julho 22, 2003

assim como assim

- Maria, porqué que pintas os bêços?
- Ora, pra ficar mais bonita!
- Atão porqué que na ficas????

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julho 20, 2003

Um tinto alentejano pelo mais velho

O Madiba fez anos... parabéns ao Madiba.
85 anos de espinha na vertical, é obra!
Uma lição: de como se deve exercer o poder com a dignidade do tamanho do continente africano.
Uma carrada de tartufos e flibusteiros dos vários poderzinhos, do local ao global, assobiam fininho para o ar... pudera, os ditos pensam que a verticalidade é deitada.


O famigerado Silva do Parlamento, foi visto lá para as bandas de Águeda disfarçado de reposteiro da Assembleia da República.

Publicado por machede em 01:27 PM | Comentários (1) | TrackBack

julho 19, 2003

Sulitânia 2

MUTIMATI Barnabé João, cidadão da língua portuguesa e mestre da utopia.
Lá, onde descansa da longa caminhada, continuará certamente entre tragos de canho a disputar as musas ao Craveirinha e ao Knopfli, e, possivelmente a bater furiosas jogatinas de xadrez com o camarada Machel.
Cá, entre as várias batalhas de uma atulhada vida, gerreou a desconstrução do império nas matas do Índico, enquanto moçambicantava o sonho do homem novo num pequeno caderno que baptizou de «Eu Povo».
Hoje, entre o prazer do cigarrito e da aguardente abaladiça, consolembrei os olhos nas memórias do companheiro Mutimati.

Camarada Inimigo

Esteve aqui um inimigo sem fome, muita.
Deixou-me este inimigo uma ração de combate com formigas
e 2 pedaços de jornal com excrementos
e 22 latas de cerveja vazias
e capim pisado.

Contou-me muita informação preciosa este inimigo
sei que há 3 meses fazia frio em Lisboa (Portugal)
Caetano está bom na legenda mas só tem meia cabeça na foto
e o seu sorriso acaba onde começa mais excremento
Caetano está bom mesmo e o Povo Português muito triste
hoje há 3 meses pois Eusébio não alinha por ter menisco
e Santo Francisco de Paula é senhorio em Lisboa dos pobres.

Sei ainda que este inimigo tem a doença da sede para esquecer
tem pouca fome porque ainda não sabe aprender a esquecer
tem diarreia, tem lombriga tem solidão
e só sabe fumar metade do cigarro.

Este inimigo deixa muita informação e rasto
não pode ser um inimigo tão assim tanto
é um camarada inimigo trabalhando no campo inimigo
é pelo menos um agente duplo.

do livro «Eu Povo»
de Mutimati Barnabé João

Publicado por machede em 04:18 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 18, 2003

Também tu cianeto!

Do Bolero que deus tem, e não só!

(...)
Lisboa é a cidade do sul mais ao norte. Talvez não só por isso, mas o certo é que aí vivi nos loucos anos de brasa, nos meados da década de 70. Para os andarilhos da altura, cirandar a juventude pela boémia da capital era como que partilhar o Olimpo com os deuses.
E foram na realidade anos temerários, numa Lisboa ainda sem correrias e sem os bares do come-em-pé, em que os verdes de dois pisos e os amarelos da carris, rodavam sem desesperos num ronceiro vai vem de citadino prazer. Numa Lisboa pacifica, em que a rotineira desinquietação boémia dos duros jantava na Trave, ou no Fidalgo, despachava umas imperiais entre ruidosas tertúlias político-filosóficas na Trindade ou no Convívio, rumava e tentava arrumar umas namoradas no Bolero ou no Bonaparte e ...se sim, sim, se não restavam os copos da sossega no Cacau da Ribeira ou no Mercado do Rego.
(...)

excerto do livro "Alentejanando"

Publicado por machede em 02:40 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 17, 2003

Sulitânia 1

É um homem de muito tempo deste sul, do tempo que este sul era terra do al-Andalus. Al-Mu'tamid nasceu em Beja, por um par de luas viveu em Silves e, mais tarde, tornou-se rei de Sevilha.
Era do meu sul este poeta!

Por receio de quem espia
com muita inveja a roer
não veio naquele dia,
p'ra assim traída não ser
p'la luz que no rosto explende,
p'las jóias a tilintar,
e pelo perfume do âmbar
a que o corpo lhe rescende:
é que ao rosto, com o manto,
á-lo inda poderia,
e as jóias, entretanto,
facilmente as tiraria
mas a fragância do encanto
p'ra ocultá-la, que faria?

al-Mu'tamid

O Manel andarilhou por este seu sul, no ontem do século que à um nadinha abalou. Com a caneta, qual arado, rabiscou folhas e folhas, quais planícies. O Manel também foi rei, não de Sevilha, mas da palavra encantada.
Era do meu sul este poeta!

(Poemas da Infância) Segundo

Quando foi que demorei os olhos
sobre os seios nascendo debaixo das blusas,
das raparigas que vinham, à tarde, brincar comigo?...
...Como nasci poeta
devia ter sido muito antes que as mães se apercebessem
[disso
e fizessem mais largas as blusas para as suas meninas.
Quando, não sei ao certo.

(...)

Tal era o mistério dos seios nascendo debaixo das blusas!

Manuel da Fonseca

Publicado por machede em 12:05 AM | Comentários (4) | TrackBack

julho 16, 2003

ATITUDES

O Portas - o do fato às riscas - demarca-se do Estado Novo. Esquece o moço, que o Botas nunca por nunca perdoou a mais leve facadazinha! Quando o Senhor o chamar para junto d'Ele está o baile armado.

Era uma vez um cardumezinho de chernezitos piquininos, brincando ao corte e costura, num reinozito lá no cu da europazinha. Cortaram daqui e dacolá, coseram dacolá e daqui. Concelho a mim, concelho a ti... Só que o papá cenourinha, desta vez não está pra brincadeiras, e não tarda um farelo que os chernezitos estejam de carreirinha, com umas enormes orelhas de burro virados prá parede da assembleiazinha, ou seja prás galerias.
Continua nos próximos capítulos.

Publicado por machede em 01:22 AM | Comentários (2) | TrackBack

julho 14, 2003

Valha-nos o Padre Cruz que peregrinava não haver rapazes maus!

Do Público - "Casa Branca culpa a CIA por erros no Iraque". É caso para dizer: uuuuus pequeno bedecem UUUUUUUs grande, + nada!

É um fartote de encalhe com deputados em trabalho político na paranónia algarvia. Recordo sempre com redobrado entusiasmo a charla do meu amigo moçambicano Ricardo Rangel, ao tempo deputado da Frelimo: eu deputado???, não, eu sou é doputedo!

Edmundo Pedro 10 Zé Lello 0. Do Público (é pá não estejam já com merdas que não tenho nenhuma avença com o Belmiro!!!!) - "Ex-pide comendador da República". É pá o Lello levou uma tosa do Edmundo que deve ter ficado a cuspir fininho. É caso para lhe propor o endereço que maliciosamente sugeriam ao cigano: lelo.lelo@oquepuderes.pt.

Afinal o cherne mais aquela moça bonita que se farta que faz a escrita do dito teleósteo, sempre arranjaram uns tostões para os popós catitas da GNR. Coitados dos iraquianos, só lhes faltava mais esta de terem que mamar com uns tisnados similares, de chafalho nas ulhas, armados em ajudantes do xerife amaricanos.

Publicado por machede em 01:13 AM | Comentários (1) | TrackBack

julho 10, 2003

Vamos lá saindo por estes campos fora, que a manhã vem vindo ....

Companhia de Moçambique -

Interessante o blogue!
O endereço do mail puxou do poço da memória e elevou até ao gargalo, na ponta da corda, uma lembrança interessante - no meu tempo de técnico na República "Popular", conheci, em Quelimane, aquilo que o imaginário popular soprava ser a última prazeira da Zambézia - a Ana do Chinde. A Ana era uma negra clara, de idade indefinida mas de compleição robusta, cirandando ainda um ar majestático de muito tempo. Recordo ainda hoje, com a atenção de um mocho, a alucinação de ver entrar na sala de jantar do Chuabo um corpanzil trajado de tradição, descalço mas imperial, ziguezagueando com um solícito séquito na cauda por entre uma ala de empregados em ângulo recto até aportar numa mesa de mordomia reservada. Porra, que era obra! Convém lembrar que, por estas alturas, a moral revolucionária não ia à bola com a tradição, ainda por cima a pé-descalço, pavoneando-se em locais de tal recato. Daí a minha profunda estupefacção!
Prazeira ou não, a Ana do Chinde tinha, para os seus, uma aura do tamalho de um santo da 1ª liga.

Publicado por machede em 01:52 AM | Comentários (10) | TrackBack