dezembro 27, 2004

A prezada águia

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Entre Arraiolos e Vimieiro, mais acertadamente junto ao entroncamento do lugar de Vale do Pereiro. Ali está ela a aproveitar o olhinho do sol deste inverno sequeiro mas de rijas friezas. Não sou muito letrado no sortido da espécie, mas quer-me parecer ser da famelga das águias calçadas. Calçada ou não, tem a fidalga pose das águias.
Basta haver um dia solarengo, para cruzar-mos. Eu passo velozmente a cavalo num engenho que pouco lhe dirá, quando muito, que mata por matar – coisa que não cabe no seu entendimento de águia. Ela está ali de olho no seu território, possivelmente, com uma indiferença calculada aos ruidosos engenhos – tal como o meu - que lho rasgam pela língua cinzenta de alcatrão. Eu vou a caminho da baiuca mercar copos de vinho para angariar a papa. Ela está à coca do possível sustento que os engenhos dos homens, nas suas loucas correrias, abatem por ela. Está à coca de arrebatar o seu pequeno quinhão de lucro no progresso dos homens. Destes homens e do seu progresso, nada de borla aguardará seguramente. Quando muito, será contemplada com um cartucho de chumbo grosso pelo obtuso rei dos predadores que, da natureza, entende muito menos que ela.
Gosto de me cruzar com a águia. Prefiro mil vezes este encontro a muitos outros com os predadores da minha espécie.

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dezembro 26, 2004

Portel Camel Trophy

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Imagem e graçola fanadas ao F. Moital

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dezembro 24, 2004

Se eu não vou à bola com o natal, então o que dirá o perú?!?!

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Morgado de Setúbal - 1792

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A única coisa que me seduz no natal, é a última ceia!

Com um reparo: era escusada a sacanice do Judas Escariote!

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Mestre do retábulo da Capela do Esporão

Publicado por machede em 12:24 AM | Comentários (1) | TrackBack

Contencioso com o pai Natal

O Manel Rosa, moço da ninhada vimieirense, nos tempos de brasa arrebatado rural na agrária e depois andante pelas estranjas. Mais apropriadamente pelas bélgicas. Retrocedeu, vai para uma arroba de luas, para a casa da partida. Retrocedeu para a casa da partida para sossegadamente e na paz dos justos chegar à casa da chegada.
Hoje, pela hora da bucha vespertina, perante a arremetida do natal na conversa, desabafou o contencioso de uma vida inteira: - quando uma vez por ano almejava um naco justiça nas botas afogadas em presentes, o gajo apenas deixava a miséria de todos os dias, meia dúzia de chocolates manhosos, um par de peúgas de linha de quatro agulhas, duas ou três tangerinas e um punhado de bolotas.

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dezembro 22, 2004

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Publicado por machede em 01:34 AM | Comentários (1) | TrackBack

dezembro 20, 2004

Mas que belo molho de comadres e compadres

Uísque com água lisa, nem mais compadre João! Ele há coisas que não se explicam, estão muito para lá da empatia ao vivo, são mais do mundo da adivinhação. Das boas adivinhações, digo eu. Pois é compadre João, cá o Isidoro já lhe tinha adivinhado o porte e a postura. E escute bem, não foi um encontro compadre. Foi de certezinha um reencontro, por mou de nos termos encontrado vai para um porradão de vezes. Mais que não fosse na barricada dos que não toleram o corte da raiz do pensamento. É assim compadre João, ele há coisas que não se explicam.
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Convenção da paparoca, nem mais! Aqui estiveram na Sulitânia um anafado grupo de desperados paridores de coisas e loisas. Coisas que se desenham na camaradagem da escrita. Loisas que levam ordem de soltura para a palavra nas artes mágicas de umas cibernéticas maquinetas que derramam ideias. Ainda bem que há engenhos com esta salutar empena. Engenhos que equilibram outros com empenas menos dignas e menos fraternas.
Mas sempre me pelei muito mais pelo in loco, pelo ao vivinho da silva, pela cena e léria entremeada de tintos e confortos de interiores. Penso ter sido o que aqui aconteceu nesta Terra do Sul, nesta fraternal baiuca. Ainda bem para vocês e para mim, já que só me concebo como taberneiro comunicador.
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dezembro 19, 2004

Língua viva

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dezembro 16, 2004

Nós, os alentejanos, não brincamos em serviço...

Fócrates!!!!

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dezembro 15, 2004

Federação Nacional para a Alegria no Trabalho

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Documento impressionante este que me veio cair nas mãos por mou da gentileza de amigo. “Dez anos de alegria no trabalho 1935-1945”, edição fac-similada de 1998. Um retrato fiel do Portugal das décadas de 30 e 40. O retrato de um “império de pés descalços”, grelado numa mescla de sacristia e de um nacionalismo bacoco, sustentado num povo meão na grandeza por via da falta de nutrientes por alturas do espigar. Numa época em que os germanófilos daqui embandeiravam as mentes, suspirando por nos metamorfosear em espadaúdos arianos. Possivelmente com o sonho no envio de mais umas caravelas atafulhadas de “Heróis do Mar”, por esse rio acima. Exactamente por esse rio acima direitinhos aos infiéis vermelhos.
Ele há coincidências do arco-da-velha, logo agora me haveria de cair no regaço esta caterva de esqueletos caídos do armário. Logo agora que os moços da brilhantina se saracoteiam teimando em ressumbrar os fantasmas do antigamente.

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4º Festival de Educação Física realizado no Campo da Tapadinha em 27 de Setembro de 1942

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Dois futuros trabalhadores de Portugal

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Alguns milhares de operários assistem a um Serão Cultural e Recreativo na Marinha Grande

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Grupos Folclóricos da FNAT que representaram Portugal em Berlim durante o Congresso Mundial da Alegria no Trabalho

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Um grupo de ardinas com o Jornal da FNAT «1º de Maio»

Publicado por machede em 01:16 AM | Comentários (3) | TrackBack

dezembro 12, 2004

Com dialdrina ou sem,

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sou-lhe fiel até ao último fôlego. Ouviram, seus papa toda a qualidade de merda que vos querem impingir.

PS: aposto a minha vida em como os excedentes de dialdrina, pesticida banido da Europa, foi parar às mãos dos agricultores do mundo pobre – calhando, à laia de ironia suprema, como mais um contributo para adensar a dívida externa. E, assim como assim, com a mesma cajadada exterminam-se mais uma carrada de pretos – tarefa hercúlea para a qual a sida parece não ser ainda o tratamento competente.

Publicado por machede em 06:26 PM | Comentários (4) | TrackBack

O Lopes é assim,

tem uma maneira de ser mesmo à Lopes. Passa de mansinho pela caixa do correio, deixa o XITIZAP fresquinho ainda a cheirar a tinta e um vedado «bom dia» sem dar o mínimo de confiança ao freguês e vai à sua vida que se faz tarde e estes gaijos querem é corda.
Eu gosto francamente desta contida subtileza!!!

XITIZAP ALMANAK 2003/2004
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Publicado por machede em 02:21 AM | Comentários (1) | TrackBack

dezembro 11, 2004

Desportos radicais...

Gosto desta lógica da dissolução, daí inquirir: quem pode e o que é preciso dissolver mais para mandar o Jorge fazer discursos enovelados mais para os lados da estratosfera???
Assim com assim, até dissolvíamos mais alguns!!!

Publicado por machede em 11:10 AM | Comentários (1) | TrackBack

dezembro 10, 2004

Cautela…

O moço andou num virote toda a santa tarde. Ele era carros de choques, algodão doce, carrosséis, massa frita, poço da morte, torrão de Alicante, aviões e mais um soberbo mundo de fantasias. O moço tinha os olhos mais dilatados que um mocho como que a querer enxergar toda a feira de Ficalho de um só golpe.
Quando escorropichados os magros tostões sacados na prossecução do assassínio do porco mealheiro, lançou uma correria tremenda até ao centro da Vila. Lá sabia o pai a cartear suecadas entremeadas de copos de cinco.
- Pai dá-me cinco escudos para ir andar nos aviões – disparou ofegante mal pôs o pé no poial da taberna.
Mouco, completamente mouco ao apelo do petiz o progenitor continuou impávido a cartear a sorte.
- Pai dá-me cinco escudos para ir andar nos aviões – implorou esganiçado já ancorado na mesa do despique paterno.
Nada! Nada não, antes um vozear de impropérios dirigidos ao parceiro por mou da manilha que este sacrificou debaixo do ás de paus dos adversários. Do moço, calhando ainda nem sequer lhe adivinhara a presença.
- Pai os outros moços estão fartos de refastelar o cu nos aviões e eu nada. Dá-me cinco escudos pai – atirou novamente, guardando, no entanto, uma prudente distancia ainda assim não chovesse azevia em troca dos cinco escudos.
- Dá lá os cinco escudos ao gaiato a ver se para de nos assovelar as orelhas – dispararam em coro os camaradas de jogatina e de púcaros.
Contrariado, meteu a mão na algibeira, sacou de meia dúzia de trocados e ainda com eles na mão fechada leu-lhe o responso.
- Vai lá andar de avião mas não abales para longe de Ficalho!!!

Publicado por machede em 12:32 AM | Comentários (5) | TrackBack

dezembro 06, 2004

Mais três marcas na coronha do portátil...

Na tasca, lançou amarras o Boss e o Viagens em Terra Alheia.
O Viagens insubordinou-se contra as batatas na sopa de tomate. De resto não apresentaram mais reclamações. Comeram, beberam e deram à língua quase quase até ao comunismo.
Por deferência com as sumidades presentes, o comité de segurança da Sulitânia desligou oportunamente o serviço de escuta.

Na véspera atracou, igualmente, só que clandestino, o transtagano Vento Suão.

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Imagem confiscada ao Viagens

Publicado por machede em 08:05 PM | Comentários (11) | TrackBack

dezembro 04, 2004

Blogues regados a Ricard

Telefonou a solicitar orientação. Cemitério à esquerda, contornar hipótese de rotunda à direita e enfiar pela esquerda baixa até desovar no coreto. Óspois percorrer a penantes as 50 jardas até ao portão vermelho sangue de boi, e pronto estás no cerne da questão.
Não tardou 5 tostões que o Anarca Constipado se prantá-se defronte deste seu criado. Lérias, tabaqueámos um bom meio metro de lérias emparceirado com um ricard. Francesismos!!! Lá abalou encarreirado para a capital.
Com a navalhinha cavei mais uma marca na coronha do portátil.

Publicado por machede em 08:50 PM | Comentários (4) | TrackBack

Geronimo de Sousa

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Publicado por machede em 12:15 AM | Comentários (6) | TrackBack

dezembro 02, 2004

Este gaijo

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declara para os devidos efeitos não ser putativo candidato a candidato. Simples!!! Por um flanco, jamais lhe passaria pela cabeça governar o que quer que seja, dado nunca ter tido sequer uma réstia de tacto para se governar a si próprio. Isto, à luz da patriótica e recorrente metáfora: “esse gaijo governa-se bem”. Por outro flanco, jamais suportaria: usar gravata; frequentar tomadas de posse; acatar o protocolo; debicar de beiços esticados nos banquetes oficiais repimpado numa cadeira com laçarote no traseiro; botar discurso no salão nobre com um bombeiro e a bandeira nacional nas ilhargas; viajar no banco de trás com o motorista solitário no da frente; cortar fitas e descerrar lápides; falar ao telefone com o bush; ser entrevistado pela manuela moura guedes; dar tanganhadas a torto e a direito quando a ambição seria pontapés nos tomates; aturar perguntas estúpidas da nova vaga de repórteres; inaugurar matacões acimentados de traço mais que duvidoso; ser compelido a oferecer chupa-chupas nas creches e lares da 3ª idade; a discursar na ONU; visitar a rainha de Inglaterra; passar férias na quinta do lago; mamar com o alberto joão; aturar ranchos folclóricos; chupar de cabo a rabo o natal dos hospitais; ter um ou vários policias à porta; abrir o congresso das gaijas marrecas de incontinentes; ter de assistir aos jogos do fcp no camarote oficial sem poder torcer pelos outros gaijos, sejam eles chinamarqueses ou simplesmente da porcalhota...

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dezembro 01, 2004

No melhor da festa...

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Agora que o divertimento estava no auge. Agora que os ajudantes do ilusionista já endrominavam o chefe com truques soberbos. Agora que o Félix estava quase quase a transformar o défice numa bola de berlim com muro e tudo. Agora que o Morais estava a um cagagésimo de transmutar a comunicação social no conto da Branca de Neve e os sete anões. Agora que o ilusionista chefe tinha recuado o Silva para controleiro dos comités toupeira vermelha. Agora que o Paulo era a pomba da companhia. Agora que os poucos não desempregados estavam a um passo de voluntariamente se despedirem para não perderem pitada do maior espectáculo da bola e arredores. Agora que a rapaziada – incluindo a fazenda empresarial - se estava positivamente cagando para a baixa do IVA, IRS e IRC. Agora que a maralha tinha atingido o nirvana do pão e circo.
Não se faz Jorge!!! A rapaziada descontou uma vidinha de cabo a rabo para ter direito ao bilhete. E logo no melhor da festa o meu caro Presidente dissolve a trupe?!?!
Só tem uma maneira de nos ressarcir. Nem que para isso tenha de fazer o pino à parede. Convença o Kumba Ialá a concorrer às eleições!!!

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Publicado por machede em 01:20 AM | Comentários (2) | TrackBack