agosto 31, 2004

Batalha Naval 2

- G 13
- Água
- F 7
- Tiro no ridículo. Portugal ao fundo.

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Até ao lavar dos cestos é vindima

uvas.jpg

Uma azáfama de gente colhe, carrega e despeja na galera. O tractor vai no lufa-lufa, da vinha à adega, acarretar os divinos bagos. No templo, o adegueiro apresta-se para conduzir meticulosamente as manobras. O agricultor deu por consumado o seu quinhão na obra vínica. Agora o testemunho está nas mãos do homem do laboratório. Lá para depois das rijezas ajuizaremos da obra. Ou sim ou sopas. Ou se cobre de glória, ou apenas disponibiliza um liquido alcoólico para lavar os dentes. Entretanto, carrega uma enorme fezada que os desígnios da química orgânica sejam amigos do seu amigo.
Nós, os profanos, estamos no sábio rasto de S. Tomé: beber para crer!!!

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agosto 30, 2004

Jogo da bola

Bola.jpg
Imagem de Gérard Castello-Lopes – Nazaré 1958

Mais uma época de febre da bola. Mais uma temporada de alegrias e tristezas.
Todos os anos digo a mesma coisa: a partir de agora estou-me a borrifar para a bola. Esqueço-me que a moléstia é recidiva. E lá volto a dar pontapés no vazio, a modos que a ajeitar a jogada que o nabo da ponta de lança não soube concretizar. E lá volta o jantar a esperar pelo fim do desafio, jantar que a arrelia muitas vezes converte na façanhuda tromba de porco.
Bem sei que isto agora é um negócio monumental. Bem sei que o amor à camisola é coisa do passado. Bem sei que os intelectuais olham por cima do ombro para os doentes da bola. Bem sei que a bola é um dos ópios do povo. Mas o que é que querem, sempre fui contra as meias tintas do lights. Antes uma dose honesta que a contrição da metadona!!!

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agosto 29, 2004

Estão a ver como, à cautela, os submarinos até davam agora um certo jeito!?!?

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Batalha Naval

- D 8.
- Água.
- B 5.
- Tiro na hipocrisia. Lopes e Portas ao fundo.

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agosto 28, 2004

Alceu.jpg

1.
Não entendo a luta dos ventos. Rola
uma onda daqui, outra dali. E nós,
no meio, somos arrastados
com a escura nau, duramente
sacudidos pelo forte temporal. Já a vasa
cobre o pé do mastro, toda
a vela é rasgada e dela
pendem enormes farrapos. Os cabos
cedem, e o leme...
Firmo os pés nas enxárcias
e apenas isso me mantém são e salvo...

2.
Chove a mando de Zeus, e do céu
cai forte invernia. Estão
gelados os cursos de água.

Combate o frio atiçando
o fogo, misturando
sem descanso o vinho doce
com o mel, e reclina
em seguida a cabeça sobre
uma almofada macia.

3.
É preciso não entregar
o coração ao infortúnio.
Nada lucraremos, ó Bíquis,
com tristezas. O melhor
remédio é pedir
vinho e embriagar-nos.

4.
Que alguém me ponha à volta do pescoço
um colar entrelaçado
de flores de anis e sobre
o peito me derrame
um suave perfume.

5.
Bebe (e embriaga-te) comigo, ó Melanipo. Acaso
pensas que, uma vez transposto
o largo curso do caudaloso Aqueronte, a clara
luz do sol verás de novo? Vamos, não alimentes
tamanha ambição. O rei
Sísifo, filho de Éolo, também
julgou escapar à morte. No entanto, apesar
da sua astúcia, duas vezes o destino
o fez transpor o caudaloso Aqueronte. Grande
e pesado trabalho o filho
de Cronos lhe impôs que sob a terra
negra suportasse...

6.
Humedece de vinho a garganta, que o astro
já voltou. É penosa
a estação e tudo
esmorece com o calor. Entre
a folhagem, docemente
a cigarra canta... Floresce
o cardo. É a hora
em que as mulheres se tornam
mais fogosas e mais fracos
os homens, pois que Sírio
as cabeças abrasa e os joelhos.

7.
Bebamos. Porque havemos
de esperar pelas lucernas? O dia
tem a extensão de um dedo. Traz
as taças grandes, meu amor, as coloridas
taças. O filho
de Sémele e de Zeus aos homens
o vinho deu para esquecimento
de seus males. Enche-as
até transbordarem – uma
parte de vinho para duas
de água. E que uma taça
empurre a outra.

8.
Planta a videira de preferência
a outro qualquer arbusto.

9.
Pois contam que Aristodemo
em Esparta proferiu um dia
estas palavras vigorosas: «O dinheiro
é o homem. A nenhum
pobre, com efeito, a honra
nem dignidade se concede.»

10.
Divina Safo, a das tranças
de violeta e sorriso
de mel.

Alceu
(Poeta Grego Arcaico)

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agosto 27, 2004

Taurinas 4

Sereno desenho.jpg
Esquiço

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agosto 26, 2004

¾ de século de mofo

“Às almas dilaceradas pela dúvida e o negativismo do século procurámos restituir o conforto das grandes certezas. Não discutimos Deus e a virtude; não discutimos a Pátria e a sua história; não discutimos a autoridade e o seu prestígio; não discutimos a família e a sua moral; não discutimos a glória do trabalho e o seu dever.”
(tirada do botas de Santa Comba duma franqueza óbvia quanto aos intentos)

Por mais anos que viva, por mais que tente ler nos sinuosos entrefolhos da psicologia e da sociologia, nunca hei-de atinar como foi possível domesticar um povo, quase inteiro, com semelhantes balelas, durante quase meio século. Adiante. Ouvi, hoje, no telejornal, que um qualquer sequaz do Instituto da Juventude ameaçou sequestrar os subsídios estatais a duas organizações patrocinadoras da deslocação a Portugal – fundear a 12 milhas – do denominado “barco do aborto”. Também que porra de nome!?!? Adiante. Das duas uma, ou a droga era podre de forte e a rapaziada continua meio anestesiada (3/4 de século de éter), ou começo a suspeitar da sucessória e generalizada ausência deles em seu sítio. Assim não sendo, expliquem-me: como é possível, em 2004, a um qualquer bolorento sequaz ameaçar organizações legais nacionais com atitudes persecutórias barricado no dinheirinho que é de todos.

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agosto 25, 2004

Retratos & Laurentinas

Matola-Rio .jpg

Estava a tarde de abalada, vínhamos da plantação de amendoim semente, ali, nos campos do Umbelúzi, eu e o Zé. Parávamos a izuzu de calça arregaçada na Matola-Rio, e ficávamos por ali de roda das laurentinas olhando a azáfama das gentes. Já pelo lusco-fusco, na restante viagem para Maputo, fazíamos descarada concorrência aos chapas. Carregávamos o quintal da izuzu de boleias até as molas baterem mesmo mesmo lá no fundo.
Ainda hoje estou arrependido de nunca ter tirado um retrato na Foto Familiar.

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agosto 24, 2004

Caricaturas...

O Carlitos que joga no Benfica não é aquele puto da banda do Charlie Brown?

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Em carne viva

Nu.jpg

Pelo mês de Agosto, de nove em nove anos, tiram-lhe a pele, como se os despissem da cintura para baixo. A pele que esconde uma carne viva da cor da terra que os sustem. Uma cor telúrica que sempre arrebatou os estetas. Sobre a fase alentejana da obra de Dordio Gomes, rabiscou o crítico Mário Gonçalves: “Alguém disse que a arte é a natureza mostrada através de um temperamento. Na forma convulsionada com que Dordio Gomes representa um sobreiro alentejano, tanto se sente o vigor da árvore como o ímpeto do pintor”.
E que senhora pele! Uma das matérias-primas, de origem vegetal, com um elevado potencial térmico e vedante das mais nobres que nos é dado usar.
O Alentejo sempre foi a região produtora nº 1 do mundo. Mas, salvaguardadas as devidas distâncias, a cortiça sempre esteve para os alentejanos como os diamantes estão para os angolanos. A e os, apenas serviram para inchar a opulência e alimentar as extravagâncias de uma pequena corte. Estribado nessa razão, afirmou-me, certa vez, um dos velhos empregados de mesa do Ritz Club: “Antes do 25 de Abril, aqui na casa, um só alentejano valia mais que uma esquadra inteira da NATO”. Estava a falar na cotação da cortiça no mercado da desbunda, só pode! Mais, quanto às indústrias processadoras da dita, que fossem montar negócio lá para os Montijos e Santas Marias da Feira. Mas longe, bem longe, bem fora da região de maneira a não esbandalharem o exército camponês de reserva laboriosamente construído pelos terra-tenentes, ou seja, a praça de trabalho da miséria.
Após o 25 de Abril, a fobia exorcista deu para, logo à partida, extinguir o Instituto de Fomento da Cortiça, continuando, de seguida, a encarreirar asneiras sobre asneiras, até agora. Como nota deveras hilariante, basta-nos saber serem a porra dos ingleses a esfalfarem-se contra o forte lobby das rolhas plásticas. Nós esfalfamo-nos, lá isso esfalfamo-nos mas é para eliminar a réstia legislativa que impede os patos bravos de meterem as unhas especuladoras no montado – a título de exemplo, aponto a outrora maior mancha contigua de sobro do mundo, a de Rio Frio. O incêndio da serra do Caldeirão foi a cereja em cima do bolo. Por lá residia uma das cortiças de excelência para a indústria rolheira. Equívocos (crimes públicos) tais que estão a deixar o montado entre a vida e a morte. Mais morte que vida, do montado e do Alentejo, digo eu.
Passamos a vida a balhar com a mais feia, é o que é!!!

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agosto 23, 2004

O fruto do andaime

Chalaça a ácida (com uma forte dose rácica) ironia lusa, que a árvore que dá pretos se chama andaime. Em público rimo-nos contidamente, ainda assim não nos alcunhem daquilo que efectivamente padecemos. Em privado damos largas ao desbraganço da pilhéria. Posto isto, passamos ao largo, bem ao largo dos que servem para fazer aquilo que muitos de nós, avós e pais, num passado bem recente, servimos para fazer nas franças e outras que tais andança por esse mundo fora. Tão ao largo que, há bem pouco tempo, um lampeiro partido governante (fico por aqui nas considerações) com a envergonhada condescendência do outro partido governante, andou a tentar tecer uma desonra legislativa ao estilo reaccionarinho le peniano. Tão ao largo que os sabemos encurralados nas Curraleiras deste país, mas achamos um despropósito financeiro andar a construir habitação social para essa gentinha. Tão ao largo que continuamos a alimentar a tacanhez de uma certa comunicação social de sarjeta que se péla por vomitar, sempre que possível, uma boa zaragata com facadas à mistura entre gajos de “cor” – estão a ver como eles são feios, porcos e maus!!!

Hoje estamos ufanos, ganhámos a segunda rodela olímpica. Honra ao herói nacional!!! Para que conste chama-se Francis Obikwelu. Nigeriano de nascimento, veio para Portugal à procura do seu sonho. Entretanto, encheu a vida de calos na construção civil.
Posto isto, passada a vã glória, continuaremos, naturalmente, tão ou mais ao largo de todos os outros Francis! Mau grado a fábrica Hipólito ter fechado, sempre nos dava um enorme jeito poder mudar a cabeça do fogão a petróleo.

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agosto 22, 2004

Taurinas 3

sombras.jpg
Sombras

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Mais uma vez estamos fritos!!!

Diz o Lopes que vai repensar o futuro de Alqueva. Diz ainda o Arnaut que já recebeu luz verde do Lopes para esgalhar um documento estratégico titulado «Alqueva: que futuro?».
Para além de pensar – sintoma já de si profundamente alarmante -, repensa etc e tal o Lopes... Entretanto, o outro estouvado vai ler na bola de cristal o futuro também etc e tal...
Nós, bom nós pensar nem pó quanto mais repensar, mas assim como assim etc e tal vamos pescando uns achigãs etc e tal... Entrementes, aquilatamos da solidez da trovoada de merda que, certamente, virá com o estratégico.

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agosto 21, 2004

Casa (dramaticamente) Pia

Um calhau-blogue no charco – mais pântano – das lusas lágrimas de crocodilo (que me desculpem os coriáceos mas inocentes bichos).
Se genuínos gansos são os autores, então duplica a parada da importância!!!
A envernizar, emoldurar e oferecer com aparato e eventualidade à piíssima Provedora.

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Cartear o prazer

Expectante, olha-se de soslaio o rigor do baralhar e do corte. As cartas escorregam suavemente pela mesa, intercaladas, uma a uma, para exorcizar o favorecimento. Com um ritual mil vezes repetido, recolhem-se na crença da combinação certa, uma a uma, lentamente, como que a forçar a ventura. Impassível a face, palpitante a emoção. O croupier da jogada, rápido e hábil, volta a primeira carta. O semblante fecha-se impassível. Na vez, assinala-se a aposta com um toque subtil do dedo na mesa ou um ciciado “estou”. O olhar, só o olhar redemoinha acompanhando o manifesto dos parceiros. O silêncio ferve. O croupier vira a segunda carta. Rodopia-se novamente o olhar sondando o deslize na hipotética perturbação dos parceiros. Nada transparece. A rapidez do calculo mental das probabilidades. A angústia do jogador de póquer no momento da decisão. A ousadia do bluff ou a segurança no óbvio. A liturgia escorre até ao voltear da quinta e última carta. O triunfo ou a derrota. A volúpia da sorte ou o acre do azar. A inflação ou a deflação na cave. O momento da descompressão e a sequente recobra da fé na jogada seguinte. Acende-se e aspira-se longamente o fumo do milionésimo cigarro. Sorve-se mais um trago.
poker.jpg

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agosto 19, 2004

Breve história sócio-cultural da Nação, incluindo um anglicismo

D. Tareja fundou
(bastarda)
João I defendeu
(bastardo)
João IV restaurou
(bastarda a casa)
Pedro IV e Miguel ainda lutam
D. João VI chamava à mãe deles «a cabra»
- como pode em grandeza
alguém não ser suspeito de bastardo,
ou como algum bastardo não supor-se grande?

Jorge de Sena
6/Fev/1970

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agosto 18, 2004

Incipientes...

O gimbrinhas do canal 1, no prelúdio da refrega, chamou aos Costa-riquenhos: incipientes. Em caso contrário, tinham aviado um camion TIR rasinho de azevias naquele bando de baratas tontas trajados de moços do berlinde. Atropelados, nã? Foram mas é esborrachados pelo cilindro da cambra da Cuba. Ponto final parágrafo!!!

Olha se não fosse a magana da chapa conquistada pelo humilde moço da pedaleira? A contabilidade nacional das rodelas olímpicas ainda abala gatinhando no encalço do ego pátrio que, entretanto, deu às de vila diogo. Ou muito me burlo ou estamos na beira de mais um ciclo da diarreica gesta do sapo atulhado de vento, ou, se optarem, do cabeço paridor de roedores.

Alucinei à farta com o desvario presidencial em louca correria ao lado da Rosa Mota. Isso é que foi obra! Um vero golpe de génio, apenas comparável ao nirvana do marketing ou a uma charla do procurador. Digo mais, completamente absolutamente merecedor de uma rodela olímpica. Ponto final agrafado!!!

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agosto 17, 2004

Taurinas 2

espectro.jpg
Espectro

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agosto 16, 2004

Cromossomas

Na minha mocidade, o lucro dos jogos olímpicos era proporcional ao número de medalhas conquistado pelos países da cortina de ferro, obviamente, em detrimento dos Estados Unidos. Obviamente, sempre contra os américas nem que o adversário fosse os quase tão abominados ingleses. Mas o nirvana residia, efectivamente, numa boa coça pregada na América por uma qualquer república popular do arreganhanço. Por mou de julgamentos apressados, vale, no entanto, sublinhar, que sempre luzi muito mais o olho ao conde Bakunin do que ao Marx das pantufas. A Lenine e a Mao, antes a Isadora Ducan e o John Lenon, aliás, sempre disse que antes do Zé dos bigodes já o mundo à esquerda estava cheio de tratantes. Mas, à parte o sublinhado, por cada chapa a menos para os américas, mais uma imperial a cantar no balcão da Ginjinha. Era a vida, não a do engenheiro é evidente!

Houve um interregno, um longo interregno em que quem melhor tratasse a chicha que levasse a taça.
Então e não é que, desta vez, estou novamente naquela de me esfalfar a dar ânimo telepático a qualquer jagodes que seja adversário dos américas. Nem que seja um inepto jagodes do reino dos títeres ou dos emirados dos defenestras.
Imperiais, não que arredei terminantemente a cevada, mas tintos, já cá moram um par deles à conta do descalabro na prole do tio sam. São a porra dos cromossomas!!!

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agosto 15, 2004

Etapas

A vida não é uma corrida única. É mais uma prova por etapas.
Razão tinha o mê Santola, sempre que bebíamos uns caldeiros a mais – o que não eram poucas vezes – afirmava peremptório do cimo da sua altura de moço espigadote: daqui a um ano faz precisamente um ano!
Daqui a um ano faz precisamente mais um ano, imparavelmente, até ao epílogo, digo eu.

tosquia.jpg
Imagem de Aníbal Falcato Alves

“(...) Pelo correr do mês de Junho, a ordenha cessa, a rouparia fecha-se, e o gado, na linguagem dos pastores é deitado a vazio. Deixa desde esse momento de haver alavão ou o rebanho que tenha esse nome. Depois, durante o verão, vende-se o gado macho, vendem-se as farotas e as ovelhas que o lavrador não quer ou não pode conservar, o alfeire funde-se nas ovelhas de ventre, as borregas passam a formar novo alfeire, e as coisas recomeçam como nos anos anteriores.”

Conde de Ficalho em Notas Históricas Acerca de Serpa

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agosto 14, 2004

Estados...

Ao ser hospitalizada, a Maria dos Magalas – senhora cá do burgo que povoou o imaginário dos impenitentes costumes na minha meninice –, inquirida pelo recepcionista quanto ao seu estado, despachou de pronto: prenha!

Ao ser hospitalizada, a República – senhora que nos trazia convencidos do seu estado de direito –, inquirida pelo recepcionista quanto ao motivo do seu internamento, balbuciou a custo: violação!

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agosto 13, 2004

Taurinas

avios.jpg
Avios

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agosto 12, 2004

Crime e castigo

E o castigo veio a talhe de goleada!
Se fosse iraquiano dedicava a vitória ao Zé Barroso.

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Moçambique pelo seu Povo

Capela.jpg

Soares Martins, sob o pseudónimo de José Capela, seleccionou uma mão cheia de cartas dirigidas pelos leitores ao jornal «Voz Africana». Este periódico foi publicado na então colónia durante a década de sessenta e, de certa forma, foi o fruto da vontade de alguns jornalistas – da redacção do «Diário de Moçambique» - em produzir informação para os africanos. Na altura tinham, estes jornalistas, a clara noção dos interesses altamente diferenciados de europeus para africanos. Sabiam igualmente ser o português a língua da comunicação possível, língua limitada a um reduzido número dos que a podiam escrever, ler e entender. Mesmo assim a aventura arrancou.
Das alvíssaras que me chegaram, na então década de oitenta, quer pela leitura do livro, quer pelos que de perto acompanharam a aventura, valeu a pena e foi seara de muitos moios de trigo!
«Moçambique pelo seu Povo», editado pela Afrontamento no ano de 1971, respeitou com exactidão total, a ortografia, a sintaxe e a pontuação originais dos documentos inclusos.

J. Raposo Chivale, solteiro, 20 anos, natural de Vilanculos e residente na Beira.
Hoje tenho muitas felicidades para conversar um pouco da minha terra. Na minha terra é uma das terras que pouco compreendem pela vida da civilização, tem uma escola onde frequenta dezenas de rapazes e raparigas. Mas o que hoje me levou a efeito de vir conversar na nossa redenção da Voz-Africana é para dizer que os pais das alunas ainda faltam da instrução junto com as suas filhas. Foi uma vez quando o meu colega desejava de namorar, acabou de namorar uma da escola, depois de alguns dias preparou para ir lobolar a mesma menina, ali havia um problema inresoável, dois rapazes concorer uma menina. Quando apresentamos os dois, o pai já sabia tudo, o que passava na sua filha. Chamou-nos aos dois, o pai da rapariga para dentro de casa, começou a perguntar a sua filha entre estes dois rapazes que apresentam aqui, de qual gostas mais? A menina respondeu gosto mais de todos. E o pai disse já tem visto uma mulher com dois maridos? E mesma assim os pais é que tem culpa de não saber educar bem as suas filhas. Porque quando os dois rapazes apresentaram foram primeiro ter com o pai da menina e o pai da menina aceitou 2º marca dia do lobolo, mas como é que aceitou paradois rapazes? Uma vaga a não ser de concurso não pode admitir dois serventes.

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agosto 11, 2004

Miopia local

- Estou com a vista tã cansada que na enxergo patavina.
- Sem dúvida senhor Manuel, você precisa de óculos para ver ao pé e ao longe.
- Basta pra ver ao perto doutor, atão eu nunca abalo cá de Beja!

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agosto 10, 2004

Glorioso

Nesta altura e já com este pedal, a única coisa que nos pode acontecer, este ano, é cobrir-mo-nos novamente de glória!!!

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Ainda as Estalagens...

Hong-Kong.jpg

Outros, uma turba avassaladora certamente, gostariam mais de engavetar o cibernético esqueleto numa baiuca algures mas bem no centro de uma paranóia com igual produção... Ele há gostos para tudo?!?!

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agosto 09, 2004

O conforto da Estalagem Weblog

Gosto desta Estalagem! Transpira a confiança e a discrição das velhas pensões de província. O patrão é amável, solícito e possui o dom do recato como convém a um hospedeiro de existências sortidas. Para dentro de portas cheira a limpo, a lavado com sabão azul e a caiação anual. Na sóbria entrada, na companhia do pote de cobre dos guarda-chuvas e do cadeirão arte nova, um móvel estante, em mogno, sobre o qual pousam uma jarra de porcelana com malmequeres amarelos, uma caixa em madeira rendilhada para o correio e um telefone de baquelite preto com os números desenhados no esmalte do marcador redondo. Duma gaveta entreaberta, desponta um molho de antigas chaves a adivinharem-se dos quartos, da dispensa e, possivelmente, de algumas dependências do céu, ou, do inferno quem sabe? Por cima, na parede branca, um calendário eternamente no mês de Janeiro encimado por umas meigas e lustrosas vaquinhas pastando nos Alpes suíços. A porta, à direita, de intransponível reserva, dá para os aposentos do patrão. Nenhum hóspede se gaba da sua memória, talvez, apenas alguma fortuita hóspede em dia de vícios privados da gerência. Comenta-se em surdina das suas sortidas nocturnas e copos empinados em fumegantes botequins. Mas isso não são contas do nosso rosário! Pela porta da direita entra-se para um corredor, permanentemente na penumbra, sobre o ranger do soalho que solta um afável cheiro a cera fresca. Constitui este corredor a espinha dorsal da estalagem, a desmultiplicação da acessibilidade aos quartos de hóspedes, sala de estar, sala de jantar, cozinha e a um quintal forrado a buganvílias lembrando que o lugar é ao sul. Dos quartos não devasso a privança, a cada um o seu arrumo. A sala é o lugar de estar de uma família enorme mas diversa, no entanto, portuguesa de certeza a cheirar levemente a tabaco e a resmungos entremeados do contra mais os jornais da paróquia, do burgo e os nacionais a disputar a notícia ao omnipresente aparelho de TV. Da cozinha emana sempre um cheirinho a canja de galinha com ovinhos amarelinhos e a inevitável hortelã. Na porta da rua, do lado de fora, em igual serventia com a maçaneta e a fresta do correio, mesmo por cima do botão da campainha, apenas um discreto letreiro “Estalagem Weblog”.
Gosto imenso desta Estalagem!

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agosto 08, 2004

Superavit

Hemingway.jpg

Levou-a direita – Diria o meu avô que também era rapaz dado aos deleites da vida.
De uma intransigência absoluta que nem sequer abdicou de ser ele a marcar a data da abalada, digo eu!

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agosto 07, 2004

Cumplicidades...

Esteta.jpg
(Antoñete lidando o toiro Atrevido)

“Antes que un poeta, mi deseo primero hubiera sido ser un buen bandarillero”
Manuel Machado

Com esta epígrafe estou obviamente a privilegiar uma perspectiva romântica do toureio. Identifico-me, portanto, com o poeta, pelo que não fui e pelo que sou na minha busca da obra – ou faena – que dê sentido à passagem pela arena da vida. Escritor e matador têm de comum o desafio à fatalidade (e ao fatalismo) e ambos perseguem a estética e o domínio – da palavra e do toiro. Ambos deixam inacabadas tarefas que têm o seu limite algures no infinito. (...)
(do livro Esboços Para Uma Tauromaquia de Álvaro Guerra)

Vai não vai descobrimos fortíssimas cumplicidades nas palavras desenhadas por outros. Palavras que desejaríamos de ter sido nós a desenhar. Na inabilidade da mão, saboreemos o prazer da conivência!

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agosto 06, 2004

Assim como assim...

Excelentíssimo Senhor Ministro da Justiça, Qualquer Coisa Branco,

Quando o Senhor Ministro na companhia do vosso primeiro e dos vossos outros segundos colegas capturaram a posse, fiz constar do meu voto de silêncio até ao término desse mais que certo grandioso espectáculo de ilusionismo. Queira desde já saber Senhor Ministro que, com o presente parlapiê, não pretendo dar o dito por não dito e quebrar a dita jura. Ambiciono antes alvitrar-lhe um honestíssimo, lúdico e deslocalizado ajuste negocial.
Vem a referida proposta a talhe de foice com uma notícia que, hoje, cão e gato difundiu – o canídeo e o felino referem-se à comunicação social para evidente agrado do Senhor Ministro. Constava da dita que o Ministério do Senhor Ministro se prepara para empatar e arriscar uns dinheirinhos no mercado de capitais.
Saiba o Senhor Ministro que, aqui no interior, dado a falta de outros entretenimentos, a rapaziada desde cedo enveredou pelas ínvias veredas do vício, ou seja, pelas relapsas mesinhas de póquer. Só que, já entradotes e chefes de família, não faz sentido arriscar caves de meia dúzia de patacos e reposições de outra meia dúzia, ou seja, jogar a feijões. E caso ninguém lhe tenha dito, a crise também varreu sem dó nem piedade dos filhos do vício as mesinhas de póquer, principalmente as do interior.
Assim Senhor Ministro, propomos-lhe que uma parte - caso superiormente decida da totalidade também aceitamos – dos dinheirinhos podem, forpeitamente, servir para animar este vício em franco declínio por mou da crise. Tenha o Senhor Ministro em atenção o lado mais humano desta forma de
empatar o capital, fora do agiotismo anónimo dos mercados de capitais e, inclusivamente, dentro das regras de salvaguarda da independência nacional propostas pelos nossos empresários no Convento do Beato. Mais prometemos não jogar em cambalacho com o fito único de esfolar despudoradamente o erário público. Somos assumidamente viciosos, mas com ética Senhor Ministro!
Caso o Senhor Ministro não seja dado a jogos de azar, pode sempre fazer-se substituir pelo Secretário de Estado, ou mesmo por um Director Geral. Caso eles não conheçam as regras do sintético, nós fornecemos antecipadamente uma cábula. Se o Senhor Ministro quiser empatar mais algum picão do aforro, ou mesmo da sua ajuda de custo estamos abertos a, anteriormente à mesinha, deglutir um jantar no Fialho. Durante a jogatana haverá um regular serviço de tintos e brancos frescos, bijecas, orelha de porco de coentrada, pataniscas, torresmos e outros acepipes.

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agosto 05, 2004

Acabou o seu tempo, ficam as imagens fabulosas!

Cartier-Breson.jpg

“Je suis comme les putes et les flics: me photographier c’est me mettre en danger”
Henri Cartier-Bresson

Publicado por machede em 04:06 PM | Comentários (1) | TrackBack

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Na Revista Alentejana de Agosto, na rúbrica Pão Azeite e Vinho, o texto que encerra a trindade alimentar mediterrânica.

A Paixão segundo o vinho

“Essa noite prometera Frei Brás ir papar a ceia à mulher do almocreve. Galinha ao lume, lombo no espeto, arroz de forno e, no respeito à pingota, um vinharrão vermelho e velho, enchendo borracha de almude, pesgada e rotunda que nem a pança do guardião. Assim, o frade, impaciente, tudo era desejar findar-se o dia: e jubilando, o melro, na preconcepção gozosa da frescata. (...)”

(da obra o País das Uvas de Fialho de Almeida)

O Franganito enxotou os últimos obstinados, entre eles, o Manel Perna-à-roda que teima em escorropichar até ao cu o copo de tinto da rodada abaladiça. Com os contumazes já a coberto das estrelas e por entre uma chusma de resmungos insaciados, corre os gatos e encerra de vez a porta da taberna. Meia dúzia de pastosos ditos em dialecto báquico e cada um parte às suas destroçando em sinuosa descoordenação.
Rua abaixo, o Manel Perna-à-roda, ganha a inusitada velocidade tropeçante do costume enquanto serrazina o monólogo do entre as nove e as dez. Cruza-se com a tia Chica, quase a abalroa ao mesmo tempo que soluça uma boa noite em ziguezague. Com o tento do costume, arremessa uma curva larga enquanto toma balanço para enfeixar a direito na porta sem tropeçar no poial. Ei-lo, em menos de um fósforo sentado no mocho da chaminé como se desde de sempre humilde ali se achasse na espera da ceia. Junto da mesa, a tia Joaquina do Perna-à-roda, de costas, miga as sopas enquanto descarta a consciência na ladainha costumeira:
- Ai Manel Manel, gastas o dinheirinho todo em vinho!
Ele, empertigando-se que nem cobra cuspideira, na tentativa de passar por sadio, atira de imediato:
- Isso é que era bom, atão e a aguardente dão-ma?

O pão e o azeite, as duas outras pernas basilares da trempe mediterrânica, pedem meças na valia! Mas que seria desta nossa cultura sem o vinho?
Desde que o descobriu e lhe tomou o gosto, lá no arrecuo do tempo, que foi perceptível nesta gente um espírito redobrado. Um vigor acrescido que aliciou a adjudicar-lhe qualidades divinas. Que outra beberagem produzia semelhantes sentimentos e desinibições? Nada mais que este “néctar dos deuses” para incitar a tais fulgurantes alegrias. O vinho que operava o milagre de tornar o corpo tão leve quanto a alma – que transmutava o terreno num espírito livre de peias materiais... Daí se compreender que a lonjura do tempo lhe tenha organizado um fabuloso cortejo mitológico. Cortejo prodigioso encabeçado por Dionísio, o deus grego da vinha, do vinho e do delírio ébrio, latinizado posteriormente num formoso e jovem Baco com a cabeça enfeitada com vides, uvas e parras, que dá largas à desbunda báquica escarranchado num tonel e tendo na mão uma taça de vinho. Emoldura-o em permanência orgiástica, uma corte de bacantes e faunos, onde, não falta sequer o deus Príapo apregoando a subversão libidinal.
É esta bebida mítica que os homens transformaram num facto cultural comum a todas as gentes do mediterrâneo, particularmente as gentes do sul europeu. Na sua longa caminhada, entrelaçou o ócio e o trabalho, a amizade e a inimizade, o real e a lenda, o belo e o disforme, a alegria e a tristeza... Sem dúvida que é o responsável por uma grossa fatia da economia cultural deste nosso mundo.
Aproximando o retrato aqui desta terra transtagana, constata-se uma herança de importância e fama em tudo igual. São os usos e os costumes que de nós se abeiraram que o dizem, é a historia que igualmente o chancela. Pelos finais do século XV, escreve Duarte Nunez de Leão: «Ha os vinhos da cidade de Euora, de que sam mui estimados os de Peramanca em sabor & substancia: por os quaes dizia hum grande medico, que por serem mui amigos do estômago, & da natureza, tanta força punhã em hum corpo como pão, vinho & carne de outras partes. O mesmo nome tem outros muitos de Alentejo onde ha vinhos mui finos, como são os brancos de Beja, os palhetes de Aluito, de Viana, de Vila de Frades, das Alcacevas...».

Da santa irmandade do vinho e dos comeres, salta-nos de rompante para a mesa da memória as “sopas de cavalo cansado”. Sopa cruel pela fama e proveito de ter “nutrido”, há não muitos anos atrás, uma numerosa infância apartada pela miséria de um sustento mais condigno.
Há, no entanto, basto receituário com parceria vínica bem mais garboso nesta terra de bem querer e comer. Que dêem as gentes da Vidigueira vaia de uma receita de antanho, marinada e apurada ainda com a parra na cepa e a perdiz a voar ralo por mou dos calores do verão dos marmelos.

Perdiz da vinha

2 perdizes
1 l de vinho tinto
1 naco de toucinho da salgadeira
1 cabeça de alhos
1 colher de farinha de trigo
meia dúzia de grãos de pimenta preta
1 colher de açúcar escuro
1 dúzia de parras
sal

Faça uma vinha-d’alhos com o vinho, metade dos alhos esmagados, sal, açúcar e os grãos de pimenta. Deposite neste preparado as perdizes inteiras por um bom par de horas. Com os restantes alhos faça uma massa juntamente com mais um pouco de sal. Retire as perdizes da vinha-d’alhos, esfregue-as com a massa e envolva-as em fatias finas de toucinho que, entretanto, cortou. Por último enrole-as nas parras. Deposite as perdizes embrulhadas numa travessa de ir ao forno, na qual verte um pouco da vinha-d’alhos de forma a que as aves não sequem. Cozinham no forno durante uma boa hora em lume brando. Leve o restante liquido da vinha-d’alhos ao lume, ao qual adiciona a farinha de trigo desfeita em vinho tinto. Quando ferver e engrossar, retire. Desenrole as perdizes das parras e regue-as com este novo molho.

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Tivessem o pão e, principalmente, o azeite, a vontade dos produtores, o direito às políticas de fomento e o apoio técnico que têm bafejado a viticultura alentejana e outro galo cantaria.

É frequente as pessoas interrogarem-se sobre o percurso altamente meritório dos vinhos alentejanos. Para além das fantásticas condições edafo-climáticas da região, dos solos a preceito e das novas tecnologias vínicas, sem uma forte crença e a manifesta vontade dos agricultores teria sido o mesmo que chover no molhado. Vale ainda e sempre sublinhar - as verdades são para anunciar - do empenhado trabalho das Comissão Vitivinícola da Região Alentejo e da Associação Técnica dos Viticultores do Alentejo, organizações, uma institucional e outra associativa.
Segundo afirma o técnico e dirigente Joaquim Madeira, um dos motores deste meritório trabalho, no seu documento “A importância da Vitivinicultura do Alentejo”: (...) Efectivamente a vinha no Alentejo é explorada em 3.140 explorações agrícolas, representando 12,5% do total das explorações da região e ocupa uma área de 16.817 hectares, a qual corresponde a 11,8% da área ocupada pelas culturas permanentes.
Em termos nacionais a cultura da vinha no Alentejo tem uma expressão muito reduzida; não vai além dos 7% da área vitícola portuguesa e representa apenas 1,2% do número de explorações vitícolas nacionais. Estes dois últimos indicadores evidenciam que, no Alentejo, a área média de vinha por exploração é superior à média nacional. Aos 0,9 hectares de vinha/exploração no continente correspondem 5,4 hectares de vinha/exploração no Alentejo.
No entanto, tendo em consideração a especificidade da cultura a qual está circunscrita a pequenas áreas geográficas bem definidas, a viticultura no Alentejo é, em termos económicos, um sector da agricultura de primordial importância. Representa para a grande maioria dos cerca de 3.000 viticultores do Alentejo a fonte principal de rendimento.
A vitivinicultura alentejana tem vindo progressivamente a desenvolver-se à volta das cooperativas, de tal modo que 95% dos viticultores são associados das cooperativas representando um total de cerca de 80% da produção vitícola alentejana.(...)
A prova da dinâmica do sector, está espelhada na diferença dos hectares e número de explorações referidos no trabalho anterior, dados fundamentados no Ficheiro Vitivinícola de 2000, face aos dados apresentados no 6º Simpósio de Vitivinicultura do Alentejo, realizado em Maio de 2004. Segundo os últimos, a vinha ocupa agora cerca de 20.000 hectares divididos por 3.298 explorações.

Existem oito zonas vitivinícolas no Alentejo: Portalegre, Borba, Redondo; Reguengos, Vidigueira, Évora, Granja/Amareleja e Moura.
Coabitam ainda no Alentejo vários métodos de fabrico de vinho. O mais ancestral que, essencialmente, tem a ver com o fabrico de tintos, a velhinha fermentação em talhas. O moderno e generalizado método baseado na tecnologia de curtimenta a temperaturas controladas em recipientes de inox. Pelo meio, mas muito raramente, mora ainda o da pisa das uvas e fermentação em lagares.
Numa paleta mais alargada, são, no entanto, seis as castas que dão o toque de originalidade aos vinhos alentejanos. Nos famosos e badalados tintos: Piriquita, Trincadeira e Aragonês. Nos transtaganos brancos de aromas intensos: Roupeiro, Rabo de ovelha e Antão Vaz.

Joaquim Pulga
Confrade – Confraria Gastronómica do Alentejo


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agosto 04, 2004

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Imagem de Luis Pavão

Vila de Alvito

A vila de Alvito
tem ruas e praças,
homens e mulheres
e muitas desgraças.
A vila de Alvito
tem dois lavradores.
Tem muita riqueza
e raros amores.
A vila de Alvito
tem uma cruza ao lado –
Quem manda na vila
não lhe dá cuidado.
Malteses, ganhões,
sangue misturado.
Na vila de Alvito
é que eu fui criado.

Raul de Carvalho

Publicado por machede em 12:38 AM | Comentários (1) | TrackBack

agosto 03, 2004

Do Índico sem papas na língua

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XITIZAP 14

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agosto 02, 2004

Cagativo, elucidou-me o Traço Fino!

Que se fôda o merdoso do contrafactor! Magnânimo, ainda lhe vou às trombas com o Adrien Brouwer e ao fundo das costas com o Botto.

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(Adrien Brouwer)

Inédito

Nunca te foram ao cu
nem nas perninhas, aposto!
Mas um homem como tu,
lavadinho, todo nu, gosto!

Sem ter pentelho nenhum
com certeza, não desgosto,
até gosto!
Mas... gosto mais de fedelhos.

Vou-lhes ao cu
dou-lhes conselhos,
enfim... gosto!

António Botto

Publicado por machede em 06:19 PM | Comentários (8) | TrackBack