setembro 30, 2006

Não me alegram…

Belmiro.jpg

«O estudo de Paulo Mourão e Júlio Barbosa avalia a competitividade de 18 cidades. Mas o que quer dizer “competitividade”? O conceito utilizado pelos dois autores, inspirado numa metodologia do economista Michael Porter, fala na competitividade “associada à sustentabilidade do desenvolvimento do nível de vida das cidades”. “ Há duas perspectivas: a clássica, estática, associada ao desenvolvimento económico; e uma nova, dinâmica, que procura identificar que regiões é que estão a gerar vantagens competitivas”, diz Paulo Mourão.»
* Paulo Mourão e Júlio Barbosa são investigadores na Universidade do Minho.
(do Jornal Público – 30 de Setembro de 2006)

Os economistas, sociólogos, geógrafos e mais alguns especialistas são (ou deviam ser?), efectivamente, os detentores do conhecimento e das ferramentas para diagnosticar este género de problemas e apresentar soluções. Eles que se ponham, ou não, de acordo. Usando os seus conceitos e metodologias.
Barafustei no desenvolvimento rural umas décadas, três, mais coisa menos coisa. Lá fora e por cá. Tenho o saber e o fazer que este tempo e os vários sítios por onde aquartelei me deram. Sem me pôr em bicos de pés, longe disso, tenho no entanto direito aos meus argumentos. Possivelmente, proferirão que a minha matriz é demasiado campónia e pouco aderente da bondade da urbanidade. Tenho igualmente grande relutância ao conceito “competitividade” tal como ele é entendido comummente. Mais, atrevo-me a dizer, do alto do meu baixo banquinho, se o conceito fosse admiravelmente benigno, uma grande, uma enorme fatia da humanidade teria de entregar a alma ao criador porque não é efectivamente competitiva, nem se vislumbra que o venha a ser. Entre estes, incluo os campónios alentejanos e mais alguns indígenas do interior dos interiores. A não ser que estes ideólogos da “competitividade” queiram dividir a bola tal como os chineses teorizam: Um país dois sistemas. Caso assim seja, seria: Uma bola dois sistemas, um dos competitivos e o outro dos sornas incompetitivos. O dos competitivos seria o mecenas dos sornas, contribuindo com a papa e com a farpela e mais alguns anexos para garantir a não indigência escancarada, tal como agora acontece.
Eu, não me considero competitivo e daí sustentável quando continuo a comer laranjas da Tasmânia, carne da Argentina, queijos da Dinamarca, etc… Eu, não me considero competitivo quando a riqueza parida nas fábricas da zona industrial de Évora não, mas não têm incorporado um naco que seja de recursos endógenos. Somos crianças operárias que montamos legos cujas peças foram produzidas por outros, calhando outras crianças, mas estas de verdade e daí escravas. Eu não me considero competitivo quando o meu adaptado país produz 50 % do azeite que consome. A não ser que o Alentejo, a Beira e Trás-os-Montes sejam antes apropriados para produzir tulipas.
Não me alegram com esta da minha cidade estar no cimo da pirâmide competitiva, quando aqui a uma mão, apenas uma mão de quilómetros, as vilas e aldeias, não tendo saídas activas, se despovoam a um ritmo galopante. Esta competitividade parece a parábola do TGV. A rapaziada vai estar ligada à Europa competitiva por um comboio que anda na brecha e daí ser “competitivo”. Por outro lado, a CP, continua a fechar estações e apeadeiros no interior porque a rapaziada de lá não quer ser competitiva e baza para as cidades sustentáveis no último comboio.

(Que a Autoridade da Concorrência me perdoe a publicidade ao competitivo Belmiro)

Publicado por machede em 07:25 PM | Comentários (2)

setembro 29, 2006

Atão, estão a voltar-se ao moiral??????

Pois! Parece que o gado da secreta amaricana anda a escriturar uns relatórios a modos que a estorvar as “veracidades” do pequeno grande homem, grande pequeno cérebro George, e dos seus restantes apaniguados. O Dick, o Donald e a Condolleza, ajudas do moiral, estão a ficar também um naco de ralados por via da incerteza no futuro da jorna.
ovelhas.jpg
Os rafeiros continuam a vender a banha da cobra da generosidade dos amaricanos e da carrada de benefícios para a maltosa iraquiana.
Luis Afonso.jpg
O George + o Dick + o Donald + a Condolleza, continuam confiantes que a vitória é certa e a linha justa triunfará! Abaixo os renegados dos serviços secretos!
Imagem21.jpg

Publicado por machede em 06:00 PM | Comentários (20)

setembro 28, 2006

Médicos de engenhos do tempo

Relojoeiro.jpg
imagem de Eduardo Gajeiro – Relojoeiro, Rua Serpa Pinto, Évora

Primeiro, era apenas o sol a projectar a sombra de uma vara. Depois foi a clepsidra (que de complicado apenas tem o nome) que se fundamentava na lentidão do escoamento de um líquido, através de um buraquinho estreitinho. Depois ainda, foi a ampulheta. Até que o Galileu observou o balancé de um pêndulo e descobriu o medidor de tempo moderno.
Seguramente que desde o princípio houve curandeiros para estes maquinismos, mesmo para a mais rudimentar vara que metia cálculos até ao comunismo com o arribar e arriar do astro rei. Até que a função entrou nos eixos e a rapaziada dada às doenças dos segundos, minutos e horas também começou a partir do zero até ao mestrado.
Acudiam aos vários achaques, roda de balanço, corda, adiantado, vidro, ponteiros, atrasado, parafusos minorcas, parafernália de rodas dentadas elefantinas e microbianas. Eram mais ou menos clínicos de medicina geral com conhecimentos quanto baste de várias especialidades.
Também eles faziam o seu juramento, só que em vez do Hipócrates, ajuramentavam-se ao Tempo Médio de Greenwich, abreviado iniciaticamente de TMG. E também usavam uma espécie de estetoscópio, só que num olho. Possivelmente, para aí um olhómetro ou loisa parecida? De vez em quando também os escutavam para lhes ouvir o coraçãozito. Se a coisa dava para o agastamento, pregavam-lhe uns safanões. Assim mais ou menos do género tratamento de choque para não os deixar apagar. E para tratar de tanto orgãozinho e tripalhada, tinham uma ferramentaria toda delicada e muito apropriada. Achava engraçado entrar nestes hospícios e ver um sujeito a examinar-me com um olho fechado e, em lugar do outro, uma lente do tipo máquina de tirar retratos.
Também havia os veterinários, que cuidavam (e cuidam penso eu?) dos dinossauros espécime de relógio da Igreja de Santo Antão. E outra bicheza assim mais para o pequenote tipo relógio de estação de caminho de ferro que eram aparentados com o feijão-frade. Tinham duas caras.
Sempre tive apreço por este ofício. Sempre tive apreço por ofícios que só se confiam a artífices rigorosos e precisos.
Depois vieram os extra-terrestres. Os de quartzo, electrónicos e, como não podia deixar de ser, atómicos! Estas novidades já não têm piada alguma. Morreu. Outro chinês que lhe ocupe o lugar. Já não são precisos os clínicos, só os gatos-pingados do aterro mais radioactivo que sanitário.

Publicado por machede em 12:08 AM | Comentários (1)

setembro 27, 2006

Mai nada...

maria e manel.jpg

Publicado por machede em 05:04 PM | Comentários (3)

setembro 26, 2006

Engenhêêêros…

Meu rico Benfas. Minha rica fé, mesmo minguadinha. O Santinhos que vá treinar o Futebol não sei quê do Santuário da Cova da Iria. Ou então, o Bentinho XVI que o contrate para treinar a selecção do Vaticano.

Publicado por machede em 09:47 PM | Comentários (2)

O velho Lau

No meu tempo de miúdo eram o João Roque, o Peixoto Alves e o Joaquim Leão. Sporting, Benfica e Porto, respectivamente. Era a Volta a Portugal vivida nos directos da Emissora Nacional. Os directos de locais que jamais pensava existirem: Barranco do Velho, na Serra do Caldeirão; Alpedrinha, na Cova da Beira; Santa Marta de Penaguião, já depois do Douro a caminho de Vila Real. O clubismo acesso nos artistas sofridos e heróis do pedal. Era também o alento de ver a caravana ao vivo no inferno da planície transtagana – do ai que aí vêm e já passaram – na velha estrada de paralelos vinda de Beja e Reguengos, na recta antes da ponte do Xarrama. Fezada óptica.
Já eu de barba rala assomou na modalidade um ciclista traquinas danado para a brincadeira que, segundo os colegas das pedaleiras, dizia: “eu-parto-isto-tudo”. E lá abalava a causar estragos no pelotão. Venceslau Fernandes, que praticou ciclismo sempre a esticar o elástico entre 1966 e 1991, com um interregno forçado pelos médicos que não o davam apto por ter uma maleita no coração. Ele, que tinha um coração da dimensão das rodas do engenho biciclo. Suspensão, na segunda meada da década de 80, que a sua teimosia se encarregou de mandar às urtigas para voltar a cavalgar o selim no vício do pelotão. Ganhou a Volta a Portugal em 1984 com a camisola da Ajacto. Na ponta final, era o respeitável velho Lau. O decano do pelotão que corria no meio de rapaziada com idade para ser da sua prole. Um caso de longevidade construída de amor à arte e teimosia no carácter.
Venceslau.jpg

Vanessa.jpg
Anteontem, venceu em Pequim. Doze vitórias consecutivas na Taça do Mundo de triatlo. Desde o Jogos Olímpicos de Atenas que não perde uma prova. Vanessa Fernandes, filha do velho Lau. De pequenino se torce o pepino. Quem sai aos seus não é de Genebra – a lembrar o humor do “eu-parto-isto-tudo”.
Vanessa, força, persevera nessa!

Publicado por machede em 12:06 AM | Comentários (2)

setembro 25, 2006

Sarro

«Sarro, nm fezes ou sedimento que o vinho e outros líquidos deixam aderentes ao fundo das vasilhas; saburra; borra; resíduo de nicotina, que fica no tubo dos cachimbos e boquilhas; fuligem que a pólvora queimada deixa nas armas em que ardeu; certa formação sobre os dentes que não se limpam.»
( “A enciclopédia” da Editorial Verbo)

Sarro.jpg
(Sarro – Bitartarato de potássio e tartarato neutro de cálcio / Alcobaça, Museu Nacional do Vinho)

Quando tagarelamos sobre o sarro, usualmente, referimo-nos ao sedimento deixado pelo vinho. Inclusive, no dia seguinte, após uma embriaguez mais formal é costume bebermos água declarando que é para limpar o sarro da vasilha.
Depois, de meu cultivo dedutivo, existem também outros tipos de sarro mais etéreos. Menos físicos mas mais nocivos para os portadores e, mormente, para quem tem de aturar os ditos detentores. Criaturas estas que recusam ter o pernicioso sedimento como o exorcista esconjura o belzebu. Tal como o sapo que, ao atravessar a estrada, tinha acabado de ser cilindrado por um camion TIR e daí ter ficado com a tripanhada toda de fora. Ao ser avisado pelo boi que, pastava na berma, de ter os interiores à mostra, contestou com amofinação: “Tripas? Os cordões do relógio de bolso, se não se importa!”. Funesta esta maleita, este sarro comportamental. Nefasto por demais demonstrativo do faz o que eu te digo não faças o que eu faço. Democratinhas na sua muito conveniente “democracia”, no seu intolerante princípio – e fim – de falsificada equidade. Déspotas de pacotilha, ordinariamente, com um farto potencial de cobardia. Cagarolas que só têm bravura quando couraçados pela matilha, ou barricados no anonimato. Altivos no porte flácido e no ar compostinho da gravata às riscas do código de barras do servilismo. Velhacos do entendimento que confundem tradição com inovação e o contrário, desenvolvimento com crescimento e o contrário, humor com burlesco e o contrário, enfim catedráticos do chico-espertismo nacional. Demagogos para quem qualquer meio – nem que seja o denunciar o pai, a mãe e o mano – servem para atingir os fins. Os fins deles! Ortodoxos de fés decrépitas em que já nem a sua própria ortodoxia tem fé. Quando muito, encanam a perna à rã para sobreviver na tacanhez do peito cheio de certezinhas gordurosas e para porfiar uns cobres dada a sua penúria de jeito para outros misteres. Unicamente sonsos cardeais da virtude pública e do vício privado.
Os seus deuses que lhes perdoem. Ainda assim, sem rancor!

Publicado por machede em 12:30 AM | Comentários (2)

setembro 24, 2006

Envelope 10

CR_her cowBOY.jpg

Se conjecturar a CIA nos calcalhares, chibo imediatamente! Não tenho nada a ver com o assunto! Sou um básico comunicador de coisas que me vêm parar no colo. Nem sequer sei bem do que se trata, mas lá que cheira esturro, cheira!
O Cipras que se desentale.

Publicado por machede em 04:45 AM | Comentários (8)

setembro 23, 2006

Existencialistas???

Sei que o José Belém sempre foi homem avesso a protagonismos. Antes pelo contrário, cultivava - calhando não cultivava nada, era assim – o recato dos modestos.
Desde que passei a residir uma suficiente quota das 24 horas no Café Arcada que, no turno da noite, me habituei a ver o José Belém, por vezes, na companhia do motorista da camioneta de distribuição das carnes do matadouro. Do último sei a profissão e não sei o nome, do José Belém não sei em que ocupava o tempo para além daquela rotina do Arcada – soube há não muito de uma outra parte.
Eram clientes de hábitos na localização, do lado direito de quem entra pela giratória, mais ou menos a meio da sala e numa mesa encostada à parede, só de duas cadeiras portanto. Não recordo ao certo o que consumiam. Tenho a memória fotográfica que passavam o tempo lendo canhenhos volumosos pouco conversando entre si. Com a mesma discrição com que entravam assim abalavam.
Nós, jovens imberbes com pretensões a figurar na prateleira dos que não andavam cá apenas por ver andar os outros, ruía-nos a curiosidade sobre estas duas figuras. E mandava-mos barro à parede. São isto são aquilo até que nos quedámos pelo epíteto de existencialistas. Tenho a sensação que não desacertámos muito.
Há não muitos anos, após o regresso deste filho pródigo, encontrei-os algumas vezes no Jardim do Garcia de Resende. Todos nós mais amarrotados pela idade, mas eles ainda de mais tempo que eu. Mantinham as cismas da leitura e da conversa avara. Soube por essa altura que o José Belém era pintor, pondo os olhos em duas ou três obras suas. E cismei da razão de não o saber antes, tal como nunca o tinha visto exposto, mesmo em colectivo. Mais percebi que tinha qualidade.
Há coisa de umas quatro mãos cheias de meses, em tertúlia de conversa mansa acompanhada dos inevitáveis comes-e-bebes descobri que a esposa de um amigo de quem aprendi a gostar, era nem mais nem menos que sobrinha e fiel depositária do espólio do José Belém. E esta amiga teve o admirável gesto de me oferecer duas obras do mestre. Grato, sempre!

Nuno.jpg
José Belém - 1992

Há uns anos a Câmara de Évora, montou uma colectiva de pintura e escultura sobre os artistas em Évora no século XX, acolitada de um honesto catálogo. Lá constava uma soberba cantareira de artistas do pincel e do buril. Do Dordio Gomes ao meu amigo José Carvalho (Zé Guinapo), entretanto, precocemente desaparecido, tal como o Palolo. Levo-lhes à palmatória não convocarem obras do Cachatra e do José Belém. Ambos mereciam.

Publicado por machede em 04:25 AM | Comentários (2)

setembro 22, 2006

A diferença entre fruta e tubérculos

O major Batata, num noticiário do caixote do ópio do povo, disse num dos seus desvarios: “Isto é uma república das bananas”. Das batatas, digo eu!!!!

Publicado por machede em 01:26 PM | Comentários (6)

Tinto ou Branco? Cheio!!!!!!!!

casal e vergas.jpg
imagem de José M. Rodrigues – Mourão

Fórmula: H + M = Casal + Vergas = Casal contente
Recipiente: Garrafão de vidro empalhado
Capacidade: 5 litros
Produto: Vinho branco ou tinto (informação exacta do conhecimento do casal)
Origem: Sub-Região Mourão, Granja e Amareleja
Tintas: Alfrocheiro, Aragonês (Tinta Roriz), Castelão (Periquita 1) e Moreto, no conjunto ou separadamente com um mínimo de 80%, Carignan, Tinta Caiada e Trincadeira (Tinta Amarela)
Brancas:
Antão Vaz, Perrum, Rabo de Ovelha e Síria (Roupeiro), no conjunto ou separadamente com um mínimo de 65%, Diagalves, Manteúdo e Tricadeira das Pratas.

Largando para trás das costas o “douto” do assunto, ali, nas terras do cimo da Margem Esquerda, manufacturam-se umas pingas de estalo. Terras magras com os ossos de xisto à mostra que no estio dão para frigir ovos estrelados no alcatrão das estradas. Terras que para além das cepas têm algum cómodo para amendoeiras, figueiras, oliveiras e ralas pastagens. Terras já da raia, miscigenadas, com gelosias nas janelas e chaminés redondas. Terras com bastas histórias de contrabandistas. Terras de comedoria e doçaria esmerada, onde a açorda de peixe da ribeira e a encharcada são a prova provada disso mesmo. Muita terra de escassas gentes de pele tisnada e ironia fina.

Amareleja, 18:00 horas, numa das várias tabernas existentes não interessando a exactidão. O tio Manel vindo da campaniça labuta diária, prende a mula na argola de ferro cravada na parede caiada a três palmos da porta da adega. Após a entrada do tio Manel que, entretanto, já está a despachar um tinto, entra a patrulha da GNR.
- Tio Manel, não é a primeira vez que o avisamos que não pode ter a mula presa ali fora tanto tempo.
- Senhores guardas, o que é que querem que eu faça, o taberneiro não a deixa entrar!!!!

(dezedura do mê amigo Tonico Rações da Amareleja)

Publicado por machede em 12:05 AM | Comentários (1)

setembro 21, 2006

Da subtileza e da estética dos engenhos para a pesca à linha

O Isidoro de Machede tem na pesca o desfrute de um enorme prazer. Tal como tem nas artes plásticas, na música (alguma: jazz e clássica particularmente), na gastronomia e vinhos, no futebol (digo: futebol desporto), na literatura e na poética, nos espectáculo integral dos toiros (dou de barato aos civilizadinhos do hambúrguer e dos douradinhos do capitão iglo), no convívio com os amigos (sublinho: não dos amigos da onça), e porque não, no escrevinhando de escriba modesto e acocorado, …etc.
Em pé de igualdade gosto de dar trabalho ao cérebro e às mãos. Honro imenso
dar trabalho às mãos, pôr a trabalhar em absoluto a delicada mecânica das mãos, a criativa ferramenta das mãos que não poucas vezes se transcendem no milagre da invenção.
Aqui chegado, impõe-se grafar o fabuloso poema do mestre António Quadros dedicado a estas mágicas extremidades:

O Elogio da mão

A natureza essencial do Homem é a Acção.
A expressão física mais verdadeira, bela e eficaz da Acção é a Mão.
O que distingue o sonho da realidade é que, no Homem que sonha, as Mãos dormitam.

A Acção é Conhecimento e Criação.
A Mão é órgão de conhecimento e instrumento de Criação.

Combina espantosas aventuras da matéria.
Modela a argila, marca a madeira, malha o metal.
Hoje, como ontem, mantém vivo o passado do Homem. E os séculos passam sem que ela altere a essência da sua vida profunda. Sem que renuncie às eternas maneiras de descobrir e reinventar o mundo.

Toda a Acção é repartida. Toda a Acção é já, de base, um colectivo de gestos.
A Mão é a entidade dupla que designa o espaço do gesto e o materializa.
Ninguém possui duas mãos direitas.
O controle do universo exoge uma grande simetria do gesto para um total equilíbrio da Acção.

A Mão que cria não está separada, nem do corpo, nem do espírito.
Mas entre espírito e Mão não há relações dóceis.
A Mão não é escrava nem o espírito é o senhor.
O espírito faz a Mão, mas a Mão faz o espírito.
O gesto que não cria é um gesto sem ter amanhãs.

O gesto que não cria, provoca e define o estado de consciência vão.
O gesto que cria exerce uma acção contínua na vida interior.

A Mão arranca o tacto à sua passividade receptiva e organiza-o para a Experiência e para a Acção.
A Mão dá ao Homem a posse da dimensão, do peso, da densidade e do número.
Criadora de um universo próprio e inédito, deixa por toda a parte a sua marca.
Entra na matéria, movimenta-a e transforma-a.
Reconhece a Forma, ritma-a e transfigura-a.
Educadora do Homem, multiplica-o no espaço e no tempo.

Que mais me aprova dizer? Mas tento-o. E tento-o com as mãos.
Escrevi no cimo sobre o prazer da pesca à linha. Um jogo solitário entre o Homem e a Presa. Um jogo solitário que pode ser comungado no convívio da margem com outros jogadores. Um jogo que requer utensílios, vários utensílios. De diferentes matérias, formas e cores. Utensílios que podem envolverem a Mão do jogador. A Mão do jogador que fica ligada umbilicalmente ao sucesso das jogadas.
Estralhos.jpg
A minha primeira cana, fabriquei-a na íntegra. Usando o bambu para a cana propriamente dita, cortiça e madeira para o cabo, arame e fio de carreto para os passadores. E pesquei com ela imenso tempo já de calça comprida e o despontar de um ralo buço. Depois rendi-me às tecnologias de ponta. Não sei se sou mais feliz, duvido?
Mas continuo a pôr a Mão nos nós e nos laços e noutras minudências que dão prazer e alimentam o espírito.
Moscas.jpg
E, finalmente, existe sempre o sucesso ou insucesso das mãos no trabalhar da presa, da água até ao prato!

Publicado por machede em 01:07 AM | Comentários (3)

setembro 20, 2006

O Colosso dos espinafres, ovelhas, carapaus, burocracia & …

030304_muitas_ovelhas.jpg

Interessante:
- O Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas tem cerca de 12.000 funcionários;
- Existem no país cerca 599.000 pessoas activas na agricultura, mais cerca de 16.000 pessoas activas nas pescas. O somatório da agricultura e pescas dá cerca de 615.000 activos;
- Grosso modo infere-se que existe 1 funcionário para cada 51,25/activos na agricultura e na pesca, ou seja por cada 1.000 activos/19,51 funcionários.

Em Bruxelas o nosso ministro da Agricultura, etc e tal… anunciou que em Outubro vai começar a pôr o Colosso dos espinafres, ovelhas, carapaus, burocracia & etc e tal… na ordem. Ou seja, na linguagem dos Homens da terra e do mar; Vai mandar uma de manageiro e mestre e aventurar-se a pôr o rancho e a tripulação na linha. Mais seja, em linguagem cor-de-rosa; O tio vai chamar o Talon para o doutor pôr o ministério mais longilíneo e económico.
Se o valentão não for entretanto abatido ao efectivo, prometo novamente ir a pé (sem ser de joelhos) do automóvel ao restaurante da Tia Alice em Fátima.

burocracia.gif
(Quino)

Publicado por machede em 01:51 AM | Comentários (3)

setembro 19, 2006

A Loja do senhor Coelho

Loja Coelho.jpg
(imagem de Eduardo Nogueira)

Era ali do lado esquerdo do Café Arcada, mesmo na esquina como quem sai das arcadas e sobe a Rua Nova.
Quantas vezes lá entrei. Lá se abastecia a mãe de camisas tv de esticadores no colarinho para o pai Isidro, de botões para uma casaco de malha tecido nos serões de braseira na Rua da Mouraria, uma peça mais garrida para luxo nas festas de Nossa Senhora de Machede, uns calções de peitilho cá para o mariola que ainda não o era. Até lá, outros galos teriam de cantar.
O senhor Coelho era um verdadeiro cavalheiro inglês, sempre aprumado na brilhantina da risca ao lado e atencioso de uma maneira diferente, de uma maneira só usada no antigamente em que o cliente não era olhado como um mero fazedor de depósitos na registadora de manivela. E fazia festas na cabeça dos filhos das clientes, tratando-os pelo nome próprio como se fossem adultos de calções. Era assim uma espécie de familiar que se visitava de vez em quando na casa dele, que era a loja. Sempre tive essa impressão mas, hoje, no longe do muito – ou pouco – tempo tenho a certeza que o senhor Coelho era um bem disposto. Basta-me olhar o grafismo no exterior da loja onde impera a ironia dos bem dispostos.
Foi-se a Loja do Coelho e o dito Senhor como tudo se vai, como tudo recomeça.

Publicado por machede em 03:43 AM | Comentários (2)

setembro 17, 2006

Traço Fino (com ligeira proeminência estomacal) sem rede… HÓY

HEY,

a propósito do famoso passaporte biométrico.........
pro "concept"
junto segue uma possível proposta_ "out of date" (Fernando antónio nogueira Pessoa + Sebastiao de portugal)
AH!!!!!!!!!!!
DIVERTE-TE
Luís
Cipras 0.jpg

Publicado por machede em 05:16 PM | Comentários (0)

setembro 16, 2006

O sangue na guelra…

trenguices.jpg

O que tem que ser tem muita força. Aí Isidoro isto é que é determinismo, com mil SS.
Andava mais que destapado o temperamento e tarefas do agora Papa Ratzinger Bento XVI. Antes era o guardião supremo da ortodoxia do Vaticano, uma espécie de policia em chefe dos bons costumes e normas da católica. Antes ainda, na adolescência, foi filiado nas juventudes do bárbaro austríaco ou alemão (eles que se entendam). O que só lhe angariou bons e nobres princípios. O que é certo é que o homem trabalhou bem na surrelfa e os outros cardeais andavam desertinhos para muscular ainda mais a santa madre igreja. Calhando o homem falhou o tempo de vir ao mundo. Calhando tinha tarefas mais importantes entre os séculos XVI e XIX.
O Bush e os capangas tem agora um Papa à altura de regar o fogo com gasolina.

Publicado por machede em 09:45 PM | Comentários (8)

setembro 15, 2006

Estes gaijos ditos civilizados são uns pândegos!

Amazonia.jpg

É em português que blogamos à bolina daí que não goste de apregoar noutras línguas tal como, geralmente, sou contra os galicismos ou anglicismos que a rapaziada expert gosta de acomodar nos doc. e pronunciar com os beiços a tremelicar orgasmos fonéticos. Enfim é a colonização linguística que é inseparável da económica. Só ainda não percebi porque é que o Bush não ordenou ao Tony o falecimento da língua inglesa para dar à luz a língua americana. Paradoxos do Imperador.
Este cartoon é belamente mou de bom e atão cá vai roupa em estrangêro (vingo-me com o dialecto alentejano).

Publicado por machede em 08:17 AM | Comentários (3)

setembro 14, 2006

Glorioso

Há uma máxima que diz que se pode mudar tudo, menos de clube! O Benfica continua a ser a única fé que me resta. À risca a acato até que viaje para o campo das caçadas eternas.
Porventura este meu deus pagão tem vindo a minguar a glória. Serão os altos e baixos da vida? Contudo, não me conformo com regresso franco do sublime Rui Costa nesta fase de penúria. Não merecia enterrar assim o seu machado de guerra.
Dou o avesso ao mote: Espantado ficou o homem que no Alentejo circulava por uma daquelas rectas que vão do nascer ao acaso do astro rei. Então não é que dois indígenas, sob a copa de uma azinheira, erguiam pelas patas um porco preto afim do dito bácoro comer directamente dos ramos as bolotas que deles pendiam. Parou na berma a lata de andar a cavalo e chegando-se perto dos indígenas aconselhou em jeito de quem sabe da poda;
- Ó compadres, então não era mais fácil varejar as bolotas para o chão e o porquinho comê-las no sítio próprio pelo seu pé?
Os compadres nem água vêm nem água vai, continuaram impávidos de bácoro no ar à cata da fruta. O exógeno meneando a cabeça à laia de estes gaijos são loucos, não teve outro remédio senão cavalgar novamente a lata. Já longe ia o sabido quando mansamente calmamente um alentejano diz para o outro;
- Mais um engenhêro!
Regressando ao mote: Ó engenheiro Fernando Santos vá mas é fazer cálculos de estruturas, mas em betão. Deixe essa pancada de querer converter a circular chixa num quadrado.

Publicado por machede em 12:21 AM | Comentários (4)

setembro 13, 2006

Da Fada

Cartaz.jpg

Amanhã, 14 de Setembro do corrente, pela 18:30 en punto de la tarde, a Fada Ivone Ralha abre as portadas da sua exposição de pintura na Galeria CIDIARTE. Erudito local que fica no Largo Stephens, 6 – 7 – 8 – 9, ali para as bandas da Rua das Flores, em Lisboa.
A Fada também tem grande parte da máquina de bombear sangue nas bordas do Índico, e porque não pelas matas adentro?

Publicado por machede em 07:20 PM | Comentários (1)

Pena capital

009-lisboa.jpg

Não que não é! Se julgam não ser uma Pena Capital, então é uma pena de Capital.
Hoje fui à capital umbigo do rectângulo. Lisboa, a cidade das sete colinas que continua bela vislumbrada do outro lado do quase mar mas que ainda é o opulento Tejo. Bela e resplandecente nos dias luminosos em que mais parece um carrossel de alvo casario subindo e descendo as ladeiras que colinas são bem distintas para quem as mira do lado de cá do mar da palha que é mar mas dentro do Rio.
Por dentro esvai-se (ou esvai-se-me) a harmonia que de fora se avista. Muito, mesmo muito edificado recente erguido às três pancadas sobre desastrados estiradores, com uma densidade que não há índices que aturem a barbuda da desordem. Agora as betoneiras aprenderam os caminhos que dar vão ao parque da Expo, e aquilo que até julgávamos ter trambelho virou lugar de pato-bravo sem freio nem bridão. Na posterior parte das colinas, então, então, então… Betão, betão, betão… Alcatrão, alcatrão, alcatrão… Verde, só se forem os postes dos semáforos que pena é não terem folhagem e no meio despontarem umas flores por aqui e por ali. Espera aí Monsanto que não tarda mesmo nada e já estamos a pensar em tratar-te da saúde. Saúde, palavra bem dita! Quando se me tolda o olhar e se embarga o juízo com a grossura da barbárie. Monta Nelas, Odivelas. Queluz de Truz. Amadora Retornou Porcalhota. Telheiras Frieiras com Beiras.
E carros cágados com buzinas hipocondríacas. Qual turba avassaladora pelas matinas que já aportam até na vertival. E cagam dias inteiros esta barulhenta bicheza… Óleos, monóxidos, borracha e mesmo lata. E são desesperados os donos dos cágados. Vociferam, trombetam, com o olhar de possessos assassinam o peão, invejam de viés a lustrosa lata do lado de emblema mais aristocrático-pedante, mãe, pai, avó, avô eu quero um BM para o tuning e biliões de decibéis spunc, spunc, spunc, spunc…
E comes-em-pés virados para a parede de castigo para sorver o caldo verde verdoso de corante e a rodela de chouriço de plástico + a sandes de omeleta em pó. E os centros comerciais que pregam bebedeiras sociais que nem os alcoólicos anónimos resistem a tamanha turba dependente e pendente do cacau de plástico.
Já fui e já regressei ao interior da pategónia pela sorrelfa do é mentira não fui lá. Não é Cesariny, foi uma viagem surreal como o “pena capital”.

Publicado por machede em 12:32 AM | Comentários (3)

setembro 10, 2006

João Cravinho Dixi

Segundo uma revista semanal dada à estampa em 07-09-06, portanto na esquina da semana sucumbida, o político peso-pesado do PS e ex variadíssimos cargos de grada importância nacional acima em titulo, entre outras coisas interessantes, disse: “Quem é político e domesticável deve ser remetido para o escalão dos animais domésticos”.
Porra, esta é grossa e dá que matutar. E sem grande esforço, das suas palavras depreendo que o facto ainda mais espectacular é que os ditos animais domésticos têm ainda que dar de mamar aos ratos que abundam no barco (mas com o consentimento do chefe).
Espero umas luas pelo congresso a realizar cá no burgo (nos Salesianos debaixo da asa da santa madre igreja, calhando pensavam que era só o Guta) para verificar se o atrevido João Cravinho é mamado ou também mama?

gato e ratos.jpg

Publicado por machede em 09:08 PM | Comentários (8)

setembro 08, 2006

Coexistências…

Coexistiam os cidadãos nos cafés, a solo, a duo, em tertúlia mais numerosa e rotineira com mesa certa ou ao deus dará. Ir ao café, frequentar o café, estudar no café, encontrar no café, namorar no café, meditar no café, negociar no café, vivênciar a intimidade do café… A aragem refrigerante e inovadora da ventoinha colonial de teto a rodopiar mansamente durante o estio, ou o quente conforto natural do bafo e do calor dos corpos nas invernias mais severas. Bisbilhotar os odores que pairavam no café: o tabaco amarelo ou preto, a cigarrilha e o charuto ou ainda o cachimbo; as torradas ensopadas em manteiga e os bolos; o café de máquina ou saco, o galão, o aperitivo e os digestivos, o capilé e o sumo de laranja ou limão. A nomenclatura particular do serviço, por vezes, quase cabalística: o abatanado e o café em copo ou chávena de vidro, com o recipiente aquecido ou frio, italiana, curto, cheio e ainda pingado, o carioca e o garoto, o especial de limão e o chá preto ou verde e outras inúmeras infusões, a meia de leite a acolitar o bolo de arroz, a aguardente branca ou amarela e a envelhecida em balão aquecido na lamparina, o uísque, uísque ou o uisquezinho saloio (água de castelo com brandy), os licores de várias proveniências, cores e sabores com essa instituição nacional que é o licor Beirão a capitanear tão vasta prateleira. Anteriormente ao vinte e cinco, coabitavam mal uma mistura dos gentios com a clivagem da praxe: a larga maioria situacionista, os minguados e debaixo d’olho do reviralho e mais alguns esparsos que mantinham um mutismo que só o divino mestre tinha conhecimento da verdade e, mesmo assim, sabe-se lá da insondável mestria do disfarce. Posteriormente ao vinte e cinco, foram campo de combate político em que as clientelas se barricavam pela fezada partidária, sendo as guerrilhas mais acesas entre o amontoado de esquerda do tudo ao molho e fé em Marx e noutros deuses menores (vale abrir um parênteses para anunciar que os acratas não tinham fé, ou diziam que não, e estavam estoicamente ao lado do camarada Bakunine, o resto era canalha bolchevique) e uma direita entrincheirada numa social-democracia e democracia cristã envergonhadas. Aliás, era normal os sítios serem catalogados mais para aqui ou mais para ali pela frequência destes ou dos outros. É patente que estas memórias reflectem maioritariamente a vida nos ditos botequins do sul. A norte, a não ser nalguns enclaves, a realidade desalinhava um pouco, muito e mesmo muitíssimo.
Évora, também teve os seus cafés históricos. Resta-me na lembrança meia dúzia de sítios com carradas de estórias e, no meu particular, muitas horas de refaça dos fundilhos e coteveleiras por cadeiras e mesas, principalmente no Arcada (o que resta hoje é um cadáver adiado irreconciliável com o outrora) e no Portugal. Outros famosos haviam, Estrela d’Ouro e Diana Bar (mais conhecido na gíria pelo café navalha). E as magnificas (principalmente para a marmelada do namorico) pastelarias Bijou e Académica. Mais recuado no tempo ainda a tempo de lhe ter posto a vista em cima ainda que de calções existiu, na entrada dos arcos do Largo da Porta Nova, o café Camões que feneceu no final da década de cinquenta do ido centenário.
Século XXI, tempo de outras estéticas e outros estares e vagares. Mesmo outras nomenclaturas mais para o cafetaria e lanchonete.

Nogueira.jpg
Café Camões – 1937 / imagem de Eduardo Nogueira

Publicado por machede em 10:26 PM | Comentários (2)

setembro 06, 2006

Desassossego

Por vezes, por vezes,
muito longo parece o caminhado.

Parda é agora a paisagem,
muitas vezes, muitas vezes.

Por vezes, por vezes,
grande é o desassossego.

Escassa é a quietude,
muitas vezes, muitas vezes.

Por vezes, por vezes,
penhorado fico pela árvore e pela sombra.

Imagem2.jpg
novamente a inquietação por desconhecer o criador

Publicado por machede em 09:29 PM | Comentários (4)

setembro 03, 2006

Prazeres, Romantismo e Liberdade a Preto e Branco

Liberdade
Soldados a acenar.jpg
Combatentes republicanos na guerra civil espanhola


Companheirismo
Arrufa.jpg
Taberna do Arrufa em Cuba – Imagem de António Cunha


Leitura
D.Quixote.jpg
Dom Quixote de La Mancha – Desenho de Júlio Pomar

Soror Mariana – Beja

Cortaram os trigos. Agora
A minha solidão vê-se melhor

Sophia de Mello Brayner

A libido e o vinho
taquicardia.jpg


futebol.jpg
Eusébio e o Glorioso


La Fiesta
torero.bmp
Mestre Curro Romero


Charutos cubanos
Tabaco.jpg
Cubana fumando um puro


Música
jazz-01.jpg
A elegância do Jazz


Pintura
picasso-pablo-carnet-toros-y-toreros-8300008.jpg Picasso

Cinema
Chaplin e os charutos.jpg
Chaplin

Publicado por machede em 11:12 PM | Comentários (3)

setembro 02, 2006

Estarolices 1

O chôr ministro dos negócios estrangeiros (desde sempre encabritei com esta denominação), Luís Amado, bramiu que a questão mais grave da actualidade mundial é o programa nuclear do Irão e que, a diplomacia portuguesa, admite sanções ao país dos aytollahs.
Óh Bush alimpa-te a este guardanapo que assim derrepentemente os gaijos estão de joelhos a implorar-nos piedade.
Quanto aos nnnnnnnnnnnnnnnnnnnn gaijos pequenos e grandes que morreram hoje pelo mundo fora à fome, a diplomacia portuguesa não se prenunciou, nem tinha nada que se prenunciar se dos poiais para dentro tem males também graves relativos á falta de matéria-prima para dar ao dente.

Publicado por machede em 10:30 PM | Comentários (3)

Vasco Pulido Valente dixe 2

“A classe média do sector público, que ocupa uma posição estratégica decisiva, não permitirá nunca uma verdadeira reforma do Estado”.

Publicado por machede em 10:08 PM | Comentários (1)

setembro 01, 2006

Metáfora ou o indigesto real?!?!

arvore a bazar.jpg
cartoon também sublime (senão é do Quino é d’um talento símile)

Na realidade são os homens que despejam as árvores não só das cidades mas de tudo quanto é sítio. Grande parte do montado alentejano, mormente no distrito de Beja, foi erradicado para haver campo raso para a famigerada campanha salazarenta o “Alentejo celeiro da nação”. Os terra tenentes esfregaram as mãos, particularmente, no que diz respeito ao azinho que só dava para engordar bácoros pretos. Assim como assim receberam o picão do carvão resultante do bárbaro derrube e recebiam anualmente o picão do trigo bem pago porque subsidiado. Mas esta tese tem uma certa coerência com o “orgulhosamente sós”. Acrescento eu: orgulhosamente sós e consequentemente auto-suficientes. Uma barbaridade grotesca à albanesa do tempo do igualmente tenebroso ditador Henver.
Ao sabor dos ditames desta irracional condição humana, podem as árvores ter a certeza de, as que sobrarem da desordem, entram em órbita que a rapaziada gosta é disto pelado como já consta das BD futuristas, premonitórias do pós divertimento nuclear d’um qualquer moço pequeno Bushiano.
Nem o “petróleo verde” se safa do rancor (plantações industriais de eucaliptos para a alimentar as poluidoras e cheirosas celuloses). Mais um desconchavo linguístico do crânio perspicaz do sujeito EEEEngenheiro Mira Amaral que, entre outras incumbências importantes para o “d e s e n v o l v i m e n t o” do país, foi ministro da indústria do Professor Aníbal.

campo nu.jpg
imagem de António Cunha

Publicado por machede em 08:56 PM | Comentários (0)