Dobrada à moda do Porto
Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
que a preferia quente,
que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.
Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão; nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta.
E vim passear para toda a rua.
Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...
(Sei bem que na infância de toda a gente houve um jardim,
particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje.)
Sei isso muitas vezes,
mas, se eu pedi amor, por que é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio.
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.
Álvaro de Campos
entao o teu camarada barroso nao quer largar o tacho isto mais parece uma monarquia
Afixado por: carapinha em março 23, 2005 04:21 PM