! – Neste caso sem o peito cheio de ar mas com voz grossa.
Agora que já poisei a “minha adrenalina africana” tenho a emoção no razoável. E revejo imagens que a custo descolo da retina tal o prazer. De pertença, de simplicidade, de tranquilidade e ao mesmo tempo de uma colossal força que encerram. Uma força feita de cor, de ritmo, de exultação, do que é cru, depurado, desonerado, do que não é produzido e da prova que está na enormidade do tabuleiro das damas e ao mesmo tempo na sua ingénua beleza enorme.
A Guiné-Bissau é ali ao lado da esquina do querer estar.

Arroz com casca a secar no chão vermelho da Tabanca de Bercolom
O stand das adoradas biclas na localidade de Bambadinca

Putos a cavalgar vacas numa desfilada de utilidade e prazer na Ilha Formosa
O mercado de Bambadinca

A mulher idosa produtora de sal na Ilha Formosa
Jogadores de damas no Bairro de Belém em Bissau
Finalmente os Neandertais viram-se livres do parentesco que, há viva força, os gimbrinhas dos cientistas e demais artolas que gostam de palrar para o umbigo geralmente a abarrotar de cotão, lhe queriam acomodar com o chamado homem “moderno”.
Olha quem, os Neandertais, que estavam podres de saber no que ia dar a macacada (com as devidas e sentidas desculpas aos símios que tenho em soberba e respeitável conta) da evolução da dita espécie dos “modernos”. Estavam putrefactos de saber a súcia de canastrões que iam sobrar no fim do filme, completamente taralhocos a lambuzarem-se de crude e outras alarvidades que nem à barbárie lembrariam.
Daí terem saído do filme pela esquerda baixa quando perceberam que a borrasca também ia sobrar para eles. E pronto, puseram o canastro a salvo da responsabilidade de todas as enormidades que estes salafrários andam a ruminar à séculos que qualquer dia nem nos dois pólos juntinhos, o de baixo e o de cima, existe um farrapinho de gelo que dê para encher uma mala de sorveteiro de calipsos para vender aos estarolas pequenos filhos dos estarolas grandes (mas não dos Neandertais) na Costa da Caparica em dia de turba maluca a amadorrar cancros de pele por tudo quanto é palmo de areia.
Os homens Neandertais não têm nada a ver com a canalha que por cá anda destruindo esta coisa assim arredondada mas também achatada, não sendo portanto avós de nenhum salafrário a isso candidato. Tirem o cavalo da chuva, ou vão chamar pai a outro.
A coisa foi divulgada hoje nas revistas Nature e Sciense.

Guiné-Bissau – Tabanca de Bercolom
Toda a suavidade africana no olhar desta mulher.
Toda a angústia de um continente por trás do olhar desta mulher.
Dizer o quê desta amenidade.
Dizer o quê do suplício inteiro de um continente por trás do olhar desta mulher.
Que a basta contemplar?
Que não basta reflectir!

Ei-lo, com um reportório útil a toda a gente, para 2007, ao insignificante preço de 1,40 euros. Contendo os dados astronómicos, cívicos e religiosos e muitas indicações de interesse real.
Eu, velha puta céptica, ácido no juízo que traço desta espécie humana sem o mínimo de farrapo de juízo, corrosivo na sentença sobre os tempos que correm, mesmo sabendo que atrás dos tempos outros tempos hão-de vir. Subscrevo de dedada as criticas à administração Bush, ao estado de Israel, à ganância da banca e à subserviência e acefalia dos gimbrinhas da política portuguesa, mas não comungo (aliás, além de comer já não comungo quase nada) com o franco optimismo quase paradisíaco do Pedro Teixeira da Mota, articulista do incontornável “Juízo do Ano”.
Mas não seria por isso que deixaria de transcrever alguns excertos:
Juízo do Ano
Em 2007, acentuar-se-á o valor das pessoas e organizações envolvidas na não violência, nos direitos humanos, no crescimento sustentável, no comércio justo, na agricultura biológica, na ecologia e energias alternativas, na educação artística, humanista e espiritual e na solidariedade contra o sofrimento, a dor e a exclusão.
(…) Em verdade, em verdade, a terra tem de ser reconhecida como um Ser vivo e até espiritual, e sustentada por uma consciência ecológica e amorosa.
A administração Bush, com a sua violência de consequências incalculáveis, é uma página triste da historio do povo norte-americano, cada vez mais sujeito a manipulações. A Europa tem de lhe ensinar (bem com ao Estado de Israel) a sabedoria milenária mediterrânica, dinamizando o encontro de civilizações, religiões, culturas, povos e pessoas em igualdade e paz.
Em Portugal, as foices do desemprego, da pobreza, da ganância da banca e das grandes empresas públicas, das disparidades de ordenados e reformas (assessores, políticos e gestores), e da falta de dinheiro para a justiça, a educação, a cultura, a saúde (visível no encerramento das maternidades), ou para a luta aos incêndios, continuarão a ceifar vidas, ou potencialidades. Também a ideia do estado previdente, pessoa de bem, que cumpre as suas promessas, continuará a morrer, devido a uma classe política camaleónica(…)
Para pedidos: Editorial Minerva – Rua da Alegria, 30 – tel 213224950 Fax 213224952 – 1250-007 Lisboa
Em classe executiva com a respectiva cortina a dividir os eleitos da plebe, distancia entre bancos superior ao lado do piolho, toalhetes de pano felpudo mesmo e quentinhos para limpar a tromba e as manápulas, comedorias de avião, é evidente, mas da lavra do chefe Vítor Sobral – dá-me que fazer o que um chefe de cozinha reputado goza a elaborar ementas para o industrial cattering. Tintol Duque de Viseu, eh, assim como assim. Cafezito do comendador e a desbunda dos digestivos que troquei pela perseverança no tintol, ainda que do cavaquistão.
Quanto a roncares de carros de corrida, pó e mais pó, gps com precisão micrométrica, dunas não as do gimbrinhas do Reininho mas dunas do Sara a sério, pontos de passagem, camelos e berberes, sofisticados acampamentos à Kadafi, oficinas móveis com tecnologia de ponta, gajas bonitas com fatos de macaco de estilista e marcas top estampadas entre os ombros de gazela que pela frente os decotes tem de ser generosos e acrescentam mais cinco tostões de vontade aos africanos de bazarem para uma Europa com boé de loiras, telefones por satélite em barda, televisões, rádios e afins, nativos indígenas de boca escancarada com overdoses de progresso, heróicos pilotos e navegadores que metem o Gama e o Cristóvão num chinelo, pudera se os outros amandassem umas bocas para a comunicação social é que podia haver comparação, pois é, quanto a este circo, não me apercebi de népias.
- Senhores passageiros dentro de momentos aterramos no aeroporto Leopold Senghor em Dakar – relata uma voz feminina tão de plástico como a comezaina.
Foi por esta altura que me lembrei da famosa corrida do fim de ano. Agora restava ao Carlos Sousa e à Elisabete Jacinto assobiarem-lhe às botas que eu tinha feito a coisa com a passagem do mediterrâneo e tudo numa bagatela de três horitas. Marca do bólide: Airbus 320.
Despertei também para o nome do pai deste Estado, o poeta maior de um Senegal independente há um ror de anos. Olhei pela janela e agradou-me a vista nocturna de longuíssima baía orlada de casario. E pensei para comigo que a coisa deveria ser agradável.
Airbus 320 no chão e toca a andar para o martírio das aduanas e recolha dos trastes. Mais uns papéis de desembarque a preencher só para entreter burocrata e chefe coça na pança. E ala para a rua que se faz tarde. Ala para a rua, alto aí que lá fora é uma multidão de gaijos a esbracejar tambaque e táxis e câmbio pela surrelfa e gaijas e policias feitos com os moinas especialistas em ajuntamentos deste quilate. Coçando a barba, protegido pelo vidro da última porta, traço um olhar a 180º. E no meio da turba diviso um gaijo com uma placa “Hotel Oceanic”. Avanço resoluto surdo e cego aos variados aliciamentos. Que espere junto do policia dos moinas que ainda tem de encontrar um casal de italianos que têm camalho marcado na mesma estalagem. Lá chegam os italianos a falarem pelos cotovelos como é seu apanágio. O gaijo faz marcha atrás com o táxi afim de nos pôr o máximo a salvo da turba e zás praz ia mandando um sinal de transito para o ganheiro. Os italianos perderam o pio. Malas para a bagageira tipo à pegada que cabe mais uma. Os italianos no banco de trás mudos que nem rochedo e submergidos por um montão de tralha e eu repimpado ao lado do corredor, pronto para a última classificativa. Não balbuciei instruções de navegação porque perdi o roteiro logo no inicio da corrida, senão me engano, quando fizemos o primeiro looping.
Hotel Oceanic. Não abro a boca nem que me matem. Dormi, sei lá se dormi, com um ar condicionado cheio de catarro e aos saltos no buraco, com um olho no burro e outro no cigano. Sonhei com um duche matinal retemperador. Lá duche tomei, mas custou-me 3000 XAF (Francos), ou seja, 1000 mocas por cada garrafa de água de um litro e meio. As torneiras aos costumes diziam nada!
O meu Lisboa Dakar já cá canta! Outros que se aventurem.
No dia seguinte Bissau meu amor.

Guardo no entanto com desvelo esta peça (minúscula 2cm x 3cm) do artesanato senegalês que me ofereceram há um ror de anos e cuja estética não tem nada a ver com a inestética viagem.
felizmente, ainda a tempo de ser abençoado e iluminado pelo milagre da “Modernização”. Fócrates!!!!!!!!!!!!!

Aparição em cima de uma azinheira fotovoltaica que dá laranjas rosadas, aos favoritos, predilectos, validos, favorecidos e demais rebanho.
PS. Segundo fontes autorizadas de Belém (não na palestina mas ao lado dos pastéis de nata) o Aníbal quer superar o milagre aparecendo em cima de uma palmeira. Coisa que não é de descurar se nos recordar-mos de uns treinos que o homem andou a realizar algures nas africas aqui há uns anos.