Cair do pano
As acácias já se incendiaram de vermelho
e o zumbido das cigarras enxameia obsidiante
a manhã de Dezembro. A terra exala,
em haustos longos, o aguaceiro da madrugada.
Ao longe, no extremo distante da caixa
de areia, o monhé das cobras enrola
a esteira e leva o cesta à cabeça,
cumprindo o papel exacto que lhe coube
e executou com paciente sageza hindu.
Dura um instante no trémulo contraluz
do lume a que se acolhe, antes da sombra
derradeira. Assim os comparsas convocados
para esta comédia a abandonam, verso
a verso, consignando-a ao olvido
e à erva daninha que, persistente, a cobrirá
irremediavelmente. O encenador faz
a vénia da praxe e, porque aplausos
lhe não são devidos, esgueira-se pelo
anonimato da esquerda alta. É Dezembro
a encurtar o tempo, o pouco que nos sobra.
Rui Knopfli
Publicado por machede em fevereiro 14, 2005 12:20 AMMAGNÍFICO, COMEÇAR A SEMANA COM ESTE POETA! _ ABRAÇO, IO.
Afixado por: IO em fevereiro 14, 2005 12:20 PMtambém é fevereiro no tempo encurtado do pouco
tempo que nos sobra...
ao meu amigo ixidine
luis
ACHO piada aos pUetas...
na diferenca do jacarandá e " banianes", até prefiro a irma lúcia...
sinceraremente ACácido
luis
Afixado por: cipriano em fevereiro 15, 2005 02:26 AM