Esta é a prova dos nove em como a outrora aldeia pequena, tijolo a tijolo, logro a logro, laje a laje, depósito a depósito em contas esquivas, se foi tornando num burgo grande cheio de gentio que pensa viver melhor que nas suas outras aldeias acanhadas mas ordenadas, mas que eram aldeias mesmo. Nada do que são agora os subúrbios deste mui nobre burgo de Évora: uma propagação de ruas que vão dar a nenhures flanqueadas por desordenados amontoados de cadáveres de ferro armado, enchumaçado a tijolo furado, betão, tinta d’água, portas imitadas com aldrabas de pechisbeque doirado, vulgarizando formas horrendamente invulgares a que chamam vivendas, chalés, uni e bifamiliares, mais a casa do dog que por sinal caga sempre na via de todos, algumas ajardinadas à portugal dos pequeninos.

Mas vem este destilar insalubre desmesurado a propósito de aqui há um par de dias me terem dito que, há outro par de dias mais atrás, o meu amigo Manel da Gaita tinha partido, por sua própria vontade, para a etapa mais longa a que alguma vez meteu pedal. Se a aldeia ainda fosse pequena, teria sabido no dia, ou, pelo menos, no seguinte. Para provar a verdade da informação, lá está para sempre fechada a velha e untada porta com o toldo amarelo já às farripas.
Depois de um ror de anos a namorar as pedaleiras e as motorizadas zundap que eles, na companhia de uma vida com o Tonho Zé, consertavam com as mãos mágicas de mecânicos de duas rodas. Quando fiz quinze anos e juntei algum picão, lá comprei a primeira e depois a segunda pedaleira, esta já com volante à corredor, dezasseis velocidades e dum amarelo alucinante. Lá comprei a casal de duas velocidades e a sachs V5 que, na altura, era o excelente do superior a assapar.
Onde quer que vás, que não te falte o fôlego mê Manel.

Paula Rego - Gravura a água-forte
há vida??? não há vida??? Pátati, patáta??? De uma coisa tenho eu a certeza (e falo com a distância do macho), nenhuma, mas nenhuma – ouviram bem sua cambada de sacristas e hipócritas – mulher faz uma interrupção voluntária de gravidez de ânimo leve!
Abortos são aqueles que apenas reduzem a questão ao faz, não faz? É crime, não é crime? E já perguntaram a alguma se tem dinheiro para a papa? Se tem dinheiro para deixar de trabalhar? Se tem dinheiro para a ama? Se tem dinheiro…
E não me venham com o verniz e a elegância do movimento pela vida. Fazem-me lembrar uma coisa que se denominava de movimento nacional feminino e distribuía aerogramas para consolarmos os amputados de guerra ou as famílias dos que já não havia.
Lenta e silenciosamente endoideço,
uma loucura calma, apenas intestina.
A vida perturbante de outrora,
é o azedume de agora,
no corcel galopante mas sereno da noite
onde apenas o lampejo dos cigarros sofregamente mal fumados…
um após outro, como a demência que penetra vagarosamente.
Lenta e silenciosamente morro devagar,
Uma morte só ainda adiada.
nada melhor e sem rede que o xitizap 26.
De um tal Joaquim que desde a infância anda a minha trás, e a bem dizer, com o qual salafrário, de vez em vez, tenho bastos desacordos, foi dado à estampa, pela Editora Casa do Sul a 3ª edição do «Alentejanando – Estórias e Sabores».
Ao dito gimbrinhas desejo transacções que cheguem para subsidiar, a fundo perdido, as extravagâncias em que sempre foi desmesurado, incluindo os tintos e brancos, líquidos, que para além de alguma água que baste, agora, exclusivamente ingere.

Á laia de fineza, faço questão de aqui lavrar as fartas ocasiões em que o ouvi estrebuchar contra uma enorme cáfila de baiucas de bebes que há existência e serviço de tão aristocrata bebida dizem zero, ou, pior a emenda que o soneto, anunciam zurrapas que nem com as uvas cruzaram impressões, e a que concluem a velhacaria de apelidar de vinho.
Juro que não me vou embalar em salamaleques de estilo. Nem tu és desse filme. Antes o inverso!
Mas não vou suprimir que aqui há umas marés há minha trás (do Índico, é evidente), te ataviaram com o Prémio “José Craveirinha” pelo teu labor no livro «AS VISITAS DO DR. VALDEZ». Apenas e singelamente, porque o mereces e o José Craveirinha te merece na sua tribuna de recompensados. Onde quer que esteja, tenho a infinita certeza que concordará!
Agora temos a «CRÓNICA DA RUA 513.2. Livro que narra a década de 80 do ido século em Moçambique. Década que também presenciei in loco.

Não vou armar ao crítico, apenas deixo o que está bem rabiscado, na badana primeira, por outro alguém de pena escorreita.
“Umas vezes deserto inóspito, outras um mar revolto, a Rua 513.2 oscila de um extremo ao outro sem encontrar serenidade. Todavia, se fosse tirada uma média a esses dois estados ela não passaria de uma rua normalíssima.
Na Rua 513.2, o inspector Monteiro, o doutor Pestana e dona Aurora, o mecânico Marques, a velha prostituta Arminda de Sousa e alguns outros, emergem do passado para interferir nos dias dos vivos. Por outro lado, sob o olhar atento de Filomone Tembe, o Secretário do Partido, esses mesmos vivos fazem o que podem para que as suas vidas avancem. Vendem enquanto há o que vender, como o louco Valgy ou a incansável Judite; apelam aos conselhos de retratos pendurados na parede, como o empresário Pedrosa; pescam peixes forjados, como Teles Nhatumbo; lêem cadernos que escondem histórias de outros tempos enquanto reparam automóveis quase inexistentes, como Zeca Ferraz; combatem no mato, com o comandante Santiago; ou distribuem pelos vizinhos aquilo que lhes chega às mãos, como Josefate Mbeve, que no fundo segue à risca as directivas do Presidente Samora Machel e tenta fazer do socialismo uma realidade.
Até que um dia chegam novos fantasmas para ocupar o lugar dos antigos, e as coisa começam a mudar.”
Duma assentada, despachámos os petro-barreirense, os nucleares aiatólas e os panchitos. Há 40 anos que tal feito não era registado no observatório meteorológico nacional, que por sinal já existia no tempo do único gaijo que bateu este recorde por 8 anos: o botas de S. Comba.
A comoção tomou conta da nação! A emoção afoga de alegria indescritível a totalidade da manada pátria. Do Aníbal bolo-rei, trespassando o Fócrates, até ao sem abrigo do vão da escada do 66 da rua do Ouro, o orgasmo é geral e interminável.
Sucedem-se as aparições por tudo quanto é território pátrio, mesmo nalguns outros CPLP. O Eusébio apareceu em cima de uma nespereira a dois tóxico-independentes em Fornos de Algodres e prometeu, caso os castelhanos se intrometam, uma nova cabazada tipo Aljubarrota. O Zé Castelo Branco apareceu em cima duma ameixoeira japonesa, em pleno Eduardo VII, a uma série de automobilistas de alta cilidrada que circulavam de trás para a frente a fazer não sei o quê, a denominar os heróis da xixa de nova ala dos namorados. O Sampaio apareceu em cima de uma azinheira, ali para os lados do Torrão, e prometeu a três ensonados alentejanos a reciclagem da fábrica da opel da Azambuja numa linha de produção de medalhas para distribuir pela cruz vermelha a tudo o que mexer e aparentar ser lusófono. O Scólari apareceu em cima de uma micaia, numa tabanca em plena Guiné-Bissau, e prometeu vir a ser o próximo presidente da República.
Até o próprio défice, disfarçado de Constâncio, é obvio, foi visto em frente dum ecrã de plasma, na fnac do Colombo, lavado em lágrimas de contentamento, de joelhos e mãos postas, jurando pela sua mãezinha uma descida vertiginosa a curto prazo.
Os passarões que instigaram a maralha a alucinar em resma,
uns montados noutros, mais noutros e noutros mais,
deveriam ser compelidos a enfiar a horizontalidade pelo cu acima,
(como, efectivamente, não ousamos ser bárbaros),
que a vaselina suaviza-se o empalamento,
do mais alto poleiro até aos rés-do-chão,
(incluindo as marquises e os estendais dos trapos)
quiçá, porque não até à sub-cave?
Debaixo ou arriba ela não anda: chinela!
Cholóque, cholóque, cholóque…
O que é modo diferente de andar, mesmo do pantufar!
é chinelar a paciência debaixo ou de arriba, tanto faz.
Cholóque!
Cujo ritmado cholócar engrossa também o linguarejar português,
(ou pensavam que só brasileiro é dono desta peleja?).
Que a a xixa é redonda e são 11 contra 11 é uma redundância. Agora que povão scolári ganha mais picão que os treinadores da 2ª e 3ª divisões todos ao molho, quase que apostava? E os craques da selecção, idem aspas aspas?
Gosto do jogo da xixa (se possível, bem jogado), como gosto de muitos outros prazeres. Se possível, proibidos.
Bandeira na janela e no pópó, o afonso henriques bateu lá alguma vez na mãe, scolari, histerismo das gaijas com falta de gaita, paranóia colectiva da assembleia nacional doputedo, baboseiras do marcelo, heróis do mar (coitados, forçados caralho), a volumosa massa craniana detectada, a olho nu, do maniche – usa os chernes moço que é para isso que tens jeito, contra os canhões marchar, marchar (como eu gosto de ver alguns cromos a cantar, mais ou menos envergonhadamente, semelhantes rimas) etc… e tal.
Não, não mãe, dessa sopa não papo, nem que me esgane, escusa até de a guardar no frigorifico para me apoquentar o jantar! Olhe que, até sou muito bem capaz de, pela primeira vez, lhe faltar ao respeito. E isso era a última coisa que eu queria fazer!