outubro 26, 2006

Vou ali e já volto, ou não?

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Entretanto, vão bebendo uns tintos por mim! Eu farei o que puder, devo, no entanto, estar condenado mais às bijecas e gin tonic…
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Publicado por machede em 02:09 PM | Comentários (4)

outubro 25, 2006

Intermezzo

Entre:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
o XITIZAP 27 e o XITIZAP 28
a mielas, mesmo no centro do meio
no meio é que está a virtude, eh, eh, eh
intermezzo entre duas garinas
franciú::::::: un ménage à trois ?!
portuga::::: é, tanta magana !
espanhol::::: duas guapas, coño mi madre?!
outros::::: um viagra por favor!

pronto, tinha que ser
estávamos falando do meio
mas entre o 27 e 28
e puxa-lhe logo o trambelho prá li
faz-te ao meio moço
ora, ora, querem lá ver
nem + nem –
XITIZAP 27,5

népias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
como vai de ladeira abaixo direito ao 28
já mais que pra lá do 27
portanto, ainda à mão do 27 mas mais ao pé do 28
atão, atão só pode ser o XITIZAP 27,6, né!

(atenção, atenção, o vôo XITIZAP 28 aterra dentro de momentos nos aeroportos da bolosfera)
(Attention, attention, the XITIZAP flight 28 is going to land in a few moments on the bolosfera airports)

maputo10.jpg
imagem de Mauro Pinto

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outubro 24, 2006

Comprometa-os, porra!

Esta carta foi direccionada ao Banco BES, porém devido à criatividade com que foi redigida, deveria ser direccionada a todas as instituições financeiras.

CARTA ABERTA AO BES

Exmos. Senhores Administradores do BES
Gostaria de saber se os senhores aceitariam pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência da padaria na esquina da v/. Rua, ou pela existência do posto de gasolina ou da farmácia ou da tabacaria, ou de qualquer outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.
Funcionaria desta forma: todos os meses os senhores e todos os usuários, pagariam uma pequena taxa para a manutenção dos serviços (padaria, farmácia, mecânico, tabacaria, frutaria, etc.). Uma taxa que não garantiria nenhum direito extraordinário ao utilizador. Serviria apenas para enriquecer os proprietários sob a alegação de que serviria para manter um serviço de alta qualidade ou para amortizar investimentos. Por qualquer produto adquirido (um pão, um remédio, uns litros de combustível, etc.) o usuário pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até ligeiramente acima do preço de mercado. Que tal?
Pois, ontem saí do meu BES com a certeza que os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e de honestidade. A minha certeza deriva de um raciocínio simples.
Vamos imaginar a seguinte situação: eu vou à padaria para comprar um pão. O padeiro atende-me muito gentilmente, vende o pão e cobra o serviço de embrulhar ou ensacar o pão, assim como, todo e qualquer outro serviço. Além disso, impõe-me taxas. Uma “taxa de acesso ao pão”, outra “taxa por guardar pão quente” e ainda uma “taxa de abertura da padaria”. Tudo com muita cordialidade e muito profissionalismo, claro.
Fazendo uma comparação que talvez os padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo no meu Banco.
Financiei um carro. Ou seja, comprei um produto do negócio bancário. Os senhores cobraram-me preços de mercado. Assim como o padeiro cobra-me o preço de mercado pelo pão. Entretanto, de forma diferente do padeiro, os senhores não se satisfazem cobrando-me apenas pelo produto que adquiri.
Para ter acesso ao produto do v/. negócio, os senhores cobraram-me uma “taxa de abertura de crédito” - equivalente àquela hipotética “taxa de acesso ao pão”, que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam a pagar. Não satisfeitos, para ter acesso ao pão, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta corrente no v/. Banco. Para que isso fosse possível, os senhores cobraram-me uma “taxa de abertura de conta”. Como só é possível fazer negócios com os senhores depois de abrir uma conta, essa “taxa de abertura de conta” se assemelharia a uma “taxa de abertura da padaria”, pois, só é possível fazer negócios com o padeiro, depois de abrir a padaria.
Antigamente, os empréstimos bancários eram popularmente conhecidos como “Papagaios”. Para gerir o “papagaio”, alguns gerentes sem escrúpulos cobravam “por fora”, o que era devido. Fiquei com a impressão que o Banco resolveu antecipar-se aos gerentes sem escrúpulos.
Agora ao contrário de “por fora” temos muitos “por dentro”.
Pedi um extracto da minha conta - um único extracto no mês - os senhores cobraram-me uma taxa de 1 EUR. Olhando o extracto, descobri uma outra taxa de 5 EUR “para a manutenção da conta” - semelhante àquela “taxa pela existência da padaria na esquina da rua”. A surpresa não acabou: descobri outra taxa de 25 EUR a cada trimestre - uma taxa para manter um limite especial que não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou pagar os juros mais altos do mundo. Semelhante àquela “taxa por guardar o pão quente”.
Mas, os senhores são insaciáveis.
A prestável funcionária que me atendeu, entregou-me um desdobrável onde sou informado que me cobrarão taxas por todo e qualquer movimento que eu fizer. Cordialmente, retribuindo tanta gentileza, gostaria de alertar que os senhores se devem ter esquecido de cobrar o ar que respirei enquanto estive nas instalações do v/. Banco.
Por favor, esclareçam-me uma dúvida: até agora não sei se comprei um financiamento se vendi a alma?
Depois que eu pagar as taxas correspondentes, talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e profissionalmente, que um serviço bancário é muito diferente de uma padaria. Que a v/. responsabilidade é muito grande, que existem inúmeras exigências legais, que os riscos do negócio são muito elevados, etc., etc., etc. e que apesar de lamentarem muito e nada poderem fazer, tudo o que estão a cobrar está devidamente coberto por lei, regulamentado e autorizado pelo Banco de Portugal.
Sei disso.
Como sei, também, que existem seguros e garantias legais que protegem o v/. negócio de todo e qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam muito mais elevados.
Sei que são legais. Mas, também sei que são imorais. Por mais que estejam protegidos pelas leis, tais taxas são uma imoralidade. O cartel algum dia vai acabar e cá estaremos depois para cobrar da mesma forma.
Victor Pinheiro

Aditamento por conta do editor Machede:
Caro Primeiro Ministro,
a rapaziada sabe que a coisa está pelas costuras. A rapaziada sabe que a maus alfaiates têm sucedido outros incompetentes que tais. A rapaziada sabe que o nosso primeiro, na campanha pelo poleiro, prometeu pôr a barafunda na ordem – pensámos nós, de uma maneira socialista já que o senhor é o secretário geral do dito partido. E mesmo que pela rama, conhecemos o que está rabiscado no seu ideário – do partido. Isto no caso de, pela sorrelfa, não terem leiloado o sagrado canhenho.
Que se saiba, turbulência alienativa só aquela, aqui há um ror de anos, do Marocas ter metido o socialismo na gaveta. Mas mesmo essa, pelo que o homem vem dizendo, também há uma catrefada de tempo, está sanada e o socialismo fora da gaveta. E agora é fixe!
Eleito o senhor, cogitámos que a coisa era a sério e daí ir cortar a direito. E lá nos pusemos a jeito para a ordenha, mas na disposição da dita ser equitativamente socialista. Ou seja, quem mais tem mais participa.
Antes pelo contrário! Já estamos de teta escorrida e os senhores continuam de boca escancarada completamente sequiosos. Outros – o destinatário e os outros putativos destinatários (compromisso portugal, comprometa-os porra!) da carta acima – permanecem do baril e anunciaram mesmo que o exercício de 2005 foi um positivo regabofe de cacau extra. Pelo andar do barco, o 2006 deve ser uma realíssima desbunda tipo Sodoma e Gomorra.
A nós, pelo andar da carruagem, resta-nos ir para a recta de Pegões dar o corpinho ao manifesto. Temos, no entanto, a noção de ir arruinar o negócio. Não estou a ver onde estará a substancial procura para tão desmesurada oferta. Se não estou enganado, é assim que se poda a questão em economês.

Publicado por machede em 09:32 PM | Comentários (2)

outubro 23, 2006

O plástico Cipras em directo

HEY,
junto segue " a ANDY WAHROL Samora_RICE approach"
é..............
HE!HE!HE!........
samora.jpg

Publicado por machede em 07:25 PM | Comentários (0)

outubro 21, 2006

O maior de todos os ganda portugas…

No sentido literal, temos o gigante de Manjacaze (também do circo Mariano), isto, no caso de não se considerar aquele estacionário (junto do garrafão das portagens da 25 de Abril - ex-botas de s. comba) que penso ser um funcionário da Brisa tipo Big Brother com um olho nos automobilistas e outro nos portageiros.
No sentido de gordas e óbvias contribuições para as contínuas barafundas e balbúrdias da história deste reino de aquém e além-mar que desaguou na barbuda republicana actual, não escamoteando o estádio novo, a coisa complica-se. É cá uma turba de maganões, cada um mais amalucado que o outro, que eu fico completamente absolutamente às aranhas sem saber por onde começar e onde acabar. É que desde o façanhudo e desmiolado alicerce filho do conde da Borgonha que vai não vai molhava a sopa na mãe, até aos Dupond et Dupond (Semdúvidassócertezas + Fócrates), desconsigo arpoar um exemplar meão que seja.
No sentido visionário, para além do Bandarra das profecias, houve um rapaz amaldiçoado e daí defenestrado pela populaça alfacinha que a rapaziada de agora se pudesse virava o bico ao prego regalando-se com um ordenado mínimo de 540 eurósios. Tarde piaram, que agora a vizinhança não se importa de ficar com o prédio, mas na condição dos inquilinos irem dar uma volta ao bilhar grande.
No sentido do intelecto, para além do almirante Tomás Abóbora que em pequenino queria ser bombeiro e depois tinha um canário que não podia levar para os fogos e então assentou praça na marinha, há agora aquele moço prometedor mas ainda algo na penumbra dado o eclipse craniano do Gago, mas que num repente pode esfarrapar o tecido intelectual nacional como quem rasga chita, e que recentemente mostrou apenas um farrapinho da sua verve encefálica com o majestoso dito: “Se a electricidade aumenta, a culpa é do consumidor”.
Assim como assim prefiro o António Ramalhete que, há coisa de um mês, na companhia da patroa, para mais grávida, se mirou com os trastes ao relento dado o sustento do mar ser minguado, e não foi de modas: ocupou, mudou a fechadura e assentou arraiais numa casa de função da GNR em Quarteira. Aí valente, assim se tempera o aço. O que levou o gimbrinhas dum vereador da Câmara de Loulé a palrar do seu poleiro: “Se a GNR não é capaz de garantir a defesa de uma propriedade que lhe está adstrita, o que fará se as centenas de apartamentos turísticos em Quarteira vierem a ser ocupados ilegalmente”. Simples, é mais uma façanha notável para o património histórico dos índios da Meia Praia que, afinal, até somos a maioria.

Publicado por machede em 06:54 AM | Comentários (2)

outubro 20, 2006

Samora Moisés Machel

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Nunca gostei muito da tropa instituição, muito menos da postura empertigada e déspota dos oficiais. Mas, como tudo na vida, há tropas e tropas. E, tal como o Mário-Henrique Leiria, nos “contos do gin-tonic”, nos deu conta da sua estima pelo “O meu sósia, o General” arremetendo mesmo no final da narrativa:
“(…) Sim, gostava do general, era humano e estava vivo. Não, não estou zangado, se estivesse partia este copo com gin. Estou apenas a dizer que gostava do general, que era humano, ouviram? E ninguém me venha dizer o contrário, senão vai tudo a ponta de faca ou a berro de 38.”
Também eu gostava do marechal. Recordo-o amiúde. O rasgado sorriso simpático. Aquela forma nua e crua de dizer que seduzia e conquistava. Um dos últimos românticos da saga africana pela terra dos africanos, pretos, brancos, amarelos, azuis, etc… um rebelado sonhador na boa tradição dos cavalheiros do primeiro terço do século que se ausentou. Também eu tenho a certeza que era humano o marechal. Também eu não gosto que me digam o contrário.
Enganava-se por vezes? É possível, porque era humano! Incomodava o marechal? Claro que incomodava! Até alguns daqueles que o reverenciavam em ângulo recto e eram mais frelimistas que a frelimo.
De vez em quando encaro com o marechal e deparo aquele olhar perspicaz dos que vêem através das coisas. E parece-me que repete aquela laracha que me atirou há muitos anos: És português, e gostas de cá estar? Está na minha casa de mangas arregaçadas, gorro de lâ, foice na mão e aquele esgar bonito e transparente dos que nascem e morrem com a espinha direita.
Foi um amigo fotógrafo moçambicano que me ofereceu a foto. Um amigo que também sabe que o marechal era humano e não admite que lhe digam o contrário.

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Ceifa do arroz no Chokwé/Gaza - imagem do Kok Nam

Publicado por machede em 12:58 AM | Comentários (1)

outubro 19, 2006

Diário de um Padre

Eu estava tão nervoso na minha primeira missa, que no sermão não conseguia falar. Antes da segunda missa, dirigi-me ao Bispo e perguntei como devia fazer para relaxar. Este, por sua vez, recomendou-me o seguinte:
- Coloque umas gotinhas de vodka na água, vai ver que da próxima vez estará mais relaxado.
No Domingo seguinte, apliquei a sugestão do meu Bispo, e estava tão
relaxado, que podia falar alto até no meio de uma tempestade, tão
descontraído que estava. Ao regressar a casa, encontro um bilhete do meu Bispo, que dizia o seguinte:

"Caro Padre:
1º- Da próxima vez, coloque umas gotas de VODKA na água e não umas gotas de água no VODKA;
2º- Não há necessidade de pôr limão e sal na borda do cálice;
3º- O missal não é, nem deverá ser usado, como apoio para o copo;
4º- Aquela casinha ao lado do Altar é o confessionário e não o WC;
5º- Evite apoiar-se na imagem de Nossa Senhora, e muito menos abraçá-la e beijá-la;
6º- Os mandamentos são 10 e não 12;
7º- 12 são os apóstolos, e nenhum deles era anão;
8º- Não nos devemos referir o nosso Salvador e seus apóstolos como "JC & Companhia";
9º- Não deverá referir-se a Judas como "filho da puta";
10º- Não deverá tratar o Papa por "O Padrinho";
11º- Judas não enforcou Jesus, e Ben Laden não tem a ver com esta
história;
12º- A água Benta é para benzer e não para refrescar a nuca;
13º- Nunca reze a missa sentado nas escadas do Altar;
14º- Quando se ajoelhar, não utilize a Bíblia como apoio ao joelho;
15º- Utiliza-se o termo ámen e não "ó meu";
16º- As hóstias devem ser distribuídas pelos fiéis. Não devem ser usadas como aperitivo antes do vinho;
17º- Procure usar roupas debaixo da Batina, e evite abanar-se quando
estiver com calor;
18º- Os pecadores vão para o inferno e não para "a puta que os pariu";
19º- A iniciativa de chamar os fiéis para dançar foi plausível, mas
fazer um "comboio" pela igreja...
20º- Não deve sugerir que se escreva na porta da Igreja HÓSTIA BAR.

Já agora...
P.S.: Aquele que estava sentado no canto do Altar ao qual se referiu como
"paneleiro travesti de saias"... era eu!!...
Espero que estas suas falhas sejam corrigidas no próximo Domingo.

(fanado do Blogue Alcáçovas, e tal como o baril do bispo a malta também belamente me perdoará)

Publicado por machede em 09:03 AM | Comentários (4)

outubro 17, 2006

+ Criações

Evoco criações como poderia dizer obras, arte, produções, habilidades, etc… artesanato é que jamais. Bastam-me ter de o citar como tal nos documentos técnico/profissionais. À margem disso tenho um galo à dita denominação que só eu sei. Instigo-os a percorrerem a estrada 125 e a atentarem nas baiucas do dito Handicraft, geralmente, com o aditamento Pottery. Instigo-os ainda a laurearem a pevide por Óbidos, ou mesmo já por Monsaraz, e divisarão a portuguesíssima arte de vender gato por lebre em chafaricas inventadas ainda antes dos chineses atacarem o rectângulo com as lojas cogumelos.
Não quero com isto dizer que a dita arte já não existe. Existe, claro que existe. Mas para a enxergar é necessário passar um campo minado de queijos da serra que nem sequer com os ditos Serra da Serra trocaram opiniões, quanto mais serem da família.

Mota arame.jpg
Insisto novamente na magnifica arte dos mufanas moçambicanos. Mas que regalo de artífice (palavra bem dita porque quando muito terá um alicate manhoso por tecnologia), que moldou o arame e mais uma pequena réstia de materiais e gerou esta Harley Davidson. Sim, porque não é de um comum motociclo que se trata. É uma mota Harley Davidson.

Publicado por machede em 07:19 PM | Comentários (1)

outubro 16, 2006

Globalização do quê?????

Dos números, mesmo que grossos, estava apartado. Mas suspeitava que a ilustre “globalização” continuava a ter como palco central a pobreza. Pobreza, palavra que acho abastada para apontar quem passa 365 sobre 365 dias a pensar apenas - nada mais, cinismo pretender que pensasse mais - como tapar o enorme buraco negro que tem em vez de aparelho digestivo. Depois, por o hábito não fazer o monge, paradoxalmente, se comer um grão de arroz a mais que seja está sujeito a morrer empanturrado.
Um naco de palavreado acima chamei abastada à palavra pobreza para sentenciar a excepção do ingerir alguma coisa para confirmar a regra do normalmente ingerir zero. Ou seja, quem passeia no gume da estatística dos vivos até que um dia não esgatanhe a excepção, deixa de pertencer à regra da chamada “pobreza”. Não, este estado não tem conceito e muito menos termo que o defina. Quando muito eleva ao infinito o conceito miserável dos canalhas do pólo oposto.
Que me perdoem a negra ironia do discurso! Mas cada vez que ouço palrar sobre a afectuosidade da globalização, só me apetece regurgitar negros sarcasmos. Feitios!
Mas vamos aos números do insuspeito Banco Mundial. Um vírgula dois (1,2) mil milhões de pessoas sobrevivem com menos de um dólar por dia. Dois vírgula sete (2,7) mil milhões de pessoas sobrevivem com menos de dois dólares por dia. Globalização e mais palavras para quê!
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Em Portugal (chateia-me cada vez mais a porra da maiúscula inicial), território apenas de pobretanas (de bolso e mentalidade), a agiotagem bancária declarou que durante o exercício de 2005 tinha tido mais trinta por cento de lucros!

Publicado por machede em 08:10 PM | Comentários (10)

outubro 15, 2006

Criações

É lugar comum proferir que cada um gosta do que quer. De acordo. Também é costume proclamar que gostos não se discutem. Já não concordo, ainda que, por ora, já não esteja para grandes engalfinhamentos verbais. A bem dizer, nem de outras formas. Já dei para esse peditório. Já não tenho pachorra para patrocinar querelas onde se ajusta a martelo retórico o olho do cu com a feira de Borba com mastros e tudo. Ainda que faça fé na cartilha: cada um tem o direito de gostar do que quer, por quem sois, mas santa paciência, há bom e mau gosto!
Nem sequer advogo o rígido princípio que o gosto (ou a estética se quiserem) se educa. Lá que ajuda, sem dúvida. Mas também não duvido, antes corroboro, que há pessoas que nascem com capacidades singulares. Capacidades que se transformam em competências apenas com um pequeno empurrão e alguma perseverança.
Também sei da desconfiança, diria até uma certa urticária, que este discurso amigável para o autodidacta provoca nos mestres paridos pela academia. Tudo bem, que fiquem com a sua reverência ao ateneu que, em pé de igualdade, venero com o saber da experiência feito. Tão só esta léria tem a ver com o desenho conceptual e ao mesmo tempo prenhe no usar da criatividade colateral com a alta e na moda fasquia do reutilizável.
Conto e exibo aqui do admirável design (que palavra requintada) que o mufana (jovem) moçambicano produziu com caricas, cinco tostões de lata e arame. Não vale mais palavras. A peça apenas valeria uma longa dissertação para os que gostam de se ouvir a si próprios. Para ele, o mufana, vale apenas uns escassos cobres para continuar vivo.
candelabro3.JPG

Publicado por machede em 05:11 AM | Comentários (2)

outubro 13, 2006

Feira de Castro Verde

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Em tempos agitava anualmente o comércio do campo branco. Os gentios da Vila e de outros lugares e montes, bastas léguas em redor, tinham nela o tempo do provimento de coisas e loisas. Terminado o estio, era a muda do ano agrícola. Era a altura de aviar necessidades para mais uma volta inteira no calendário rural. De seguida era o momento de, com as primeiras chuvas, meter a o bico da charrua à terra removendo-a para receber a semente.
Ainda é a grande feira franca do sul. Ainda atrai os sobejos de um certo imaginário camponês. Nos antigos – como na transtagânea é costume dizer dos mais velhos – ainda tem um sentido de cordão umbilical dos tempos. Dos tempos do pelico, dos chapéus pretos abeirões, das botas de atanado, dos capotes aguadeiros, dos largos guarda-chuvas azuis que davam guarida não só ao pastor como ao rafeiro. Do grão de bico e do feijão a granel. Das alfaias e restante ocharia para as tarefas agrícolas. Do cante cavado fundo que abandonava as gargantas dos homens e traçava a melodiosa comunhão da festa. Do vinho para regar as goelas e das comedias para guarnecer o estômago. Sonhava-se com a festa e dela se guardavam lembranças até ao ano seguinte. Era a minguada regalia de prazer para as gentes do campo branco.

Adeus ao feira de Castro
Que de longe te estou vendo
Já levo a ponta do pau gasto*
E as bordas do cu ardendo**

(A quadra da ironia e brejeirice popular em honra da feira, tal era o gozo)
* O pau era o cajado de guardar o gado
** As bordas do cu ardendo de tanto estar sentado na festança

Publicado por machede em 11:16 AM | Comentários (2)

outubro 12, 2006

Feios, porcos e maus… e agora das ganzas e sniffs!

Segundo a serventia social escrita, um em cada três deputados italianos consome drogas. Mais, o líder do Partido Radical Daniele Capezzone, organização que defende abertamente a legalização da marijuana, sem papas na língua afirmou: “Sempre disse que se um cão-polícia entrasse em certos locais onde são conduzidos negócios políticos, primeiro ia ficar com o nariz desnorteado, e depois desistia.” Mais ainda, o deputado da Esquerda Democrática Franco Grillini, averbou ao curriculum: “Não tenho nada a esconder. Já tomei drogas, mas agora as minhas drogas favoritas são bom vinho e sexo. Cada um com os seus vícios.” Aí valentes, quem fala assim não é tatibitate e faz jus ao país do Federico Fellini. Ganzas, coca, vinho e sexo. E terão despesas de representação para fazer face a estes extras? Calhando têm!?!?
E se o programa televisivo italiano testasse o hemiciclo do Gama? Calhando lá se iam os brandos costumes pelo cano abaixo direito ao Bugio.

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Publicado por machede em 12:09 AM | Comentários (6)

outubro 11, 2006

Vaso de Noite

Entre as várias qualificações é de longe a mais ilustrada para o insigne traste de alcova. Idênticas adjectivações amenizavam-lhe o nada aromático uso. Bacio e bacia de cama. Agora penico e bispote, eram nomes vernáculos mais ao jeito do conteúdo do vasilhame depois de atestado.
De barro, de porcelana, de esmalte, de alumínio e até de plástico em tempos recentes. Com decoração esmerada para cus refinados. Depurados nos enfeites para cus correntes. E até equipados de extravagancias tecnológicas para uso de cus estéticos e vanguardistas. No entanto, do mijo, da merda e do vómito não se livravam tais recipientes.
O “lá vai água” de urbanidades não muito remotas, ao “não mijes fora do penico” ainda em uso, vários foram as notificações verbais. A primeira, de arremesso pela janela do recheio sobre o desprevenido transeunte. O segundo, mais ao jeito de advertência de lá vai murro se continuas a errar.

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Publicado por machede em 01:11 AM | Comentários (2)

outubro 09, 2006

Bien Danse

Para a rapaziada que tocava piano (mentira, mil vezes mentira, ninguém tocava piano a não ser o mestre Adilio barbeiro) e falava francês era o “bien danse”. Para o resto da rapaziada que só falava a língua do Camões entremeada de dialecto alentejano era o “balha bem”.
Aos irrequietos não bastava a amuralhada cidade. E iam aos entretenimentos da capital rotinar prazeres e vinham logo de seguida (geralmente quando se acabava o picão), ou, abalavam, deambulavam, cuidavam de angariar para a papa e vinham de vez em vez com mais cinco tostões de jogo de cintura. Parece-me, parece-me que o Balha Bem era mais do segundo naipe. Apogeu lisbonense do dito notável eborense – não me recordo do nome próprio ou sobrenome, e disso peço absolvição ao campeador, somente da alcunha -, décadas de sessenta e princípio de setenta. Profissional - para além da arte que lhe rendeu alcunha bilingue - de matraquilhos. Penso que desta última recolhia o salário ou o rendimento, como queiram. Tinha como escritório principal a Casa de Jogos existente, há altura, no Parque Mayer. Nas bancadas dos topos da mesa de matrecos, junto dos cinzeiros redondos, as apostas dilatavam-se exponencialmente na dimensão do ardor das contendas, arribando não raras vezes a verdosa de vinte por jogo (dez esféricos de madeira em troca de uma moeda de um escudo), verdosa de vinte que, na altura, se cambiava por duas refeições sem desperdícios a palmilhar rua logo ali no Cantinho dos Artistas. Nada de sociedades, trabalhava por conta própria, guarda-redes, defesa, meio campo e ataque. Solitário na aposta e geralmente no lucro. Bola que aportasse no trio atacante, era bola dentro que apenas se suspeitava pelo baque oco no fundo do galinheiro, bloc! Não se sabe muito bem se era só trabalho do ponta de lança, se era coisa a meias com os flanqueadores, tal era a mecha na finta. Até ficávamos com os olhos tipo planetas a rodar em volta do astro-rei numa gasosa supersónica. Era assim o Balha Bem, virtuoso no pé de dança e matador nos matrecos. Faleceram os balhos cá da província, balhos autênticos com arrifação, no intervalo para descanso do tocador, da garrafa de esponche…que calhou na letra A de alifante. Faleceram os matraquilhos do Parque Mayer. Faleceu o Parque Mayer. O paradeiro do Bien Danse é-me desconhecido, se paradeiro ainda tem neste mundo.
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Publicado por machede em 11:32 PM | Comentários (1)

outubro 06, 2006

Nortear

Vou ali festarolar a casa (nave de granito) do Paulo e da Agnes e já venho. Ali, ao Salto. Salto, Freguesia do concelho raiano de Montalegre.

«Salto, terra do gado Barrosão mais puro, com muito centeio e milho, guardado em belos espigueiros, é a freguesia mais povoada do concelho. Nas suas aldeias antigas, espalhadas por toda a serra e planuras do Baixo Barroso, vive uma gente laboriosa, alegre, hospitaleira e orgulhosa de ser do Barroso.»
(do site da Freguesia)

Festarolar a imigração do norte para o sul sul abaixo do meu sul, do João Semana Paulo e da estética Agnes. Imigração para as bordas do meu amado Índico. Vão Moçambicar uma talhada da vida. Eu também ia, ou se ia!
Vou ali e já volto. Coisa de ir festarolar e voltar senão o meu bio-ritmo começa a emarear (no caso serranar) com tanta ladeira de andar à roda em curvas cotovelos com maningue sssss. Voltar logo logo ao horizonte horizontal da minha geografia plana e sentimental em que as ladeiras são mansas e as poucas curvas que há são do tempo em que o estado comprava estrada ao metro.

Publicado por machede em 01:07 AM | Comentários (1)

outubro 04, 2006

Em Flagra…

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Segundo os serviços secretos do Reino do Butão, a imagem acima foi obtida por um agente secreto da República de Palau infiltrado no Programa Portugal a Inovar, e mostra o próprio coordenador do Plano Tecnológico, Doutor, Doutor, Doutor, Professor, Professor, Professor não sei o quê (o agente secreto assevera, no relatório, que o nome deverá estar encriptado dado o pasmo que causa, mesmo a qualquer profissional bem treinado e tarimbado), a tentar lobrigar o circuito operacional de uma fábrica de piercing e outros acessórios aparentados, muito em voga junto dos jovens, fábrica esta sedeada no Reino de Tonga.

Publicado por machede em 06:59 PM | Comentários (1)

outubro 03, 2006

No 20

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Qual selecção do Filipão, qual turba de bandeiras marcelescas penduradas em nacionalismos histéricos e a despropósito.
Competência na amesendação, loiças, alfaias e o consequente nobre e apto conteúdo, isto sim! É disputa séria e palco distinto para mostrar o brio e valor das vitualhas que há séculos degustamos. Palco elevado para desvendar um cluster que o Michael Porter, aqui há uns anos, descuidou no seu estudo sobre as potencialidades e recursos nacionais. “A Gastronomia”!
Arroz de Cabidela, confeccionado com a suculenta carne e sangue de galinha pica no chão (do campo) e, ironia das ironias, com arroz espanhol (o mestre não tinha outro à mão, caso tivesse o carolino outra cabidela cantaria). Em Castellón, Espanha, entre dezanove países concorrentes, no meio dos famosos e galácticos risottos e paellas, o Mestre Victor Sobral arrebatou o lugar cimeiro do pódio.
Hoje, bebo um tinto com resoluto propósito!

Publicado por machede em 06:46 PM | Comentários (3)

outubro 02, 2006

Boca Dourada

«Nesta família parecem-se todos uns com os outros. Para começar são todos marinheiros pelo menos desde o bisavô que eu conheci em Queimada, no Brasil. São também mentirosos, fabuladores e românticos incuráveis. Mas Corto continua a ser o mais espantoso desta linhagem. À força de não levar nada para o trágico, acaba por vezes por se tomar a sério. A não ser no que toca a assuntos de dinheiro, em que é de uma nulidade impressionante. É coisa que não o preocupa o que faz parte do encanto que tem.»

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(do livro “As Mulheres de Corto Maltese”, de Hugo Pratt / Michael Pierre)
A léria subsequente é quase do domínio das fábulas. Mas cá vai; se alguma vez tivesse ingerência nos programas educacionais, tanto o Corto Maltese como o Torpedo e o Milo Manara fariam seguramente parte dos currículos escolares. Tal como o Calvin & Hobbes, de início, também fazem falta para abrir a pestana. No entanto, vou porfiando para habilitar a malta na paralela que, de facto, é a verdadeira academia da vida.
Tenho muita pena de ter tido convivência com as histórias do Corto apenas no segundo quartel da existência. Caso tivesse sido antes, outro galo cantaria. Tenho como certo que falta o mar mar na minha vida. Vida demasiado inundada de sequeiro com mais mar das searas do que mar propriamente de água alterosa ou mansa. Mas não se pode ter tudo.

Publicado por machede em 11:40 PM | Comentários (1)

outubro 01, 2006

Uma revista e pêras…

É pena mas é assim. Lisboa e limítrofes são ainda o grande umbigo deste país longilíneo relativamente aos pólos. O umbigo, umbigo, poderia ter a escala normal comparativamente ao resto do corpo continuando a ser biologicamente e anatomicamente um órgão mítico não se sobrepondo e ocultando os restantes órgãos. Em suma, a normal equidade entre as várias valências de um canastro.
A modernidade só o será efectivamente quando a urbanidade e a ruralidade se transformarem em rurbanidade. Aí sim, todos debitaremos e creditaremos em pé de igualdade.
No entanto, enquanto continuamos adoradores do umbigo, que exista e consolide esta magnifica Umbigo e tenha o poder milagroso de multiplicar publicações e leitores a sério, tal como o Jesus milagrou a multiplicação dos pães.

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«Editorial
Quase não sabemos por onde começar quando vos dizemos que esta Umbigo está cheia de surpresas e novidades. Senão vejamos:
Como é do conhecimento geral, o Museu do Design, Colecção Francisco Capelo, até agora alojado no Centro Cultural de Belém, fechou as suas portas no final de Agosto para reabrir no futuro como Museu da Moda e Design, em outro local de Lisboa e com a mais-valia de albergar a colecção de moda também de Francisco Capelo. Será uma instituição de referência nestes domínios e um dos mais importantes museus nacionais. Estamos também orgulhosos pelo facto da nossa colaboradora regular Bárbara Coutinho, ter sido noemada como sua directora. Sendo assim, decidimos marcar a data e realizar uma homenagem ao fotografar o editorial de moda Twinsister nos últimos dias do Museu do Design no CCB.

Finalmente teremos a arquitectura como presença constante na Umbigo, através do projecto a nós proposto pelo gabinete de arquitectos Arkétipos Concept que nos revela de forma didáctica como a arquitectura anónima e popular consegue por vezes ter mais sentimento do que a institucionalizada.

Em 1920, o fotógrafo Cristóvão homenageia um dos seus ídolos e um dos maiores mestres da fotografia de todos os tempos, Helmut Newton.

E finalmente, um telefonema surpresa do escritor Pedro Paixão levou a mais uma colaboração regular que agora se inicia.»
(nº 18, Setembro 2006)

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A planície infinita da estética poética e do desenho. A planura nas páginas do deslumbramento.

«Algo nos quis nus
nos fala ao umbigo
Algo nos diz nus
E nos veste à pressa e ao avesso
quais fabulosos bonecos de costuras aparentes
e risonha bainha
Algo nos pousa no centro do mundo
e na cama da vizinha»
(poema de Regina Guimarães, desenhado por Paulo Monteiro)

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«ERROS MEUS
MÁ FORTUNA
AMOR ARDENTE»

A Natália Correia, musa de si e de muitos outros, escrita e impressa como merece.

Publicado por machede em 08:01 PM | Comentários (0)