Arteficios
Uns forjam a vida malhando em ferro quente.
Outros há, que não forjam patavina...
Apenas porque se moeram a malhar em ferro frio!

Imagem de José Manuel Rodrigues
A vida é dura
e mais dura é a razão que a sustém...
anunciou e cantou o génio poético do meu amigo Zeca e, nos últimos madrugares, na tona da mente, me tem teimosamente boiado esta sua dezedura.
Vem isto a talhe de foice sobre os cuidados manifestos por bastos amigos sobre o recente mutismo do alentejanando, mudez essa ainda mais enigmática porque antecedida de hipo(é)tética mágoa cor de amargura.
É verdade, mesmo verdade verdadinha que a verve para a tecla se desvaneceu enfraquecida pela crueza do deve ser superior ao haver, dia após dia, na contabilidade taberneira. Coisas que só acontecem aos taberneiros que às leis do mercado e das suas cíclicas e anunciadas crises preferem a poesia do tinto e dos rabinhos de porco com grão. Coisas de taberneiro naif. Coisas que só acontecem aos taberneiros que teimam que o Alentejo não deixa de ser Alentejo, nem o é menos – antes pelo contrário – se trajar a modernidade a que também tem direito.
Mesmo que aborte, fracasse, que vá à vida, não tenho a mínima dúvida que a Sulitânia Casa de comes-e-bebes é um marco no modernismo alentejano. Valha-nos isso!!!
O que toda a gente sabe, obviamente! É que esta pornógrafa sociedade do espectáculo é composta por uma maioritária fatia de famintos que, obviamente, também fazem parte do espectáculo – contra vontade, certamente. E sem a papa, propriamente dita, não serão as preces dos piedosos que lhes atestam a tripa. Continuarão, isso sim, a morrer que nem tordos. E, que eu saiba, para os tordos nem sequer há o reino dos céus!
Continuemos pois, a branquear a conscienciazinha na rotineira dádiva do pacote de bolachas de água e sal na soleira do hipermercado.