Popularmente poderia ser “está-lhe massa do sangue”.
Depois daquelas petulantes bacoradas + ou – que só tinha certezas e raramente se enganava, agora anda a vender “as suas ambições para Portugal” - e a maralha vai comprar, carago!
Livra, eu não!!! Basta jamais ambicionar um ladrilho que fosse da pirosice nacional Mariani.

imagem de José Cabral
SEJA LOCAL
PENSE GLOBAL
tal como ao padeiro do Rio Futi
interessam-me as várias globalizações
… a ver se entendo a EDM, HCBE e Kioto.
e enquanto é tempo,
saboreio uma salada geneticamente não-modificada
- uma espécie em vias de extinção.
José Lopes
XITIZAP # 21
Outubro 2005
Mega-fraudes? Fraudes? Fuga de capitais? Burlas? Logros? Desvios? Fico completamente babado com o doce procedimento, direi também açucarado, meloso mesmo, que a comunicação social dá à ladroagem dos passarões do capital.
Cambão se chama cruamente à concertação de preços das empresas farmacêuticas. Idêntico e boçal nome se dá à concertação feita pelos oleosos sucateiros em qualquer elementar leilão de sucata!
Descarado e criminoso rapinanço ao estado (a todos nós) se denomina o desvio de capitais executado pelo “sistema” bancário. Ponto final paragrafo!
Por acaso até uso óculos para contrabalançar a falta de vista, mas é nos olhos, não no cérebro.
Já basta de metáforas, porra!
Nestes amadorismos do garatujar sempre tive dois anseios. Um, ainda possível, dar à estampa umas lérias em parceria com o mê Luís Afonso. Coisa que muito possivelmente ficará apenas pelo anseio dado o atarefamento do artista. O outro, terrenamente impossível, dado o mê Pedro Ferro já ter entregue o canastro ao criador há um bom par de luas.
Estas coisas vêm geralmente à tona da memória, quando ando por aqui catando nos canhenhos que entretanto se foram avultando paralelamente aos imparáveis dias, semanas, meses, anos e séculos das veredas do vício do deus dará das letras.
Hoje, tirei o pó com a manga-de-alpaca a um recorte do Público de Dezembro de 94, do século que também já entregou a alma ao criador. Recorte que tem a importância de ter uma das crónicas do Pedro que sempre me há-de rebolar de gozo.
“Para o céu no comboio da Cuba
O padre Prudêncio morreu com fama de santidade no comboio da Cuba.
Era pároco numa aldeia sem nome no mapa. Viajava em segunda classe para o Barreiro. Tinha-se finalmente rendido à insistência do sobrinho advogado para passar uns dias lá em casa, na Cruz de Pau.
Ao lado da bagagem, o padre levava uma caixinha de cartão com um porquinho de doce de amêndoa e gila do Luís da Rocha para oferecer à mulher do sobrinho, à espera do primeiro filho.
Adormeceu nos bancos de napa suja, embalado pelos sacões do comboio a cruzar molemente a planura.
Nunca mais acordou. Já não ouviu o factor gritar – “Casa Branca” – num grito desprendido.
Foi o factor que deu com ele morto quando passou revista às carruagens no Barreiro.
O factor ficou com o porquinho de amêndoa e gila. E, na tal aldeia sem nome no mapa, as beatas ficaram com a convicção de que também se pode ir para o céu no comboio da Cuba.”
Pedro Ferro
Nã, nã me palpita. O que me palpita é que a tusa de ir aos achigãs ao nosso mar do Alqueva é tã grande, tã grande, que até me embarrilo a mim mesmo adiantando a cebola uma hora.
Bom, vou pôr a traineira a trabalhar, e ala milhano!
Ainda à volta da problemática sobre o ponto mais favorável para os africanos atingirem o el dorado europeu. Melilla, enclave de soberania espanhola, assustadoramente guardado por vedações duplas e por um incontável número de homens.
Por mais protecções tecnologicamente evoluídas e reforços humanos, nada, mas mesmo nada vai atalhar a grande evasão ao subdesenvolvimento – principalmente acelerado pela fome e falta de água.
Sobre o ímpeto iluminado e democratizador dos actuais donos da bola para pelejar contra os maus que, finalmente, finalmente são apenas e simplesmente aqueles que diariamente se sentem já mortos a curtíssimo prazo. Fico-me com um ditado da avó do tempo: “não é com vinagre que se apanham moscas”.
Para vosso entretenimento deixo-vos com parte da carta da expansão do Islão no fim do século VIII.

Viva a chuva e o cheiro a terra molhada, e a água feita torrente nas valas, ribeiras e rios.
Salve a natureza que vai renascer impetuosa.

Deboche. Libertinagem. Luxúria. Lascívia. Concupiscência. O caralho senhores ouvintes!!! Pena tenho eu que a minha escolinha da vida não contemplasse um episódio destes. Sempre tinham sido mais cinco tostões de prazer e aprendizagem.
Escolhi esta belíssima imagem para enaltecer o dia de hoje. O dia da alforria do deboche, da libertinagem, da luxúria, da lascívia. Numa palavra, da libertação dos dias verdadeiramente obscenos com que fomos assolados por uma cambada de facínoras feitíssimos para nos entalar o dedo pelo o cu acima até nos violarem a consciência.
Epígrafe para a Arte de Furtar
Roubam-me Deus.
Outros o Diabo
- quem cantarei?
roubam-me a Pátria;
e a humanidade
outros ma roubam
- quem cantarei?
sempre há quem roube
quem eu deseje;
e de mim mesmo
todos me roubam
- quem cantarei?
roubam-me a voz
quando me calo,
ou o silêncio
mesmo se falo
- aqui del-rei!
Jorge de Sena, 1952
Até as palavras se nos secam.
Apenas cismamos silenciosamente a desdita.
Uns dizem que os astros enlouqueceram,
eu, sei de fonte segura que quem enlouqueceu
foram os humanos!
Sou dos que ainda guarda o vício de ter orelhas para a telefonia. Não faz muito tempo gastei os tímpanos a escutar um debate sobre a globalização. Assentavam arraiais na tertúlia radiofónica, um naipe de reputados, doutos e oficiais do ofício de botar opiniões como quem vende molhos de grelos na praça. Ainda por cima depois de tanta asneira ouvir sobre a questão – não há gato sapato que não cuspa globalização prá qui globalização prá li. A moça que tentava intermediar a algazarra, cachopa já espigadota certamente mas que teimosamente continua a não perceber como se está a perder ali uma boa promotora de vendas de enciclopédias.
Como epilogo da dura contenda asneiral, continuo na minha desde a primeira vez que ouvi um papalvo qualquer discorrer sobre a tal circunvalação supersónica: “ É recorrente dizer-se, cá na parvónia da minha aldeia, que basta um gaijo cagar-se sonoramente numa ponta da terra para daí a dois tostões já todo o povoléu saber na outra ponta”.
Não é por nada. Que eu saiba continuam a crescer as assimetrias entre pobres e ricos! O resto é conversa de nalgas. Basta recordar a recentíssima investida - de quem a única coisa que tem a perder é a fome – de africanos de variadíssimos países sobre as tétricas vedação do enclave de Melila.