
De troco, sobre as mulheres, parafraseio o meu mestre Hugo Pratt: Seria maravilhoso cair nos seus braços sem cair nas suas mãos.
Na berra, aí está ele, directamente das bordas do Índico o XITIZAP # 20.
Parangona o dito a iminente corrida ao titânio.
Cá o Isidoro, na sua qualidade de taberneiro, apenas ouviu falar da coisa como milagrosa no revestimento das frigideiras e outras alfaias de levar à labareda. Agora que acredito que a coisa vale montões de picão e a inevitável guloseima da especulação, ora se acredito!!!!

Em Portugal, segundo os especialistas, não é a presença no ar de oxigénio que torna o meio especialmente comburente. É a existência de portugueses.
Até que enfim que alguém se perfila como deve ser para receber um agraciamento da produção da latoaria da Presidência da República. O escuteiro Bono com chapéu e tudo. Agora já não há pudor que valha ao não agraciamento do Zéze Camarinha em fato de trabalho? Coitados do Nuno Represas e da Catarina Furtado em termos de currículo internacional!!!
Aquando da minha vivência pelo sul do Alentejo, já com o mê gaiato espigadote e frequentador da Biblioteca da terra. Então não é que me aparece um dia com uma rima de BD que eu desconhecia por completo. “Torpedo 1936”, esgalhada por uns baris Sánchez Abulí e Jordi Bernet, hispano-americanos certamente. Foi regalo mútuo a leitura da imensa carrada de acidez que jamais nos passara pelas unhas. Imprimiram os baris nas contra-capas dos vários números: “Neste álbum, o leitor vai ficar a conhecer melhor Luca Torelli, aliás Torpedo, um assassino profissional da pior espécie, frio, lúgubre, sem piedade, mesmo que seja preciso abater o seu melhor amigo. Mas, por detrás desse sórdido criminoso, há o retrato de um pequeno emigrante que, na “terra da promissão”, só conheceu o medo, a miséria, a violência e a segregação racial”.
Ainda pensamos em urdir um vil plano para não entregar aquelas preciosidades. Acabou por vencer o nosso lado cívico. Daí para cá, e já lá vão um bom par de anos, em qualquer baiuca que tivesse BD perguntávamos pelo dito Torpedo. Já tivemos, não conhecemos, está esgotado: eram as normais respostas.
Finalmente no fim de semana que já desaguou, o mê gaiato aparece-me com o segundo álbum novinho em folha, com a promessa que na próxima que vai desaguar pastoreia até cá o resto do rebanho. Tenhamos fé!!!

Certa vez me preparava para beber o cu da noite, em certa baiuca maputense, ouvi, de ouvir mesmo, um preto anónimo berrar para o pantera negra abotelado em mesa mais adiante: “Tu Eusébio a jogares à bola és um verdadeiro branco”. Ri-me, toda a gente se riu do berro caricatura a preto e branco.
Lembro-me amiúde do esgazeado berro do etílico preto no meio duma plateia de etílicos brancos, azuis, vermelhos e pretos. Ilação, nem branca nem preta, nem no momento, nem agora. Cada um tem direito aos cinco minutos de fama e fantasia!!!
Vem isto por mou do Luís Carlos Patraquim. Clarete plebleu Patraquim amancebado com a trigueira aristocracia Albazini. Poeta Patraquim, nem branco nem preto, antes moçambicano. Vem isto por mou da reedição da obra poética do Luís adicionada de um inédito, precisamente “O Osso Côncavo”. Enquanto continuo verdadeiramente côncavo pela não leitura do mê Patraquim, escarrapacho aqui mesmo com uma poética que ele dedicou ao belo e irascível António Quadros.
Café Martinho-Arcada
Limpa vai a tarde de sonetos,
Desgrenhados pentelhudos faunos,
Coxas de rã – loiríssimas! –
A boiar no prato.
Levou tudo a neblina do rio, olha,
Mais as gaivotas dependuradas
No anil-fuligem, aladas tágides
Descaujuadas daquilo e de odores.
Melhor a emenda, António,
Que, dos versos únicos
Para o livro como um vestido rasgado
Da puta mais terna lá do Chamanculo,
Sobra-nos os cós de que nos vestimos,
- um vestido de d’África , poeta! –
e a espuma bovina inundando a arcada
onde estivemos e nunca percebi contigo
o que fica dos arcos
se passá-los nos rasga o prepúcio
nem da arquitectura assim ensanguentado.

Imagem de Ivone Ralha
E o esquiço gerou a linha.
A principio. Titubeante. Mas persuadida.
Um convencimento feito dos apertos do desenho da vida,
uma necessidade necessária à animação da linha.
E a linha aprazivelmente longilínea,
domou carácter ora na rectidão da lamina afiada
ora nas desleixadas e amenas curvas do encanto.
É esta linha que me perturba. Sempre me perturbou!!!