agosto 31, 2003

e não haverá por aí quem o queira envernizar?

Durão Barroso quer governar até 2010.

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agosto 28, 2003

Benzedura não ratificada

Na realidade, o Glorioso foi efectivamente benzido, só que, por negligência administrativa, o Padre Melicias não ratificou o despacho de Sua Santidade e pronto, lá levamos mais uma trepa dos italianos.

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agosto 27, 2003

pateta do Texas

O pateta do Texas assegurou que não vai retirar as tropas do Iraque porque «nenhuma nação pode ser neutral na luta entre a civilização e o caos».
Eu, também não sou neutral, só que do lado do pateta – e dos desígnios que ele representa - não estou, tal como não estive do lado do Saddam.
Saberá o pateta que pôs a bota nos anais de uma civilização que teve uma influência decisiva na construção da História moderna?

Publicado por machede em 06:32 PM | Comentários (0) | TrackBack

Os donos da bola...

No telejornal de ontem. No quintal da casa, mulheres, crianças e velhos assistem completamente atónitos à performance do americano que mantém o iraquiano, certamente, seu familiar, de bruços, no chão, com um pé no pescoço e a arma aperrada à cabeça. Quando adultos, se a isso chegarem, que a esperança não é por aí além, que recordações daqueles «estranhos salvadores» terão aquelas crianças? Possivelmente a brutalidade e o vexame de um pé no pescoço para o resto da vida!
E assim injecta «democracia» e bomba petróleo o pretenso império do século XXI.

Publicado por machede em 01:25 AM | Comentários (1) | TrackBack

agosto 21, 2003

rezar está fora das minhas incumbências, mas meto uma cunha...

O escritor americano Paul Auster, sobre a inenarrável administração Bush, disse recentemente: “(...) peço a Deus que os consigamos tirar do poder em 2004 (...) Rezo todos os dias para que isso aconteça...”

Sérgio Vieira de Melo era um homem bom!
Que o bando luso dos contentinhos democratinhas lambe cus, tenham o pudor de não aproveitarem a sua morte para vomitarem mais demagogia colaboracionista com a «cruzada fascistoide».

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agosto 19, 2003

reler...

De quando em vez passo os dedos e os olhos pelas lombadas e letras e, zás, reenamoro-me. Amores antigos, daqueles que deixam agradáveis sabores na memória.

«dedicatória um

aos ovos vindo das ovas
aos avós vindos dos avos
aos vindouros ovos voz
(indo dos ovos ao vós
sem metridourar centavos
entre as obras e as trovas
entre as calças e os cús
entre a carcela e os cós
sem mais respeito aos avós
(em que os avós reincidam
chantagens de cãs e caspas)
que O que os q’ridos avós aspas
que O que os cridos avós raspas
que O que os idos avós idem!

dedicatória dois

A SUA EXCELÊNCIA O EXCELENTÍSSIMO
PROFESSOR DOUTOR
ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR

ao camarada álvaro cunhal

o FAROL ALEXANDRÃO e a bóia-farol
que balizaram os dóris da minha geração
de gelos e bacalhoadas e
terranovas cruzados de pinguim
e avós barbequim
nas cruzadas dos vinténs e das vintages

dedicatória três

ao Homem anho do homem»

do livro «pressaga» de João Pedro Grabato Dias

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agosto 18, 2003

Agora, assobia-lhe às botas...

Sempre fui um céptico! Diletante na questão, era, no entanto, apologista do plano de rega do tempo da outra senhora. Era mais maneirinho, mais equilibrado, menos megalómano, com impactos mais repartidos.

Mas então, os meus conterrâneos enregaram furiosamente na do «construam-me, porra». O alarido aumentou e a coisa resvalou para o imperativo patriótico. Ainda balbuciei a defesa da cota dos ecologistas, azaréu, os camaradas da pesca fisgaram-me com um argumento económico com toneladas: cota cento e trinta e não sei quê, uma ova, cota máxima mete mais água e mais perto fica a margem do nosso burgo, portanto, menos km para pôr a minhoca de molho. Os políticos reflectiram e lá arranjaram uns dinheirinhos da europazinha antes que os 6% de chaparros votantes pintassem a cara e entrassem em pé-de-guerra, num conflito mais ou menos do género, os alentejanos contra o resto do mundo e arredores.

Tá quase rasinho. Ainda não regou sequer um pé de couve, mas lá que é um encanto de oceano, é compadre! Agora temos o mar do Alqueva e o resto da tropa só tem o Atlântico, onde, para desespero deles, também molhamos os pés, só os pezinhos, que a rapaziada é de sequeiro. Então e não é que os gajos correm afogueados de todo o lado, parecem perdigotos, para mirar o nosso mar. Calhando, pensavam que as nossas marias andavam lá de gasolina com as mamas ao léu, como naquele romance do García Márquez «Pantaleão e as visitadoras». Bom, mas uma coisa a gente não autoriza, os submarinos do Portas não metem lá as nalgas, pronto!

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agosto 17, 2003

Ironia de Agosto para consumo interno...

Baleizão, 1930, Agosto, 3 horas da tarde. Ao lado da porta da taberna, no banco corrido do costume, três baleizoeiros fumam tabaquinho de onça enquanto aguardam, em silêncio – que a calma não está para conversas – que a carteira de um faça a franqueza de uma rodada que molhe a goela e dê conforto há alma, lá dentro, no balcão de mármore.
Do lado de Beja, na estrada de macadame, vagarosamente, aproxima-se, crescendo, uma nuvem de poeira.
Brurm, brurm, brurm. Os baleizoeiros são passados por um automóvel que acompanham silenciosamente com os olhos. Brurm, brurm, brurm.
Para os lados de Serpa, na estrada de macadame, minguando, vagarosamente, desaparece, uma nuvem de poeira.
Após um quarto de hora, atreve-se o primeiro baleizoeiro:
- Olhem, ia ali um ford!
Volvido outro quarto de hora, indigna-se o segundo baleizoeiro:
- Ora esta, era agora um ford???!!!!
Por volta do quarto quarto de hora, levantando-se, clama o terceiro baleizoeiro:
- Mesmo agora cheguei e mesmo agora me vou embora que vocês hoje estão só discutindo!

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agosto 16, 2003

Longa vida à taberna do Gasolina

Na Grécia antiga a taberna dava pelo nome de Kapêleion e os taberneiros de Kápelos. O vinho, razão primeira da existência das tabernas, mereceu do poeta Grego Alceu para a posteridade:
É preciso não entregar o coração ao infortúnio./Nada lucraremos, ó Bíquis, com tristezas./O melhor remédio é pedir vinho e embriagar-nos.
Os Romanos frequentavam-nas com entusiasmo, como se de lugares de culto se tratasse. Para eles, eram poiso de conversa e boa disposição, de abrigo e refúgio, de comidas e vinho que, generoso, corria a rodos. Muitos foram os autores romanos a quem nunca doeram as mãos e a pena na sua celebração. Plauto, Horácio, Cícero e Tito Lívio que, certamente, entre outros, se refugiaram na sua penumbra apelando às Musas.
Na Idade Média continuaram a ser templos de convívio e satisfação. Nelas, continuou a jorrar vinho para poetas, jograis, e goliardos, saltimbancos e vagabundos, cavaleiros e soldados, frades e peregrinos, camponeses e artesãos. Foram frequentadores seus que escreveram os magníficos Carmina Burana. Nelas, se conspirou e delas saíram revoluções e regicídios. Nelas, encontraram conforto os inúmeros desprezados da sorte daqueles tempos.
Omar Khayyam, cidadão da Pérsia muçulmana, homem sábio, culto e crítico, astrólogo, matemático e geómetra, que com a normalidade dos amantes do prazer, prezou o convívio das mulheres, das tabernas e do vinho, deixou-nos na forma de poema, o seu elogio:
O nosso tesouro? O vinho./ O nosso palácio? A taberna./ Os nossos fiéis companheiros? A sede e a embriaguês./ Ignoramos a inquietude, porque sabemos que as nossas almas, corações e taças e as nossas roupas maculadas nada têm a temer do pó, da água e do fogo.
As tabernas foram para mim a curiosidade da infância e a academia da adolescência. A taberna do Armando, do Nabo, do Quintaneiro, do Praça, do Carranca, sítios que atentatóriamente foram convertidos em baiucas de mau gosto, onde reina a falsa modernidade do espelhinho, do alumínio e da fórmica, foram escolas onde percebi dos méritos e dos malefícios da vida. Lugares onde estabeleci amizades e aprendi a maldizer, onde discuti o relativo e o absoluto, onde com reverência escutei do saber e do fazer, onde fui iniciado nos prazeres do vinho e do petisco.
Em homenagem a estes santos lugares convivialidade, exalto, do saber e do fazer um petisco que é comedia nobre nas tabernas do sul.

Fígado de coentrada
3 fígados de borrego
1 molho de coentros médio
3 dentes de alho
1,5 dl de azeite
vinagre a gosto
sal grosso a gosto

Depois dos fígados bem arranjados e salpicados de sal, assam-se inteiros, no carvão, em calor brando. Para uma tigela cortam-se os fígados em pequenos cubos. Rega-se o preparado com o azeite e o vinagre, para o qual, igualmente, se picam os alhos e os coentros. Salga-se a gosto e mistura-se bem. Deixa-se a tomar sabor de um dia para o outro, mexendo de vez em quando.

Em Alcáçovas, entre na taberna do Gasolina e sente-se, jogue uma suecada ou um dominó e aprecie o magnífico balcão de mármore. Faça-se à conversa com o tio André ou com o Sérgio que, seguramente, com a delicadeza dos alentejanos, o recompensarão com uma pomada da sua secreta garrafeira. Solicite os delicados préstimos culinários da tia Vicência ou da Elsa. Coma e beba e belamente vai voltar, pela pinga, pela comida e pela simpatia. Pode, inclusivamente, maldizer (com bons modos) o Benfica, que o André e o Sérgio são do Glorioso da Luz, mas como qualquer alentejano que se preze, são danados para a brincadeira.
Eu tenho um prazer imenso no Gasolina.
Longa vida à taberna do Gasolina.

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Viva a alienação da bola!

Alienação, segundo o porto editora: afecção que torna o paciente incapaz de se comportar de maneira normal na sociedade.

É hoje!
Uma imensurável fé honorária – é a que me resta – no Glorioso da Luz... uma grande tristeza pelo Lusitano de Évora se ter ressentido do «país de tanga» e ter escorregado para os regionais, as culpas vão todas para aquela moça bonita que é contabilista do cherne. Uma grande simpatia pela malta da Briosa e de Belém... um ético respeito pelos Lagartos, sempre são do sul, porra!... relativamente aos apaniguados do renegado Mourinho – o moço diz que é de direita, porque pertence a uma família tradicional !!!??? esta não lembraria nem ao Teias – e do Costa, bem, quanto a clubes estrangeiros, sou do Bétis de Sevilha!

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agosto 15, 2003

Ai trigueirinha

- Manel, atão tu já na me procuras?
- Ora Maria, tu já na te escondes!

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agosto 14, 2003

Pontos nos iiiiiiiiiiiiis....

Aqui há um par de luas, por via de uma das minhas lérias alentejanas, um artista da corda deixou o seguinte comentário: tem aqui bom piadão sobre os alentejanos.
Sem algazarra mas com o empino necessário chegou a altura de chamar os bois pelos nomes, antes que se faça tarde:
. o humor transtagano é apenas e só o da nossa produção!!!! tal como o são os queijos Serpa, os enchidos de Estremoz ou o vinho de Portalegre, e é com esse que cá a rapaziada curte que nem uns nababos;
. com a acrescentada galhofa de termos por garantida a queima de neurónios a uns quantos australopitecos que de todo não encornam que aqueles gajos teimem em rir deles próprios, é a vida, diria o engenheiro;
. as piadolas sobre os alentejanos, é para o lado que roncamos melhor – geralmente são remoques sensaborões que ao intelecto dizem zero – para além de nos estimularem a pica de controversos e de nos vincarem o carácter que nem rego aberto por charrua;
. não temos receio de nos expormos porque nos sabemos senhores de uma verticalidade que não é deitada, daí a generosa distribuição de ironia certificada, cientes, contudo, que grande parte das mais-valias cá moram, pela mesma ordem de razões que as galinhas – não menosprezando o sacrifício das ditas campestres em favor das reconfortantes canjas com ovinhos amarelinhos e folhinhas de hortelã a boiar – jamais voaram até onde as águias alcançam.
Para que conste, emendo o comentário: tem aqui bom piadão alentejano.

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agosto 13, 2003

Monárquico de esquerda

Fazendo fé na imprensa, está em formação um novo partido monárquico. Até aqui nada de espectacular, uma vez que há ainda uma imensa bicha do pirilau de excelsas tólas coroadas que continuam a reinar, ou, talvez antes, a decorar. Para além da inúmera realeza que sem trono onde cair morta, areja, de tempos a tempos, a naftalina da aba de grilo por casórios e baptizados levando ao êxtase e a alguns orgasmos avulsos, a plebe e o jet lili-bobone. Ao contrário do que, quando apeado do trono, predestinou o rei Faruk do Egipto - no final do século XX só restariam cinco cabeças coroadas no planeta, a rainha de Inglaterra e os reis de copas, de ouros, de paus e de espadas - há, de verdadinha, refastelado no vanguardista XXI um comité central rasinho de ideólogos da coroa acolitado de uma jeitosa catrefa de apoiantes. Atão, senhores ouvintes, onde está a graçola? A graçola está no «de esquerda»!
Ai António, como eu gostava de saber por que tabernas e tertúlias do além, tu andas meu amigo. Não era por coisa por ai além, era apenas para, entre um tinto e uma fava frita, repenicarmos uma sonora gargalhada à conta do «monárquico de esquerda».
Trouxe-me esta charla a saudade - que porra de palavra fado - do companheiro António Safara, que no auge do zaronzel marxista-leninista, anarquista, trotskista e que mais houvera na insurrecta mocidade eborense, sempre, mas sempre afirmou por debaixo do revirado bigode com o peito feito dos que ousam: eu sou monárquico, mas de esquerda! Com esta costumeira tirada, deixavas as hostes almariadas no carrossel do sério e da brincadeira. Mas atão, o António era assim e assim o teriamos de partilhar.
Foi preciso viver uma vida ao lado da tua dignidade solidária, para perceber que o «monárquico de esquerda» era um desapego aos «ismos» e um enorme apego à fraternidade.
Até mais ver António.

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agosto 12, 2003

À sombra da noite

A minha aldeia tem duas ribeiras. Uma, na tem água. A outra, tem água ma na tem peixe, ma z'atão cágados!

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