Ontem, o Lusitano derrotou o Juventude. Um a nada gravou o placard no termo da picardia. Um a nada como podia ter sido nada a um. Finou-se o desafio sem rancores nem arreganhos, antes com canecos partilhados. Malquerenças clubistas foram chão que já deu uvas cá na urbe. Outros tempos. Tempos em que o Juventude era o rasga a roupa e o Lusitano pertença dos terra-tenentes. Tempos de um Lusitano peitudo face aos grandes da divisão maior. Tempos de um Juventude guerreiro raçudo das divisões menores.
Finaram-se os terra-tenentes lusitanistas. Finaram-se os operários e os empregados de balcão juventudistas. Finaram-se os artesãos da chicha pagos a dez reis de mel coado por mou do amor à camisola.
Segundo dizem agora, esta aldeia grande não tem massa crítica para sustentar uma equipa que se veja. Antes massa sonante, digo eu!!!
Da história do Lusitano
Um grupo de moços dos 13 anos aos 15 anos reunira no adro da Igreja da Graça, com o fim de formarem um clube de futebol.Aprazada nova reunião para o dia 11 de Novembro de 1911, a mesma foi realizada na Rua das Fontes nº 3, em casa do professor Dâmaso Simões, onde estavam hospedados três irmãos que faziam parte do grupo.Nessa reunião resolveram fundar o Lusitano Futebol Clube. Do grupo faziam parte estudantes liceais, da escola comercial e ainda marçanos do comércio.Principiaram por efectuar jogos com outros grupos, no Largo dos Colegiais e Rossio de S. Braz.Com o decorrer dos anos o clube foi progredindo e os moços tornaram-se homenzinhos e começaram a jogar contra as segundas categorias do Vitória Académico, da Real Casa Pia, Empregados no comércio, Sporting, Ateneu, Graça, Eborenses, Álvaro Gaspar e Pedestrianistas.Em 1917/18 ganha o 1º Campeonato de Évora.Em 04/09/1925, na Esplanada do Edem Teatro, em Assembleia Geral, foi resolvido mudar de nome, com a substituição da palavra "Futebol" pela de "Ginásio" ficando a partir dessa data com a designação actual (Lusitano Ginásio Clube).É proprietário do Campo Estrela que comprou por trinta mil escudos em 03/02/1931.Anteriormente este campo teve dois arrendatários: O Ateneu que se extinguiu em 1922 e o Ginásio Clube Eborense, que nasceu em 1926 e desapareceu em 1928.Na época de 1926/27 ganha o 1º Campeonato do Distrito.Foi louvado por diversas Entidades, sendo de realçar a cerimónia efectuada na Praça do Giraldo em 04/06/1933, ao ser agradecido pelo Presidente da República, General Óscar Carmona, com a Comenda da Ordem Militar de Cristo.O Clube já participou em todas as provas do Futebol Nacional, sendo de destacar as catorze épocas em que participou no Campeonato Nacional da 1º Divisão, onde alcançou um 5º lugar, bem como salientar a chegada ás meias-finais da Taça de Portugal.De enaltecer, a sua participação em 104 jogos sem qualquer punição, julgando-se ser caso único verificado no Mundo do Futebol.Por coincidência lembrarei: O Lusitano foi fundado em 11/11/1911, teve a sua sede na Travessa da Bola nº 11, sabendo-se que a equipa é composta de 11 jogadores…


Um prato de sopa um humilde prato de sopa
comovo-me ao vê-lo no dia de festa
e entro dentro da sopa
e sou comido por mim próprio com lágrimas nos olhos
Ruy Belo


todavia, um, perpetua nos tempos a beleza e a funcionalidade das coisas simples, nascidas das mãos e das ideias de homens igualmente simples. O outro, destapa a ostentação e o evidente sucesso de um cada vez mais numeroso bando de bravos patos, idólatras de uma estética tão palmípede como a sua prostrada sapiência.

Garças boieiras procurando comida na rotunda da Porta d’Aviz – Évora
Até as garças são forçadas a descer à urbe para darem ao dente. Resta-lhes os relvados regados – anormalmente para a altura - dos espaços ajardinados da cidade. Locais húmidos onde prolifera a bicheza que lhe satisfaz a dieta.
No campo, onde normalmente cirandam com os rebanhos de ovinos e bovinos, ou, ainda, atrás da charrua que revolve a terra e lhe serve de bandeja a suculenta bicheza, a estiagem estiola aceleradamente a vida.
Se és algo panteísta e tens bem vivo
Esse afago ideal
Do retrocesso ao homem primitivo,
Que nos tempos pré-histórico vivia
Muito perto do lobo e do chacal;
Se um ligeiro perfume de poesia
Que se ergue das campinas
Na paz, no encanto das manhãs tranquilas,
Te dilata as narinas
E enche de gozo as húmidas, -
Leitor amigo, se assim és, vou dar-te
“Se a tanto me ajudar engenho e arte”
uma antiga receita,
que os rústicos instintos te deleita
e frémitos te põe na grenha hirsuta.
Leitor amigo, escuta:
Vai, como o padre cura, cabisbaixo
Pelos vergeis da tua horta abaixo
Quando no mês d’ Abril, de manhã cedo,
O sol cai sobre as franças do arvoredo,
Para sorver aqueles bons orvalhos
Chorados pelos olhos das estrelas
Nos corações dos galhos;
Passarás pelas couves repolhudas, -
Cuidado, não te iludas,
Nem te importes com elas, -
Vai andando...
Mas logo que tu passes
Ao campo das alfaces,
Pára, leitor amigo,
E faze o que te digo:
Escolhe d’ entre todas a mais bela,
Folhas finas, tenrinhas e viçosas
Como as folhas das rosas,
E enchendo uma gamela
D’ água pura e corrente,
Lava-a, refresca-a cuidadosamente.
Logo em seguida (e é o principal)
Que a tua mão, sem hesitar, lhe deite
Um fiozinho de azeite,
Vinagre forte e sal,
E ouvindo em roda o lúbrico sussurro
Da vida ansiosa a propagar-se, que erra
Em vibrações no ar,
Atira-te de bruços sobre a terra
E come-a devagar,
Filosoficamente, como um burro!
Conde de Monsaraz – Musa Alentejana

Gosto da cidade Invicta. Gosto de tripas à moda do Porto. Gosto da sintaxe liberal da caralhada portuense. Gosto de francesinhas. Gosto do passeio da Foz. Gosto de amesendar no Aleixo. Gosto de beber púcaros no Anik Bobó. Gosto de Serralves. Gosto da Ribeira. Não gosto dos caceteiros axadrezados. Não gosto da arrogância futeboleira dos azuis. Não gosto da velhacaria politiqueira dos Valentins, dos Gomes, dos Meneses, dos Cardosos, dos Pintos, e outros tartufos que tais. Finalmente: acho que o Porto não os merece!!!
O Lopes apela a um levantamento nacional no 20 de Fevereiro. O outro, para a mesma data, almeja um assentimento nacional.
Cá pra mim, na condição de chaparro, antes assentado do que levantado. Paga-se o mesmo!!!
Ah valentes, depois das tabaqueiras lhes apertarem o papo e por sequela meterem a viola no saco quanto ao proibicionismo do tabaco nos lugares de comes, bebes e balhos, investem os santos inquisidores contra os galheteiros. Disse o inquisidor Sevinate Pinto que sabe lá o que é que os salafrários da restauração vertem em tais vasilhas. Daí a querer embalagens castas, invioláveis, da nascença à morte com os três e o liquido que o engarrafador lhe deu. Depois, aterro sanitário com a embalagem que a indústria tem que mexer enquanto não esgotarmos os recursos. Para o inquisidor Sevinate o engarrafador é um cidadão acima de qualquer suspeita, o restaurador é um trapaceiro manipulador.
É esta a massa encefálica que recheia os crânios do poder deste abençoado rectângulo!!!
Questionam-me amiúde do porquê da abertura da tasca na Vila de Vimieiro? Da razão de não ter aberto a chafarica na aldeia grande de Évora, terra onde assomei para as agruras e prazeres da existência, e na qual resido novamente. Do motivo de escancarar portas a um negócio num lugar que nada me diz afectivamente, a não ser existir na geografia alentejana. O que já não é pouco – no meu entender, claro está! Do paradoxo de um eborense optar por um lugarzinho com incomparavelmente menos procura que a aldeia grande de Évora. É nesta última vertente que a perplexidade mais espeta o dedo.
Sem entrar em grandes divagações sobre a razoabilidade da minha opção, lá explico, martelando com nitidez a coerência do percurso – no meu entender, é evidente! Andei um ror de anos a vender por boa a ideia das imensas potencialidades do interior rural. Não só porque tem, geralmente, uma forte identidade cultural, mas também, no caso alentejano, uma “paisagem rural” com um grau de preservação ainda apreciável. Acrescento ainda que tem a ver com uma objectiva opção para a ponta final da vidinha. Com o sair pela incontornável porta para o incógnito na companhia serena das coisas simples. Rodeado daquilo que mais tem a ver comigo e que continuadamente me deslumbra.
Geralmente olham-me não muito convencidos. Possivelmente persuadidos do poço de petróleo que teimo em manter secreto e que, entretanto, descobri no logradouro da baiuca.

Imagem de José Godinho
Ainda que abundantes montes e mesmo alguns outrora grandes acentos de lavoura estejam votados ao abandono, senão em ruínas, outros há que retornam ao branco da cal orlado pelo violento do ocre. São apenas casas de forasteiros para fins-de-semana de ócio, onde não ronca o tractorinho nem ressoa o badalo no chocalho de um vivente animal, dirão os mais cépticos. Alguma razão lhe assiste, digo eu. Mas a coisa move-se, olá se move!!!
Nas aldeias grandes pulam as novidades. O banco e o gabinete de contabilidade escancaram portas. A florista e a papelaria. A rotunda e o trânsito de sentido único. A boutique e a loja dos trezentos. A clínica e o cabeleireiro esteticista e manicura. A pizzaria e a loja de conveniências. A discoteca e o bar lanchonete. A tvcabo e a internet.
A conservadora ruralidade começa a conviver aos soluços com o puto do kispo e do piercing. A moça do cabelo verde eléctrico e a avó de negro do sapato ao lenço tomam galões com donuts. O alto do informal grupo do cante afina a goela a golos de uísque. O retratista das horas vagas virou operador de vídeo e perpetua tudo o que seja festarola em DVD. O agricultor tem na carteira, no separador em frente da imagem da padroeira da terra, o cartão das finanças onde se lê: empresário em nome individual. O coveiro da junta tirou um curso de especialista em inumações. Uma franzina urbanidade brota ainda bruxuleante, mas brota.
Que a coisa se mexe, não tenho dúvidas!!! Para onde, talvez a vidente do lugar saiba???
Com o Cavem desaparece igualmente um bom naco da minha infância encarnada.
O João Tunes alavanca com denodo a minha candidatura a supremo magistrado da nação. Registo enlevado a republicana e franca proposta do João. Acontece que não posso aceitar tal repto. A minha primeira dama não ostenta, nem de longe nem de perto, um par de pernas à altura da sua predecessora.
Pensando bem na coisa, e dada a austeridade protocolar das farpelas reais ser ainda mais para o vitoriano – daí a menor exposição das gâmbias da sócia -, quando muito, quando muito estou francamente mais virado para restaurar a monarquia no torrão pátrio. Proponha-me homem, que os conjurados arranjo eu!!!

A série televisiva “Os Soprano” dá hoje as últimas. Um fabuloso retrato duma América que nem que a matem muda. Nem esperamos outra coisa!!!
Por cá mas ao vivo, a série “Os Sopranitos” está para durar. Um fabuloso retrato dum Portugal que nem que o matem muda. Nem esperamos outra coisa!!!