julho 30, 2005

Duas ou três bocas ao Manuel Alegre

Dizes que estás sozinho! Quem sou eu para te renegar esse sentimento. Eu, que tantas e tantas vezes tenho sentido igual solidão.
Deixa-me pelo menos dizer-te que tens a companhia de outro “solitário”, democrata (o que às vezes é uma chatice), afeiçoado e amante do sonho poético, sebastião da utopia, deslumbrado pelas causas que o merecem, e igualmente furioso pescador.
Deixa lá Manel os pedregosos caminhos da estratégia. Borrifa-te neles. Apenas te peço que nunca admitas (sei que não!!!) que te deitem a verticalidade.

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julho 23, 2005

Mamana não tem cacana porque não já há Bazar...

Bazar Maputo.jpg
Ardeu o velhinho e colonial Bazar Central de Lourenço Maputo.

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julho 20, 2005

Visão

A calma dança no fio do horizonte
como se fosse uma odalisca de olhos rasgados e negros,
tão escuros como a sua farta cabeleira,
e eu, parto à desfilada no melhor ginete da minha quadra,
porque também quero fazer parte daquele sonho!

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julho 18, 2005

No fim da tarde, mais pela fresca,
iam ao poço encher os cântaros.
O que restava no fundo do caldeiro,
ainda acudia à sede do rafeiro!

Nos anos que pouco ou nada chovia,
também a seca os apoquentava.
Mais que não fosse pela palha rasa,
E pelas poucas sementes
recolhidas da melhor folha de semeadura.

Aos antigos, já tinham ouvido histórias de violentas
desavenças retesadas até ao tirar da vida.
Histórias que por mou das vezes
vinham na boca dos ratinhos, gente nascida
em terras prenhes de nascentes.

Agora daí a dizer-se que a água
é uma questão estratégica do século XXI,
que a água vai dar lugar a guerras temíveis
como a porra do petróleo?
Não!!! Cá no meu entender a água é tão estratégica
como qualquer outra coisita que faça parte da natureza!!!

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julho 14, 2005

carro e puto.jpg

A coisa não teve maus princípios, poder-se-á mesmo afirmar que não! Um bibe todo pinocas à maneira da época. O mesmo sorriso palerma que faziam todos os outros 13.789 putos que mandavam retrato. Um popó de gaijo finaço, provavelmente herdado de um gimbrinhas precedente.
Há partida o gaijo não estava mal cotado nas apostas. Andava bem de triciclo e dizia umas larachas com piada. Passou pela primária sem grandes mossas, quer na matéria, quer no capado. Com as canadas, puxões de orelhas, reguadas, joelhos deitados abaixo e por vezes a cabeça aberta por uma ou outra pedrada mais certeira.
Transitou para os estudos acima navegando a meio da tabela durante as primeiras regatas. Descobriu as maminhas das moças a crescerem debaixo das blusas que as mães afanosamente tricotavam. Deu de caras com os bilhares do Portugal e começou a empatar algum na aprendizagem das maravilhosas carambolas. Foi conhecendo a nata dos pinantes da sua mocidade. Percebeu que a bola ia muito para além das muralhas da cidade. Tirou a prova real que a adrenalina é extasiante. Adrenalina que se produzia de duas maneiras: ou na insânia de espremer o acelerador da mota; ou no ludibriar do sistema estabelecido. E como dava pica brincar ao gato e ao rato com as forças da autoridade, principalmente as que estavam na dependência do major Silva Pais.
Estudou, trabalhou, apaixonou-se por aqui e por ali, conversou tanto como copos bebeu, radicalizou-se, leu umas rimas de livros, subverteu, fumou uns charros a ouvir Bob Dylan e foi para a tropa. Palavras não eram ditas e já tinha saltado o muro do quartel.
Depois, bem depois foi a desbunda do 25 de Abril. Um autêntico poço da morte de adrenalina. Uma explosão contumaz de emoções que durou um ror de tempo e deixou bastas tolas destes país de pernas para o ar.
Depois da tempestade veio o marasmo da bonança. Uma bonança que trouxe à tona a prova que não se mudam as cabeças das pessoas como dantes se mudavam as dos fogões a petróleo da velha fábrica Hipólito.
Ao camarada, resta agora, ir às consultas de vez em quando.

cnsultas.jpg

Publicado por machede em 10:19 PM | Comentários (11) | TrackBack

julho 09, 2005

Prazeres

cartel2004.gif

Publicado por machede em 07:19 PM | Comentários (2)

julho 08, 2005

O balanço da inclemência

Depois da severidade
do astro-rei,
o branco e o ocre
folgam da calma
na penumbra da noite luarenta,
enquanto a coreografia
do beirado retorna, por horas,
ao armário dos enfeites.

As portadas, essas,
escancaram-se de par em par, também por horas,
para que a aragem afague intimidades.

branco e ocre.jpg
Imagem de Luís Pavão

Publicado por machede em 07:27 PM | Comentários (1)

Vento

As palavras
cintilam
na floresta do sono
e o seu rumor
de corsas perseguidas
ágil e esquivo
como o vento
fala de amor
e solidão
quem vos ferir
não fere em vão,
palavras.

Carlos de Oliveira

Publicado por machede em 06:31 PM | Comentários (0)

julho 05, 2005

Ora atão o Chinês!

-Quem é esse gaijo com ar de chinoca que roda aí num carocha!
-È o Kok fotografo, uma das pérolas da sociedade maputense, mas com poderes alargados.

Inspeccionei o chinoca, quer dizer tive o gaijo mais em reparo. Aqui é que não se podia empenhar o parece bom preto ou bom branco. O cabrão era chinoca, uma minoria com assentamento diverso, mais empenhado geograficamente na circunvalação do bazar. Comandados pelo dinâmico Ho Ling ali mesmo na quina que só não arranjava aviões da monda química porque não havia química.
Bom afinal, o pássaro chinoca era um moçambicano com boa pancada. Para além do mais com olho felino para o retrato a primor.
Muita cerveja, vinho e uísque passou por baixo das pontes. Alguns patos à Pequim, filetes de garoupa em molho de leite e legumes ao vapor. Ensopados, sopas de panela e pão-de-ló de Alfeizerão. Enfim, a investigação e a solidariedade comensal própria «dos astutos povos descobridores».
Nessa altura o chinês tinha uma namorada que sofria de flatulência crónica, airosa por sinal. Era então já era um oblíquo entrado na idade. Mas continuava a ter muita queda para as moças. Ainda hoje!!!
Já amareleceram uns calendários de dragões e serpentes, quer dizer chineses. E, obviamente, o chinês continuou a acrescentar anualmente a contabilidade. Eu também!!!
Nos últimos tempos, pelas alvíssaras que me chegam nas várias estações e apeadeiros tecnológicos. O chinês foi graduado – não digo promovido, que isso é coisa dos exércitos regulares -, pelos bons serviços prestados aos amigos, foi graduado em Mandarim.

Atesto de cruz e só me restou (ainda não há uma lua) receber o chinês conforme o protocolo devido aos altos cavalheiros da sua estirpe.

JP03.jpg

Publicado por machede em 03:00 AM | Comentários (5)

julho 02, 2005

Uma bala final por favor!!!

Dado que efectivamente não se entendem.
Na impossibilidade de irradiar as virgulas do sistema.
Com a vetusta instituição Banco de Portugal a adornar à força toda.
Com toda a gente a mandar palpites,
até uns gaijos que se topa à vista desarmada que tiraram o canudo
por correspondência numa universidade brasileira.
Correndo o risco do Sampaio a meio de um discurso lhe dar um fanico,
e depois nem para trás nem para a frente.
Sabendo ainda por cima que quem já os teria despedido pelo telefone está há uns anos sem linha.
Sabendo de antemão o quanto piroso é adjudicar-mos o orçamento, o rectificativo e as contas do banco de Portugal a entidades congéneres espanholas.
Tirem à sorte, para que ninguém fique objectivamente com o epíteto de Miguel de Vasconcelos, e o feliz contemplado – para além do resto da arraia-miúda que também fica podre de contente de não se sentir estrangeira no Corte Inglês e congéneres – que se faça à estrada ou requisite mesmo por uma ultima vez o falcon e entregue a porra da chave em Madrid.

Publicado por machede em 06:37 PM | Comentários (1)