Questionam-me amiúde do porquê da abertura da tasca na Vila de Vimieiro? Da razão de não ter aberto a chafarica na aldeia grande de Évora, terra onde assomei para as agruras e prazeres da existência, e na qual resido novamente. Do motivo de escancarar portas a um negócio num lugar que nada me diz afectivamente, a não ser existir na geografia alentejana. O que já não é pouco – no meu entender, claro está! Do paradoxo de um eborense optar por um lugarzinho com incomparavelmente menos procura que a aldeia grande de Évora. É nesta última vertente que a perplexidade mais espeta o dedo.
Sem entrar em grandes divagações sobre a razoabilidade da minha opção, lá explico, martelando com nitidez a coerência do percurso – no meu entender, é evidente! Andei um ror de anos a vender por boa a ideia das imensas potencialidades do interior rural. Não só porque tem, geralmente, uma forte identidade cultural, mas também, no caso alentejano, uma “paisagem rural” com um grau de preservação ainda apreciável. Acrescento ainda que tem a ver com uma objectiva opção para a ponta final da vidinha. Com o sair pela incontornável porta para o incógnito na companhia serena das coisas simples. Rodeado daquilo que mais tem a ver comigo e que continuadamente me deslumbra.
Geralmente olham-me não muito convencidos. Possivelmente persuadidos do poço de petróleo que teimo em manter secreto e que, entretanto, descobri no logradouro da baiuca.

Imagem de José Godinho
A vida também se faz de razões aparentemente pouco racionais.
um abraço,
Francisco Nunes
P.S.:Espero que não estejas arrependido da opção que tomaste
Amigo: é uma pena que Vimieiro ainda esteja dentro desta "piolheira ingovernável". Se já estivesse na outra banda da abolida fronteira, pedia-te asilo, que isto aqui fede... Quem me dera fazer como o meu (nosso) amigo Luís, distinto médico que não aguentou tanta "colidade" de vida na Évora-aldeia grande. Com a cama feita pela cambada que a gente sabe, pegou na gaja e ala moleiro. Mandou isto às malvas e assentou arraiais para lá de Badajoz! Diz que ainda está demasiado perto da merdalheira, mas já conhece as boas tascas lá do sítio.
Mudando para melhor assunto: qualquer dia vou aí outras vez às sopas, que as últimas estavam de gritos!
Hoje vou à bola, imagina(!), com o Saul e o Araújo, ver a águia dar bicadas na lagartagem, espero. Espero, mas se não der, que se lixe. Depois da terceira parte, aquela a seguir ao jogo, espero que um de nós ainda esteja em condições de achar o caminho de volta, mas não faço questão. O lunetas diz que não há problema, já estás a ver o filme...
Um abraço,
Candeias